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Muito além dos Jardins

Pessoas ainda interessadas na eleição municipal ocorrida em São Paulo em 2008 podem baixar meu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo na PUC, um livro-reportagem que faz um balanço sobre a campanha de Marta Suplicy.

O link: TCC Ana Clara Gaspar para baixar o livro.

Link para ver online: TCC Ana Clara Gaspar

Favor citar a fonte, ok?

Abraço e até uma próxima!

Add comment Julho 30, 2009

Os candidatos da eleição 2008 em São Paulo

Marta Suplicy (PT)Marta Suplicy, psicóloga formada pela PUC-SP e pós-graduada pela Stanford foi sexóloga e apresentou um programa na Rede Globo nos anos 80, respondendo às dúvidas sobre sexo de mulheres que ligavam no programa Tevê Mulher. Num país recém saído da ditadura, o assunto continuava um tabu e foi criticado duramente pelos setores mais conservadores da sociedade.
Casada com o senador Eduardo Suplicy desde os tempos de faculdade, esteve sempre próxima à política, seja como líder estudantil, ainda no Colégio Sion, um colégio tradicional no bairro de Higienópolis onde estudou sua vida toda, como filiada ao PT, como fundadora e ex-presidente do Instituto Florestan Fernandes. Mas apenas na década de 90 foi convidada a ser deputada federal.
Em 1994 se elegeu com a quarta maior votação do partido na Câmara, mais de 70 mil votos. Concorreu ao governo do estado em 1998, mas por bem pouco Paulo Maluf conquistou a vaga para o segundo turno contra Mario Covas – que terminou eleito, com o apoio de Marta, que ficou em terceiro.
Em 2000 concorreu à prefeitura de São Paulo e, numa eleição dura, terminou eleita. Mesmo com uma boa avaliação de sua gestão – 48% -, Marta não obteve votos suficientes para ser reeleita. Com 5% de votos a mais, José Serra terminou vitorioso.
Com a reeleição de Lula, em 2006, Marta foi convidada a ser ministra do Turismo. Lançou programas importantes de inclusão, como o da 3ª idade, com descontos de 50% para idosos em empresas aéreas, hotéis e agências de turismo, mas também enfrentou o “Apagão aéreo”, que causou o momento mais difícil de sua vida política, a infeliz frase “Relaxa e goza”, dita de maneira inapropriada, mas tendo um impacto ainda pior na opinião pública, por meio das críticas da imprensa.
A propósito: a frase foi usada para responder à indagação de uma jornalista sobre qual o conselho que Marta daria às pessoas que ficam horas em filas esperando para embarcar. O “relaxa e goza” foi dito no sentido de que as pessoas deviam se acalmar e pensar que logo estariam viajando, curtindo a vida.
A coisa piorou ainda mais com o acidente da TAM que matou 199 pessoas em julho de 2007, e a frase de Marta voltou à tona, causando revolta aos familiares das vítimas do acidente. Não adiantaram as explicações e desculpas da ex-prefeita; é difícil dissociá-la dessa frase.

Gilberto Kassab (DEM)

