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Os candidatos da eleição 2008 em São Paulo
Marta Suplicy (PT)Marta Suplicy, psicóloga formada pela PUC-SP e pós-graduada pela Stanford foi sexóloga e apresentou um programa na Rede Globo nos anos 80, respondendo às dúvidas sobre sexo de mulheres que ligavam no programa Tevê Mulher. Num país recém saído da ditadura, o assunto continuava um tabu e foi criticado duramente pelos setores mais conservadores da sociedade.
Casada com o senador Eduardo Suplicy desde os tempos de faculdade, esteve sempre próxima à política, seja como líder estudantil, ainda no Colégio Sion, um colégio tradicional no bairro de Higienópolis onde estudou sua vida toda, como filiada ao PT, como fundadora e ex-presidente do Instituto Florestan Fernandes. Mas apenas na década de 90 foi convidada a ser deputada federal.
Em 1994 se elegeu com a quarta maior votação do partido na Câmara, mais de 70 mil votos. Concorreu ao governo do estado em 1998, mas por bem pouco Paulo Maluf conquistou a vaga para o segundo turno contra Mario Covas – que terminou eleito, com o apoio de Marta, que ficou em terceiro.
Em 2000 concorreu à prefeitura de São Paulo e, numa eleição dura, terminou eleita. Mesmo com uma boa avaliação de sua gestão – 48% -, Marta não obteve votos suficientes para ser reeleita. Com 5% de votos a mais, José Serra terminou vitorioso.
Com a reeleição de Lula, em 2006, Marta foi convidada a ser ministra do Turismo. Lançou programas importantes de inclusão, como o da 3ª idade, com descontos de 50% para idosos em empresas aéreas, hotéis e agências de turismo, mas também enfrentou o “Apagão aéreo”, que causou o momento mais difícil de sua vida política, a infeliz frase “Relaxa e goza”, dita de maneira inapropriada, mas tendo um impacto ainda pior na opinião pública, por meio das críticas da imprensa.
A propósito: a frase foi usada para responder à indagação de uma jornalista sobre qual o conselho que Marta daria às pessoas que ficam horas em filas esperando para embarcar. O “relaxa e goza” foi dito no sentido de que as pessoas deviam se acalmar e pensar que logo estariam viajando, curtindo a vida.
A coisa piorou ainda mais com o acidente da TAM que matou 199 pessoas em julho de 2007, e a frase de Marta voltou à tona, causando revolta aos familiares das vítimas do acidente. Não adiantaram as explicações e desculpas da ex-prefeita; é difícil dissociá-la dessa frase.
Gilberto Kassab (DEM)
O atual prefeito Gilberto Kassab, do DEM (ex-PFL), disputa a reeleição. Tem 49 anos, foi deputado estadual e federal e secretário do planejamento de São Paulo na gestão de Celso Pitta (1997-2000). Como vice-prefeito do tucano José Serra, eleito em 2004, herdou o cargo no executivo assim que Serra saiu para se candidatar e vencer a disputa pelo cargo de governador do estado.
De um ilustre desconhecido da população, sua gestão conseguiu obter bons índices de aprovação. Durante a campanha, os números de ótimo/bom chegaram a 50% em setembro.
Seu governo foi marcado por pequenas ações ousadas, tendo como maior exemplo a implantação da Lei Cidade Limpa, que regulamenta os outdoors, placas e letreiros pela cidade. Ao ser aprovada, a lei gerou muita discussão e descontentamento de comerciantes que viam as placas enormes na fachada de seus estabelecimentos como o principal chamariz para a clientela. Muitas empresas de banners e outdoors foram fechadas.
Sua candidatura nasceu fraca. Antes da eleição, boa parte dos paulistanos sequer sabia o nome do prefeito. Pouco conhecido da população, obteve uma grande vitória quanto à formação de alianças com grandes partidos, que estavam sendo disputados também pelo PT e pelo PSDB, e lhe garantiram o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita na tevê e no rádio: cerca de 9 minutos. Para um desconhecido com obras para mostrar, o alto tempo na televisão, juntamente com um marketing de qualidade, seria extremamente vantajoso. Não surpreendeu, portanto, uma constante ascensão da intenção de votos em sua candidatura, chegando a ultrapassar o ex-governador Geraldo Alckmin, a menos de trinta dias mês para a realização do 1º turno.
Geraldo Alckmin (PSDB)
Geraldo Alckmin, do PSDB, tem 55 anos. Começou sua vida pública cedo, como vereador de sua cidade natal, Pindamonhangaba, aos 19 anos, ainda pelo MDB. Aos 23, foi eleito prefeito da cidade. Ajudou a fundar o PSDB. Foi deputado e vice- governador de São Paulo. Após a morte de Mario Covas, herdou o governo. Conseguiu se eleger e reeleger com facilidade, ancorado na imagem de Covas e obtendo uma boa avaliação de governo durante os 10 anos no comando do estado de São Paulo.
Nas eleições presidenciais de 2006, Alckmin concorreu com Lula. Conseguiu levar a disputa ao 2º turno, mas obteve uma derrota implacável, conquistando menos votos do que no 1º turno, em parte pela imagem de privatista que o PT conseguiu lhe colar. Isso levou a um desgaste na sua imagem política.
Na campanha municipal de 2008 enfrentou um revés dentro de seu próprio partido, que se dividia entre apoiar a reeleição de Kassab, apadrinhado político de José Serra, ou lançar candidatura própria, com Alckmin como candidato. O drama no PSDB tomou conta da imprensa diariamente, até as vésperas da Convenção do partido que, com um acordo interno viabilizado por Serra, confirmou a candidatura própria com Alckmin e Campos Machado (PTB) como vice.
