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Marta vê situação “delicada” para Alckmin
25 de abril – Folha de S.Paulo
Um dia depois de perder apoio do PMDB para Kassab, PT paulista tenta transferir derrota para ex-governador tucano
Ministra se encontra com políticos petistas e afirma estar em “uma situação dificílima e muito propensa a aceitar” disputar a eleição
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um dia depois de perder para Gilberto Kassab (DEM) o apoio do PMDB na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o PT paulista se reuniu em peso com a ministra Marta Suplicy (Turismo), em Brasília, e tentou transferir para o tucano Geraldo Alckmin o título de principal derrotado no episódio.
“Acho que o governador Alckmin ficou em situação mais desfavorável, em uma situação bastante delicada, eu diria, já que seu próprio partido articula em direção contrária a ele”, disse a ministra ontem, em alusão à movimentação de bastidor do governador José Serra (PSDB) para levar o PMDB a apoiar a candidatura do prefeito paulistano.
Serra lidera a corrente tucana que tenta fazer Alckmin desistir de sua pré-candidatura em prol de Kassab, vencedor da queda-de-braço com o PT pelo apoio do ex-governador Orestes Quércia, que controla o PMDB em São Paulo.
Com a presença dos dois senadores paulistas do PT (Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante), 8 dos 14 deputados federais, mais da metade dos deputados estaduais e todos os 12 vereadores do partido em São Paulo, o encontro com Marta Suplicy chegou a uma avaliação de consenso, segundo relato dos participantes: Serra entrou abertamente na disputa em prol de Kassab.
Se por um lado o PT perde tempo de TV que o apoio do PMDB lhe traria (4min30s, sendo que o PT tem 4min), por outro a aliança Quércia-Kassab, trabalhada por Serra, desidrata a candidatura Alckmin.
“É o racha definitivo no PSDB, é uma paulada no Alckmin. Seria a mesma coisa que o presidente Lula articular contra a Marta”, afirmou o vereador José Américo, presidente do PT paulistano.
Um dos principais aliados de Alckmin, o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) rebate. “Na nossa avaliação, quem se enfraqueceu foi a Marta, que é a concorrente principal. Ela, com o horário de TV do PMDB, teria a candidatura muito fortalecida”, disse.
Transporte
Oficialmente, a ida dos petistas ao encontro de Marta serviu como apelo para que ela assuma aquilo que, nos bastidores, todos dão como certo: a sua pré-candidatura a mais um mandato em São Paulo -Marta foi prefeita entre 2001 e 2004.
“Foi muito forte o apelo, de todo o partido no Estado de São Paulo, e isso me tocou profundamente, o que me deixa em uma situação dificílima e muito propensa a aceitar”, afirmou a ministra, que ontem já adotou, espontaneamente, o discurso preliminar de campanha ventilado há semanas por seus aliados nos bastidores: o trânsito em São Paulo. “Vemos que a população de São Paulo passa por uma situação de caos.”
Pela legislação eleitoral, Marta tem até 5 de junho para deixar o cargo de ministra, mas aliados afirmam que ela fará o anúncio oficial já nas próximas semanas.
“Tenho absoluta certeza de que ela dirá sim. A Marta é a nossa candidata, a escolha do PT já foi feita”, disse o senador Aloizio Mercadante, que também vocalizou uma das estratégias discutidas ontem a portas fechadas: a de pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ajudar o PT a fechar alianças com os três partidos do chamado bloquinho (PC do B, PSB e PDT), todos eles ameaçando lançar candidatos próprios. “É importante que o presidente tenha um olhar especial para a cidade de São Paulo”, afirmou Mercadante.
Add comment Maio 28, 2008
Mônica Bérgamo
25 de abril – Folha de S.Paulo
AH, BOM!
Orestes Quércia (PMDB-SP) e o governador José Serra (PSDB-SP) mantiveram linha direta durante a negociação do ex-governador com o DEM para apoiar a candidatura de Gilberto Kassab (DEM-SP) à reeleição. “Falei com ele”, admitiu Serra à coluna. “Mas não sobre esse assunto [o acordo]“.
