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Marta vê situação “delicada” para Alckmin

25 de abril – Folha de S.Paulo

Um dia depois de perder apoio do PMDB para Kassab, PT paulista tenta transferir derrota para ex-governador tucano

Ministra se encontra com políticos petistas e afirma estar em “uma situação dificílima e muito propensa a aceitar” disputar a eleição

RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Um dia depois de perder para Gilberto Kassab (DEM) o apoio do PMDB na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o PT paulista se reuniu em peso com a ministra Marta Suplicy (Turismo), em Brasília, e tentou transferir para o tucano Geraldo Alckmin o título de principal derrotado no episódio.
“Acho que o governador Alckmin ficou em situação mais desfavorável, em uma situação bastante delicada, eu diria, já que seu próprio partido articula em direção contrária a ele”, disse a ministra ontem, em alusão à movimentação de bastidor do governador José Serra (PSDB) para levar o PMDB a apoiar a candidatura do prefeito paulistano.
Serra lidera a corrente tucana que tenta fazer Alckmin desistir de sua pré-candidatura em prol de Kassab, vencedor da queda-de-braço com o PT pelo apoio do ex-governador Orestes Quércia, que controla o PMDB em São Paulo.
Com a presença dos dois senadores paulistas do PT (Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante), 8 dos 14 deputados federais, mais da metade dos deputados estaduais e todos os 12 vereadores do partido em São Paulo, o encontro com Marta Suplicy chegou a uma avaliação de consenso, segundo relato dos participantes: Serra entrou abertamente na disputa em prol de Kassab.
Se por um lado o PT perde tempo de TV que o apoio do PMDB lhe traria (4min30s, sendo que o PT tem 4min), por outro a aliança Quércia-Kassab, trabalhada por Serra, desidrata a candidatura Alckmin.
“É o racha definitivo no PSDB, é uma paulada no Alckmin. Seria a mesma coisa que o presidente Lula articular contra a Marta”, afirmou o vereador José Américo, presidente do PT paulistano.
Um dos principais aliados de Alckmin, o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) rebate. “Na nossa avaliação, quem se enfraqueceu foi a Marta, que é a concorrente principal. Ela, com o horário de TV do PMDB, teria a candidatura muito fortalecida”, disse.

Transporte
Oficialmente, a ida dos petistas ao encontro de Marta serviu como apelo para que ela assuma aquilo que, nos bastidores, todos dão como certo: a sua pré-candidatura a mais um mandato em São Paulo -Marta foi prefeita entre 2001 e 2004.
“Foi muito forte o apelo, de todo o partido no Estado de São Paulo, e isso me tocou profundamente, o que me deixa em uma situação dificílima e muito propensa a aceitar”, afirmou a ministra, que ontem já adotou, espontaneamente, o discurso preliminar de campanha ventilado há semanas por seus aliados nos bastidores: o trânsito em São Paulo. “Vemos que a população de São Paulo passa por uma situação de caos.”
Pela legislação eleitoral, Marta tem até 5 de junho para deixar o cargo de ministra, mas aliados afirmam que ela fará o anúncio oficial já nas próximas semanas.
“Tenho absoluta certeza de que ela dirá sim. A Marta é a nossa candidata, a escolha do PT já foi feita”, disse o senador Aloizio Mercadante, que também vocalizou uma das estratégias discutidas ontem a portas fechadas: a de pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ajudar o PT a fechar alianças com os três partidos do chamado bloquinho (PC do B, PSB e PDT), todos eles ameaçando lançar candidatos próprios. “É importante que o presidente tenha um olhar especial para a cidade de São Paulo”, afirmou Mercadante.

