Posts Taggeddem
Os candidatos da eleição 2008 em São Paulo
Marta Suplicy (PT)Marta Suplicy, psicóloga formada pela PUC-SP e pós-graduada pela Stanford foi sexóloga e apresentou um programa na Rede Globo nos anos 80, respondendo às dúvidas sobre sexo de mulheres que ligavam no programa Tevê Mulher. Num país recém saído da ditadura, o assunto continuava um tabu e foi criticado duramente pelos setores mais conservadores da sociedade.
Casada com o senador Eduardo Suplicy desde os tempos de faculdade, esteve sempre próxima à política, seja como líder estudantil, ainda no Colégio Sion, um colégio tradicional no bairro de Higienópolis onde estudou sua vida toda, como filiada ao PT, como fundadora e ex-presidente do Instituto Florestan Fernandes. Mas apenas na década de 90 foi convidada a ser deputada federal.
Em 1994 se elegeu com a quarta maior votação do partido na Câmara, mais de 70 mil votos. Concorreu ao governo do estado em 1998, mas por bem pouco Paulo Maluf conquistou a vaga para o segundo turno contra Mario Covas – que terminou eleito, com o apoio de Marta, que ficou em terceiro.
Em 2000 concorreu à prefeitura de São Paulo e, numa eleição dura, terminou eleita. Mesmo com uma boa avaliação de sua gestão – 48% -, Marta não obteve votos suficientes para ser reeleita. Com 5% de votos a mais, José Serra terminou vitorioso.
Com a reeleição de Lula, em 2006, Marta foi convidada a ser ministra do Turismo. Lançou programas importantes de inclusão, como o da 3ª idade, com descontos de 50% para idosos em empresas aéreas, hotéis e agências de turismo, mas também enfrentou o “Apagão aéreo”, que causou o momento mais difícil de sua vida política, a infeliz frase “Relaxa e goza”, dita de maneira inapropriada, mas tendo um impacto ainda pior na opinião pública, por meio das críticas da imprensa.
A propósito: a frase foi usada para responder à indagação de uma jornalista sobre qual o conselho que Marta daria às pessoas que ficam horas em filas esperando para embarcar. O “relaxa e goza” foi dito no sentido de que as pessoas deviam se acalmar e pensar que logo estariam viajando, curtindo a vida.
A coisa piorou ainda mais com o acidente da TAM que matou 199 pessoas em julho de 2007, e a frase de Marta voltou à tona, causando revolta aos familiares das vítimas do acidente. Não adiantaram as explicações e desculpas da ex-prefeita; é difícil dissociá-la dessa frase.
Gilberto Kassab (DEM)
O atual prefeito Gilberto Kassab, do DEM (ex-PFL), disputa a reeleição. Tem 49 anos, foi deputado estadual e federal e secretário do planejamento de São Paulo na gestão de Celso Pitta (1997-2000). Como vice-prefeito do tucano José Serra, eleito em 2004, herdou o cargo no executivo assim que Serra saiu para se candidatar e vencer a disputa pelo cargo de governador do estado.
De um ilustre desconhecido da população, sua gestão conseguiu obter bons índices de aprovação. Durante a campanha, os números de ótimo/bom chegaram a 50% em setembro.
Seu governo foi marcado por pequenas ações ousadas, tendo como maior exemplo a implantação da Lei Cidade Limpa, que regulamenta os outdoors, placas e letreiros pela cidade. Ao ser aprovada, a lei gerou muita discussão e descontentamento de comerciantes que viam as placas enormes na fachada de seus estabelecimentos como o principal chamariz para a clientela. Muitas empresas de banners e outdoors foram fechadas.