Paulo Maluf (PP)
Paulo Maluf tem 77 anos e é candidato pelo Partido Progressista. Dentro do seu partido, enfrentou leve oposição de Celso Russomano, também pré-candidato à prefeitura de São Paulo. Seu poder e influência, mesmo não sendo o que costumava ser, ainda permanecem altos. Maluf é um mito da política paulista. Mesmo com a oposição de Russomano, não houve problemas quanto à sua indicação. “Maluf é um candidato natural para as eleições”, diria Russomano uns meses mais tarde.
Com o bordão “rouba mas faz”, lembrando a forma de política de Adhemar de Barros, um influente político paulista das década de 1950 e 60. Maluf possui até hoje muitos seguidores fiéis de uma forma de política de recebeu o nome de “malufismo”.
Maluf foi prefeito de São Paulo entre 1969 a 1971, nomeado pelo então presidente Costa e Silva. Entre 1979 e 1982, foi governador do estado. Seu último cargo no executivo foi novamente a prefeitura de São Paulo em 1993. Suas gestões foram marcadas por grandes obras viárias, como o “Minhocão”, as Marginais Tietê e Pinheiros, diversos túneis, passarelas e avenidas. Maluf insiste que “é impossível andar 1 Km em São Paulo sem passar por uma das obras de Paulo Maluf”. No entanto, houve muitas suspeitas de desvio de verbas públicas e obras superfaturadas, como a Av. Água Espraiada, atual Av. Jornalista Roberto Marinho. Criou também o projeto de habitação Cingapura, prédios na beira das favelas com a intenção clara de maquiá-las, e privatizou a saúde municipal, através do PAS.
O candidato já não goza da mesma credibilidade junto ao eleitor como era nas décadas de 80 e 90, porém foi eleito deputado federal em 2006 com mais de 700 mil votos. Para cargos executivos, no entanto, sua credibilidade segue em queda. O índice de rejeição a Maluf é recorde, e chega a 58% segundo Datafolha realizado no final de setembro.
Soninha Francine (PPS)
Soninha Francine, 41 anos, entrou tardiamente na política. Foi apresentadora por anos da MTV, cujo público é majoritariamente formado por jovens. Convidada pela Tevê Cultura a assumir um programa também para jovens deixou a antiga emissora. Também comandou uma mesa redonda sobre futebol e assina uma coluna no jornal Folha de S. Paulo sobre o mesmo tema.
Em 2001 esteve envolvida em uma grande polêmica, quando a revista “Época” publicou uma matéria que revelava que Soninha fazia uso freqüente de maconha. A capa da revista trazia uma foto da apresentadora, sobre a frase: “Eu fumo maconha”. Soninha foi achincalhada pela opinião pública e acabou demitida da TV Cultura. A apresentadora processou a revista, mas não obteve liminar favorável.
Em 2004, candidatou-se à vereadora pelo PT, e conseguiu a vaga com mais de 50 mil votos. Àquela época, enfrentou dentro de casa um drama: sua filha mais nova sofria de leucemia, e necessitava urgentemente de um transplante. Soninha afastou-se da campanha para acompanhar de perto a batalha de sua filha. Em diversos programas televisivos, Soninha falou do drama que enfrentava e defendia a doação de medula, não só para sua filha, mas também para todas as pessoas que sofriam do mesmo mal. Há quem acuse Soninha de aproveitar o drama da filha para se promover, já que tudo isso aconteceu muito próximo à eleição e ganhou muito destaque na mídia. Mas é difícil julgar um caso desses de oportunismo, em se tratando de uma doença grave numa criança de 7 anos – sua própria filha. É óbvio que Soninha provavelmente preferiria não ter vivido isso, mas a exposição sem dúvida ajudou sua campanha.
Em setembro de 2007, faltando 1 ano para a eleição municipal em São Paulo, Soninha declarava-se insatisfeita com as políticas do PT. Ao mesmo tempo, Roberto Freire, presidente do PPS sondava Soninha sobre suas pretensões políticas. Convidou-a para integrar o partido e concorrer à prefeitura em 2008.
Os horizontes que o PT lhe abriam eram muito restritos. Soninha jamais conseguiria concorrer a um cargo executivo num partido com nomes tão sólidos na política nacional. Sua vontade de participar mais ativamente da política, juntamente com os desentendimentos internos com o PT, ajudaram na tomada de decisão. Saiu do PT, entrou no PPS e saiu candidata a prefeita.
Sua campanha propunha uma nova forma de política, mas ao público parecia uma mistura de mais do mesmo com pitadas de imaturidade. Não conseguiu decolar e manteve-se no patamar dos 4% de votos durante toda a campanha.
Ivan Valente (Psol)
Ivan Valente, 62 anos, é professor universitário e candidato a prefeito pelo Psol. Durante a ditadura foi um militante de esquerda ativo e acabou preso e torturado pelos militares, tornando-se mais um anistiado político.
Na década de 70 ajudou a fundar o PT, e integrou durante muitos anos a ala radical do partido. Após a expulsão de Heloísa Helena do PT – e a fundação do Psol pela política alagoana – Ivan, também descontente com os caminhos neoliberais escolhidos pelo governo Lula, passou para o Psol, onde hoje integra a Direção Nacional.
Sua história nas lutas contra a desigualdade social é tocante, assim como boa parte dos integrantes do Psol. Porém, o partido está longe de ser a verdadeira esquerda, a qual se propõe: a votação em seus quadros é fraca, se não inexpressiva, e seu peso político é pequeno, porém importante.
Ivan Valente foi deputado estadual duas vezes, ainda pelo PT, e em 2006 foi eleito deputado federal pelo Psol. O PSTU, outro partido de extrema esquerda, compõe a coligação “Alternativa de Esquerda Para São Paulo”.