SERÁ?
Na quarta, dia do anúncio do acordo, “irreversível”, segundo Quércia, entre ele e Kassab, a ministra Marta Suplicy (PT-SP) mantinha as esperanças de que o PMDB ainda poderia voltar ao barco do PT. “As conversas continuam”, diz ela.
ENROLADA
Setores do próprio PT já davam como certa também a debandada do PR para Gilberto Kassab. Com a “partida” do PMDB, o partido se transformou numa pretendente mais cortejada que antes e já anda reclamando. “O PT centralizou muito a negociação com o Quércia e esqueceu da gente. Estávamos como a namorada desprezada, enrolada. Agora vamos pensar bem no que fazer”, diz o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo.
Add comment Maio 27, 2008
Painel – Renata Lo Prete
24 de abril – Folha de S.Paulo
Muito vivo
Enquanto todos se impressionavam com a movimentação frenética de Aécio Neves, em contraste com a imobilidade de José Serra, este apadrinhou um lance -o apoio do PMDB à reeleição de Gilberto Kassab (DEM)- que deixou perplexos seus adversários internos e externos, com reflexos sobre 2008 e 2010.
De imediato, a aliança retira o oxigênio da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), que agora terá de disputar com Marta Suplicy (PT), em condições desfavoráveis, o apoio de partidos do bloquinho (PSB, PC do B e PDT). No longo prazo, o acordo sepulta a idéia de que o PMDB teria apenas duas opções na sucessão presidencial: o candidato de Lula ou Aécio, com quem vem flertando. Um novo romance está no ar.
Pólo. Pelo acerto fechado com Kassab, Orestes Quércia, candidato ao Senado, estará automaticamente no barco de Serra. Mas até adversários reconhecem que a aliança tem potencial para atrair em 2010 outras lideranças do PMDB, como Roberto Requião (PR) e Jarbas Vasconcelos (PE).
Help! Alckmistas esperam a ajuda de Aécio, desde sempre o maior entusiasta da candidatura, para obter o apoio do bloquinho. Resta saber se o governador mineiro, que já esticou ao limite o enfrentamento com Serra em São Paulo, tem condições de continuar bancando a aposta.
Com quem será? Para compor com Marta, o PR pede coligação na chapa de vereadores. O PT ainda não deu sua resposta, mas avalia que fechará com o ex-PL. Na prefeitura, porém, há convicção de que o partido irá de Kassab.
Inflação. Agora que o PMDB se foi, o presidente da Câmara paulistana, Antonio Carlos Rodrigues, tenta aumentar o cacife do PR. Cita Marcos Cintra e Aurélio Miguel como “nomes para a vice” da ministra do Turismo.
Pedreira. O apoio do PSB a Marta só será viável, apostam membros do bloquinho, com intervenção da cúpula nacional, notadamente do governador Eduardo Campos (PE). Na capital, a sigla de Luiza Erundina não tem afinidade com o PT. O presidente estadual, Márcio França, só não está com o velho amigo Geraldo Alckmin porque perderia cargos na máquina federal.
Veja bem. Os vereadores petistas Paulo Fiorilo e Zelão reafirmam sua posição contrária às AMAs de Kassab. Fiorilo diz que solicitou uma unidade a pedido de uma associação de bairro. Zelão diz que, no comando da Comissão de Saúde, luta pelo atendimento em regiões carentes.
Add comment Maio 27, 2008
PMDB diz que apóia Kassab porque é o candidato de Serra
24 de abril – Folha de S.Paulo
Partido afirma que presença no governo estadual é “conseqüência” da aliança
Sem contar com garantia de que teria apoio do PT para concorrer a vaga no Senado, Quércia declara que acerto com o DEM é irreversível
Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem![]() |
No sentido horário, Uebe Rezeck, Jorge Caruso e Baleia Rossi, deputados do PMDB, e Quércia
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Após almoço com o presidente do partido, Orestes Quércia, a bancada do PMDB na Assembléia justificou ontem a oficialização da aliança com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) como uma demonstração de apoio ao governador de São Paulo, o tucano José Serra. O próximo passo, anunciou Quércia, será a participação dos peemedebistas no governo do Estado.