Sua candidatura nasceu fraca. Antes da eleição, boa parte dos paulistanos sequer sabia o nome do prefeito. Pouco conhecido da população, obteve uma grande vitória quanto à formação de alianças com grandes partidos, que estavam sendo disputados também pelo PT e pelo PSDB, e lhe garantiram o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita na tevê e no rádio: cerca de 9 minutos. Para um desconhecido com obras para mostrar, o alto tempo na televisão, juntamente com um marketing de qualidade, seria extremamente vantajoso. Não surpreendeu, portanto, uma constante ascensão da intenção de votos em sua candidatura, chegando a ultrapassar o ex-governador Geraldo Alckmin, a menos de trinta dias mês para a realização do 1º turno.
Geraldo Alckmin (PSDB)
Geraldo Alckmin, do PSDB, tem 55 anos. Começou sua vida pública cedo, como vereador de sua cidade natal, Pindamonhangaba, aos 19 anos, ainda pelo MDB. Aos 23, foi eleito prefeito da cidade. Ajudou a fundar o PSDB. Foi deputado e vice- governador de São Paulo. Após a morte de Mario Covas, herdou o governo. Conseguiu se eleger e reeleger com facilidade, ancorado na imagem de Covas e obtendo uma boa avaliação de governo durante os 10 anos no comando do estado de São Paulo.
Nas eleições presidenciais de 2006, Alckmin concorreu com Lula. Conseguiu levar a disputa ao 2º turno, mas obteve uma derrota implacável, conquistando menos votos do que no 1º turno, em parte pela imagem de privatista que o PT conseguiu lhe colar. Isso levou a um desgaste na sua imagem política.
Na campanha municipal de 2008 enfrentou um revés dentro de seu próprio partido, que se dividia entre apoiar a reeleição de Kassab, apadrinhado político de José Serra, ou lançar candidatura própria, com Alckmin como candidato. O drama no PSDB tomou conta da imprensa diariamente, até as vésperas da Convenção do partido que, com um acordo interno viabilizado por Serra, confirmou a candidatura própria com Alckmin e Campos Machado (PTB) como vice.
Paulo Maluf (PP)
Paulo Maluf tem 77 anos e é candidato pelo Partido Progressista. Dentro do seu partido, enfrentou leve oposição de Celso Russomano, também pré-candidato à prefeitura de São Paulo. Seu poder e influência, mesmo não sendo o que costumava ser, ainda permanecem altos. Maluf é um mito da política paulista. Mesmo com a oposição de Russomano, não houve problemas quanto à sua indicação. “Maluf é um candidato natural para as eleições”, diria Russomano uns meses mais tarde.
Com o bordão “rouba mas faz”, lembrando a forma de política de Adhemar de Barros, um influente político paulista das década de 1950 e 60. Maluf possui até hoje muitos seguidores fiéis de uma forma de política de recebeu o nome de “malufismo”.
Maluf foi prefeito de São Paulo entre 1969 a 1971, nomeado pelo então presidente Costa e Silva. Entre 1979 e 1982, foi governador do estado. Seu último cargo no executivo foi novamente a prefeitura de São Paulo em 1993. Suas gestões foram marcadas por grandes obras viárias, como o “Minhocão”, as Marginais Tietê e Pinheiros, diversos túneis, passarelas e avenidas. Maluf insiste que “é impossível andar 1 Km em São Paulo sem passar por uma das obras de Paulo Maluf”. No entanto, houve muitas suspeitas de desvio de verbas públicas e obras superfaturadas, como a Av. Água Espraiada, atual Av. Jornalista Roberto Marinho. Criou também o projeto de habitação Cingapura, prédios na beira das favelas com a intenção clara de maquiá-las, e privatizou a saúde municipal, através do PAS.
O candidato já não goza da mesma credibilidade junto ao eleitor como era nas décadas de 80 e 90, porém foi eleito deputado federal em 2006 com mais de 700 mil votos. Para cargos executivos, no entanto, sua credibilidade segue em queda. O índice de rejeição a Maluf é recorde, e chega a 58% segundo Datafolha realizado no final de setembro.