O atual prefeito Gilberto Kassab, do DEM (ex-PFL), disputa a reeleição. Tem 49 anos, foi deputado estadual e federal e secretário do planejamento de São Paulo na gestão de Celso Pitta (1997-2000). Como vice-prefeito do tucano José Serra, eleito em 2004, herdou o cargo no executivo assim que Serra saiu para se candidatar e vencer a disputa pelo cargo de governador do estado.
De um ilustre desconhecido da população, sua gestão conseguiu obter bons índices de aprovação. Durante a campanha, os números de ótimo/bom chegaram a 50% em setembro.
Seu governo foi marcado por pequenas ações ousadas, tendo como maior exemplo a implantação da Lei Cidade Limpa, que regulamenta os outdoors, placas e letreiros pela cidade. Ao ser aprovada, a lei gerou muita discussão e descontentamento de comerciantes que viam as placas enormes na fachada de seus estabelecimentos como o principal chamariz para a clientela. Muitas empresas de banners e outdoors foram fechadas.
Sua candidatura nasceu fraca. Antes da eleição, boa parte dos paulistanos sequer sabia o nome do prefeito. Pouco conhecido da população, obteve uma grande vitória quanto à formação de alianças com grandes partidos, que estavam sendo disputados também pelo PT e pelo PSDB, e lhe garantiram o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita na tevê e no rádio: cerca de 9 minutos. Para um desconhecido com obras para mostrar, o alto tempo na televisão, juntamente com um marketing de qualidade, seria extremamente vantajoso. Não surpreendeu, portanto, uma constante ascensão da intenção de votos em sua candidatura, chegando a ultrapassar o ex-governador Geraldo Alckmin, a menos de trinta dias mês para a realização do 1º turno.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Geraldo Alckmin, do PSDB, tem 55 anos. Começou sua vida pública cedo, como vereador de sua cidade natal, Pindamonhangaba, aos 19 anos, ainda pelo MDB. Aos 23, foi eleito prefeito da cidade. Ajudou a fundar o PSDB. Foi deputado e vice- governador de São Paulo. Após a morte de Mario Covas, herdou o governo. Conseguiu se eleger e reeleger com facilidade, ancorado na imagem de Covas e obtendo uma boa avaliação de governo durante os 10 anos no comando do estado de São Paulo.
Nas eleições presidenciais de 2006, Alckmin concorreu com Lula. Conseguiu levar a disputa ao 2º turno, mas obteve uma derrota implacável, conquistando menos votos do que no 1º turno, em parte pela imagem de privatista que o PT conseguiu lhe colar. Isso levou a um desgaste na sua imagem política.
Na campanha municipal de 2008 enfrentou um revés dentro de seu próprio partido, que se dividia entre apoiar a reeleição de Kassab, apadrinhado político de José Serra, ou lançar candidatura própria, com Alckmin como candidato. O drama no PSDB tomou conta da imprensa diariamente, até as vésperas da Convenção do partido que, com um acordo interno viabilizado por Serra, confirmou a candidatura própria com Alckmin e Campos Machado (PTB) como vice.

Paulo Maluf (PP)

Paulo Maluf tem 77 anos e é candidato pelo Partido Progressista. Dentro do seu partido, enfrentou leve oposição de Celso Russomano, também pré-candidato à prefeitura de São Paulo. Seu poder e influência, mesmo não sendo o que costumava ser, ainda permanecem altos. Maluf é um mito da política paulista. Mesmo com a oposição de Russomano, não houve problemas quanto à sua indicação. “Maluf é um candidato natural para as eleições”, diria Russomano uns meses mais tarde.
Com o bordão “rouba mas faz”, lembrando a forma de política de Adhemar de Barros, um influente político paulista das década de 1950 e 60. Maluf possui até hoje muitos seguidores fiéis de uma forma de política de recebeu o nome de “malufismo”.
Maluf foi prefeito de São Paulo entre 1969 a 1971, nomeado pelo então presidente Costa e Silva. Entre 1979 e 1982, foi governador do estado. Seu último cargo no executivo foi novamente a prefeitura de São Paulo em 1993. Suas gestões foram marcadas por grandes obras viárias, como o “Minhocão”, as Marginais Tietê e Pinheiros, diversos túneis, passarelas e avenidas. Maluf insiste que “é impossível andar 1 Km em São Paulo sem passar por uma das obras de Paulo Maluf”. No entanto, houve muitas suspeitas de desvio de verbas públicas e obras superfaturadas, como a Av. Água Espraiada, atual Av. Jornalista Roberto Marinho. Criou também o projeto de habitação Cingapura, prédios na beira das favelas com a intenção clara de maquiá-las, e privatizou a saúde municipal, através do PAS.
O candidato já não goza da mesma credibilidade junto ao eleitor como era nas décadas de 80 e 90, porém foi eleito deputado federal em 2006 com mais de 700 mil votos. Para cargos executivos, no entanto, sua credibilidade segue em queda. O índice de rejeição a Maluf é recorde, e chega a 58% segundo Datafolha realizado no final de setembro.