Edmilson Costa (PCB)
Militante do Partido Comunista Brasileiro desde seus tempos áureos, durante a Ditadura, Edmílson Costa, 58 anos, atualmente é presidente estadual do partido, cuja participação na política nacional é baixíssima. Também atua como professor universitário, mas sua experiência política, no entanto, restringe-se às militâncias do PCB, já que nunca ocupou um cargo executivo ou legislativo e sequer candidatou-se a um cargo público.
Sua jornada intelectual, porém, é vasta. Possui pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e publicou os livros “O Imperialismo”, “A Política Salarial no Brasil”, “Um Projeto para o Brasil” e “A Globalização e o Capitalismo Contemporâneo”, além de vários ensaios publicados em revistas e sites especializados no Brasil e no exterior.
As propostas do candidato se baseiam em idéias da Governança Comunista, e incluem tarifa zero no transporte público e educação integral na rede municipal.
Anaí Caproni (PCO)
A Causa Operária, a princípio, era uma tendência interna dentro do PT daqueles que se desiludiram com os caminhos “elitistas” tomados pelo partido já nos anos 80 e criticava as coligações e a entrada de políticos burgueses no partido. Essa ala extremista acabou expulsa do PT e anos mais tarde legalizou o Partido da Causa Operária, composto por vários dissidentes do PT, entre os quais o pai de Anaí Caproni, um metalúrgico do ABC participante do Sindicato e a própria, que hoje é membro da Direção Nacional e do Comitê do partido.
Anaí participou da União Municipal dos Secundaristas de São Bernardo, formou-se em Técnica Eletrônica e trabalhou como metalúrgica, onde integrou o movimento sindical com a Oposição Metalúrgica. Atualmente cursa Direito no Largo São Francisco, para enfrentar os problemas legais dos quais uma atuação revolucionária está sujeita, e trabalha nos Correios e Telégrafos, onde também atua no Sindicato dos trabalhadores.
Já foi candidata a vereadora nas eleições de 2000, ao governo do estado de São Paulo em 2002, e hoje, com 41 anos, é a candidata pelo PCO à prefeitura de São Paulo.
Levy Fidelix (PRTB)
Levy Fidelix, hoje com 56 anos disputa cargos públicos desde 1986. Já foi candidato a Vereador, Deputado Federal, Prefeito, Governador e até Presidente da República, jamais sendo eleito. Foi um dos fundadores do Partido Liberal e, em 1994 fundou o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), que já contou com Fernando Collor de Mello integrando seus quadros.
Fidelix vangloria-se de ter sido o primeiro apresentador de um programa de informática na TV brasileira, ainda nos anos 80 – na Bandeirantes e posteriormente no SBT. Fundou a Revista Interface, trabalhou como Diretor de Criação na Agência Publicitária Vogue e escreveu nos Jornais Correio da Manhã e Última Hora (RJ) e também na Revista Propaganda & Marketing.
Levy Fidelix compõe a ala de políticos folclóricos brasileiros, com seu eterno projeto do Aerotrem, uma espécie de trem de alta velocidade, e seu jingle tosco “Vem, vem, vem / Vem que tem / Levy Fidelix / É o homem do Aerotrem.”
Ciro Moura (PTC)
Ciro Moura tem 62 anos, é administrador e candidato a prefeito pela coligação “Tostão Contra o Milhão”, que tem os candidatos a vereador mais inusitados da campanha, encabeçada pelo empresário Oscar Maroni, dono de casas noturnas.
Concorreu à prefeitura de São Paulo em 2000, pelo PRN – partido pelo qual Fernando Collor de Mello foi eleito em 1989 – e ao governo do Estado em 2002, pelo mesmo partido.
A assessoria de imprensa do candidato foi contatada por e-mail para a obtenção de maiores informações sobre as propostas de Ciro Moura, mas não obtive resposta.
Renato Reichmann (PMN)
Renato Reichmann é empresário. Tem 55 anos e em 2006 concorreu ao cargo de governador do Estado de São Paulo pelo antigo PRONA, partido de Enéias, recebendo mais de 140 mil votos.
Quem o vê nos debates das eleições municipais de 2008 dificilmente o associaria ao enérgico Enéias Carneiro, morto em 2007. Nunca exerceu cargo público, mas foi candidato a vereador, em 2004, obtendo cerca de 500 votos.
Add comment Setembro 29, 2008
Sabatina do jornal Folha de S. Paulo 24.09
Em sabatina realizada pelo jornal Folha de S. Paulo em 24 de setembro Marta Suplicy falou dos avanços que realizou como prefeita de São Paulo, lamentou não ter comunicado seus acertos à população e criticou duramente a gestão Serra/Kassab por decisões que em nada beneficiam a população.
Questionada sobre as freqüentes acusações tucanas de ter “falido” a cidade, Marta afirma ter deixado R$ 1 bi em caixa. Mas já que dinheiro em caixa é fundamental aos tucanos, Marta os questiona por guardar tanta verba em vez de investir em necessidades básicas da população: “Vocês acham que eu vou achar lindo receber R$ 2 bi em caixa com a população sem remédio como eu tenho visto, e a cidade com déficit de tudo? Eles não têm capacidade de planejar”. Marta vê aí uma grande diferença de gestão. Enquanto o governo atual prefere deixar bilhões rendendo nos bancos, numa atitude típica da politicagem tucana, ela escolheria gastar o dinheiro em benefício da população.
Para Marta, o salto de qualidade na educação que os CEUs permitiram foi importante, mas é só um começo. Força semelhante será empenhada para que a meta de manter os professores em apenas uma escola seja conquistada. Para isso, Marta se propõe a tomar medidas financeiras e oferecer salários dignos, que são bem mais importantes do que os bônus propostos pelo jornalista Gilberto Dimenstein. Outra medida importante será traçar um plano de carreira, afinal, “ninguém trabalha em várias escolas porque quer”, completou Marta.