Soninha Francine (PPS)
Soninha Francine, 41 anos, entrou tardiamente na política. Foi apresentadora por anos da MTV, cujo público é majoritariamente formado por jovens. Convidada pela Tevê Cultura a assumir um programa também para jovens deixou a antiga emissora. Também comandou uma mesa redonda sobre futebol e assina uma coluna no jornal Folha de S. Paulo sobre o mesmo tema.
Em 2001 esteve envolvida em uma grande polêmica, quando a revista “Época” publicou uma matéria que revelava que Soninha fazia uso freqüente de maconha. A capa da revista trazia uma foto da apresentadora, sobre a frase: “Eu fumo maconha”. Soninha foi achincalhada pela opinião pública e acabou demitida da TV Cultura. A apresentadora processou a revista, mas não obteve liminar favorável.
Em 2004, candidatou-se à vereadora pelo PT, e conseguiu a vaga com mais de 50 mil votos. Àquela época, enfrentou dentro de casa um drama: sua filha mais nova sofria de leucemia, e necessitava urgentemente de um transplante. Soninha afastou-se da campanha para acompanhar de perto a batalha de sua filha. Em diversos programas televisivos, Soninha falou do drama que enfrentava e defendia a doação de medula, não só para sua filha, mas também para todas as pessoas que sofriam do mesmo mal. Há quem acuse Soninha de aproveitar o drama da filha para se promover, já que tudo isso aconteceu muito próximo à eleição e ganhou muito destaque na mídia. Mas é difícil julgar um caso desses de oportunismo, em se tratando de uma doença grave numa criança de 7 anos – sua própria filha. É óbvio que Soninha provavelmente preferiria não ter vivido isso, mas a exposição sem dúvida ajudou sua campanha.
Em setembro de 2007, faltando 1 ano para a eleição municipal em São Paulo, Soninha declarava-se insatisfeita com as políticas do PT. Ao mesmo tempo, Roberto Freire, presidente do PPS sondava Soninha sobre suas pretensões políticas. Convidou-a para integrar o partido e concorrer à prefeitura em 2008.
Os horizontes que o PT lhe abriam eram muito restritos. Soninha jamais conseguiria concorrer a um cargo executivo num partido com nomes tão sólidos na política nacional. Sua vontade de participar mais ativamente da política, juntamente com os desentendimentos internos com o PT, ajudaram na tomada de decisão. Saiu do PT, entrou no PPS e saiu candidata a prefeita.
Sua campanha propunha uma nova forma de política, mas ao público parecia uma mistura de mais do mesmo com pitadas de imaturidade. Não conseguiu decolar e manteve-se no patamar dos 4% de votos durante toda a campanha.
Ivan Valente (Psol)
Ivan Valente, 62 anos, é professor universitário e candidato a prefeito pelo Psol. Durante a ditadura foi um militante de esquerda ativo e acabou preso e torturado pelos militares, tornando-se mais um anistiado político.
Na década de 70 ajudou a fundar o PT, e integrou durante muitos anos a ala radical do partido. Após a expulsão de Heloísa Helena do PT – e a fundação do Psol pela política alagoana – Ivan, também descontente com os caminhos neoliberais escolhidos pelo governo Lula, passou para o Psol, onde hoje integra a Direção Nacional.
Sua história nas lutas contra a desigualdade social é tocante, assim como boa parte dos integrantes do Psol. Porém, o partido está longe de ser a verdadeira esquerda, a qual se propõe: a votação em seus quadros é fraca, se não inexpressiva, e seu peso político é pequeno, porém importante.
Ivan Valente foi deputado estadual duas vezes, ainda pelo PT, e em 2006 foi eleito deputado federal pelo Psol. O PSTU, outro partido de extrema esquerda, compõe a coligação “Alternativa de Esquerda Para São Paulo”.
Edmilson Costa (PCB)
Militante do Partido Comunista Brasileiro desde seus tempos áureos, durante a Ditadura, Edmílson Costa, 58 anos, atualmente é presidente estadual do partido, cuja participação na política nacional é baixíssima. Também atua como professor universitário, mas sua experiência política, no entanto, restringe-se às militâncias do PCB, já que nunca ocupou um cargo executivo ou legislativo e sequer candidatou-se a um cargo público.