Soninha Francine (PPS)

Soninha Francine, 41 anos, entrou tardiamente na política. Foi apresentadora por anos da MTV, cujo público é majoritariamente formado por jovens. Convidada pela Tevê Cultura a assumir um programa também para jovens deixou a antiga emissora. Também comandou uma mesa redonda sobre futebol e assina uma coluna no jornal Folha de S. Paulo sobre o mesmo tema.
Em 2001 esteve envolvida em uma grande polêmica, quando a revista “Época” publicou uma matéria que revelava que Soninha fazia uso freqüente de maconha. A capa da revista trazia uma foto da apresentadora, sobre a frase: “Eu fumo maconha”. Soninha foi achincalhada pela opinião pública e acabou demitida da TV Cultura. A apresentadora processou a revista, mas não obteve liminar favorável.
Em 2004, candidatou-se à vereadora pelo PT, e conseguiu a vaga com mais de 50 mil votos. Àquela época, enfrentou dentro de casa um drama: sua filha mais nova sofria de leucemia, e necessitava urgentemente de um transplante. Soninha afastou-se da campanha para acompanhar de perto a batalha de sua filha. Em diversos programas televisivos, Soninha falou do drama que enfrentava e defendia a doação de medula, não só para sua filha, mas também para todas as pessoas que sofriam do mesmo mal. Há quem acuse Soninha de aproveitar o drama da filha para se promover, já que tudo isso aconteceu muito próximo à eleição e ganhou muito destaque na mídia. Mas é difícil julgar um caso desses de oportunismo, em se tratando de uma doença grave numa criança de 7 anos – sua própria filha. É óbvio que Soninha provavelmente preferiria não ter vivido isso, mas a exposição sem dúvida ajudou sua campanha.
Em setembro de 2007, faltando 1 ano para a eleição municipal em São Paulo, Soninha declarava-se insatisfeita com as políticas do PT. Ao mesmo tempo, Roberto Freire, presidente do PPS sondava Soninha sobre suas pretensões políticas. Convidou-a para integrar o partido e concorrer à prefeitura em 2008.
Os horizontes que o PT lhe abriam eram muito restritos. Soninha jamais conseguiria concorrer a um cargo executivo num partido com nomes tão sólidos na política nacional. Sua vontade de participar mais ativamente da política, juntamente com os desentendimentos internos com o PT, ajudaram na tomada de decisão. Saiu do PT, entrou no PPS e saiu candidata a prefeita.
Sua campanha propunha uma nova forma de política, mas ao público parecia uma mistura de mais do mesmo com pitadas de imaturidade. Não conseguiu decolar e manteve-se no patamar dos 4% de votos durante toda a campanha.

Ivan Valente (Psol)

Ivan Valente, 62 anos, é professor universitário e candidato a prefeito pelo Psol. Durante a ditadura foi um militante de esquerda ativo e acabou preso e torturado pelos militares, tornando-se mais um anistiado político.
Na década de 70 ajudou a fundar o PT, e integrou durante muitos anos a ala radical do partido. Após a expulsão de Heloísa Helena do PT – e a fundação do Psol pela política alagoana – Ivan, também descontente com os caminhos neoliberais escolhidos pelo governo Lula, passou para o Psol, onde hoje integra a Direção Nacional.
Sua história nas lutas contra a desigualdade social é tocante, assim como boa parte dos integrantes do Psol. Porém, o partido está longe de ser a verdadeira esquerda, a qual se propõe: a votação em seus quadros é fraca, se não inexpressiva, e seu peso político é pequeno, porém importante.
Ivan Valente foi deputado estadual duas vezes, ainda pelo PT, e em 2006 foi eleito deputado federal pelo Psol. O PSTU, outro partido de extrema esquerda, compõe a coligação “Alternativa de Esquerda Para São Paulo”.

Edmilson Costa (PCB)

Militante do Partido Comunista Brasileiro desde seus tempos áureos, durante a Ditadura, Edmílson Costa, 58 anos, atualmente é presidente estadual do partido, cuja participação na política nacional é baixíssima. Também atua como professor universitário, mas sua experiência política, no entanto, restringe-se às militâncias do PCB, já que nunca ocupou um cargo executivo ou legislativo e sequer candidatou-se a um cargo público.
Sua jornada intelectual, porém, é vasta. Possui pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e publicou os livros “O Imperialismo”, “A Política Salarial no Brasil”, “Um Projeto para o Brasil” e “A Globalização e o Capitalismo Contemporâneo”, além de vários ensaios publicados em revistas e sites especializados no Brasil e no exterior.
As propostas do candidato se baseiam em idéias da Governança Comunista, e incluem tarifa zero no transporte público e educação integral na rede municipal.