Se por um lado os CEUs do PT foram uma revolução elogiada em todo o mundo, os do PSDB/DEM são um esforço de “fingir que faz”. A atual gestão não entende a proposta por traz do projeto do CEU. Eles se limitam a pensar num “escolão” com infra-estrutura maior que a média. “Uma grande conquista do governo foi tornar quase um consenso o projeto do CEU. A educação não é só matemática, geografia, mas deve ser complementada pelo lazer, educação, cultura. Eu quero que toda a criança tenha acesso a isso. Crianças que fazem balé, inglês, vão a cinema e teatro se expandem. O mesmo não ocorre às crianças de periferia, que não tem acesso a isso”, conta a ex-prefeita.
A população não esquece, no entanto, que durante a gestão de Marta, a base oposicionista formada por PSDB e DEM na câmara PSDB/DEM era contra os CEUs. Assim que assumiram a prefeitura, em 2005, tentaram extinguir o projeto. Mas a população não é boba. Sentiu que os CEUs eram um direito da comunidade, e pressionaram a gestão, que acabou por render-se. Porém, como se já não bastasse, os CEUs de Kassab são bem mais caros. Mas não era justamente esse o argumento deles para serem contra os CEUs: que o preço das construções possibilitava a construção de dezenas de escolas menores?
Para Marta, o que chama atenção nos CEUs do atual prefeito “são a área construída e teatros bem menores.” Quando inaugurou o Céu Jambeiro, uma pesquisa realizada com a população do entorno revelou que 100% nunca tinham ido ao teatro, e 90% nunca tinham ido ao cinema. A maioria da população não tinha acesso a tais eventos culturais. Como oferecer só 180 lugares a uma população sedenta lazer, com equipamentos de excelência?
Questionada sobre o pedágio urbano e a possibilidade ampliar o rodízio para dois dias da semana, Marta se diz contra e defende a ampliação de investimentos no transporte público para solucionar esse que é um problema crítico da cidade: o trânsito. “O bilhete único e os 100 Km de corredores que fizemos deram mais qualidade de vida às pessoas. Elas ganharam mais tempo junto da família, em casa. Eu tinha planejado continuar com esse benefício. Essa administração não planejou, eles só fizeram 7 km de corredor. A situação hoje é conseqüência da falta de investimento e planejamento da atual gestão” criticou Marta.
A promessa de recarregar o bilhete único na catraca foi reafirmada pela candidata, que arriscou cantarolar o hit que está nas propagandas na tevê e no rádio: “carrega na catraca”. Marta afirma que será a primeira ação como prefeita, e diz que a extinção do benefício é “uma maldade de quem não entende nada das pessoas da periferia que usam o transporte. Sou contra tirar esse direito das pessoas.”
A candidata também falou sobre a proposta, ainda em estudo, de um bilhete único semanal, mensal, anual, como ocorre em muitas cidades do mundo. A candidata diz: “Temos propostas, acho provável, vamos nos esforçar para chegar. É um desconto feito às pessoas que usam muito transporte público. Acaba sendo um incentivo.”
Marta acusou a atual gestão de sucatear a CET. “Se um carro quebrar na Marginal e não há um marronzinho para deslocar o veículo e chamar um guincho, o trânsito decorrente disso será enorme”, exemplificou Marta, que também se comprometeu a não aumentar a tarifa do ônibus em 2009.
Gilberto Dimenstein perguntou à petista qual seria o ponto crônico de São Paulo. Marta citou dois: a saúde e o trânsito. Questionada sobre o principal problema da cidade, Marta citou como pontos crônicos o trânsito e a saúde. O trânsito atinge a todas as classes sociais, seja no carro importado ou dentro do trem. A saúde, por outro lado, só afeta às classes mais baixas, que dependem do serviço público. São essas que vêem a propaganda do atual prefeito e percebem a realidade é bem menos colorida. O programa “Remédio em casa”, por exemplo, beneficia apenas 15 mil pessoas, algo em torno de 1% da população paulistana.
Marta entende que sua administração fez um “trabalho de Hércules” na saúde; perguntou aos jornalistas “Vocês se lembram do que era o PAS”? Falou da dificuldade em municipalizar a saúde, da falta de verbas e de funcionários. Por tudo que conseguiu, vê que proporcionou à área um grande avanço, além do aumentou de equipes do programa Saúde da Família, que passou para 800.
Como cidadã, Marta afirma ter acompanhado com tristeza a cidade caminhando para um retrocesso. Para ela, foi com pesar que constatou o quanto as coisas tinham melhorado sob sua administração, e estancaram ou pararam completamente sob Serra/Kassab. É o caso de diversos programas sociais que foram reduzidos, como o Renda Mínima e o Vai e Volta ou até extintos.
Ela também acredita que parte da rejeição que a classe média nutre por ela é culpa de sua grande vontade de agir. “Eu fiz muita coisa ao mesmo tempo, com muita vontade. Desagradei.”.
Após responder perguntas dos jornalistas Mônica Bérgamo, Gilberto Dimenstein, Rogério Gentile e Nilson Camargo e da platéia durante cerca de duas horas, Marta saiu do Teatro Folha, localizado no Shopping Higienópolis sem maiores declarações aos jornalistas.
Add comment Setembro 26, 2008
Marta e a comunidade LGBT
Não é novidade para ninguém a postura de Marta Suplicy quanto aos homossexuais. Enquanto deputada federal colocou em votação o projeto para legalizar a união civil de homossexuais, e a possibilidade de o casal poder adotar uma criança. O projeto de lei, que data de 1994, até hoje não foi votado.
