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Marta vê situação “delicada” para Alckmin

25 de abril – Folha de S.Paulo

Um dia depois de perder apoio do PMDB para Kassab, PT paulista tenta transferir derrota para ex-governador tucano

Ministra se encontra com políticos petistas e afirma estar em “uma situação dificílima e muito propensa a aceitar” disputar a eleição

RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Um dia depois de perder para Gilberto Kassab (DEM) o apoio do PMDB na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o PT paulista se reuniu em peso com a ministra Marta Suplicy (Turismo), em Brasília, e tentou transferir para o tucano Geraldo Alckmin o título de principal derrotado no episódio.
“Acho que o governador Alckmin ficou em situação mais desfavorável, em uma situação bastante delicada, eu diria, já que seu próprio partido articula em direção contrária a ele”, disse a ministra ontem, em alusão à movimentação de bastidor do governador José Serra (PSDB) para levar o PMDB a apoiar a candidatura do prefeito paulistano.
Serra lidera a corrente tucana que tenta fazer Alckmin desistir de sua pré-candidatura em prol de Kassab, vencedor da queda-de-braço com o PT pelo apoio do ex-governador Orestes Quércia, que controla o PMDB em São Paulo.
Com a presença dos dois senadores paulistas do PT (Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante), 8 dos 14 deputados federais, mais da metade dos deputados estaduais e todos os 12 vereadores do partido em São Paulo, o encontro com Marta Suplicy chegou a uma avaliação de consenso, segundo relato dos participantes: Serra entrou abertamente na disputa em prol de Kassab.
Se por um lado o PT perde tempo de TV que o apoio do PMDB lhe traria (4min30s, sendo que o PT tem 4min), por outro a aliança Quércia-Kassab, trabalhada por Serra, desidrata a candidatura Alckmin.
“É o racha definitivo no PSDB, é uma paulada no Alckmin. Seria a mesma coisa que o presidente Lula articular contra a Marta”, afirmou o vereador José Américo, presidente do PT paulistano.
Um dos principais aliados de Alckmin, o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) rebate. “Na nossa avaliação, quem se enfraqueceu foi a Marta, que é a concorrente principal. Ela, com o horário de TV do PMDB, teria a candidatura muito fortalecida”, disse.

Transporte
Oficialmente, a ida dos petistas ao encontro de Marta serviu como apelo para que ela assuma aquilo que, nos bastidores, todos dão como certo: a sua pré-candidatura a mais um mandato em São Paulo -Marta foi prefeita entre 2001 e 2004.
“Foi muito forte o apelo, de todo o partido no Estado de São Paulo, e isso me tocou profundamente, o que me deixa em uma situação dificílima e muito propensa a aceitar”, afirmou a ministra, que ontem já adotou, espontaneamente, o discurso preliminar de campanha ventilado há semanas por seus aliados nos bastidores: o trânsito em São Paulo. “Vemos que a população de São Paulo passa por uma situação de caos.”
Pela legislação eleitoral, Marta tem até 5 de junho para deixar o cargo de ministra, mas aliados afirmam que ela fará o anúncio oficial já nas próximas semanas.
“Tenho absoluta certeza de que ela dirá sim. A Marta é a nossa candidata, a escolha do PT já foi feita”, disse o senador Aloizio Mercadante, que também vocalizou uma das estratégias discutidas ontem a portas fechadas: a de pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ajudar o PT a fechar alianças com os três partidos do chamado bloquinho (PC do B, PSB e PDT), todos eles ameaçando lançar candidatos próprios. “É importante que o presidente tenha um olhar especial para a cidade de São Paulo”, afirmou Mercadante.

Add comment Maio 28, 2008

Mônica Bérgamo

25 de abril – Folha de S.Paulo

AH, BOM!
Orestes Quércia (PMDB-SP) e o governador José Serra (PSDB-SP) mantiveram linha direta durante a negociação do ex-governador com o DEM para apoiar a candidatura de Gilberto Kassab (DEM-SP) à reeleição. “Falei com ele”, admitiu Serra à coluna. “Mas não sobre esse assunto [o acordo]“.