Anaí Caproni (PCO)

A Causa Operária, a princípio, era uma tendência interna dentro do PT daqueles que se desiludiram com os caminhos “elitistas” tomados pelo partido já nos anos 80 e criticava as coligações e a entrada de políticos burgueses no partido. Essa ala extremista acabou expulsa do PT e anos mais tarde legalizou o Partido da Causa Operária, composto por vários dissidentes do PT, entre os quais o pai de Anaí Caproni, um metalúrgico do ABC participante do Sindicato e a própria, que hoje é membro da Direção Nacional e do Comitê do partido.
Anaí participou da União Municipal dos Secundaristas de São Bernardo, formou-se em Técnica Eletrônica e trabalhou como metalúrgica, onde integrou o movimento sindical com a Oposição Metalúrgica. Atualmente cursa Direito no Largo São Francisco, para enfrentar os problemas legais dos quais uma atuação revolucionária está sujeita, e trabalha nos Correios e Telégrafos, onde também atua no Sindicato dos trabalhadores.
Já foi candidata a vereadora nas eleições de 2000, ao governo do estado de São Paulo em 2002, e hoje, com 41 anos, é a candidata pelo PCO à prefeitura de São Paulo.

Levy Fidelix (PRTB)

Levy Fidelix, hoje com 56 anos disputa cargos públicos desde 1986. Já foi candidato a Vereador, Deputado Federal, Prefeito, Governador e até Presidente da República, jamais sendo eleito. Foi um dos fundadores do Partido Liberal e, em 1994 fundou o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), que já contou com Fernando Collor de Mello integrando seus quadros.
Fidelix vangloria-se de ter sido o primeiro apresentador de um programa de informática na TV brasileira, ainda nos anos 80 – na Bandeirantes e posteriormente no SBT. Fundou a Revista Interface, trabalhou como Diretor de Criação na Agência Publicitária Vogue e escreveu nos Jornais Correio da Manhã e Última Hora (RJ) e também na Revista Propaganda & Marketing.
Levy Fidelix compõe a ala de políticos folclóricos brasileiros, com seu eterno projeto do Aerotrem, uma espécie de trem de alta velocidade, e seu jingle tosco “Vem, vem, vem / Vem que tem / Levy Fidelix / É o homem do Aerotrem.”

Ciro Moura (PTC)

Ciro Moura tem 62 anos, é administrador e candidato a prefeito pela coligação “Tostão Contra o Milhão”, que tem os candidatos a vereador mais inusitados da campanha, encabeçada pelo empresário Oscar Maroni, dono de casas noturnas.
Concorreu à prefeitura de São Paulo em 2000, pelo PRN – partido pelo qual Fernando Collor de Mello foi eleito em 1989 – e ao governo do Estado em 2002, pelo mesmo partido.
A assessoria de imprensa do candidato foi contatada por e-mail para a obtenção de maiores informações sobre as propostas de Ciro Moura, mas não obtive resposta.

Renato Reichmann (PMN)

Renato Reichmann é empresário. Tem 55 anos e em 2006 concorreu ao cargo de governador do Estado de São Paulo pelo antigo PRONA, partido de Enéias, recebendo mais de 140 mil votos.
Quem o vê nos debates das eleições municipais de 2008 dificilmente o associaria ao enérgico Enéias Carneiro, morto em 2007. Nunca exerceu cargo público, mas foi candidato a vereador, em 2004, obtendo cerca de 500 votos.

Add comment Setembro 29, 2008

Olha só

Gente, como devem ter percebido, eu desisti desse blog. Desculpem, eu sei tão bem quanto vocês o quanto precisamos de uma fonte de informação mais imparcial que essa encontrada na grande impressa.

Então vou postar alguns textos sobre a campanha da Marta Suplicy que andei escrevendo, pode ser?

Add comment Setembro 26, 2008

Mônica Bérgamo

25 de abril – Folha de S.Paulo

AH, BOM!
Orestes Quércia (PMDB-SP) e o governador José Serra (PSDB-SP) mantiveram linha direta durante a negociação do ex-governador com o DEM para apoiar a candidatura de Gilberto Kassab (DEM-SP) à reeleição. “Falei com ele”, admitiu Serra à coluna. “Mas não sobre esse assunto [o acordo]“.