Essa postura não é bem vista pela maioria das doutrinas religiosas, e Marta sempre soube que o preço a se pagar por defender a bandeira dos homossexuais era alto. Católicos e evangélicos, as religiões mais praticadas no Brasil (ver dado correto!), são contra o homossexualismo, o classificando como uma doença. Portanto, para defender uma causa como essas, é necessário coragem e cuidado. Marta nunca teve receio de assumir que é favorável à união civil dos homossexuais, mesmo correndo o risco de perder votos de uma importante parcela da população: os religiosos.
Alguns vereadores, representantes de vertentes mais radicais do protestantismo ortodoxo, tentaram criar o “Dia do Orgulho Hetero” e há, inclusive, um abaixo-assinado criado pela Assembléia de Deus que é contrário à criminalização da homofobia, projeto que tramita no Senado.
Dia 5 de setembro, contando com a companhia do ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi, Marta esteve num encontro da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) em que defendeu a cidade de São Paulo como a capital do turismo gay no Brasil – aproveitando o fato de a cidade sediar a maior parada gay do mundo, com mais de 3,5 milhões de pessoas na edição de 2008 – e também afirmou que o respeito às questões de orientação sexual devem ser tratadas como um direito nato ao cidadão.
Durante o evento, o coordenador nacional do setorial LGBT do PT, Julian Rodrigues, afirmou que Marta tem um compromisso histórico com a comunidade gay: “Marta defende nossos direitos desde os tempos em trabalhava na TV Mulher. Como deputada, alavancou o debate e a visibilidade sobre nossos direitos, ao elaborar e apresentar o projeto da parceria civil. Ela esteve em todas as Paradas do Orgulho LGBT e, quando foi prefeita, apoiou o evento. Foi quando vimos a Parada se tornar o que é hoje – a maior parada do mundo. Também como ministra, Marta apoiou a Parada e incentivou o turismo GLS”, diz Julian.
A postura da candidata foi logo atacada com veemência pelas alas mais radicais dentre os religiosos. No dia seguinte ao encontro com a comunidade, o pastor Samuel Ferreira, presidente da Assembléia de Deus do Brás – igreja evangélica conhecida pelas regras rígidas quanto ao comportamento dos fiéis (mulheres não podem usar calça, não pode cortar o cabelo, não devem fazer sexo a não ser com o motivo único da reprodução) – lançou uma enquete em seu programa “Palavras de Vida”, na rádio evangélica Musical FM em que incitava os ouvintes a responder se eles ficavam “com a Bíblia ou com a Dona Marta”, sobre a postura da candidata em relação aos homossexuais.
Durante a semana, as críticas do pastor foram ficando mais fortes. Uma ouvinte chegou a falar: “Eu jamais votaria nessa mulher! Ela é uma louca! É por isso que os filhos dela são todos ‘viados’.” O pastor justificava a enquete citando um trecho da Bíblia “O Salmo 94-4 diz: ‘Até quando proferirão e falarão coisas duras e se gloriarão todos os que praticam a iniqüidade’, é Deus perguntando até quando vai ser tolerado isso. Então esse programa está aqui, esse debate está aqui não para difamar ninguém, e sim para fazermos alusão aos versículos da Bíblia, questionarmos se ficamos com o projeto ou com o que a Bíblia diz?”. O pastor constantemente reiterava o convite para que Marta fosse explicar-se no programa: “Eu queria pedir à senhora. Não manda ninguém não. Eu gostaria de discutir isso com a senhora. Que pena. Que peninha.”, ironizava.
A coligação da candidata, “Uma nova atitude”, decidiu entrar na justiça contra o pastor Samuel Ferreira, que foi obrigado a tirar do ar a enquete e se retratar no ar. Ao saber que Marta Suplicy entrou na justiça contra a enquete, o advogado do pastor acusou Marta de ferir o direito à liberdade de expressão assegurado pelo Artigo V da Constituição Federal brasileira: “Nós vamos nos defender. Nós vamos defender e não é a nós. Nós vamos defender ao seu ouvinte. Nós vamos defender os cidadãos desse país. Vamos defender a Bíblia. Nós vamos defender o direito que cada pessoa tem de ter acesso à informação e de se manifestar. Seja essa informação para nortear seu voto: que seja assim, esse é o estado democrático de direito. Se for informação para a pessoa se pautar sobre um tema controvertido, que assim o seja. Nós não nos esquecemos que o Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da justiça brasileira, guardião da Constituição e dos direitos nela inseridos, sempre que há um tema contundente e controvertido, o STF marca audiências públicas para ouvir pessoas ligadas a esses temas para que os ministros do STF possam pautar sua decisão. Se os ministros do STF ouvem as partes envolvidas, como subtrair do cidadão esse direito?”.
No dia 19 de setembro a Justiça Eleitoral de São Paulo condenou a rádio por veiculação de propaganda contrária à candidata. O valor da multa é de R$21,2 mil, mas a rádio ainda pode recorrer. Segundo a Justiça, “há propaganda negativa em que se aconselha aos fiéis a não votarem na candidata que defende os interesses dos homossexuais”. A justiça, afinal de contas, não considerou a proibição da enquete do pastor como limitação da liberdade de expressão, e sim menções políticas contrárias à Marta, aconselhando o eleitor a não votar nela por causa dos seus projetos favoráveis aos homossexuais.
Diante da condenação, o Conselho Nacional de Pastores do Brasil (CNPB) preparou um manifesto contra Marta, em que acusam a candidata de “impedir a livre manifestação de opinião e crença daqueles que não pactuam com os mesmos pensamentos de cunho religioso da candidata”. O conselho reúne 190 representantes de entidades evangélicas do país.