SERÁ?
Na quarta, dia do anúncio do acordo, “irreversível”, segundo Quércia, entre ele e Kassab, a ministra Marta Suplicy (PT-SP) mantinha as esperanças de que o PMDB ainda poderia voltar ao barco do PT. “As conversas continuam”, diz ela.

ENROLADA
Setores do próprio PT já davam como certa também a debandada do PR para Gilberto Kassab. Com a “partida” do PMDB, o partido se transformou numa pretendente mais cortejada que antes e já anda reclamando. “O PT centralizou muito a negociação com o Quércia e esqueceu da gente. Estávamos como a namorada desprezada, enrolada. Agora vamos pensar bem no que fazer”, diz o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo.

Add comment Maio 27, 2008

Pós-terremoto – ARTIGO ELIANE CASTANHÊDE

25 de abril – Folha de S.Paulo

Quem diria? Serra, Alckmin e Marta Suplicy estão (ou estavam) se engalfinhando pelo apoio de Orestes Quércia na eleição para a Prefeitura de São Paulo.
Quércia é um exemplo vivo -vivíssimo, pode-se dizer- do que ocorre com o seu partido, o PMDB: em descrédito, nem parece ter mais condições de se candidatar a cargos majoritários, mas tem um tempo enorme na TV e vive sendo disputado por gregos e troianos, ou melhor, por petistas e tucanos.
Deixando de lado esses… detalhes, o fato é que Serra interrompeu uma onda de más notícias com uma grande notícia política: levou a melhor na corrida por Quércia, a quem jogou no colo do candidato Gilberto Kassab (DEM), junto com preciosos 4min30s a mais na telinha da campanha. Ontem, já houve um empurra-empurra entre o PSDB-que-está-com-Alckmin e o PT, reunido com Marta Suplicy, para ver quem perdeu mais. Mas é simples: os dois perderam.
Além de não unir o PSDB, Serra vinha suportando mal o fiasco da privatização da CESP; a desenvoltura de Aécio Neves, em plena campanha para se tornar conhecido; e a aliança PSDB-PT em Belo Horizonte, o mais espetacular movimento político das eleições municipais. Até terremoto São Paulo teve!, dirão os anti-serristas.
Mas Serra tem lá sua garra e principalmente seus trunfos, potencializados pelo favoritismo nas pesquisas. Neutralizou as agruras e calou os críticos ao fechar o acordo com o PMDB, que favorece Kassab agora na disputa paulista e abre uma avenida de oportunidades em direção à rampa do Planalto.
Ontem, o PMDB estava com FHC. Hoje, com Lula. Amanhã, com quem tiver as melhores chances de levar a Presidência. Politicamente, é mais promissora a aliança PSDB-PMDB em São Paulo do que a PSDB-PT em Minas. Até porque o PMDB vai com quem dá mais. O PT só vai com ele mesmo.

Add comment Maio 27, 2008

Painel – Renata Lo Prete

24 de abril – Folha de S.Paulo

Muito vivo

Enquanto todos se impressionavam com a movimentação frenética de Aécio Neves, em contraste com a imobilidade de José Serra, este apadrinhou um lance -o apoio do PMDB à reeleição de Gilberto Kassab (DEM)- que deixou perplexos seus adversários internos e externos, com reflexos sobre 2008 e 2010.
De imediato, a aliança retira o oxigênio da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), que agora terá de disputar com Marta Suplicy (PT), em condições desfavoráveis, o apoio de partidos do bloquinho (PSB, PC do B e PDT). No longo prazo, o acordo sepulta a idéia de que o PMDB teria apenas duas opções na sucessão presidencial: o candidato de Lula ou Aécio, com quem vem flertando. Um novo romance está no ar.


Pólo. Pelo acerto fechado com Kassab, Orestes Quércia, candidato ao Senado, estará automaticamente no barco de Serra. Mas até adversários reconhecem que a aliança tem potencial para atrair em 2010 outras lideranças do PMDB, como Roberto Requião (PR) e Jarbas Vasconcelos (PE).