Add comment Maio 28, 2008

PMDB diz que apóia Kassab porque é o candidato de Serra

24 de abril – Folha de S.Paulo

Partido afirma que presença no governo estadual é “conseqüência” da aliança

Sem contar com garantia de que teria apoio do PT para concorrer a vaga no Senado, Quércia declara que acerto com o DEM é irreversível

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

No sentido horário, Uebe Rezeck, Jorge Caruso e Baleia Rossi, deputados do PMDB, e Quércia
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Após almoço com o presidente do partido, Orestes Quércia, a bancada do PMDB na Assembléia justificou ontem a oficialização da aliança com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) como uma demonstração de apoio ao governador de São Paulo, o tucano José Serra. O próximo passo, anunciou Quércia, será a participação dos peemedebistas no governo do Estado.
Ontem, durante o almoço com Quércia, os três deputados estaduais do partido avalizaram a coligação com Kassab, conforme antecipou ontem o “Painel”, da Folha. O líder da bancada, Uebe Rezeck, alegou que, como Kassab é o candidato de Serra, a aliança seria um desdobramento do apoio que o partido já dá ao governador na Assembléia Legislativa.
“A bancada do PMDB dá sustentação ao governador na Assembléia. E o candidato do governador é mesmo o Kassab. Como nós já estamos na base de sustentação do governo, como já estamos apoiando o Serra, esse apoio ao Kassab completa o trabalho que está sendo feito na Assembléia”, afirmou.
Avisando que o apoio a Kassab é irreversível -apesar dos muitos telefonemas de petistas ao longo do dia- o próprio Quércia admitiu que “a composição com o DEM pressupõe a composição com o Serra”. Ele frisa, porém, que não se refere à disputa presidencial.
Uma articulação para a presidência, diz, ainda precisa ser discutida. Além do compromisso de ser candidato exclusivo do DEM ao Senado em 2010, Quércia informou que, após as eleições municipais, o PMDB participará do governo Serra.
À mesa do restaurante Massimo, os peemedebistas ressalvaram que a presença no governo Serra não é uma exigência para o apoio a Kassab. Mas “uma conseqüência”.
“Não existe o apoio oficial do partido [ao governo Serra]. Agora, vai acontecer”, afirmou Quércia.
Rezeck é claro ao afirmar que, se Serra espera o apoio do PMDB para seus projetos políticos, “deverá abrir espaços”.
O deputado Jorge Caruso afirmou que a decisão de apoio a Kassab está “em consonância” com a atuação das bancadas do PMDB na Alesp e na Câmara Municipal.
O nome de Caruso foi, no entanto, apresentado como alternativa para a vice.
Baleia Rossi, por sua vez, deixa claro que entende a aliança com Kassab como um aceno a Serra. “Sabemos que o Palácio é simpático [à aliança]. Mas não que tenha sido costurada lá”, afirmou.
Quércia disse que adiara de ontem para hoje a reunião da executiva municipal do partido por dois motivos: para garantir a presença de Kassab e consultar outros integrantes do PMDB.
Hoje, o PT se reúne com Quércia numa última tentativa de acordo. Ontem, ele argumentou que, além “experiência ruim com o PT”, a ministra Marta Suplicy não dera garantia de que teria apoio para o Senado em 2010.
“Teve muita gente que ligou pedindo para ficar com o PT. Mas, infelizmente para eles, não vai acontecer”, disse ele.
Ao responder se a decisão era irreversível, afirmou: “Da nossa parte, é. Vamos fechar. Não vamos ter dificuldade. Mudar não vai mudar”.

Add comment Maio 27, 2008

Sem PMDB, PT quer ajuda de Lula para negociar alianças

24 de abril – Folha de S.Paulo

Sem PMDB, PT quer ajuda de Lula para negociar alianças

Após Orestes Quércia anunciar apoio a Kassab, ministra Marta Suplicy diz que decisão de ser candidata não depende do PMDB

Para os petistas, presidente deve articular uma aliança do PSB, PDT e PC do B com a ex-prefeita; ressentimentos antigos podem minar união

