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Marta admite que PT negocia sua candidatura

15 de abril – Estadão

A ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), admitiu ontem que aliados já articulam sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, mas buscou eximir-se da responsabilidade pelas negociações. Questionada se ainda nega a candidatura mesmo em meio a tantas reuniões protagonizadas por seu grupo político para tratar do assunto, a ex-prefeita disse ignorar as conversas e afirmou tratar-se de iniciativa independente de aliados. Em seguida, admitiu ter tomado conhecimento delas, mas negou que tenham ocorrido sob sua orientação.

“Eu também não sei o que eles estão fazendo. Porque, como eu não sou candidata, esse trabalho está sendo feito de acordo com a vontade de cada um”, declarou. Indagada se as conversas ocorrem, então, sem sua orientação ou seu conhecimento, acrescentou: “Certamente, sem orientação. Conhecimento, de vez em quando, um ou outro comenta alguma coisa.”

Sobre sua reação diante desses comentários, Marta disse que apenas “escuta”. “É o que eu tenho feito. Eu só escuto.”

Marta esteve ontem em São Paulo para a divulgação de uma pesquisa sobre o impacto da realização de eventos internacionais no turismo brasileiro. Esse foi o segundo evento da ex-prefeita na capital paulista em menos de uma semana. Na quarta-feira da semana passada, ela participou das comemorações do Dia da Alegria e visitou um parque de diversões na cidade.

TSE

Na visita de ontem, Marta também se mostrou pouco preocupada com a notícia de que a rejeição de suas contas partidárias de 2004 poderia pôr em risco o registro de sua candidatura. Datada de fevereiro, a Resolução 22.715 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o candidato que não tiver as contas de campanha aprovadas ficará impedido de obter a certidão de quitação eleitoral, necessária ao registro da candidatura. O tribunal ainda não determinou se a regra valerá somente para as contas da campanha eleitoral deste ano ou se afetará candidatos com pendências anteriores que pretendem concorrer em outubro.

“Acho que isso vai ser resolvido e não vai criar maiores problemas”, disse a ministra, sem se aprofundar. Marta teve as contas da campanha de 2004 rejeitadas pela Justiça Eleitoral.

Ora, ora! O Estadão reduziu para uma matéria todo o vasto conteúdo publicado online, e que ocupou a Folha nos últimos dias. Juntou o Dia da Alegria, a rejeição das contas partidárias de 2004, a agenda do partido e as indecisões de Marta quanto à candidatura.

Add comment Maio 20, 2008

Sugestão a DEM e PSDB – ARTIGO MAURO CHAVES

12 de abril – Estadão

Nem toda luta fratricida tem resultados negativos. A Guerra de Secessão, por exemplo, acabou com a escravidão, criou uma democracia moderna e poderosa. É óbvio, porém, que o tempo da guerra tem limites. Que isso sirva de consolo aos demos e tucanos paulistanos, que protagonizam a mais virulenta guerra surda interpartidária que já se viu neste país – e que o presidente dos tucanos, o pernambucano de nome Guerra, só tem contribuído para açular a cada vinda a esta capital. Mas até o fim de junho (prazo das convenções), sem pressa, dá para fazer desse limão uma boa limonada.

O grupo tucano que apóia a reeleição do prefeito Gilberto Kassab considera que o atual prefeito é um administrador competente e dedicado, que tem mantido rigorosa lealdade ao programa (tucano) da administração Serra/Kassab, tem demonstrado coragem e ousadia em combater as invasões de espaço público na cidade, já desencadeou uma operação (Cidade Limpa) que desvelou belezas que a cidade escondia, tem investido pesado na educação, na saúde, na melhoria do meio ambiente e em vários outros setores (inclusive no trânsito, cujos resultados estão para surgir). Para estes, a viabilidade eleitoral de Kassab decorre do crescimento da avaliação positiva de sua gestão, o que, na opinião dos especialistas em pesquisas, acaba sempre se transformando em votos.

O grupo tucano que apóia a candidatura a prefeito do ex-governador e ex-candidato a presidente da República Geraldo Alckmin o considera um administrador competente, dedicado e, certamente, admira o trabalho de sua gestão estadual, nos campos da segurança pública, da educação, da saúde, do transporte de massa e tantos mais. Para estes, a viabilidade eleitoral de Alckmin decorre da posição, em que se encontra, de segundo colocado nas pesquisas (depois de Marta Suplicy), dada a vantagem do recall (expressão predileta de Alckmin) de um ex-candidato à Presidência da República. Enfim, aí estão dois bons candidatos, com afinidades programáticas inegáveis, um mais ligado à esperança presente e o outro, à lembrança, recente, do eleitorado paulistano.