Help! Alckmistas esperam a ajuda de Aécio, desde sempre o maior entusiasta da candidatura, para obter o apoio do bloquinho. Resta saber se o governador mineiro, que já esticou ao limite o enfrentamento com Serra em São Paulo, tem condições de continuar bancando a aposta.

Com quem será? Para compor com Marta, o PR pede coligação na chapa de vereadores. O PT ainda não deu sua resposta, mas avalia que fechará com o ex-PL. Na prefeitura, porém, há convicção de que o partido irá de Kassab.

Inflação. Agora que o PMDB se foi, o presidente da Câmara paulistana, Antonio Carlos Rodrigues, tenta aumentar o cacife do PR. Cita Marcos Cintra e Aurélio Miguel como “nomes para a vice” da ministra do Turismo.

Pedreira. O apoio do PSB a Marta só será viável, apostam membros do bloquinho, com intervenção da cúpula nacional, notadamente do governador Eduardo Campos (PE). Na capital, a sigla de Luiza Erundina não tem afinidade com o PT. O presidente estadual, Márcio França, só não está com o velho amigo Geraldo Alckmin porque perderia cargos na máquina federal.

Veja bem. Os vereadores petistas Paulo Fiorilo e Zelão reafirmam sua posição contrária às AMAs de Kassab. Fiorilo diz que solicitou uma unidade a pedido de uma associação de bairro. Zelão diz que, no comando da Comissão de Saúde, luta pelo atendimento em regiões carentes.

Add comment Maio 27, 2008

PMDB diz que apóia Kassab porque é o candidato de Serra

24 de abril – Folha de S.Paulo

Partido afirma que presença no governo estadual é “conseqüência” da aliança

Sem contar com garantia de que teria apoio do PT para concorrer a vaga no Senado, Quércia declara que acerto com o DEM é irreversível

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

No sentido horário, Uebe Rezeck, Jorge Caruso e Baleia Rossi, deputados do PMDB, e Quércia
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Após almoço com o presidente do partido, Orestes Quércia, a bancada do PMDB na Assembléia justificou ontem a oficialização da aliança com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) como uma demonstração de apoio ao governador de São Paulo, o tucano José Serra. O próximo passo, anunciou Quércia, será a participação dos peemedebistas no governo do Estado.
Ontem, durante o almoço com Quércia, os três deputados estaduais do partido avalizaram a coligação com Kassab, conforme antecipou ontem o “Painel”, da Folha. O líder da bancada, Uebe Rezeck, alegou que, como Kassab é o candidato de Serra, a aliança seria um desdobramento do apoio que o partido já dá ao governador na Assembléia Legislativa.
“A bancada do PMDB dá sustentação ao governador na Assembléia. E o candidato do governador é mesmo o Kassab. Como nós já estamos na base de sustentação do governo, como já estamos apoiando o Serra, esse apoio ao Kassab completa o trabalho que está sendo feito na Assembléia”, afirmou.
Avisando que o apoio a Kassab é irreversível -apesar dos muitos telefonemas de petistas ao longo do dia- o próprio Quércia admitiu que “a composição com o DEM pressupõe a composição com o Serra”. Ele frisa, porém, que não se refere à disputa presidencial.
Uma articulação para a presidência, diz, ainda precisa ser discutida. Além do compromisso de ser candidato exclusivo do DEM ao Senado em 2010, Quércia informou que, após as eleições municipais, o PMDB participará do governo Serra.
À mesa do restaurante Massimo, os peemedebistas ressalvaram que a presença no governo Serra não é uma exigência para o apoio a Kassab. Mas “uma conseqüência”.
“Não existe o apoio oficial do partido [ao governo Serra]. Agora, vai acontecer”, afirmou Quércia.
Rezeck é claro ao afirmar que, se Serra espera o apoio do PMDB para seus projetos políticos, “deverá abrir espaços”.
O deputado Jorge Caruso afirmou que a decisão de apoio a Kassab está “em consonância” com a atuação das bancadas do PMDB na Alesp e na Câmara Municipal.
O nome de Caruso foi, no entanto, apresentado como alternativa para a vice.
Baleia Rossi, por sua vez, deixa claro que entende a aliança com Kassab como um aceno a Serra. “Sabemos que o Palácio é simpático [à aliança]. Mas não que tenha sido costurada lá”, afirmou.
Quércia disse que adiara de ontem para hoje a reunião da executiva municipal do partido por dois motivos: para garantir a presença de Kassab e consultar outros integrantes do PMDB.
Hoje, o PT se reúne com Quércia numa última tentativa de acordo. Ontem, ele argumentou que, além “experiência ruim com o PT”, a ministra Marta Suplicy não dera garantia de que teria apoio para o Senado em 2010.
“Teve muita gente que ligou pedindo para ficar com o PT. Mas, infelizmente para eles, não vai acontecer”, disse ele.
Ao responder se a decisão era irreversível, afirmou: “Da nossa parte, é. Vamos fechar. Não vamos ter dificuldade. Mudar não vai mudar”.