Sua jornada intelectual, porém, é vasta. Possui pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e publicou os livros “O Imperialismo”, “A Política Salarial no Brasil”, “Um Projeto para o Brasil” e “A Globalização e o Capitalismo Contemporâneo”, além de vários ensaios publicados em revistas e sites especializados no Brasil e no exterior.
As propostas do candidato se baseiam em idéias da Governança Comunista, e incluem tarifa zero no transporte público e educação integral na rede municipal.
Anaí Caproni (PCO)
A Causa Operária, a princípio, era uma tendência interna dentro do PT daqueles que se desiludiram com os caminhos “elitistas” tomados pelo partido já nos anos 80 e criticava as coligações e a entrada de políticos burgueses no partido. Essa ala extremista acabou expulsa do PT e anos mais tarde legalizou o Partido da Causa Operária, composto por vários dissidentes do PT, entre os quais o pai de Anaí Caproni, um metalúrgico do ABC participante do Sindicato e a própria, que hoje é membro da Direção Nacional e do Comitê do partido.
Anaí participou da União Municipal dos Secundaristas de São Bernardo, formou-se em Técnica Eletrônica e trabalhou como metalúrgica, onde integrou o movimento sindical com a Oposição Metalúrgica. Atualmente cursa Direito no Largo São Francisco, para enfrentar os problemas legais dos quais uma atuação revolucionária está sujeita, e trabalha nos Correios e Telégrafos, onde também atua no Sindicato dos trabalhadores.
Já foi candidata a vereadora nas eleições de 2000, ao governo do estado de São Paulo em 2002, e hoje, com 41 anos, é a candidata pelo PCO à prefeitura de São Paulo.
Levy Fidelix (PRTB)
Levy Fidelix, hoje com 56 anos disputa cargos públicos desde 1986. Já foi candidato a Vereador, Deputado Federal, Prefeito, Governador e até Presidente da República, jamais sendo eleito. Foi um dos fundadores do Partido Liberal e, em 1994 fundou o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), que já contou com Fernando Collor de Mello integrando seus quadros.
Fidelix vangloria-se de ter sido o primeiro apresentador de um programa de informática na TV brasileira, ainda nos anos 80 – na Bandeirantes e posteriormente no SBT. Fundou a Revista Interface, trabalhou como Diretor de Criação na Agência Publicitária Vogue e escreveu nos Jornais Correio da Manhã e Última Hora (RJ) e também na Revista Propaganda & Marketing.
Levy Fidelix compõe a ala de políticos folclóricos brasileiros, com seu eterno projeto do Aerotrem, uma espécie de trem de alta velocidade, e seu jingle tosco “Vem, vem, vem / Vem que tem / Levy Fidelix / É o homem do Aerotrem.”
Ciro Moura (PTC)
Ciro Moura tem 62 anos, é administrador e candidato a prefeito pela coligação “Tostão Contra o Milhão”, que tem os candidatos a vereador mais inusitados da campanha, encabeçada pelo empresário Oscar Maroni, dono de casas noturnas.
Concorreu à prefeitura de São Paulo em 2000, pelo PRN – partido pelo qual Fernando Collor de Mello foi eleito em 1989 – e ao governo do Estado em 2002, pelo mesmo partido.
A assessoria de imprensa do candidato foi contatada por e-mail para a obtenção de maiores informações sobre as propostas de Ciro Moura, mas não obtive resposta.
Renato Reichmann (PMN)
Renato Reichmann é empresário. Tem 55 anos e em 2006 concorreu ao cargo de governador do Estado de São Paulo pelo antigo PRONA, partido de Enéias, recebendo mais de 140 mil votos.