Ontem, durante o almoço com Quércia, os três deputados estaduais do partido avalizaram a coligação com Kassab, conforme antecipou ontem o “Painel”, da Folha. O líder da bancada, Uebe Rezeck, alegou que, como Kassab é o candidato de Serra, a aliança seria um desdobramento do apoio que o partido já dá ao governador na Assembléia Legislativa.
“A bancada do PMDB dá sustentação ao governador na Assembléia. E o candidato do governador é mesmo o Kassab. Como nós já estamos na base de sustentação do governo, como já estamos apoiando o Serra, esse apoio ao Kassab completa o trabalho que está sendo feito na Assembléia”, afirmou.
Avisando que o apoio a Kassab é irreversível -apesar dos muitos telefonemas de petistas ao longo do dia- o próprio Quércia admitiu que “a composição com o DEM pressupõe a composição com o Serra”. Ele frisa, porém, que não se refere à disputa presidencial.
Uma articulação para a presidência, diz, ainda precisa ser discutida. Além do compromisso de ser candidato exclusivo do DEM ao Senado em 2010, Quércia informou que, após as eleições municipais, o PMDB participará do governo Serra.
À mesa do restaurante Massimo, os peemedebistas ressalvaram que a presença no governo Serra não é uma exigência para o apoio a Kassab. Mas “uma conseqüência”.
“Não existe o apoio oficial do partido [ao governo Serra]. Agora, vai acontecer”, afirmou Quércia.
Rezeck é claro ao afirmar que, se Serra espera o apoio do PMDB para seus projetos políticos, “deverá abrir espaços”.
O deputado Jorge Caruso afirmou que a decisão de apoio a Kassab está “em consonância” com a atuação das bancadas do PMDB na Alesp e na Câmara Municipal.
O nome de Caruso foi, no entanto, apresentado como alternativa para a vice.
Baleia Rossi, por sua vez, deixa claro que entende a aliança com Kassab como um aceno a Serra. “Sabemos que o Palácio é simpático [à aliança]. Mas não que tenha sido costurada lá”, afirmou.
Quércia disse que adiara de ontem para hoje a reunião da executiva municipal do partido por dois motivos: para garantir a presença de Kassab e consultar outros integrantes do PMDB.
Hoje, o PT se reúne com Quércia numa última tentativa de acordo. Ontem, ele argumentou que, além “experiência ruim com o PT”, a ministra Marta Suplicy não dera garantia de que teria apoio para o Senado em 2010.
“Teve muita gente que ligou pedindo para ficar com o PT. Mas, infelizmente para eles, não vai acontecer”, disse ele.
Ao responder se a decisão era irreversível, afirmou: “Da nossa parte, é. Vamos fechar. Não vamos ter dificuldade. Mudar não vai mudar”.
Add comment Maio 27, 2008
Sem PMDB, PT quer ajuda de Lula para negociar alianças
24 de abril – Folha de S.Paulo
Sem PMDB, PT quer ajuda de Lula para negociar alianças
Após Orestes Quércia anunciar apoio a Kassab, ministra Marta Suplicy diz que decisão de ser candidata não depende do PMDB
Para os petistas, presidente deve articular uma aliança do PSB, PDT e PC do B com a ex-prefeita; ressentimentos antigos podem minar união
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A direção do PT em São Paulo espera contar com a ajuda direta do Palácio do Planalto para oferecer à ministra Marta Suplicy (Turismo) um arco de alianças que lhe dê condições de concorrer em pé de igualdade com Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB).