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL

RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A direção do PT em São Paulo espera contar com a ajuda direta do Palácio do Planalto para oferecer à ministra Marta Suplicy (Turismo) um arco de alianças que lhe dê condições de concorrer em pé de igualdade com Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB).
Em Brasília, a ministra afirmou ontem que a sua decisão de ser candidata não dependerá do apoio do PMDB. Dizendo que o apoio peemedebista à sua possível candidatura “é uma das importantes opções” entre “várias opções importantes”, ela ressalvou que petistas continuam conversando com o ex-governador Orestes Quércia.
“Não será esse apoio ou um não-apoio que terá peso na decisão. Gostaríamos de ir juntos, mas esse não será o peso decisivo”, disse Marta. Petistas querem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva empenhado em trazer PSB, PDT e PC do B, partidos da coalização governista, até Marta. Os entraves, no entanto, são muitos e dizem respeito à lógica regional e a ressentimentos antigos.
No PSB, a ex-prefeita da capital paulista e ex-petista Luiza Erundina é uma voz contrária ao acordo com o PT. Além disso, anteontem, em sabatina da Folha, o deputado federal Ciro Gomes (CE) declarou apoiar a decisão do PSB e do deputado federal Márcio França (SP), líder do partido na Câmara.
França é antigo aliado de Alckmin, pois o PSB integrou o governo do tucano no Estado (2001-2006). “Por ordem, o PT está na frente dos outros, mas vamos ouvir muito o diretório paulistano, a direção nacional.
A grande diferença é que antigamente estaríamos no automático para o PT, mas, dessa vez, podemos apoiar qualquer um dos três”, disse França. Outro entrave ao PT é o deputado Aldo Rebelo, principal líder do PC do B no Estado. Candidato à presidência da Câmara em 2007, ele foi derrotado por Arlindo Chinaglia (PT-SP) e, segundo seus pares, ainda não digeriu o revés.
Aldo é a opção de candidatura própria do chamado “bloquinho”, formado por PC do B, PSB e PDT. “Isso não impede naturalmente que conversemos com a doutora Marta, com o doutor Alckmin e com o doutor Kassab”, afirmou Aldo. Fora do leque de partidos que integram o “bloquinho”, o PT acredita em uma aproximação com o PR, que também integra a base de apoio de Lula e foi leal a Marta durante sua gestão na capital de São Paulo (2000-2004). O partido do presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues, já pediu uma coligação proporcional, algo que não agrada aos vereadores próximos da ex-prefeita.
Membros do PR devem se encontrar com o prefeito Kassab nos próximos dias. Mas o partido não descarta continuar as conversas com o PT. “Eles perderam uma noiva agora”, brinca Rodrigues, em referência ao PMDB. “Já havíamos apresentado ao PT nossas idéias e não tivemos resposta. Queremos ser aliados de primeira hora”, acrescentou.

Add comment Maio 27, 2008

Com o pé no tubo – EDITORIAL

24 de abril – Estadão

O apoio do PMDB à candidatura do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi anunciado, mas não se pode dizer que esteja sacramentado.

Há tantas implicações numa aliança como essa, há tantas variantes nacionais, regionais, partidárias, presentes e futuras envolvidas, que é difícil acreditar em definições imutáveis tomadas dois meses antes do fim do prazo fatal: junho.

Por enquanto, de certo o que existe é um movimento que vai mexer na armação da disputa municipal mais importante do País.

Por exemplo: nem bem o acordo foi anunciado, o grupo do prefeito correu para fazer declarações públicas de apreço à manutenção da aliança entre tucanos e democratas.

Demonstrações de amizade a Geraldo Alckmin como não se ouviu nos últimos meses. Isso ao mesmo tempo em que se dava publicidade a um acerto cujo primeiro efeito é retirar oxigênio da candidatura de Alckmin.

Claro, pois se Kassab que já tem a máquina municipal e conta com a sustentação extra-oficial da administração estadual ainda ganha o tempo de televisão do PMDB e mais o simbolismo do apoio do maior partido da coligação do presidente Luiz Inácio da Silva, o que sobra para Geraldo Alckmin?

Parte da estrutura do PSDB, o apoio de lideranças tucanas fora de São Paulo (de influência zero sobre o eleitorado paulista) e os índices das pesquisas que, de resto, já foram mais substanciais.

Ao “pisar no tubo” do ex-governador, seus adversários devem ter um objetivo. O único à vista seria levá-lo a aceitar uma conversa sobre desistência da disputa municipal para aguardar a vez de concorrer ao governo do Estado em 2010.

É de se aguardar a reação do cardinalato tucano que trabalha a distância em prol de Alckmin. Certamente haverá e obviamente produzirá algum efeito.