Quem o vê nos debates das eleições municipais de 2008 dificilmente o associaria ao enérgico Enéias Carneiro, morto em 2007. Nunca exerceu cargo público, mas foi candidato a vereador, em 2004, obtendo cerca de 500 votos.
Add comment Setembro 29, 2008
Marta vê situação “delicada” para Alckmin
25 de abril – Folha de S.Paulo
Um dia depois de perder apoio do PMDB para Kassab, PT paulista tenta transferir derrota para ex-governador tucano
Ministra se encontra com políticos petistas e afirma estar em “uma situação dificílima e muito propensa a aceitar” disputar a eleição
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um dia depois de perder para Gilberto Kassab (DEM) o apoio do PMDB na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o PT paulista se reuniu em peso com a ministra Marta Suplicy (Turismo), em Brasília, e tentou transferir para o tucano Geraldo Alckmin o título de principal derrotado no episódio.
“Acho que o governador Alckmin ficou em situação mais desfavorável, em uma situação bastante delicada, eu diria, já que seu próprio partido articula em direção contrária a ele”, disse a ministra ontem, em alusão à movimentação de bastidor do governador José Serra (PSDB) para levar o PMDB a apoiar a candidatura do prefeito paulistano.
Serra lidera a corrente tucana que tenta fazer Alckmin desistir de sua pré-candidatura em prol de Kassab, vencedor da queda-de-braço com o PT pelo apoio do ex-governador Orestes Quércia, que controla o PMDB em São Paulo.
Com a presença dos dois senadores paulistas do PT (Eduardo Suplicy e Aloizio Mercadante), 8 dos 14 deputados federais, mais da metade dos deputados estaduais e todos os 12 vereadores do partido em São Paulo, o encontro com Marta Suplicy chegou a uma avaliação de consenso, segundo relato dos participantes: Serra entrou abertamente na disputa em prol de Kassab.
Se por um lado o PT perde tempo de TV que o apoio do PMDB lhe traria (4min30s, sendo que o PT tem 4min), por outro a aliança Quércia-Kassab, trabalhada por Serra, desidrata a candidatura Alckmin.
“É o racha definitivo no PSDB, é uma paulada no Alckmin. Seria a mesma coisa que o presidente Lula articular contra a Marta”, afirmou o vereador José Américo, presidente do PT paulistano.
Um dos principais aliados de Alckmin, o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) rebate. “Na nossa avaliação, quem se enfraqueceu foi a Marta, que é a concorrente principal. Ela, com o horário de TV do PMDB, teria a candidatura muito fortalecida”, disse.
Transporte
Oficialmente, a ida dos petistas ao encontro de Marta serviu como apelo para que ela assuma aquilo que, nos bastidores, todos dão como certo: a sua pré-candidatura a mais um mandato em São Paulo -Marta foi prefeita entre 2001 e 2004.
“Foi muito forte o apelo, de todo o partido no Estado de São Paulo, e isso me tocou profundamente, o que me deixa em uma situação dificílima e muito propensa a aceitar”, afirmou a ministra, que ontem já adotou, espontaneamente, o discurso preliminar de campanha ventilado há semanas por seus aliados nos bastidores: o trânsito em São Paulo. “Vemos que a população de São Paulo passa por uma situação de caos.”
Pela legislação eleitoral, Marta tem até 5 de junho para deixar o cargo de ministra, mas aliados afirmam que ela fará o anúncio oficial já nas próximas semanas.
“Tenho absoluta certeza de que ela dirá sim. A Marta é a nossa candidata, a escolha do PT já foi feita”, disse o senador Aloizio Mercadante, que também vocalizou uma das estratégias discutidas ontem a portas fechadas: a de pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ajudar o PT a fechar alianças com os três partidos do chamado bloquinho (PC do B, PSB e PDT), todos eles ameaçando lançar candidatos próprios. “É importante que o presidente tenha um olhar especial para a cidade de São Paulo”, afirmou Mercadante.
Add comment Maio 28, 2008
Mônica Bérgamo
25 de abril – Folha de S.Paulo
AH, BOM!