SERÁ?
Na quarta, dia do anúncio do acordo, “irreversível”, segundo Quércia, entre ele e Kassab, a ministra Marta Suplicy (PT-SP) mantinha as esperanças de que o PMDB ainda poderia voltar ao barco do PT. “As conversas continuam”, diz ela.

ENROLADA
Setores do próprio PT já davam como certa também a debandada do PR para Gilberto Kassab. Com a “partida” do PMDB, o partido se transformou numa pretendente mais cortejada que antes e já anda reclamando. “O PT centralizou muito a negociação com o Quércia e esqueceu da gente. Estávamos como a namorada desprezada, enrolada. Agora vamos pensar bem no que fazer”, diz o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo.

Add comment Maio 27, 2008

Painel – Renata Lo Prete

16 de abril – Folha de S.Paulo

Termômetro

Segundo pesquisa telefônica feita para o DEM, 46% dos paulistanos consideram ótima ou boa a administração de Gilberto Kassab. O percentual é o mesmo registrado pelo governo Lula na cidade e ligeiramente inferior ao conferido à gestão da petista Marta Suplicy (2001-2004), 48%. O governo estadual, comandado pelo tucano José Serra, obteve 43% de ótimo/bom no levantamento, realizado nos dias 1º e 2 de abril pelo Ipespe, do cientista político Antônio Lavareda.
Os “demos” apontam o ótimo/bom do prefeito, que em julho passado era de apenas 31%, como sinal do potencial de crescimento do candidato, hoje atrás dos líderes Marta e Geraldo Alckmin (PSDB) no Datafolha. Ela também melhorou: tinha 38% em agosto.


Metade. Kassab obteve 15% de ruim/péssimo, contra 30% de Marta. A avaliação negativa, nesta fase de pré-campanha, funciona como uma espécie de taxa de rejeição.

Add comment Maio 20, 2008

Kassab assiste a debandada de tucanos em SP

5 de abril – Folha de S.Paulo

O governador de São Paulo, José Serra, até que tem se esforçado para conter debandadas na prefeitura. Mas a secretaria da Coordenação das Subprefeituras já começa a sofrer desfalques com a chegada do ano eleitoral e o risco de dissolução da aliança PSDB-DEM na capital.
Potencial candidato à prefeitura de Jandira, o tucano José Roberto Piteri foi a primeira baixa: deixou a Subprefeitura de Santana para se dedicar à campanha na cidade. Pelo menos outros quatro subprefeitos deverão seguir o mesmo caminho.
Hoje, também será oficializada no Diário Oficial a saída de Fábio Lepique da Subprefeitura de Pinheiros. Lepique foi adjunto da Casa Civil no governo Alckmin.
Dizendo que recebeu convites interessantes da iniciativa privada, Lepique atribui a decisão a “questões pessoais”. “Não tem nada a ver com política”, afirmou.
Essa não será a motivação do subpreito de Vila Prudente, Felipe Sigollo. Responsável pela agenda de Geraldo Alckmin na corrida presidencial de 2006, Sigollo tem repetido que não tem condições de ficar na prefeitura caso Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) concorram. À Folha, limitou-se a dizer que tem de “esperar uma decisão do partido”.
Embora também repita que submeterá sua decisão ao partido e ao prefeito, o subprefeito de Vila Maria, Antônio de Pádua Perosa, admite seu desconforto em caso de lançamento de duas candidaturas. Seu medo é ficar sob suspeição.
“Não ficaria muito à vontade”, reconheceu.
Também por isso, Perosa tirou férias à espera de uma decisão. “Só de atuar administrativamente, estaríamos ajudando o prefeito.”
A exemplo do secretário Andrea Matarazzo, o subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak cogitou a hipótese de deixar o cargo ontem para concorrer à Câmara de Vereadores. Assim como Matarazzo, Odloak ouviu ponderações de Serra para que não se comprometa a administração da cidade. Ficou. Mas não esconde a apreensão.
“Haverá pelotões de fuzilamento. A parte que está de fora vai condenar os que estão no governo. Vai ser desconfortável”, avalia Odloak.
Além do constrangimento, quatro ex-prefeitos deverão deixar suas subprefeituras para concorrer em suas cidades: Geraldo Mantovani (Santo Amaro), Décio José Ventura (São Miguel Paulista), Lacir F. Baldusco (Mboi Mirim) e Eduardo Carlos Felippe (Guaianazes).
Pelo menos 22 dos 31 subprefeitos são da cota tucana.
Na contramão dessa revoada, Kassab trabalha para manter o PSDB no primeiro escalão. Já em meio ao clima eleitoral, acaba de nomear dois tucanos para sua equipe: no Trabalho e na Assistência Social.