Do lado do PT, que era tido como o interlocutor preferencial de Orestes Quércia, também houve gritaria e invocações de respeito à coligação federal.

Haverá, portanto, reações, ofertas de toda sorte e tentativas de mudar o quadro. Ao interromper as conversações, Quércia deve ter um objetivo.

O mais vistoso no horizonte é a valorização do passe diante do PT, que resiste em entregar uma vaga ao Senado porque a primazia é de Aloizio Mercadante, enquanto o DEM abre de bom grado mão da vez até então reservada a Guilherme Afif Domingos.

A despeito das novidades dos próximos capítulos, tal acerto, se confirmado, não pode ser visto como uma aliança entre o PMDB e o DEM. Não resulta de acordo com o PSDB nem indica abalo na coligação nacional PT-PMDB.

Diz respeito à conjugação de interesses de Orestes Quércia e José Serra, com a importante contribuição, em retrospectiva, de Marta Suplicy e sua inesquecível (para Quércia) participação no programa Roda Viva, em 2004.

Na entrevista, a então prefeita disse que o PMDB não era “confiável” como parceiro.

E não é mesmo. Mas, como diz um ex-adversário do PT, hoje ministro de Lula: “Os outros podem nos achar de quinta, mas precisam saber que temos o direito de discordar.”

Enfim

“Alguns movimentos sociais atuam na fronteira da legalidade, o que exige firmeza das autoridades constituídas”, disse no discurso de posse o novo presidente do Supremo, Gilmar Mendes, ao lado do presidente Lula, que de olhos baixos estava, de olhos baixos ficou.

Aos fatos

Tal como já fizera Lula ao saudar a derrota presidencial de 1989, porque, confessou, não estava “preparado” para governar o Brasil, Ciro Gomes comemorou o fato de não ter sido eleito em 2002. “Não estava maduro.”

Compreende-se que o intuito da autocrítica sobre as imperfeições do passado seja o de reforçar o primor dos atributos do presente.

Mas não deve soar bem aos eleitores de ambos nas referidas eleições a revelação de que foram vítimas de assumida propaganda enganosa.

Tal como fez o presidente Lula recentemente em visita a Pernambuco, redesenhando a história da ascensão e queda de Severino Cavalcanti, Ciro Gomes revisou o episódio apresentando Severino como o cerne de um “golpe” em marcha contra Lula.

Segundo Ciro, a oposição planejava usar o então presidente da Câmara para dar curso a um pedido de impeachment, desistindo apenas quando Severino aderiu ao governo.

É possível que Lula e Ciro tenham seus motivos para tentar conferir a Severino Cavalcanti um papel histórico que ele não teve. Mas, quaisquer que sejam, não têm o condão de alterar a realidade: Severino subiu no vácuo da divisão do PT e caiu por corrupção comprovada.

Quanto ao impeachment, a decisão de não apresentar o pedido foi tomada numa reunião dos partidos de oposição na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios, quando o publicitário confessou ter recebido recursos de caixa 2 para fazer a campanha presidencial de 2002.

Add comment Maio 27, 2008

Painel – Renata Lo Prete

20 de abril – Folha de S.Paulo

Romanée-Conti 1. Duda Mendonça jantou há dez dias na casa de Paulo Maluf (PP). O deputado tenta atrair seu ex-marqueteiro para a campanha à prefeitura. Em 2004, Duda esteve com Marta Suplicy (PT), a quem vendeu, com resultados desastrosos, a idéia do “CEU Saúde”.

Romanée-Conti 2. Duda, que tenta renascer do mensalão como “consultor” de várias campanhas este ano, ainda não deu resposta a Maluf. Mas a reaproximação já rendeu palpites no recheio e na capa da biografia do ex-prefeito a ser lançada em junho.

Com quem será? Pelo menos quatro nomes já foram abordados por alckmistas com pedidos de orçamento para a área de comunicação: Rui Rodrigues, Antonio Melo, Oswaldo Martins e Marcelo Simões. Luiz Gonzalez, marqueteiro de toda a vida do ex-governador, está em litígio com o PSDB a propósito de pagamentos não-recebidos pela campanha de 2006.