Orestes Quércia (PMDB-SP) e o governador José Serra (PSDB-SP) mantiveram linha direta durante a negociação do ex-governador com o DEM para apoiar a candidatura de Gilberto Kassab (DEM-SP) à reeleição. “Falei com ele”, admitiu Serra à coluna. “Mas não sobre esse assunto [o acordo]“.
SERÁ?
Na quarta, dia do anúncio do acordo, “irreversível”, segundo Quércia, entre ele e Kassab, a ministra Marta Suplicy (PT-SP) mantinha as esperanças de que o PMDB ainda poderia voltar ao barco do PT. “As conversas continuam”, diz ela.
ENROLADA
Setores do próprio PT já davam como certa também a debandada do PR para Gilberto Kassab. Com a “partida” do PMDB, o partido se transformou numa pretendente mais cortejada que antes e já anda reclamando. “O PT centralizou muito a negociação com o Quércia e esqueceu da gente. Estávamos como a namorada desprezada, enrolada. Agora vamos pensar bem no que fazer”, diz o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo.
Add comment Maio 27, 2008
Pós-terremoto – ARTIGO ELIANE CASTANHÊDE
25 de abril – Folha de S.Paulo
Quem diria? Serra, Alckmin e Marta Suplicy estão (ou estavam) se engalfinhando pelo apoio de Orestes Quércia na eleição para a Prefeitura de São Paulo.
Quércia é um exemplo vivo -vivíssimo, pode-se dizer- do que ocorre com o seu partido, o PMDB: em descrédito, nem parece ter mais condições de se candidatar a cargos majoritários, mas tem um tempo enorme na TV e vive sendo disputado por gregos e troianos, ou melhor, por petistas e tucanos.
Deixando de lado esses… detalhes, o fato é que Serra interrompeu uma onda de más notícias com uma grande notícia política: levou a melhor na corrida por Quércia, a quem jogou no colo do candidato Gilberto Kassab (DEM), junto com preciosos 4min30s a mais na telinha da campanha. Ontem, já houve um empurra-empurra entre o PSDB-que-está-com-Alckmin e o PT, reunido com Marta Suplicy, para ver quem perdeu mais. Mas é simples: os dois perderam.
Além de não unir o PSDB, Serra vinha suportando mal o fiasco da privatização da CESP; a desenvoltura de Aécio Neves, em plena campanha para se tornar conhecido; e a aliança PSDB-PT em Belo Horizonte, o mais espetacular movimento político das eleições municipais. Até terremoto São Paulo teve!, dirão os anti-serristas.
Mas Serra tem lá sua garra e principalmente seus trunfos, potencializados pelo favoritismo nas pesquisas. Neutralizou as agruras e calou os críticos ao fechar o acordo com o PMDB, que favorece Kassab agora na disputa paulista e abre uma avenida de oportunidades em direção à rampa do Planalto.
Ontem, o PMDB estava com FHC. Hoje, com Lula. Amanhã, com quem tiver as melhores chances de levar a Presidência. Politicamente, é mais promissora a aliança PSDB-PMDB em São Paulo do que a PSDB-PT em Minas. Até porque o PMDB vai com quem dá mais. O PT só vai com ele mesmo.
Add comment Maio 27, 2008
Com o pé no tubo – EDITORIAL
24 de abril – Estadão
O apoio do PMDB à candidatura do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi anunciado, mas não se pode dizer que esteja sacramentado.
Há tantas implicações numa aliança como essa, há tantas variantes nacionais, regionais, partidárias, presentes e futuras envolvidas, que é difícil acreditar em definições imutáveis tomadas dois meses antes do fim do prazo fatal: junho.
Por enquanto, de certo o que existe é um movimento que vai mexer na armação da disputa municipal mais importante do País.
Por exemplo: nem bem o acordo foi anunciado, o grupo do prefeito correu para fazer declarações públicas de apreço à manutenção da aliança entre tucanos e democratas.