O erro tanto de alckmistas quanto de kassabistas tem sido a suposição utópica de que algum desses dois candidatos desistirá em favor do outro, para preservar a aliança demo-tucana. É mais fácil a Dilma vencer um concurso de requebrado para madrinha de bateria de escola de samba. Há, porém, um meio muito simples de os dois candidatos celebrarem uma sólida aliança, sem que nenhum deles desista de sua candidatura a prefeito. Chamaria essa fórmula de “sublegenda virtual” – lembrando a época em que dois candidatos saíam pelo mesmo partido e ganhava o mais votado. A votação em dois turnos permite que dois candidatos, mesmo que de partidos diferentes, defendam um programa comum e estabeleçam, previamente, uma aliança no segundo turno, em torno do mais votado.

O risco de as candidaturas independentes de Kassab e Alckmin fortalecerem Marta Suplicy seria verdadeiro se a eleição fosse em um turno só. Não havendo animosidade interna demo-tucana, os votos de Kassab e Alckmin, no segundo turno, necessariamente se somarão, em favor de um deles, e por motivo algum se transferirão para Marta. Então, a receita simples da boa limonada (nem tão forte que fique ardida, nem tão fraca que fique aguada) é o equilíbrio da campanha de ambos em torno de um programa comum, tendo por base a continuidade da gestão (tucana) Serra/Kassab.

Como se faria, na prática, essa “sublegenda virtual”? Eis minha sugestão: líderes dos dois partidos, juntamente com alckmistas e kassabistas, no início de junho marcariam uma grande cerimônia pública, na qual anunciariam as duas candidaturas (não há nenhum impedimento legal para isso). Os dois candidatos, com elegância e humildade (se possível, cada qual elogiando o outro), se poriam à disposição do eleitorado paulistano, prometendo apoio total ao concorrente presente, em caso de vir este a ser o escolhido. Depois, cada qual faria a sua campanha independente, procurando demonstrar as suas melhores condições de levar adiante o projeto comum – em continuidade à gestão Serra/Kassab.

Seria fundamental que, em suas campanhas, esses candidatos – assim como todos os demais, de quaisquer partidos, que se candidatem a governar a cidade mais importante do Estado mais importante do País – defendessem esta formidável locomotiva do Brasil contra os ataques sistemáticos, despropositados (quando não ridículos ), que algumas figuras publicas têm feito a São Paulo, nos últimos tempos. Ora é o presidente da República que acusa a “elite” paulista de ter destituído um chefe de Casa Legislativa federal por ser nordestino (e não por ter sido flagrado em ato de corrupção); ora é o governador de Minas que atribui à “hegemonia” de São Paulo os males do Brasil (sem explicar por quê); ora é o deputado e ex-governador cearense (presidenciável crônico) que vê conspiração da “imprensa paulista” na acusação (comprovada) de produção de dossiê chantagista na copa planaltina. Por que tanto ódio a São Paulo? Afinal de contas, a unidade mais forte da Federação não tem culpa de ser governada, coincidentemente, pelo candidato mais forte à sucessão presidencial.

Enfim, que os candidatos tenham a generosidade de pensar muito mais nos interesses da coletividade que vive na cidade de São Paulo do que nos interesses de suas respectivas carreiras políticas. E sendo assim, animados pelo prazer de servir à população desta fantástica capital (e não pela esperteza de se servirem dela), que os candidatos façam as suas campanhas com toda a tranqüilidade e, ao final, relaxem e gozem.

Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor. E-mail: mauro.chaves@attglobal.net

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PT avalia que candidatura de Marta é inevitável

1 de abril – Estadão

Animado por pesquisa, presidente estadual do partido aguarda volta da ministra, que está na China, para conversa

O Diretório Estadual do PT só aguarda o retorno da ministra do Turismo, Marta Suplicy, que está visitando a China, para definir a candidatura dela à Prefeitura de São Paulo. “Vamos marcar uma reunião para conversar com a ministra. Ela tem o receio de deixar o cargo, porque tem muitos projetos a fazer, mas a candidatura cresce a cada dia e só depende dela aceitar a disputa”, disse Edinho Silva, presidente estadual do PT e prefeito de Araraquara (SP).