Martelo batido. Já Marta e Gilberto Kassab (DEM) estão resolvidos no capítulo marqueteiro. Ela vai de João Santana, que fez a reeleição de Lula. Ele, de José Maria Braga, que já foi de Maluf e em 2006 fez a campanha de Guilherme Afif ao Senado.

Quem sabe? No entorno de Kassab, há quem defenda que, na hipótese de Alckmin desistir, Luiz Gonzalez poderia ser convencido a fazer a campanha do prefeito.

Add comment Maio 27, 2008

Painel – Renata Lo Prete

16 de abril – Folha de S.Paulo

Termômetro

Segundo pesquisa telefônica feita para o DEM, 46% dos paulistanos consideram ótima ou boa a administração de Gilberto Kassab. O percentual é o mesmo registrado pelo governo Lula na cidade e ligeiramente inferior ao conferido à gestão da petista Marta Suplicy (2001-2004), 48%. O governo estadual, comandado pelo tucano José Serra, obteve 43% de ótimo/bom no levantamento, realizado nos dias 1º e 2 de abril pelo Ipespe, do cientista político Antônio Lavareda.
Os “demos” apontam o ótimo/bom do prefeito, que em julho passado era de apenas 31%, como sinal do potencial de crescimento do candidato, hoje atrás dos líderes Marta e Geraldo Alckmin (PSDB) no Datafolha. Ela também melhorou: tinha 38% em agosto.


Metade. Kassab obteve 15% de ruim/péssimo, contra 30% de Marta. A avaliação negativa, nesta fase de pré-campanha, funciona como uma espécie de taxa de rejeição.

Add comment Maio 20, 2008

Mônica Bérgamo

19 de março  – Folha de S.Paulo

QUÉRCIA ESCALDADO
O acordo entre o PT e Orestes Quércia (PMDB-SP) para que ele apóie Marta Suplicy em troca do apoio dos petistas à sua candidatura ao Senado, em 2010, esbarra num precedente: em 2002, acordo semelhante foi detonado com o lançamento de Wagner Gomes (PC do B -SP) na segunda vaga da coligação com o PT. Gomes, apoiado por Aloizio Mercadante, tirou votos de Quércia -que não esquece aquela campanha.

BOCA FECHADA
Marta Suplicy deve empurrar até o limite o lançamento de sua candidatura à Prefeitura de São Paulo. “Assim ela evita entrar em polêmicas sobre a cidade”, diz um estrategista da campanha da ministra.

TERCEIRO VOTO
E, antes de deixar o Ministério do Turismo, Marta pretende lançar, se possível ao lado de Lula, pacote que dará 50% de desconto a idosos em hotéis do país. Será uma “extensão” de programa já existente, de desconto em pacotes de viagem.

Add comment Maio 14, 2008

Lula me deu carta branca, declara Marta

19 de março – Folha de S.Paulo

 A ministra Marta Suplicy (Turismo) afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe deu carta branca para escolher entre seguir no governo ou disputar a Prefeitura de São Paulo neste ano. A ministra disse estar dividida e que tem até 5 de junho para se decidir.
“Eu tenho que agradecer ao presidente que me deu a possibilidade de escolha. Ele disse que se eu resolver por São Paulo, dá um apoio de 100%. Isso foi muito importante e está pesando na decisão”, disse após o 8º Fórum Panrotas, em São Paulo.
Marta disse ter muito para contribuir com São Paulo. “Eu amo minha cidade. Ao mesmo tempo, vocês viram os números do turismo: conseguimos avançar 13%.”
O PT negocia para que o ex-governador Orestes Quércia (PMDB-SP) indique o vice na chapa.