Demonstrações de amizade a Geraldo Alckmin como não se ouviu nos últimos meses. Isso ao mesmo tempo em que se dava publicidade a um acerto cujo primeiro efeito é retirar oxigênio da candidatura de Alckmin.
Claro, pois se Kassab que já tem a máquina municipal e conta com a sustentação extra-oficial da administração estadual ainda ganha o tempo de televisão do PMDB e mais o simbolismo do apoio do maior partido da coligação do presidente Luiz Inácio da Silva, o que sobra para Geraldo Alckmin?
Parte da estrutura do PSDB, o apoio de lideranças tucanas fora de São Paulo (de influência zero sobre o eleitorado paulista) e os índices das pesquisas que, de resto, já foram mais substanciais.
Ao “pisar no tubo” do ex-governador, seus adversários devem ter um objetivo. O único à vista seria levá-lo a aceitar uma conversa sobre desistência da disputa municipal para aguardar a vez de concorrer ao governo do Estado em 2010.
É de se aguardar a reação do cardinalato tucano que trabalha a distância em prol de Alckmin. Certamente haverá e obviamente produzirá algum efeito.
Do lado do PT, que era tido como o interlocutor preferencial de Orestes Quércia, também houve gritaria e invocações de respeito à coligação federal.
Haverá, portanto, reações, ofertas de toda sorte e tentativas de mudar o quadro. Ao interromper as conversações, Quércia deve ter um objetivo.
O mais vistoso no horizonte é a valorização do passe diante do PT, que resiste em entregar uma vaga ao Senado porque a primazia é de Aloizio Mercadante, enquanto o DEM abre de bom grado mão da vez até então reservada a Guilherme Afif Domingos.
A despeito das novidades dos próximos capítulos, tal acerto, se confirmado, não pode ser visto como uma aliança entre o PMDB e o DEM. Não resulta de acordo com o PSDB nem indica abalo na coligação nacional PT-PMDB.
Diz respeito à conjugação de interesses de Orestes Quércia e José Serra, com a importante contribuição, em retrospectiva, de Marta Suplicy e sua inesquecível (para Quércia) participação no programa Roda Viva, em 2004.
Na entrevista, a então prefeita disse que o PMDB não era “confiável” como parceiro.
E não é mesmo. Mas, como diz um ex-adversário do PT, hoje ministro de Lula: “Os outros podem nos achar de quinta, mas precisam saber que temos o direito de discordar.”
Enfim
“Alguns movimentos sociais atuam na fronteira da legalidade, o que exige firmeza das autoridades constituídas”, disse no discurso de posse o novo presidente do Supremo, Gilmar Mendes, ao lado do presidente Lula, que de olhos baixos estava, de olhos baixos ficou.
Aos fatos
Tal como já fizera Lula ao saudar a derrota presidencial de 1989, porque, confessou, não estava “preparado” para governar o Brasil, Ciro Gomes comemorou o fato de não ter sido eleito em 2002. “Não estava maduro.”
Compreende-se que o intuito da autocrítica sobre as imperfeições do passado seja o de reforçar o primor dos atributos do presente.
Mas não deve soar bem aos eleitores de ambos nas referidas eleições a revelação de que foram vítimas de assumida propaganda enganosa.
Tal como fez o presidente Lula recentemente em visita a Pernambuco, redesenhando a história da ascensão e queda de Severino Cavalcanti, Ciro Gomes revisou o episódio apresentando Severino como o cerne de um “golpe” em marcha contra Lula.
Segundo Ciro, a oposição planejava usar o então presidente da Câmara para dar curso a um pedido de impeachment, desistindo apenas quando Severino aderiu ao governo.
É possível que Lula e Ciro tenham seus motivos para tentar conferir a Severino Cavalcanti um papel histórico que ele não teve. Mas, quaisquer que sejam, não têm o condão de alterar a realidade: Severino subiu no vácuo da divisão do PT e caiu por corrupção comprovada.