Ele admitiu que a candidatura de Marta à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) é inevitável – e só depende de uma resposta positiva da ministra – principalmente depois do resultado da última pesquisa Datafolha, divulgada no domingo. No levantamento, Marta aparece com 29% na pesquisa estimulada, empatada tecnicamente com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 28% da preferência do eleitor. “A pesquisa foi ótima e mostra que quanto mais perto a eleição, mais ela vai crescer”, afirmou Edinho Silva.

A reunião da cúpula paulista com Marta deve ocorrer, se possível, antes de sexta-feira, quando a ministra visitará o Guarujá (SP), em companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outro encontro articulado pelas lideranças petistas do Estado de São Paulo é o de Marta com o ex-governador Orestes Quércia, do PMDB, partido que é cobiçado para alianças por todos os pré-candidatos a prefeito da capital paulista.

“Vamos conversar com a Marta primeiro e depois agendar um encontro entre o dois”, disse Edinho Silva, que já manteve reuniões com Quércia para costurar uma coligação entre os dois partidos, na qual PMDB indicaria o nome vice.

EMBALO

No fim de semana, aliados de Marta comemoram o resultado da pesquisa Datafolha. Diante dos números, eles avaliaram que a ex-prefeita fez bem em adiar o anúncio oficial de sua candidatura, já confirmada nos bastidores do governo e do PT.

Com isso, dizem petistas, Marta ganhou força diante do racha entre o DEM do prefeito Kassab e o PSDB de Alckmin. Antes de definir uma data para o anúncio, entretanto, o PT aguarda uma resposta de Quércia ao acordo proposto há algumas semanas. Se aceitar integrar o palanque da ex-prefeita, o ex-governador poderá levar a indicação do vice de Marta, além do apoio petista para se lançar a uma vaga no Senado nas eleições de 2010.

Add comment Maio 17, 2008

FGV: faturamento do turismo cresceu 14,8% em 2007

17 de março – Estadão

RIO - O faturamento das 92 maiores empresas de

turismo no Brasil cresceu 14,8% no ano passado e deve aumentar 16,7% este ano sobre o total de R$ 34,1 bilhões contabilizados em 2007, segundo expectativa dos executivos entrevistados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em pesquisa encomendada pelo Ministério do Turismo.

A ministra do Turismo, Marta Suplicy, destacou o aumento de 23,5% no total de funcionários dessas empresas no ano passado. Para 2008, a previsão é de aumento médio de 8,5% na mão-de-obra, de acordo com a pesquisa divulgada hoje.

O coordenador do núcleo de turismo da FGV, Luiz Gustavo Barbosa, comentou que houve aumento do volume de turistas, inclusive porque os custos do setor baixaram, puxados por uma queda de preços de 10,2% no setor aéreo. Este ano, porém, existe expectativa de aumento médio de preços de 5,5% no setor de turismo, muito influenciada pelas empresas de transporte aéreo, que têm expectativas de alta de 15,3% em suas tarifas. Barbosa afirmou que a pesquisa foi realizada em janeiro e fevereiro, quando já estava em curso a atual crise de crédito nos mercados globais, particularmente nos EUA.

Add comment Maio 17, 2008

Indefinição pode deixar PSDB sem aliados

19 de março – Estado de S.Paulo

PPS e PTB cogitam candidato próprio e petistas já assediam o PMDB

Silvia Amorim

A demora do PSDB em definir se terá candidato próprio ou apoiará o prefeito Gilberto Kassab (DEM) pode deixar o partido sem aliados no primeiro turno da eleição à Prefeitura de São Paulo. O aviso parte de antigos parceiros dos tucanos – PPS e PTB – e do PMDB.

Todos estão de olho na vaga de vice em uma chapa tucana e já foram sondados pelo ex-governador Geraldo Alckmin, que briga no PSDB para sair candidato. Mas as negociações seguem a passos lentos ante a ofensiva do PT, principal adversário na disputa.

Como reação à indefinição tucana, PPS e PTB ensaiam lançar candidatos próprios. Seria uma ”proteção” nessa briga, justifica um cacique do PPS, que tem cargos na prefeitura e no governo do Estado.