Add comment Maio 27, 2008

Sem PMDB, PT quer ajuda de Lula para negociar alianças

24 de abril – Folha de S.Paulo

Sem PMDB, PT quer ajuda de Lula para negociar alianças

Após Orestes Quércia anunciar apoio a Kassab, ministra Marta Suplicy diz que decisão de ser candidata não depende do PMDB

Para os petistas, presidente deve articular uma aliança do PSB, PDT e PC do B com a ex-prefeita; ressentimentos antigos podem minar união

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL

RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A direção do PT em São Paulo espera contar com a ajuda direta do Palácio do Planalto para oferecer à ministra Marta Suplicy (Turismo) um arco de alianças que lhe dê condições de concorrer em pé de igualdade com Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB).
Em Brasília, a ministra afirmou ontem que a sua decisão de ser candidata não dependerá do apoio do PMDB. Dizendo que o apoio peemedebista à sua possível candidatura “é uma das importantes opções” entre “várias opções importantes”, ela ressalvou que petistas continuam conversando com o ex-governador Orestes Quércia.
“Não será esse apoio ou um não-apoio que terá peso na decisão. Gostaríamos de ir juntos, mas esse não será o peso decisivo”, disse Marta. Petistas querem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva empenhado em trazer PSB, PDT e PC do B, partidos da coalização governista, até Marta. Os entraves, no entanto, são muitos e dizem respeito à lógica regional e a ressentimentos antigos.
No PSB, a ex-prefeita da capital paulista e ex-petista Luiza Erundina é uma voz contrária ao acordo com o PT. Além disso, anteontem, em sabatina da Folha, o deputado federal Ciro Gomes (CE) declarou apoiar a decisão do PSB e do deputado federal Márcio França (SP), líder do partido na Câmara.
França é antigo aliado de Alckmin, pois o PSB integrou o governo do tucano no Estado (2001-2006). “Por ordem, o PT está na frente dos outros, mas vamos ouvir muito o diretório paulistano, a direção nacional.
A grande diferença é que antigamente estaríamos no automático para o PT, mas, dessa vez, podemos apoiar qualquer um dos três”, disse França. Outro entrave ao PT é o deputado Aldo Rebelo, principal líder do PC do B no Estado. Candidato à presidência da Câmara em 2007, ele foi derrotado por Arlindo Chinaglia (PT-SP) e, segundo seus pares, ainda não digeriu o revés.
Aldo é a opção de candidatura própria do chamado “bloquinho”, formado por PC do B, PSB e PDT. “Isso não impede naturalmente que conversemos com a doutora Marta, com o doutor Alckmin e com o doutor Kassab”, afirmou Aldo. Fora do leque de partidos que integram o “bloquinho”, o PT acredita em uma aproximação com o PR, que também integra a base de apoio de Lula e foi leal a Marta durante sua gestão na capital de São Paulo (2000-2004). O partido do presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues, já pediu uma coligação proporcional, algo que não agrada aos vereadores próximos da ex-prefeita.
Membros do PR devem se encontrar com o prefeito Kassab nos próximos dias. Mas o partido não descarta continuar as conversas com o PT. “Eles perderam uma noiva agora”, brinca Rodrigues, em referência ao PMDB. “Já havíamos apresentado ao PT nossas idéias e não tivemos resposta. Queremos ser aliados de primeira hora”, acrescentou.