Em Brasília, a ministra afirmou ontem que a sua decisão de ser candidata não dependerá do apoio do PMDB. Dizendo que o apoio peemedebista à sua possível candidatura “é uma das importantes opções” entre “várias opções importantes”, ela ressalvou que petistas continuam conversando com o ex-governador Orestes Quércia.
“Não será esse apoio ou um não-apoio que terá peso na decisão. Gostaríamos de ir juntos, mas esse não será o peso decisivo”, disse Marta. Petistas querem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva empenhado em trazer PSB, PDT e PC do B, partidos da coalização governista, até Marta. Os entraves, no entanto, são muitos e dizem respeito à lógica regional e a ressentimentos antigos.
No PSB, a ex-prefeita da capital paulista e ex-petista Luiza Erundina é uma voz contrária ao acordo com o PT. Além disso, anteontem, em sabatina da Folha, o deputado federal Ciro Gomes (CE) declarou apoiar a decisão do PSB e do deputado federal Márcio França (SP), líder do partido na Câmara.
França é antigo aliado de Alckmin, pois o PSB integrou o governo do tucano no Estado (2001-2006). “Por ordem, o PT está na frente dos outros, mas vamos ouvir muito o diretório paulistano, a direção nacional.
A grande diferença é que antigamente estaríamos no automático para o PT, mas, dessa vez, podemos apoiar qualquer um dos três”, disse França. Outro entrave ao PT é o deputado Aldo Rebelo, principal líder do PC do B no Estado. Candidato à presidência da Câmara em 2007, ele foi derrotado por Arlindo Chinaglia (PT-SP) e, segundo seus pares, ainda não digeriu o revés.
Aldo é a opção de candidatura própria do chamado “bloquinho”, formado por PC do B, PSB e PDT. “Isso não impede naturalmente que conversemos com a doutora Marta, com o doutor Alckmin e com o doutor Kassab”, afirmou Aldo. Fora do leque de partidos que integram o “bloquinho”, o PT acredita em uma aproximação com o PR, que também integra a base de apoio de Lula e foi leal a Marta durante sua gestão na capital de São Paulo (2000-2004). O partido do presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues, já pediu uma coligação proporcional, algo que não agrada aos vereadores próximos da ex-prefeita.
Membros do PR devem se encontrar com o prefeito Kassab nos próximos dias. Mas o partido não descarta continuar as conversas com o PT. “Eles perderam uma noiva agora”, brinca Rodrigues, em referência ao PMDB. “Já havíamos apresentado ao PT nossas idéias e não tivemos resposta. Queremos ser aliados de primeira hora”, acrescentou.
Add comment Maio 27, 2008
Com o pé no tubo – EDITORIAL
24 de abril – Estadão
O apoio do PMDB à candidatura do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi anunciado, mas não se pode dizer que esteja sacramentado.
Há tantas implicações numa aliança como essa, há tantas variantes nacionais, regionais, partidárias, presentes e futuras envolvidas, que é difícil acreditar em definições imutáveis tomadas dois meses antes do fim do prazo fatal: junho.
Por enquanto, de certo o que existe é um movimento que vai mexer na armação da disputa municipal mais importante do País.
Por exemplo: nem bem o acordo foi anunciado, o grupo do prefeito correu para fazer declarações públicas de apreço à manutenção da aliança entre tucanos e democratas.
Demonstrações de amizade a Geraldo Alckmin como não se ouviu nos últimos meses. Isso ao mesmo tempo em que se dava publicidade a um acerto cujo primeiro efeito é retirar oxigênio da candidatura de Alckmin.
Claro, pois se Kassab que já tem a máquina municipal e conta com a sustentação extra-oficial da administração estadual ainda ganha o tempo de televisão do PMDB e mais o simbolismo do apoio do maior partido da coligação do presidente Luiz Inácio da Silva, o que sobra para Geraldo Alckmin?
Parte da estrutura do PSDB, o apoio de lideranças tucanas fora de São Paulo (de influência zero sobre o eleitorado paulista) e os índices das pesquisas que, de resto, já foram mais substanciais.