Ambos os partidos já têm nomes na manga – a vereadora Soninha (PPS) e o deputado estadual Campos Machado (PTB) – e dizem que não vão esperar até maio, prazo cogitado pelo tucanato para resolver a confusão interna. Os dois partidos não querem correr o risco de, nesse período, PSDB e DEM decidirem por uma aliança e deixarem as outras legendas na mão.

CONVERSAS

O PMDB caminha para outra direção. Na quarta-feira, o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), entusiasta da candidatura de Alckmin, encontrou-se com o líder máximo do PMDB em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia. Ouviu que as conversas com o PT – que ofereceu oficialmente a vice aos peemedebistas – estão mais adiantadas do que com os tucanos.

Os dois ficaram de marcar uma nova reunião. Quércia também aguarda um encontro oficial com a ministra do Turismo, Marta Suplicy, provável candidata do PT em São Paulo. Kassab já procurou o PMDB.

O risco de não ter aliados de peso no primeiro turno já preocupa os alckmistas. O que está em jogo é o tempo de TV na propaganda eleitoral. ”É um desgaste que não está beneficiando nenhum de nós, mas só o nosso adversário”, disse o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP).

Add comment Maio 14, 2008

Integração é o próximo desafio

18 de março – Estado de S.Paulo

- O amadurecimento do turismo brasileiro nos últimos anos é visível nas três esferas que compõem a base desta indústria: o empresariado, mais profissional e unido, o Executivo, mais técnico e com planejamento a longo prazo, e, chegando em boa hora, o Legislativo, já ciente de que o turismo é propulsor de desenvolvimento, empregos e renda.

É até lógico que os empresários tenham sido os primeiros a acreditar no turismo, já que era o seu negócio que estava em jogo. Venceram adversidades em uma época em que o turismo não era essa indústria tão evidente.

Hoje, décadas depois, o pioneirismo de nomes como Stella Barros, Aldo Leone, Modesto Mastrorosa, Mário de Mello Faro, Mayer Ambar e tantos outros criou um ambiente profissional maduro, propício para grandes negócios e investimentos, como comprovam empresários do porte de Guilherme Paulus, da CVC, Elói D”Ávila de Oliveira, da Flytour, Goiaci Alves Guimarães, da Rextur, Alceu Vezzozo Filho, da rede Bourbon, e Álvaro Bezerra de Mello, da rede Othon.

Demonstra esse grau de maturidade e integração o fato de que a grande maioria está agrupada em conventions e visitors bureaux estruturados, com verba e planos definidos: captar negócios para suas cidades, Estados e para o Brasil. Mesmo objetivo de entidades como Resorts Brasil, FOHB e Favecc.

O Executivo, representado pelo Ministério do Turismo, criado há apenas cinco anos, e pelas Secretarias de Turismo, antes agrupadas a outras pastas, também evoluiu. Os Estados mostram força ao se fazer representar no Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo e em entidades como a Fundação CTI-Nordeste, ao partirem para ações ousadas de promoção e ao desenvolverem seus pólos turísticos visando os mercados interno e externo. O MTur tem um mecanismo oficial de aproximação com o trade, o Conselho Nacional de Turismo, criou regras claras para a distribuição de verbas oficiais, tem um plano para a promoção do Brasil no Exterior e novos produtos e facilidades para o brasileiro conhecer seu País.

No Legislativo, a relevância do turismo comprova-se pela existência de duas comissões, na Câmara e no Senado, e da Frente Parlamentar de Turismo, além de emendas individuais que garantem acréscimo importante ao orçamento do Ministério do Turismo.

Com esses três pilares funcionando de forma mais consistente, planejada e efetiva, feito em que ajudou a persistência da Abav, estamos prontos para o próximo e fundamental salto: a integração.

Antes, cada um fazia a sua parte. Agora, porém, às vésperas de abrigar uma Copa do Mundo, oportunidade única para uma nova fase do turismo brasileiro, a integração das três áreas significa potencializar a força de cada uma deles e multiplicar os resultados e as chances de acertar. Se chegarmos a 2014 juntos, integrados, falando a mesma língua, o golaço será do turismo.