Add comment Maio 14, 2008

Perseverar no erro é com PSDB e DEM – ARTIGO

19 de março – Estado de S.Paulo – ARTIGO

Na última campanha eleitoral pela Presidência da República, o PSDB tinha tanta certeza de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, seria derrotado pelo escândalo do “mensalão” que o então prefeito da capital, José Serra, e o ex-governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin se engalfinharam numa guerra autofágica pela subida honra de vencê-lo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a cunhar uma frase aparentemente acaciana, mas que não resistia, como não resistiu, aos fatos. Em entrevista à revista Playboy, garantiu que Alckmin era melhor candidato, mas Serra seria melhor presidente. Ainda não dá para saber se Serra seria um bom presidente, pois na única vez que disputou perdeu para Lula. Mas o atual governador paulista já se tinha provado excepcional candidato ao derrotar a prefeita Marta Suplicy, do PT, com ela no cargo e tendo sua gestão aprovada no dia da eleição pela maioria do eleitorado paulistano. A forma desastrada como Alckmin conduziu a candidatura presidencial no segundo turno, que caíra do céu por conta da lambança dos chamados “aloprados”, que produziram um falso dossiê para tentar derrotar Serra para o governo estadual e favorecer o senador petista Aloizio Mercadante, deixou claro que melhor candidato que Serra ele não é.

Em benefício do ex-governador é possível dizer que, graças à sua pertinácia, ao afastar o oponente da liça, como fez, ele terminou por prestar um grande serviço ao próprio partido, uma vez que, não se candidatando à Presidência, Serra pôde disputar e ganhar – no primeiro turno – o governo do maior Estado do País. Nunca se saberá se Serra ganharia de Lula, mas qualquer observador isento verificou que a aposta feita pelos tucanos na denúncia de corrupção não passou de sonho de uma noite de verão. E o mais provável é que Lula derrotasse qualquer um deles, uma vez que o PSDB perdera completamente a autoridade de empunhar a bandeira da moralidade depois de salvar a pele de seu ex-presidente nacional Eduardo Azeredo, acusado de ter fundado o esquema que mais tarde seria usado no âmbito federal e já tendo como operador o publicitário mineiro Marcos Valério.

Isso permitiu a Lula e ao PT darem um banho de estratégia política nos adversários, facilitado pelo erro tático de Alckmin, que, em vez de defender a privatização empreendida por seu correligionário Fernando Henrique, perdeu a oportunidade de ganhar o inesperado segundo turno ao ficar numa defensiva tíbia e pouco inteligente. Numa demonstração de clarividência extraordinária, o presidente isolou os tucanos em São Paulo (já que não havia mais o que fazer), derrotando-os em 2006 e preparando o terreno para 2010, numa tentativa de minar o favoritismo dado pelas pesquisas a Serra.

O que talvez nem os mais otimistas estrategistas petistas imaginavam é que tucanos e dêmicos fossem de um egocentrismo tal que terminariam por pôr em risco até esse bastião em que se instalaram nas últimas eleições, desde que desalojaram o PT da Prefeitura da capital em 2004. Os antigos romanos diziam que “errare humanum est, sed in errore perseverare diabolicus est” (“errar é humano, mas perseverar no erro é diabólico”). Se na Roma dos Césares houvesse um PSDB ou um DEM, é provável que eles substituíssem o diabólico por tucano ou dêmico. Pois a dura batalha entre o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, e o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, para disputar com o PT é a estulta preservação do erro da última campanha presidencial: um fogo amigo que só poderá levar às cinzas da derrota.

Quando essa luta começou, Marta Suplicy nem ousava se candidatar, principalmente depois de ter presenteado o dístico “relaxa e goza” a qualquer adversário que concorra com ela por votos. Mas agora a ministra do Turismo é candidata e as pesquisas, apesar de anunciarem sua derrota no segundo turno para qualquer um de seus adversários, já reconhecem claramente suas chances.

Assim como na última campanha presidencial Alckmin inovou ao usar como puxador de votos seu falecido antecessor, Mário Covas, desta vez contribuirá para o folclore político ao criar o “continuísmo sem continuação”. Como PSDB e DEM têm um consórcio que funcionou em São Paulo muito bem até agora, ele não se poderá opor à gestão de Kassab, pois, afinal, esta é a continuidade da de Serra, como dele fora a do citado Covas. Mas, de igual maneira, não lhe será fácil convencer o eleitorado de que ele continuará a gestão de Kassab, sendo o próprio prefeito seu adversário no primeiro turno. É legítimo que o prefeito queira disputar a reeleição, instituto acrescentado à ordem constitucional brasileira por um correligionário do ex-governador, o ex-presidente Fernando Henrique. Alckmin também se julga no direito de disputar a Prefeitura com as pesquisas o apontando como pleno favorito. Caberá ao eleitor decidir entre os dois quem enfrentará a adversária petista no segundo turno e isso é democrático.