Ao “pisar no tubo” do ex-governador, seus adversários devem ter um objetivo. O único à vista seria levá-lo a aceitar uma conversa sobre desistência da disputa municipal para aguardar a vez de concorrer ao governo do Estado em 2010.
É de se aguardar a reação do cardinalato tucano que trabalha a distância em prol de Alckmin. Certamente haverá e obviamente produzirá algum efeito.
Do lado do PT, que era tido como o interlocutor preferencial de Orestes Quércia, também houve gritaria e invocações de respeito à coligação federal.
Haverá, portanto, reações, ofertas de toda sorte e tentativas de mudar o quadro. Ao interromper as conversações, Quércia deve ter um objetivo.
O mais vistoso no horizonte é a valorização do passe diante do PT, que resiste em entregar uma vaga ao Senado porque a primazia é de Aloizio Mercadante, enquanto o DEM abre de bom grado mão da vez até então reservada a Guilherme Afif Domingos.
A despeito das novidades dos próximos capítulos, tal acerto, se confirmado, não pode ser visto como uma aliança entre o PMDB e o DEM. Não resulta de acordo com o PSDB nem indica abalo na coligação nacional PT-PMDB.
Diz respeito à conjugação de interesses de Orestes Quércia e José Serra, com a importante contribuição, em retrospectiva, de Marta Suplicy e sua inesquecível (para Quércia) participação no programa Roda Viva, em 2004.
Na entrevista, a então prefeita disse que o PMDB não era “confiável” como parceiro.
E não é mesmo. Mas, como diz um ex-adversário do PT, hoje ministro de Lula: “Os outros podem nos achar de quinta, mas precisam saber que temos o direito de discordar.”
Enfim
“Alguns movimentos sociais atuam na fronteira da legalidade, o que exige firmeza das autoridades constituídas”, disse no discurso de posse o novo presidente do Supremo, Gilmar Mendes, ao lado do presidente Lula, que de olhos baixos estava, de olhos baixos ficou.
Aos fatos
Tal como já fizera Lula ao saudar a derrota presidencial de 1989, porque, confessou, não estava “preparado” para governar o Brasil, Ciro Gomes comemorou o fato de não ter sido eleito em 2002. “Não estava maduro.”
Compreende-se que o intuito da autocrítica sobre as imperfeições do passado seja o de reforçar o primor dos atributos do presente.
Mas não deve soar bem aos eleitores de ambos nas referidas eleições a revelação de que foram vítimas de assumida propaganda enganosa.
Tal como fez o presidente Lula recentemente em visita a Pernambuco, redesenhando a história da ascensão e queda de Severino Cavalcanti, Ciro Gomes revisou o episódio apresentando Severino como o cerne de um “golpe” em marcha contra Lula.
Segundo Ciro, a oposição planejava usar o então presidente da Câmara para dar curso a um pedido de impeachment, desistindo apenas quando Severino aderiu ao governo.
É possível que Lula e Ciro tenham seus motivos para tentar conferir a Severino Cavalcanti um papel histórico que ele não teve. Mas, quaisquer que sejam, não têm o condão de alterar a realidade: Severino subiu no vácuo da divisão do PT e caiu por corrupção comprovada.
Quanto ao impeachment, a decisão de não apresentar o pedido foi tomada numa reunião dos partidos de oposição na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios, quando o publicitário confessou ter recebido recursos de caixa 2 para fazer a campanha presidencial de 2002.
Add comment Maio 27, 2008
Painel – Renata Lo Prete
23 de abril – Folha de S.Paulo
“Fechei com Kassab”
Orestes Quércia selou ontem o acordo do PMDB com o DEM em torno da reeleição de Gilberto Kassab. “Fechei com o Kassab”, avisou o ex-governador a uma pessoa de sua inteira confiança. A aliança dará ao prefeito cerca de 7min30s no horário gratuito, contra 4min do PT de Marta Suplicy e 3min do PSDB de Geraldo Alckmin, que dividem a liderança na mais recente pesquisa Datafolha. Ambos podem fechar outras alianças, mas nenhuma sigla disponível tem tempo de televisão semelhante ao do PMDB.