O Fórum Panrotas – Tendências do Turismo 2008, que ocorre em São Paulo, entre 18 e 19, terá líderes do Executivo como a ministra Marta Suplicy, empresários, entidades de classe e, pela primeira vez, uma quantidade expressiva de deputados e senadores. Todos participando de debates, assistindo a palestras de especialistas e trocando idéias e experiências, com um objetivo único: trabalhar para o desenvolvimento de nossa indústria e de nosso País.

Essa Copa, para nós, já começou. Temos os craques, os campos e os estádios. Falta apenas montarmos, juntos, as tabelas dos jogos. Os jogos pelo turismo brasileiro. A vitória é certa.

* José Guillermo Alcorta, presidente do Grupo Panrotas

Add comment Maio 14, 2008

PT apóia Quércia em 2010 se ele fechar com Marta já

18 de março – Estado de S.Paulo

Além de oferecer ao PMDB vaga de vice na chapa, grupo da ministra admite avalizar ex-governador para o Senado; idéia irrita aliados de Mercadante

Vera Rosa e Felipe Werneck

A cúpula do PT ofereceu um “pacote eleitoral” ao PMDB, com o objetivo de atrair o apoio do partido à candidatura de Marta Suplicy, que deixará o Ministério do Turismo para disputar a Prefeitura de São Paulo. Além de abrir para o PMDB a vaga de vice na chapa de Marta, o grupo da ministra admite avalizar Orestes Quércia para o Senado, em 2010. A proposta apresentada a Quércia, que é presidente do PMDB paulista, provocou reações iradas da ala ligada ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato natural à reeleição.

“Estamos mesmo dispostos a dar a vice ao PMDB e também sou a favor de apoiar Quércia para o Senado, em 2010″, afirmou o presidente do PT paulistano, vereador José Américo Dias. Para rechear o pacote oferecido ao principal parceiro da coalizão no governo Lula, os petistas negociam, ainda, a retirada de candidatos sem expressão eleitoral, em vários municípios, em favor de concorrentes do PMDB.

“Não podemos querer que o PMDB nos apóie em tantos lugares sem contrapartida”, argumentou José Américo. Questionado sobre os protestos do grupo de Mercadante, ele desconversou: “Eu não tenho conhecimento dessa resistência.”

Na prática, o PT negocia com Quércia a segunda vaga ao Senado, já que a primeira será reservada a Mercadante. Em geral, porém, o segundo nome da dobradinha é sempre um político menos conhecido, que não oferece risco ao candidato sobre o qual o partido aposta todas as fichas. Não é o caso de Quércia, que detém a máquina do PMDB em São Paulo.

Embora o ex-governador diga que está “escaldado” e não esconda a desconfiança em relação ao PT, os petistas acreditam no acordo. No atual cenário, o mais cotado para vice na chapa de Marta é o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB. Em 2004, Marta disputou e perdeu a reeleição como prefeita em chapa puro sangue, composta só pelo PT, que não quis ceder a vice. Agora, porém, o discurso é diferente. “Para nós, a aliança com o PMDB interessa em todo o País”, insistiu o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT.

Em várias conversas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos petistas que não adianta o partido disputar apenas para marcar posição. Mais: avisou que não subirá em nenhum palanque nas cidades onde a base aliada estiver dividida em duas ou mais candidaturas.

Mesmo com sua campanha sendo montada, a ministra do Turismo ainda tenta despistar sobre a entrada no páreo. “Amo a minha cidade e sei que posso dar grande contribuição, mas é uma decisão extremamente difícil. Estou muito dividida”, afirmou Marta ontem, no Rio.

BELO HORIZONTE

O casamento com o PMDB em São Paulo e a possibilidade de aliança com os tucanos, em Belo Horizonte (MG), também foram discutidos ontem, em Brasília, na reunião do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT. Ao que tudo indica, o Diretório Nacional da legenda deverá aprovar, na segunda-feira, a parceria com o PSDB na capital mineira, sob o argumento de que a aliança formal é com o PSB.

Articulado pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e pelo governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), o acordo tem como alvo as eleições de 2010. De um lado, Pimentel quer obter apoio dos tucanos para concorrer ao governo de Minas. De outro, Aécio trabalha para conquistar adesões dentro e fora do PSDB na disputa com o governador de São Paulo, José Serra, que, como ele, cobiça a cadeira de Lula.