Add comment Maio 17, 2008

Atraso custa caro

1 de abril – Estadão

A maior parte dos projetos do Programa de Reabilitação da Área Central de São Paulo (Procentro), elaborados durante a administração Marta Suplicy, foi esquecida pela atual gestão. Entre janeiro de 2005 e fevereiro deste ano, a Prefeitura usou apenas US$ 4 milhões dos US$ 100,4 milhões que foram colocados à sua disposição pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em meados de 2004, para a revitalização da região central da cidade, considerada estratégica para frear o avanço da ocupação desordenada na capital. Os recursos poderiam ter sido integralmente utilizados com a vantagem do pagamento no longo prazo de 25 anos, que só começaria a ser contado seis meses após o último desembolso. Pelo contrato, incide sobre a verba não utilizada uma taxa de permanência de 0,25%, que já custou à Prefeitura R$ 420 mil.

O diretor de Desenvolvimento da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Rubens Chammas, explicou que a administração Serra/Kassab preferiu realizar uma ”mudança drástica no enfoque dado aos projetos”. Assim, nos dois primeiros anos do governo, foram necessárias contratações de consultorias, modificações em projetos e a elaboração de licitações que estariam saindo do papel somente agora. Tudo ”por causa desse cronograma apertado”, segundo o diretor da Emurb.

Se tivesse seguido os planos e metas do programa inicial, feito pela gestão anterior, o custo dos projetos seria menor, os investimentos necessários seriam reduzidos e o ordenamento urbano daquela região se completaria mais rapidamente. Quando o contrato foi assinado com o banco, a cotação da moeda americana estava em R$ 3,50. Atualmente, está em torno de R$ 1,70. Com isso, o custo em reais das obras quase dobra.

Nos primeiros três anos do governo petista, a Prefeitura destinou R$ 92 milhões às obras no centro. Após a liberação dos recursos pelo BID, no último ano da administração Marta Suplicy, foram investidos outros US$ 11 milhões, quase três vezes mais que o total destinado às obras nos três primeiros anos do governo Serra/Kassab.

A ex-prefeita realizou, com esses recursos, a recuperação da Praça do Patriarca, as reformas do Mercado Municipal e do chamado Corredor Cultural e reurbanizou a Favela do Gato. Deixou em andamento a reforma do Parque D. Pedro II, além de programas habitacionais, tanto para a população mais carente quanto para a classe média. Também deixou prontos os projetos de criação do Museu da Cidade, na antiga sede da Prefeitura, de reforma da Praça da Sé, das obras antienchentes no Anhangabaú, além dos planos de remodelação das ruas comerciais do centro.

A tradição da descontinuidade, no entanto, prevaleceu e a atual administração preferiu elaborar novos projetos e pagar taxa pela não utilização dos recursos do BID.

Agora, em ano de eleições, a Emurb está anunciando investimentos de R$ 5,5 milhões na reforma da fachada do Teatro Municipal, R$ 13 milhões em obras na Praça Roosevelt, R$ 14 milhões na Biblioteca Mário de Andrade e R$ 15 milhões na recuperação de ruas comerciais na área da Nova Luz, onde a Prefeitura pretende instalar um novo pólo tecnológico em substituição à velha Cracolândia.

Para melhorar a paisagem dessa região e conseguir atrair empresas para a área central, a administração municipal pretende demolir os Edifícios São Vito e Mercúrio, além do Viaduto Diário Popular. Na Nova Luz serão construídos os edifícios da Subprefeitura da Sé e da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação (Prodam).

Segundo a Emurb, o plano do governo municipal é gastar US$ 45 milhões (60% do BID e outros 40% de recursos próprios) até dezembro. Da totalidade dos projetos previstos para o centro, no entanto, muitos terão de ser custeados pela própria Prefeitura porque o financiamento do banco não é mais suficiente. O atraso custou muito caro aos cofres municipais e ao ordenamento da cidade.