Guilherme Afif, candidato natural do DEM ao Senado em 2010, garantiu a Quércia que não disputará a eleição e que o partido apoiará o ex-governador.
Plano B. O PT, que também negociava com Quércia, tentará agora turbinar o tempo de televisão de Marta amarrando ao barco o PR e uma ou mais siglas do bloquinho. O alvo preferencial é o PSB.
Em estúdio. O PSDB paulista está (surpresa!) dividido quanto aos comerciais de TV que terá a partir de 7 de maio. Os alckmistas querem colocar seu candidato na tela a qualquer custo. Os serristas defendem que o ex-governador aguarde nova oportunidade no mês seguinte. O tema será debatido pela direção estadual na próxima segunda.
Add comment Maio 27, 2008
Kassab aceita formar chapa com Alda Marco Antonio
23 de abril – Folha de S.Paulo
Engenheira deve ser indicada a vice pelo PMDB caso aliança com DEM seja selada
Nome foi recomendado por Quércia; com aliança, prefeito espera pressionar Alckmin a desistir de sua candidatura ao cargo
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), concordou com a indicação da engenheira Alda Marco Antonio para sua vice, caso seja concretizada a aliança com o PMDB.
O presidente estadual do PMDB, o ex-governador Orestes Quércia, informou ontem a interlocutores a decisão de apoiar a candidatura de Kassab, segundo informa o Painel. O anúncio deverá acontecer hoje, apesar da pressão de peemedebistas para que o postergue.
Ligada a Quércia, Alda foi candidata do partido ao Senado nas eleições passadas. Seu nome foi recomendado por Quércia a Kassab. O prefeito aceitou a sugestão. Mas, nas conversas com Quércia, Kassab tomou o cuidado de dizer que ainda não descartava a reedição da aliança com o PSDB.
A expectativa de Kassab é que, ao ver sua candidatura desidratada após a costura do DEM com o PMDB, o ex-governador Geraldo Alckmin desista de concorrer. Mantida a aliança com o PSDB, a vice caberá a um tucano. E o PMDB terá participação no governo. Além da vice, os democratas assumiram o compromisso de que Quércia seja candidato exclusivo do DEM ao Senado.
Ao longo de todo dia, Quércia avisou que a negociação com Kassab estava “muito bem”. Ele deve anunciar o apoio hoje, após reuniões do partido.
Ontem mesmo, Quércia já tinha desencorajado petistas. Ainda assim, o presidente estadual do PT, o prefeito de Araraquara Edinho Silva, pediu que conversassem hoje.
Evitando falar em leilão, Edinho afirmou, no entanto, que não ficará fazendo contrapropostas ao acordo com o DEM. “Tento construir um diálogo em cima de propostas. Mas não posso ser regido pelos movimentos do DEM e do PSDB.”
A relação de Quércia com PT é marcada por sobressaltos. Em 2002, apesar de um acordo com a cúpula do PT para que fosse a segunda opção do partido ao Senado (a primeira era Aloizio Mercadante), os petistas pediram voto para o candidato do PC do B. Por isso, hoje é tão importante para Quércia ser candidato exclusivo para o Senado.
Em 2004, a então prefeita Marta Suplicy se recusou a aceitar um indicado do PMDB para vice. Neste ano, segundo peemedebistas, já tinha escolhido o vice: o escritor Fernando Morais. A informação teria incomodado Quércia.