“Pimentel tomou uma decisão ousada, arriscada, que tem causado muita polêmica no PT”, admitiu Berzoini. “Mas vamos resolver isso.” Além de São Paulo, a cúpula do PT dá como certa, até agora, a candidatura própria às prefeituras do Rio, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Curitiba, Campo Grande e Cuiabá.

Add comment Maio 14, 2008

Kassab vê ”reconhecimento”, mas PT contesta pesquisa

17 de março – Estado de S.Paulo

Já tucanos estão mais confiantes nas grandes possibilidades de Alckmin

A pesquisa que mostra disputa acirrada na corrida à Prefeitura de São Paulo, divulgada ontem pelo Estado, deixou “muito contente” Gilberto Kassab (DEM), intrigou os aliados de Marta Suplicy (PT) – que consideram “questionável” a súbita ascensão do prefeito – e deixou os tucanos mais confiantes nas “grandes possibilidades” de Geraldo Alckmin (PSDB).

link Confira os números completos da pesquisa da Toledo & Associados

Kassab ressalvou que sua preocupação maior continua sendo a administração da cidade, mas declarou que os resultados da consulta, que lhe conferem 20,4%, o deixaram feliz. “Não estamos ainda vivendo a fase de campanha, então é evidente que todas as minhas energias estão canalizadas para a prefeitura. Mas é gratificante e estou muito contente com a pesquisa, porque mostra o reconhecimento e a identidade da população e do eleitor com a gestão. Isso nos dá alento junto com a equipe de continuar a perseguir as metas desenhadas.”

José Américo, presidente municipal do PT e provável coordenador de campanha de Marta, disse que a pesquisa deixou o partido intrigado. “Os resultados são contraditórios”, assinalou. “Além da flagrante diferença entre esses dados e os que foram obtidos por grandes institutos, há um detalhe muito curioso porque esse trabalho chega ao paradoxo de apresentar quase o mesmo índice de intenção para Kassab na estimulada e na espontânea.”

A Toledo & Associados ouviu 1.020 paulistanos no período de 7 a 10 de março. A sondagem indica que Marta tem 22,3% das intenções e Alckmin alcançou a marca de 27,6%. “Vamos pedir ao TRE cópia da pesquisa para uma análise”, disse Américo. “O desempenho da Marta apontado nessa pesquisa não bate com levantamentos que o PT tem feito ou com a verificação de outros institutos.”

A cúpula do PT espera apenas pela decisão oficial de Marta. “A candidatura é bem-vinda”, declarou Ricardo Berzoini, presidente nacional da legenda. “Só depende dela. Teremos apoio da imensa maioria do partido. A vantagem é que sairemos de um patamar de intenção de voto muito bom.”

“O que há claramente é um reconhecimento do trabalho do Geraldo por São Paulo”, anotou o deputado Edson Aparecido (PSDB-SP). “Nossa preocupação agora é procurar definir um amplo leque de forças em torno da sua candidatura.”

Em Porto Alegre, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem que o presidente Lula vai apoiar “de forma genérica” os candidatos do PT e da base aliada para as prefeituras, sem subir nos palanques. “O presidente, até onde percebo, não terá participação direta.”
FAUSTO MACEDO, ROBERTO ALMEIDA e ELDER OGLIARI

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Lula diz que Marta é ”boa candidata” para São Paulo

15 de março – Estado de S.Paulo

Presidente nega, no entanto, ter acertado saída da petista do ministério

Ricardo Brandt, Tiago Décimo, Angela Lacerda e Silvia Amorim|

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em visita a Araraquara, interior paulista, que a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), é uma “boa candidata” à disputa pela Prefeitura de São Paulo. No dia anterior, Lula teve reunião com a petista em que lhe garantiu apoio na eleição e acertou sua saída do ministério em junho. “Certamente todo mundo sabe que a Marta é uma boa candidata”, afirmou.

Lula evitou falar sobre o encontro e disse desconhecer qualquer decisão tomada por Marta para concorrer à prefeitura paulistana. “Só tenho poder de convocar o ministro e de tirar o ministro. Mas, se o ministro quiser deixar o governo para disputar alguma coisa, é uma decisão unilateral.”

Em Salvador (BA), onde acompanhou a visita da secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, Marta adotou o mesmo discurso. Não confirmou – nem negou – que tenha acertado sua candidatura com Lula. “Conversei com o presidente, numa reunião administrativa com outros ministros, e, depois, privadamente, conversamos sobre política. No momento adequado, vamos dizer nossa decisão.”