Add comment Maio 17, 2008

PT-SP aguarda volta de Marta para definir candidatura

31 de março – Estadão

O Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores só aguarda o retorno da ministra do Turismo, Marta Suplicy, que visita a China, para definir a candidatura dela à Prefeitura de São Paulo. “Vamos marcar uma reunião para conversar com a ministra. Ela tem o receio de deixar o cargo, porque tem muitos projetos a fazer, mas a candidatura cresce a cada dia e só depende dela aceitar a disputa”, disse Edinho Silva, presidente estadual do PT e prefeito de Araraquara (SP).

Ele admitiu que a candidatura de Marta à sucessão de Gilberto Kassab (DEM) é inevitável – e só depende da resposta positiva da ministra – principalmente após o resultado da última pesquisa Datafolha, divulgada ontem. Os números apontam Marta com 29% na pesquisa estimulada, empatada tecnicamente com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 28% da preferência do eleitor. “A pesquisa foi ótima e mostra que quanto mais perto a eleição, mais ela vai crescer”, afirmou Edinho Silva.

A reunião da cúpula paulista com Marta deve ocorrer, se possível, antes de sexta-feira, quando a ministra visita o Guarujá (SP), em companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outro encontro articulado pelas lideranças petistas do Estado de São Paulo é o de Marta com o ex-governador Orestes Quércia, do PMDB, partido que é cobiçado para aliança por todos os pré-candidatos a prefeito da capital paulista.

“Vamos conversar com a Marta primeiro e depois agendar um encontro entre o dois”, disse Edinho Silva, que já manteve reuniões com Quércia para costurar a coligação entre os partidos, na qual PMDB indicaria o nome do vice.

Add comment Maio 17, 2008

Kassab tem a maior aprovação desde a posse

30 de março – Folha de S.Paulo

Taxa de ótimo/bom do prefeito evolui de 35% para 38%; ao mesmo tempo, taxa de ruim/péssimo cresce de 23% para 27%

Maior exposição do prefeito na mídia divide o eleitorado; segundo Mauro Paulino, “as pessoas estão tomando posição, contra ou a favor”

EVANDRO SPINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

Gilberto Kassab (DEM) completa amanhã dois anos à frente da Prefeitura de São Paulo com o maior índice de aprovação de sua gestão desde a posse.
De acordo com pesquisa Datafolha feita entre os dias 25 e 26 deste mês, 38% dos paulistanos avaliam o governo municipal como ótimo ou bom, uma variação positiva de três pontos percentuais desde a pesquisa anterior, em 14 de fevereiro.
Como a margem de erro do levantamento é três pontos percentuais para mais ou para menos, não é possível afirmar que houve um crescimento da avaliação positiva de Kassab nesse período. Porém os índices de ótimo e bom vêm crescendo sistematicamente desde março do ano passado, quando a aprovação ao governo do democrata era de 15%.
O Datafolha também apontou que 27% dos paulistanos reprovam o governo Kassab, índice quatro pontos percentuais superior ao da pesquisa de fevereiro, porém menor que os 31% de novembro. Julgam regular a gestão do democrata 31% (38% em fevereiro), e 3% não sabem avaliá-la -mesmo índice da pesquisa anterior.
A variação para cima dos índices de aprovação e de reprovação a Kassab tem relação com a maior exposição do prefeito na mídia no período entre as duas pesquisas, diz Mauro Paulino, diretor do Datafolha.
“Caiu o índice de regular e aumentou a aprovação e a reprovação. Isso tem a ver com a exposição maior do Kassab. As pessoas não estão mais indiferentes, estão tomando posição, contra ou a favor”, afirma.
Nesse período, o prefeito foi a estrela dos comerciais de seu partido na TV e teve de dar respostas aos seguidos recordes de congestionamento registrados na cidade. Isso sem contar o noticiário sobre o provável fim da aliança DEM-PSDB, o que pode levar o bloco a ter dois candidatos a prefeito -Kassab e o tucano Geraldo Alckmin.
O prefeito deve a variação positiva de sua aprovação principalmente às mulheres, que responderam a mais da metade dos questionários. Em fevereiro, 34% delas julgavam como ótimo e bom o governo. Agora são 42%. Entre os homens, o índice passou de 36% para 34%.
Também melhorou significativamente a avaliação do prefeito entre as pessoas com 60 anos ou mais. O índice de ótimo e bom cresceu de 41% no mês passado para 53% agora.
A nota média do prefeito ficou em 5,4 -em uma escala de 0 a 10- contra 5,5 de fevereiro, a mais alta recebida por Kassab nas oito pesquisas Datafolha realizadas desde a posse.