A cruzada é apenas contra Marta, mas a maioria dos candidatos também apóia a causa. Sabe-se que ela, dentre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, é a mais envolvida na causa LGBT. Mas os outros candidatos também defendem a liberdade de escolha sexual. Em evento com evangélicos, Gilberto Kassab foi convidado pelo deputado estadual Waldir Agnello (PTB) a endossar um abaixo-assinado contrário à criminalização da homofobia no país. Kassab se negou a assinar, e disse: “Defendo a diversidade. Isso é público. A prefeitura tem uma série de ações. A Parada Gay é uma realidade. Tenho em todos os momentos me manifestado como cidadão e como prefeito.”
Add comment Setembro 26, 2008
Marta vê situação “delicada” para Alckmin
25 de abril – Folha de S.Paulo
Um dia depois de perder apoio do PMDB para Kassab, PT paulista tenta transferir derrota para ex-governador tucano
Ministra se encontra com políticos petistas e afirma estar em “uma situação dificílima e muito propensa a aceitar” disputar a eleição
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um dia depois de perder para Gilberto Kassab (DEM) o apoio do PMDB na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o PT paulista se reuniu em peso com a ministra Marta Suplicy (Turismo), em Brasília, e tentou transferir para o tucano Geraldo Alckmin o título de principal derrotado no episódio.
“Acho que o governador Alckmin ficou em situação mais desfavorável, em uma situação bastante delicada, eu diria, já que seu próprio partido articula em direção contrária a ele”, disse a ministra ontem, em alusão à movimentação de bastidor do governador José Serra (PSDB) para levar o PMDB a apoiar a candidatura do prefeito paulistano.
Serra lidera a corrente tucana que tenta fazer Alckmin desistir de sua pré-candidatura em prol de Kassab, vencedor da queda-de-braço com o PT pelo apoio do ex-governador Orestes Quércia, que controla o PMDB em São Paulo.
Com a presença dos dois senadores paulistas do PT (Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante), 8 dos 14 deputados federais, mais da metade dos deputados estaduais e todos os 12 vereadores do partido em São Paulo, o encontro com Marta Suplicy chegou a uma avaliação de consenso, segundo relato dos participantes: Serra entrou abertamente na disputa em prol de Kassab.
Se por um lado o PT perde tempo de TV que o apoio do PMDB lhe traria (4min30s, sendo que o PT tem 4min), por outro a aliança Quércia-Kassab, trabalhada por Serra, desidrata a candidatura Alckmin.
“É o racha definitivo no PSDB, é uma paulada no Alckmin. Seria a mesma coisa que o presidente Lula articular contra a Marta”, afirmou o vereador José Américo, presidente do PT paulistano.
Um dos principais aliados de Alckmin, o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) rebate. “Na nossa avaliação, quem se enfraqueceu foi a Marta, que é a concorrente principal. Ela, com o horário de TV do PMDB, teria a candidatura muito fortalecida”, disse.
Transporte
Oficialmente, a ida dos petistas ao encontro de Marta serviu como apelo para que ela assuma aquilo que, nos bastidores, todos dão como certo: a sua pré-candidatura a mais um mandato em São Paulo -Marta foi prefeita entre 2001 e 2004.
“Foi muito forte o apelo, de todo o partido no Estado de São Paulo, e isso me tocou profundamente, o que me deixa em uma situação dificílima e muito propensa a aceitar”, afirmou a ministra, que ontem já adotou, espontaneamente, o discurso preliminar de campanha ventilado há semanas por seus aliados nos bastidores: o trânsito em São Paulo. “Vemos que a população de São Paulo passa por uma situação de caos.”
Pela legislação eleitoral, Marta tem até 5 de junho para deixar o cargo de ministra, mas aliados afirmam que ela fará o anúncio oficial já nas próximas semanas.
“Tenho absoluta certeza de que ela dirá sim. A Marta é a nossa candidata, a escolha do PT já foi feita”, disse o senador Aloizio Mercadante, que também vocalizou uma das estratégias discutidas ontem a portas fechadas: a de pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ajudar o PT a fechar alianças com os três partidos do chamado bloquinho (PC do B, PSB e PDT), todos eles ameaçando lançar candidatos próprios. “É importante que o presidente tenha um olhar especial para a cidade de São Paulo”, afirmou Mercadante.
Add comment Maio 28, 2008
Mônica Bérgamo
25 de abril – Folha de S.Paulo
AH, BOM!
Orestes Quércia (PMDB-SP) e o governador José Serra (PSDB-SP) mantiveram linha direta durante a negociação do ex-governador com o DEM para apoiar a candidatura de Gilberto Kassab (DEM-SP) à reeleição. “Falei com ele”, admitiu Serra à coluna. “Mas não sobre esse assunto [o acordo]“.
SERÁ?
Na quarta, dia do anúncio do acordo, “irreversível”, segundo Quércia, entre ele e Kassab, a ministra Marta Suplicy (PT-SP) mantinha as esperanças de que o PMDB ainda poderia voltar ao barco do PT. “As conversas continuam”, diz ela.
ENROLADA
Setores do próprio PT já davam como certa também a debandada do PR para Gilberto Kassab. Com a “partida” do PMDB, o partido se transformou numa pretendente mais cortejada que antes e já anda reclamando. “O PT centralizou muito a negociação com o Quércia e esqueceu da gente. Estávamos como a namorada desprezada, enrolada. Agora vamos pensar bem no que fazer”, diz o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo.
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Pós-terremoto – ARTIGO ELIANE CASTANHÊDE
25 de abril – Folha de S.Paulo
Quem diria? Serra, Alckmin e Marta Suplicy estão (ou estavam) se engalfinhando pelo apoio de Orestes Quércia na eleição para a Prefeitura de São Paulo.