Add comment Maio 27, 2008

Acordo em SP ajuda Serra a minar aproximação entre Aécio e PMDB

24 de abril – Folha de S.Paulo

O acordo do PMDB paulista com o DEM para apoiar a candidatura à reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, teve o aval do governador do Estado, José Serra -tucano que atuou nos bastidores pensando na sucessão presidencial de 2010. No PT, o acordo causou surpresa e levou a um jogo de empurra entre o Palácio do Planalto e o grupo de Marta Suplicy sobre a responsabilidade pelo fracasso da negociação com o presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia.
Segundo a Folha apurou, Quércia vinha negociando com Kassab havia um mês em segredo e em estágio mais avançado do que imaginavam Marta e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), prováveis candidatos à prefeitura interessados numa aliança com o PMDB para aumentar o tempo de TV no horário eleitoral.
Quércia disse a aliados que sentiu maior firmeza em Kassab em relação às suas exigências, na comparação com as ofertas de Marta e Alckmin. O DEM se comprometeu a apoiar a candidatura de Quércia ao Senado em 2010.
Serra acompanhou toda a negociação de bastidor. Foi informado diretamente por Kassab, seu ex-vice, a quem legou a prefeitura ao eleger-se governador em 2006. Para o tucano, interessa atrair Quércia para uma aliança PSDB-DEM nas eleições de 2010. No pior cenário para Serra, ele desiste de concorrer à Presidência e disputa o governo com Afif de vice e Quércia como um dos candidatos ao Senado.
Na hipótese com a qual trabalha, Serra vence a disputa interna no PSDB pela candidatura ao Planalto e atrai uma seção peemedebista insatisfeita com o PT e o presidente Lula. O concorrente de Serra no PSDB, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é cortejado pela cúpula nacional do PMDB para se filiar ao partido e concorrer à Presidência. A aproximação de Serra com Quércia, via Kassab, tem o objetivo de disputar espaço no PMDB com Aécio.
Quércia acredita que terá mais chance de se eleger senador se concorrer numa faixa do eleitorado do centro para a direita. Daí achar mais interessante um acordo com o DEM do que com PT e PSDB.
Quércia pegou os petistas e Lula desprevenidos. O grupo de Marta ainda tinha esperança de um entendimento, mas já não acredita em possibilidade de reversão do acordo PMDB-DEM. A Folha apurou que Lula não pretende intervir. Avalia que abriria um precedente perigoso, pois as alianças nas eleições municipais não seguem o padrão de alinhamento nacional de partidos.
Para o grupo de Marta, o motivo principal para Quércia não fechar com o partido seria a falta de importância do PMDB quercista no plano federal. Quércia se queixa de não ter atendidas as suas reivindicações para cargos levadas a Lula.
No Planalto, atribui-se o fracasso à dificuldade do PT em ceder espaço a aliados. Segundo um ministro, o PT paulista queria escolher o peemedebista que seria vice de Marta e não oferecia garantia plena de que Quércia seria apoiado em 2010 para o Senado.

Add comment Maio 27, 2008

Com o pé no tubo – EDITORIAL

24 de abril – Estadão

O apoio do PMDB à candidatura do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi anunciado, mas não se pode dizer que esteja sacramentado.

Há tantas implicações numa aliança como essa, há tantas variantes nacionais, regionais, partidárias, presentes e futuras envolvidas, que é difícil acreditar em definições imutáveis tomadas dois meses antes do fim do prazo fatal: junho.

Por enquanto, de certo o que existe é um movimento que vai mexer na armação da disputa municipal mais importante do País.

Por exemplo: nem bem o acordo foi anunciado, o grupo do prefeito correu para fazer declarações públicas de apreço à manutenção da aliança entre tucanos e democratas.

Demonstrações de amizade a Geraldo Alckmin como não se ouviu nos últimos meses. Isso ao mesmo tempo em que se dava publicidade a um acerto cujo primeiro efeito é retirar oxigênio da candidatura de Alckmin.