Add comment Maio 27, 2008
Alckmin quer anúncio de candidatura ainda em abril
21 de abril – Folha de S.Paulo
Kassab, ajudado pelo Palácio dos Bandeirantes, avança na negociação com o PMDB
No PT, Diretório Estadual também pretende ter novo encontro com Quércia, líder do PMDB no Estado e que sonha disputar o Senado
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Os três principais nomes da disputa pela Prefeitura de São Paulo planejam definir nos próximos dez dias os acertos finais de suas candidaturas. Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) têm previsto um último e definitivo encontro, e o PT corre para acertar uma aliança que dê sustentação à ministra Marta Suplicy.
Conforme o roteiro dos tucanos, o ex-governador Alckmin deverá ser anunciado pré-candidato pela Executiva Municipal do partido antes do feriado de 1º de Maio. Enquanto isso, o prefeito Kassab, com a ajuda de aliados do governador José Serra (PSDB), avança na tentativa de obter apoio do PMDB.
Nesta semana, emissários do prefeito tentarão convencer Orestes Quércia, presidente estadual do PMDB, de que a aliança com DEM dará ao ex-governador a garantia de que Serra e Kassab o apoiarão no sonho de concorrer a uma vaga ao Senado em 2010 com o respaldo da aliança demo-tucana que comanda o Estado.
Em contrapartida, Serra, nome cotado para a sucessão do presidente Lula, “racharia” a coalização do petista em 2010, já que os peemedebistas fazem parte do atual governo federal.
Os interlocutores de Quércia no Palácio dos Bandeirantes são o vice-governador Alberto Goldman e o secretário Aloysio Nunes Ferreira (Casa Civil) -o primeiro, ex-secretário da gestão de Quércia (1987-1991), de quem o último foi vice.
Uma coligação do PMDB com Kassab, terceiro colocado na mais recente pesquisa Datafolha de intenção de voto, praticamente dobraria o tempo de televisão do DEM no horário eleitoral gratuito, algo considerado fundamental para quem está atrás na corrida e tem que propagandear sua gestão.
A movimentação de Kassab deverá pôr fim à aparente trégua dos últimos dias na aliança PSDB-DEM, também à frente da Prefeitura de São Paulo. O entorno de Serra trabalha pela manutenção da parceria. Por isso, a tendência é que o terceiro e último encontro de Alckmin com o prefeito seja apenas para selar um pacto de não-agressão na campanha.
Ainda conforme o roteiro de Alckmin, em meados de maio uma grande festa do PSDB, com a presença de seus principais líderes nacionais, marcaria o início da pré-campanha.
Segundo o Datafolha, o ex-governador está tecnicamente empatado com Marta na liderança da corrida. A petista tem 29% das intenções de voto contra 28% de Alckmin -a margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
PT
O petista Edinho Silva, presidente estadual da sigla, também pretende ter novo encontro com Quércia neste mês. O problema do PT é convencer o senador Aloizio Mercadante a aceitar dividir a chapa para o Senado em 2010 com o ex-governador do PMDB.
No PT, há quem afirme que, sem uma aliança forte, Marta poderá desistir do concorrer.
PSDB e DEM deverão ter cerca de três minutos cada um nos blocos do horário eleitoral gratuito de televisão, previsto para começar em agosto.
A estimativa é que o PT tenha quase um minuto a mais.
Segundo a legislação eleitoral, dois terços do horário no rádio e na TV (dois blocos de 25 minutos às segundas, quartas e sextas) serão distribuídos proporcionalmente ao número de deputados federais eleitos na última eleição, em 2006.
O PMDB elegeu 89 deputados e terá quase cinco minutos.
Add comment Maio 27, 2008
Cartas na mesa – ARTIGO DORA KRAMER
20 de abril – Estadão
Conta corrente
Por ordem de preferência, em São Paulo o PMDB tende a apoiar a ministra Marta Suplicy em primeiro lugar, o prefeito Gilberto Kassab em seguida e o ex-governador Geraldo Alckmin entra como última opção na disputa pela prefeitura.
O problema com Alckmin não é pessoal, é de carência de máquina. Marta tem a federal; Kassab conta oficialmente com a municipal e no paralelo com a estadual.
Add comment Maio 27, 2008