Recorde
Kassab é o sétimo prefeito que tem sua gestão avaliada pelo Datafolha. As pesquisas começaram no governo Jânio Quadros (1986-1988).
Desde então, apenas Paulo Maluf, do PP (1993-1996), teve índice de aprovação superior ao de Kassab -39%- ao completar dois anos de mandato.
Jânio chegou a dois anos com 19% de aprovação. Luiza Erundina (1989-1992, então no PT, hoje no PSB) tinha 22%; Celso Pitta (1997-2000, então no PPB, hoje no PTB), 11%; Marta Suplicy (PT, 2001-2004), 32%.
José Serra (PSDB) renunciou à prefeitura em 31 de março de 2006 com aprovação de 44% após um ano e três meses no cargo -não completou dois anos de mandato, portanto.
Já a reprovação de 27% a Kassab é a menor entre todos os prefeitos após dois anos no cargo. Jânio tinha 47% de ruim e péssimo; Erundina, 37%; Maluf, 29%; Pitta, 54%; e Marta, 36%. A rejeição a Serra, ao deixar a prefeitura, era de 20%.

Add comment Maio 17, 2008

Kassab só usa 4% de verba do BID

27 de março – Folha de S.Paulo

Uma das bandeiras de campanha da atual gestão, com empréstimos de US$ 100 milhões garantidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Programa de Reabilitação da Área Central de São Paulo (Procentro) avançou em ritmo lento nos três anos de administração dos prefeitos José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM).

Segundo dados oficiais do BID, entre janeiro de 2005 e fevereiro deste ano, a atual gestão usou US$ 4 milhões dos US$ 100 milhões que estavam à disposição. É menos da metade do montante investido em seis meses na gestão Marta Suplicy (PT). Entre junho e dezembro de 2004, segundo balanço da instituição, a petista investiu US$ 11 milhões.

Longe de reconfigurar a região central, o projeto restringe-se a investimentos pontuais. As principais obras feitas na gestão passada com o dinheiro do programa foram o Conjunto Habitacional Parque do Gato, na Marginal do Tietê, e a reforma do Mercado Municipal. A atual administração concluiu as reformas das Praças da Sé e da República.

Além dos US$ 15 milhões emprestados pelo BID, foram investidos mais US$ 16,1 milhões como resultado da contrapartida paga pela Prefeitura. O Procentro prevê que o município conceda ao todo contrapartidas no valor de US$ 67 milhões.

Se nos três primeiros anos a Prefeitura conseguiu tirar poucas obras do papel, agora, em ano eleitoral, a expectativa é de que haja aceleração na velocidade dos investimentos . A Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) programa usar até dezembro U$ 45 milhões – 60% do BID e os outros 40% de recursos próprios.

De acordo com a Emurb, este ano devem ser feitas a reforma na fachada do Teatro Municipal (R$ 5,5 milhões), as obras da Praça Roosevelt (R$ 13 milhões), as revitalizações de oito ruas comerciais na região da Nova Luz (R$ 15 milhões) e a reforma da Biblioteca Mário de Andrade (R$ 14 milhões).

“Houve uma mudança drástica no enfoque dado aos projetos, quando houve a mudança na administração. Nos anos de 2005 e 2006, foi preciso contratar consultorias, adequar projetos e fazer licitações para se iniciar as obras. Elas estão saindo agora do papel, por causa desse cronograma apertado. Não tem nenhuma relação com o calendário eleitoral”, afirma o diretor de desenvolvimento da Emurb, Rubens Chammas, que coordena o Procentro.

A principal vantagem do empréstimo concedido pelo BID a São Paulo é o longo prazo para ser pago. São 25 anos para acertar as contas, prazo que começa a contar seis meses depois do último desembolso feito pelo BID. São Paulo, porém, compromete-se a pagar uma taxa de 0,25% sobre o valor do dinheiro que não é usado. A lentidão nos investimentos, por enquanto, já custou R$ 420 mil em pagamentos da taxa aos cofres públicos.

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