Quércia é um exemplo vivo -vivíssimo, pode-se dizer- do que ocorre com o seu partido, o PMDB: em descrédito, nem parece ter mais condições de se candidatar a cargos majoritários, mas tem um tempo enorme na TV e vive sendo disputado por gregos e troianos, ou melhor, por petistas e tucanos.
Deixando de lado esses… detalhes, o fato é que Serra interrompeu uma onda de más notícias com uma grande notícia política: levou a melhor na corrida por Quércia, a quem jogou no colo do candidato Gilberto Kassab (DEM), junto com preciosos 4min30s a mais na telinha da campanha. Ontem, já houve um empurra-empurra entre o PSDB-que-está-com-Alckmin e o PT, reunido com Marta Suplicy, para ver quem perdeu mais. Mas é simples: os dois perderam.
Além de não unir o PSDB, Serra vinha suportando mal o fiasco da privatização da CESP; a desenvoltura de Aécio Neves, em plena campanha para se tornar conhecido; e a aliança PSDB-PT em Belo Horizonte, o mais espetacular movimento político das eleições municipais. Até terremoto São Paulo teve!, dirão os anti-serristas.
Mas Serra tem lá sua garra e principalmente seus trunfos, potencializados pelo favoritismo nas pesquisas. Neutralizou as agruras e calou os críticos ao fechar o acordo com o PMDB, que favorece Kassab agora na disputa paulista e abre uma avenida de oportunidades em direção à rampa do Planalto.
Ontem, o PMDB estava com FHC. Hoje, com Lula. Amanhã, com quem tiver as melhores chances de levar a Presidência. Politicamente, é mais promissora a aliança PSDB-PMDB em São Paulo do que a PSDB-PT em Minas. Até porque o PMDB vai com quem dá mais. O PT só vai com ele mesmo.
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Painel – Renata Lo Prete
24 de abril – Folha de S.Paulo
Muito vivo
Enquanto todos se impressionavam com a movimentação frenética de Aécio Neves, em contraste com a imobilidade de José Serra, este apadrinhou um lance -o apoio do PMDB à reeleição de Gilberto Kassab (DEM)- que deixou perplexos seus adversários internos e externos, com reflexos sobre 2008 e 2010.
De imediato, a aliança retira o oxigênio da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), que agora terá de disputar com Marta Suplicy (PT), em condições desfavoráveis, o apoio de partidos do bloquinho (PSB, PC do B e PDT). No longo prazo, o acordo sepulta a idéia de que o PMDB teria apenas duas opções na sucessão presidencial: o candidato de Lula ou Aécio, com quem vem flertando. Um novo romance está no ar.
Pólo. Pelo acerto fechado com Kassab, Orestes Quércia, candidato ao Senado, estará automaticamente no barco de Serra. Mas até adversários reconhecem que a aliança tem potencial para atrair em 2010 outras lideranças do PMDB, como Roberto Requião (PR) e Jarbas Vasconcelos (PE).
Help! Alckmistas esperam a ajuda de Aécio, desde sempre o maior entusiasta da candidatura, para obter o apoio do bloquinho. Resta saber se o governador mineiro, que já esticou ao limite o enfrentamento com Serra em São Paulo, tem condições de continuar bancando a aposta.
Com quem será? Para compor com Marta, o PR pede coligação na chapa de vereadores. O PT ainda não deu sua resposta, mas avalia que fechará com o ex-PL. Na prefeitura, porém, há convicção de que o partido irá de Kassab.
Inflação. Agora que o PMDB se foi, o presidente da Câmara paulistana, Antonio Carlos Rodrigues, tenta aumentar o cacife do PR. Cita Marcos Cintra e Aurélio Miguel como “nomes para a vice” da ministra do Turismo.
Pedreira. O apoio do PSB a Marta só será viável, apostam membros do bloquinho, com intervenção da cúpula nacional, notadamente do governador Eduardo Campos (PE). Na capital, a sigla de Luiza Erundina não tem afinidade com o PT. O presidente estadual, Márcio França, só não está com o velho amigo Geraldo Alckmin porque perderia cargos na máquina federal.
Veja bem. Os vereadores petistas Paulo Fiorilo e Zelão reafirmam sua posição contrária às AMAs de Kassab. Fiorilo diz que solicitou uma unidade a pedido de uma associação de bairro. Zelão diz que, no comando da Comissão de Saúde, luta pelo atendimento em regiões carentes.
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Com o pé no tubo – EDITORIAL
24 de abril – Estadão
O apoio do PMDB à candidatura do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi anunciado, mas não se pode dizer que esteja sacramentado.
Há tantas implicações numa aliança como essa, há tantas variantes nacionais, regionais, partidárias, presentes e futuras envolvidas, que é difícil acreditar em definições imutáveis tomadas dois meses antes do fim do prazo fatal: junho.
Por enquanto, de certo o que existe é um movimento que vai mexer na armação da disputa municipal mais importante do País.
Por exemplo: nem bem o acordo foi anunciado, o grupo do prefeito correu para fazer declarações públicas de apreço à manutenção da aliança entre tucanos e democratas.
Demonstrações de amizade a Geraldo Alckmin como não se ouviu nos últimos meses. Isso ao mesmo tempo em que se dava publicidade a um acerto cujo primeiro efeito é retirar oxigênio da candidatura de Alckmin.
Claro, pois se Kassab que já tem a máquina municipal e conta com a sustentação extra-oficial da administração estadual ainda ganha o tempo de televisão do PMDB e mais o simbolismo do apoio do maior partido da coligação do presidente Luiz Inácio da Silva, o que sobra para Geraldo Alckmin?