O fato, contudo, é que a disputa entre Alckmin e Kassab tem produzido tantas arestas nos dois partidos que lhes dão sustentação e são tradicionalmente aliados que dificilmente aquele dentre os dois que for derrotado no primeiro turno arregaçará as mangas pelo vencedor no segundo, para evitar que a Prefeitura caia de volta nas mãos do PT. Desde Cristiano Machado, o candidato do PSD que foi traído pelas bases que votaram em Getúlio Vargas, do PTB, em 1950, a chamada “cristianização” tem feito vítimas muito ilustres na política brasileira. Caso do dr. Ulysses Guimarães na eleição vencida por Fernando Collor, por exemplo. Com o apoio de Lula e seus aliados, Marta Suplicy pode repetir os feitos do presidente e do governador de São Paulo, passando os favoritos para trás. E, se o conseguir, ainda poderá ajudar Lula a fazer o sucessor em 2010.

José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde

Add comment Maio 14, 2008

Lula diz que Marta é ”boa candidata” para São Paulo

15 de março – Estado de S.Paulo

Presidente nega, no entanto, ter acertado saída da petista do ministério

Ricardo Brandt, Tiago Décimo, Angela Lacerda e Silvia Amorim|

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em visita a Araraquara, interior paulista, que a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), é uma “boa candidata” à disputa pela Prefeitura de São Paulo. No dia anterior, Lula teve reunião com a petista em que lhe garantiu apoio na eleição e acertou sua saída do ministério em junho. “Certamente todo mundo sabe que a Marta é uma boa candidata”, afirmou.

Lula evitou falar sobre o encontro e disse desconhecer qualquer decisão tomada por Marta para concorrer à prefeitura paulistana. “Só tenho poder de convocar o ministro e de tirar o ministro. Mas, se o ministro quiser deixar o governo para disputar alguma coisa, é uma decisão unilateral.”

Em Salvador (BA), onde acompanhou a visita da secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, Marta adotou o mesmo discurso. Não confirmou – nem negou – que tenha acertado sua candidatura com Lula. “Conversei com o presidente, numa reunião administrativa com outros ministros, e, depois, privadamente, conversamos sobre política. No momento adequado, vamos dizer nossa decisão.”

Marta mostrou descontentamento ao ser indagada sobre a candidatura e classificou a discussão como inoportuna. “Temos tempo até 5 de junho (data limite para que ministros deixem seus cargos para assumir candidaturas).”

Em São Paulo, petistas ligados a Marta confirmaram o acerto feito com Lula e consideraram natural seu apoio à ministra. Alguns lamentaram uma falta de “entusiasmo” do presidente durante a conversa com Marta, mas acreditam que isso não significará menos empenho do Palácio do Planalto em sua candidatura, uma vez que a eleição em São Paulo será uma vitrine importante para o pleito de 2010.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, que acompanhou Lula em Araraquara, afirmou que sempre defendeu a candidatura da ex-prefeita. “Eu falo desde o início do ano que Marta é a melhor a candidatura do PT para São Paulo”, comentou. “A população tem a memória da qualidade de gestão dela, das obras e principalmente da política social voltada dos mais pobres, que é a marca do PT.”

O presidente municipal do PT em São Paulo, José Américo Dias, também disse estar na torcida pela petista. “Estamos torcendo para que ela assuma a candidatura, que é uma decisão unânime no partido.” A expectativa do PT é que o anúncio seja feito por Marta até meados de abril.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), reagiu com ironia ao acerto entre Marta e Lula anteontem. “De repente ela sai e entra um ministro de verdade para cuidar do turismo”, disse. Em São Paulo, os tucanos disseram que a candidatura dela já era esperada.

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