Marta mostrou descontentamento ao ser indagada sobre a candidatura e classificou a discussão como inoportuna. “Temos tempo até 5 de junho (data limite para que ministros deixem seus cargos para assumir candidaturas).”

Em São Paulo, petistas ligados a Marta confirmaram o acerto feito com Lula e consideraram natural seu apoio à ministra. Alguns lamentaram uma falta de “entusiasmo” do presidente durante a conversa com Marta, mas acreditam que isso não significará menos empenho do Palácio do Planalto em sua candidatura, uma vez que a eleição em São Paulo será uma vitrine importante para o pleito de 2010.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini, que acompanhou Lula em Araraquara, afirmou que sempre defendeu a candidatura da ex-prefeita. “Eu falo desde o início do ano que Marta é a melhor a candidatura do PT para São Paulo”, comentou. “A população tem a memória da qualidade de gestão dela, das obras e principalmente da política social voltada dos mais pobres, que é a marca do PT.”

O presidente municipal do PT em São Paulo, José Américo Dias, também disse estar na torcida pela petista. “Estamos torcendo para que ela assuma a candidatura, que é uma decisão unânime no partido.” A expectativa do PT é que o anúncio seja feito por Marta até meados de abril.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), reagiu com ironia ao acerto entre Marta e Lula anteontem. “De repente ela sai e entra um ministro de verdade para cuidar do turismo”, disse. Em São Paulo, os tucanos disseram que a candidatura dela já era esperada.

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Marta deixa ministério no dia 5 de junho

14 de março – Estado de S.Paulo

Lula diz à petista que ela não precisa ter pressa para sair, porque seu nome já é conhecido em SP

Vera Rosa, BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou ontem com a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), a sua saída para a campanha à Prefeitura de São Paulo. Ela deixará o posto perto de 5 de junho, prazo máximo imposto pela Lei Eleitoral, mas poderá anunciar a candidatura à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) antes dessa data. A expectativa é de que o próprio Lula dê o pontapé inicial da campanha, em 4 de abril, quando os dois estarão no mesmo palanque, no Guarujá (SP), para o lançamento de um programa de desconto em viagens para idosos, na baixa estação.

Na conversa de ontem, o presidente disse à ministra que ela não precisa ter pressa para deixar o posto, porque seu nome já é conhecido. Argumentou, ainda, que a divisão do PSDB e o desentendimento de uma ala do tucanato com Kassab favorecem a candidatura de Marta, que foi prefeita da capital no período de 2001 a 2004, mas não conseguiu se reeleger.

O marqueteiro da campanha da prefeita deverá ser o publicitário João Santana, ex-sócio de Duda Mendonça que atua como uma espécie de consultor do Planalto. Santana avalia que quanto menos a ministra entrar na linha de fogo, agora, melhor. Pesquisas em poder do QG petista indicam que a situação de Marta melhorou depois do racha entre tucanos e integrantes do DEM, em São Paulo.

DIAGNÓSTICO

A decisão de Geraldo Alckmin (PSDB), que resolveu enfrentar o governador José Serra e concorrer à prefeitura, animou o Planalto e a cúpula do PT. Em São Paulo, vereadores e deputados do PT já se aproximam de Serra e Kassab, confiantes em um pacto anti-Alckmin nas eleições, caso o ex-governador vá para o segundo turno.

Além de Marta, o ministro da Previdência, Luiz Marinho, também deixará o posto em junho para disputar a Prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Lula ainda não definiu quem serão os substitutos de Marta e Marinho, mas a abertura de duas vagas na Esplanada, em menos de três meses, já assanha os partidos aliados e promete nova temporada de embates na coalizão.

O PT já avisou que não abrirá mão dos cargos, mas o PTB, o PSB, o PP e até mesmo o PMDB – à frente de seis ministérios – estão de olho nas cadeiras.

Depois de conversar com o presidente e assinar acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para linha de crédito de US$ 1 bilhão ao turismo, Marta embarcou para Salvador, onde participaria de jantar com Condoleezza Rice, secretária de Estado norte-americano. No dia 18, quando completa 63 anos, ela embarcará para a China, sede das Olimpíadas. Será sua última grande viagem como ministra.

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