Claro, pois se Kassab que já tem a máquina municipal e conta com a sustentação extra-oficial da administração estadual ainda ganha o tempo de televisão do PMDB e mais o simbolismo do apoio do maior partido da coligação do presidente Luiz Inácio da Silva, o que sobra para Geraldo Alckmin?

Parte da estrutura do PSDB, o apoio de lideranças tucanas fora de São Paulo (de influência zero sobre o eleitorado paulista) e os índices das pesquisas que, de resto, já foram mais substanciais.

Ao “pisar no tubo” do ex-governador, seus adversários devem ter um objetivo. O único à vista seria levá-lo a aceitar uma conversa sobre desistência da disputa municipal para aguardar a vez de concorrer ao governo do Estado em 2010.

É de se aguardar a reação do cardinalato tucano que trabalha a distância em prol de Alckmin. Certamente haverá e obviamente produzirá algum efeito.

Do lado do PT, que era tido como o interlocutor preferencial de Orestes Quércia, também houve gritaria e invocações de respeito à coligação federal.

Haverá, portanto, reações, ofertas de toda sorte e tentativas de mudar o quadro. Ao interromper as conversações, Quércia deve ter um objetivo.

O mais vistoso no horizonte é a valorização do passe diante do PT, que resiste em entregar uma vaga ao Senado porque a primazia é de Aloizio Mercadante, enquanto o DEM abre de bom grado mão da vez até então reservada a Guilherme Afif Domingos.

A despeito das novidades dos próximos capítulos, tal acerto, se confirmado, não pode ser visto como uma aliança entre o PMDB e o DEM. Não resulta de acordo com o PSDB nem indica abalo na coligação nacional PT-PMDB.

Diz respeito à conjugação de interesses de Orestes Quércia e José Serra, com a importante contribuição, em retrospectiva, de Marta Suplicy e sua inesquecível (para Quércia) participação no programa Roda Viva, em 2004.

Na entrevista, a então prefeita disse que o PMDB não era “confiável” como parceiro.

E não é mesmo. Mas, como diz um ex-adversário do PT, hoje ministro de Lula: “Os outros podem nos achar de quinta, mas precisam saber que temos o direito de discordar.”

Enfim

“Alguns movimentos sociais atuam na fronteira da legalidade, o que exige firmeza das autoridades constituídas”, disse no discurso de posse o novo presidente do Supremo, Gilmar Mendes, ao lado do presidente Lula, que de olhos baixos estava, de olhos baixos ficou.

Aos fatos

Tal como já fizera Lula ao saudar a derrota presidencial de 1989, porque, confessou, não estava “preparado” para governar o Brasil, Ciro Gomes comemorou o fato de não ter sido eleito em 2002. “Não estava maduro.”

Compreende-se que o intuito da autocrítica sobre as imperfeições do passado seja o de reforçar o primor dos atributos do presente.

Mas não deve soar bem aos eleitores de ambos nas referidas eleições a revelação de que foram vítimas de assumida propaganda enganosa.

Tal como fez o presidente Lula recentemente em visita a Pernambuco, redesenhando a história da ascensão e queda de Severino Cavalcanti, Ciro Gomes revisou o episódio apresentando Severino como o cerne de um “golpe” em marcha contra Lula.

Segundo Ciro, a oposição planejava usar o então presidente da Câmara para dar curso a um pedido de impeachment, desistindo apenas quando Severino aderiu ao governo.

É possível que Lula e Ciro tenham seus motivos para tentar conferir a Severino Cavalcanti um papel histórico que ele não teve. Mas, quaisquer que sejam, não têm o condão de alterar a realidade: Severino subiu no vácuo da divisão do PT e caiu por corrupção comprovada.

Quanto ao impeachment, a decisão de não apresentar o pedido foi tomada numa reunião dos partidos de oposição na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios, quando o publicitário confessou ter recebido recursos de caixa 2 para fazer a campanha presidencial de 2002.

Add comment Maio 27, 2008

Quércia reúne PMDB hoje para anunciar apoio a Kassab

24 de abril – Estadão

Aliados de Alckmin e petistas responsabilizam Serra por manobra pró-DEM

Após meses de negociação para a eleição em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia leva hoje à Executiva Estadual do PMDB a proposta de endossar a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição. A reunião, prevista inicialmente para ontem, foi remarcada para que Kassab participe em seguida de confraternização com lideranças do PMDB.