Parte da estrutura do PSDB, o apoio de lideranças tucanas fora de São Paulo (de influência zero sobre o eleitorado paulista) e os índices das pesquisas que, de resto, já foram mais substanciais.
Ao “pisar no tubo” do ex-governador, seus adversários devem ter um objetivo. O único à vista seria levá-lo a aceitar uma conversa sobre desistência da disputa municipal para aguardar a vez de concorrer ao governo do Estado em 2010.
É de se aguardar a reação do cardinalato tucano que trabalha a distância em prol de Alckmin. Certamente haverá e obviamente produzirá algum efeito.
Do lado do PT, que era tido como o interlocutor preferencial de Orestes Quércia, também houve gritaria e invocações de respeito à coligação federal.
Haverá, portanto, reações, ofertas de toda sorte e tentativas de mudar o quadro. Ao interromper as conversações, Quércia deve ter um objetivo.
O mais vistoso no horizonte é a valorização do passe diante do PT, que resiste em entregar uma vaga ao Senado porque a primazia é de Aloizio Mercadante, enquanto o DEM abre de bom grado mão da vez até então reservada a Guilherme Afif Domingos.
A despeito das novidades dos próximos capítulos, tal acerto, se confirmado, não pode ser visto como uma aliança entre o PMDB e o DEM. Não resulta de acordo com o PSDB nem indica abalo na coligação nacional PT-PMDB.
Diz respeito à conjugação de interesses de Orestes Quércia e José Serra, com a importante contribuição, em retrospectiva, de Marta Suplicy e sua inesquecível (para Quércia) participação no programa Roda Viva, em 2004.
Na entrevista, a então prefeita disse que o PMDB não era “confiável” como parceiro.
E não é mesmo. Mas, como diz um ex-adversário do PT, hoje ministro de Lula: “Os outros podem nos achar de quinta, mas precisam saber que temos o direito de discordar.”
Enfim
“Alguns movimentos sociais atuam na fronteira da legalidade, o que exige firmeza das autoridades constituídas”, disse no discurso de posse o novo presidente do Supremo, Gilmar Mendes, ao lado do presidente Lula, que de olhos baixos estava, de olhos baixos ficou.
Aos fatos
Tal como já fizera Lula ao saudar a derrota presidencial de 1989, porque, confessou, não estava “preparado” para governar o Brasil, Ciro Gomes comemorou o fato de não ter sido eleito em 2002. “Não estava maduro.”
Compreende-se que o intuito da autocrítica sobre as imperfeições do passado seja o de reforçar o primor dos atributos do presente.
Mas não deve soar bem aos eleitores de ambos nas referidas eleições a revelação de que foram vítimas de assumida propaganda enganosa.
Tal como fez o presidente Lula recentemente em visita a Pernambuco, redesenhando a história da ascensão e queda de Severino Cavalcanti, Ciro Gomes revisou o episódio apresentando Severino como o cerne de um “golpe” em marcha contra Lula.
Segundo Ciro, a oposição planejava usar o então presidente da Câmara para dar curso a um pedido de impeachment, desistindo apenas quando Severino aderiu ao governo.
É possível que Lula e Ciro tenham seus motivos para tentar conferir a Severino Cavalcanti um papel histórico que ele não teve. Mas, quaisquer que sejam, não têm o condão de alterar a realidade: Severino subiu no vácuo da divisão do PT e caiu por corrupção comprovada.
Quanto ao impeachment, a decisão de não apresentar o pedido foi tomada numa reunião dos partidos de oposição na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios, quando o publicitário confessou ter recebido recursos de caixa 2 para fazer a campanha presidencial de 2002.
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Painel – Renata Lo Prete
23 de abril – Folha de S.Paulo
“Fechei com Kassab”
Orestes Quércia selou ontem o acordo do PMDB com o DEM em torno da reeleição de Gilberto Kassab. “Fechei com o Kassab”, avisou o ex-governador a uma pessoa de sua inteira confiança. A aliança dará ao prefeito cerca de 7min30s no horário gratuito, contra 4min do PT de Marta Suplicy e 3min do PSDB de Geraldo Alckmin, que dividem a liderança na mais recente pesquisa Datafolha. Ambos podem fechar outras alianças, mas nenhuma sigla disponível tem tempo de televisão semelhante ao do PMDB.
Guilherme Afif, candidato natural do DEM ao Senado em 2010, garantiu a Quércia que não disputará a eleição e que o partido apoiará o ex-governador.
Plano B. O PT, que também negociava com Quércia, tentará agora turbinar o tempo de televisão de Marta amarrando ao barco o PR e uma ou mais siglas do bloquinho. O alvo preferencial é o PSB.
Em estúdio. O PSDB paulista está (surpresa!) dividido quanto aos comerciais de TV que terá a partir de 7 de maio. Os alckmistas querem colocar seu candidato na tela a qualquer custo. Os serristas defendem que o ex-governador aguarde nova oportunidade no mês seguinte. O tema será debatido pela direção estadual na próxima segunda.
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Painel – Renata Lo Prete
21 de abril – Folha de S.Paulo
Roteiro. Vereadores do PT paulistano e deputados estaduais do partido irão a Brasília nesta quinta-feira para um encontro com Marta Suplicy. Pretendem fazer um “apelo” para que a já candidatíssima ministra do Turismo anuncie sua entrada na disputa pela sucessão de Gilberto Kassab (DEM) em São Paulo.
Fartura. Em campanha pela reeleição, Kassab abriu o cofre. Até 31 de março de 2007, a prefeitura havia arrecadado R$ 5,6 bi e se comprometido com despesas de R$ 8,8 bi. Neste ano, as receitas ficaram em R$ 5,8 bi no mesmo período. Já o valor empenhado se aproxima dos R$ 10 bi.
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