“Chegamos à conclusão de que, no que se refere ao interesse do partido, o Kassab era a melhor opção”, disse Quércia, que há poucas semanas sinalizava que fecharia com o PT da ministra do Turismo, Marta Suplicy.

O acerto tira do jogo a sigla mais cortejada na sucessão em São Paulo, dona de um tempo no rádio e na TV de cerca de quatro minutos diários. Quércia obteve a garantia de que o DEM deixará de ter candidato ao Senado em 2010 para apoiá-lo. Principal nome do DEM para a vaga, Guilherme Afif Domingos abriu mão da disputa.

Ficou acertado ainda que Quércia não se oporá à entrada do PSDB na aliança, cedendo a vice na chapa, caso os tucanos a reivindiquem. “Seria ótimo. Podemos conciliar as coisas para 2010.” Se o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) for candidato, a vice fica com a engenheira Alda Marco Antônio.

Ontem, Kassab confirmou a aliança, mas, depois, disse que não passava de expectativa. “Meu esforço continua sendo no sentido de buscar com toda a energia possível a manutenção da nossa aliança com o PSDB e, agora, de uma maneira bastante otimista porque está se incorporando a essa aliança, se ela for mantida, o PMDB”, afirmou. “Estou dizendo da minha expectativa”, consertou. O prefeito também recebeu em seu gabinete representantes do PTB, PPS, PV e PSB, além do PMDB. Informou que lança sua candidatura até sexta-feira, antes de o PSDB tomar posição sobre a candidatura Alckmin. O objetivo, dizem aliados, é fazer uma “operação-abafa” e não deixar espaço para o tucano.

Ontem, o PSDB debitava acordo DEM-PMDB na conta do governador tucano José Serra. A mesma tese circulava entre petistas, que no fim da tarde ainda tentavam, sem sucesso, retomar a negociação com Quércia. O objetivo era reforçar a garantia de que o partido o apoiaria para o Senado em 2010, sem oposição do senador Aloizio Mercadante, candidato natural a outro mandato na Casa. A manifestação, entretanto, foi tardia e não convenceu Quércia. O ex-governador avaliou que correria o risco de o PT recuar na véspera da eleição.

Surpresa com o acordo, a direção do PT diz que agora dará continuidade às negociações com outros partidos da base, em especial PR , PSB, PC do B. “O PT não vai se mover pelas ações políticas do DEM e do PSDB”, disse o presidentedo PT em São Paulo, Edinho Silva.

Add comment Maio 27, 2008

Mônica Bérgamo – ARTIGO

8 de abril – Folha de S.Paulo

QUESTÃO DE PRINCÍPIO
José Henrique Reis Lobo, secretário de Relações Institucionais do governo de José Serra e presidente municipal do PSDB de São Paulo, está bombardeando a possibilidade de aliança entre o partido e o PMDB de Orestes Quércia para a Prefeitura de São Paulo. Lobo intensificou o “ataque” depois das notícias de que o tucano Geraldo Alckmin tem cortejado Quércia. “Aliança eleitoral que vise só o tempo de TV me parece espúria”, diz Lobo.
“Uma aliança deve ser feita em cima de questões ideológicas, programáticas de princípios.”

QUE BOM
Quércia diz: “É bom saber que ele [Reis Lobo] não quer essa aliança. Quem sabe [tucanos como Geraldo Alckmin] obedecem as ordens dele e não fazem acordo comigo”.

MUITO BEM
Quércia, por sinal, conversou no fim de semana com o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP), que disputa com Alckmin a indicação da aliança PSDB-DEM para se candidatar à reeleição. “As conversas com o Kassab estão caminhando muito bem”, diz o ex-governador. “E com o PT também.” Assim como DEM e parte do PSDB, os petistas cortejam o PMDB para uma aliança em torno de Marta Suplicy. “Vamos decidir até o fim de maio”, diz Quércia.

Add comment Maio 19, 2008

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