Quanto ao impeachment, a decisão de não apresentar o pedido foi tomada numa reunião dos partidos de oposição na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios, quando o publicitário confessou ter recebido recursos de caixa 2 para fazer a campanha presidencial de 2002.
Add comment Maio 27, 2008
Quércia reúne PMDB hoje para anunciar apoio a Kassab
24 de abril – Estadão
Aliados de Alckmin e petistas responsabilizam Serra por manobra pró-DEM
Após meses de negociação para a eleição em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia leva hoje à Executiva Estadual do PMDB a proposta de endossar a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição. A reunião, prevista inicialmente para ontem, foi remarcada para que Kassab participe em seguida de confraternização com lideranças do PMDB.
“Chegamos à conclusão de que, no que se refere ao interesse do partido, o Kassab era a melhor opção”, disse Quércia, que há poucas semanas sinalizava que fecharia com o PT da ministra do Turismo, Marta Suplicy.
O acerto tira do jogo a sigla mais cortejada na sucessão em São Paulo, dona de um tempo no rádio e na TV de cerca de quatro minutos diários. Quércia obteve a garantia de que o DEM deixará de ter candidato ao Senado em 2010 para apoiá-lo. Principal nome do DEM para a vaga, Guilherme Afif Domingos abriu mão da disputa.
Ficou acertado ainda que Quércia não se oporá à entrada do PSDB na aliança, cedendo a vice na chapa, caso os tucanos a reivindiquem. “Seria ótimo. Podemos conciliar as coisas para 2010.” Se o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) for candidato, a vice fica com a engenheira Alda Marco Antônio.
Ontem, Kassab confirmou a aliança, mas, depois, disse que não passava de expectativa. “Meu esforço continua sendo no sentido de buscar com toda a energia possível a manutenção da nossa aliança com o PSDB e, agora, de uma maneira bastante otimista porque está se incorporando a essa aliança, se ela for mantida, o PMDB”, afirmou. “Estou dizendo da minha expectativa”, consertou. O prefeito também recebeu em seu gabinete representantes do PTB, PPS, PV e PSB, além do PMDB. Informou que lança sua candidatura até sexta-feira, antes de o PSDB tomar posição sobre a candidatura Alckmin. O objetivo, dizem aliados, é fazer uma “operação-abafa” e não deixar espaço para o tucano.
Ontem, o PSDB debitava acordo DEM-PMDB na conta do governador tucano José Serra. A mesma tese circulava entre petistas, que no fim da tarde ainda tentavam, sem sucesso, retomar a negociação com Quércia. O objetivo era reforçar a garantia de que o partido o apoiaria para o Senado em 2010, sem oposição do senador Aloizio Mercadante, candidato natural a outro mandato na Casa. A manifestação, entretanto, foi tardia e não convenceu Quércia. O ex-governador avaliou que correria o risco de o PT recuar na véspera da eleição.
Surpresa com o acordo, a direção do PT diz que agora dará continuidade às negociações com outros partidos da base, em especial PR , PSB, PC do B. “O PT não vai se mover pelas ações políticas do DEM e do PSDB”, disse o presidentedo PT em São Paulo, Edinho Silva.
Add comment Maio 27, 2008
Painel – Renata Lo Prete
23 de abril – Folha de S.Paulo
“Fechei com Kassab”
Orestes Quércia selou ontem o acordo do PMDB com o DEM em torno da reeleição de Gilberto Kassab. “Fechei com o Kassab”, avisou o ex-governador a uma pessoa de sua inteira confiança. A aliança dará ao prefeito cerca de 7min30s no horário gratuito, contra 4min do PT de Marta Suplicy e 3min do PSDB de Geraldo Alckmin, que dividem a liderança na mais recente pesquisa Datafolha. Ambos podem fechar outras alianças, mas nenhuma sigla disponível tem tempo de televisão semelhante ao do PMDB.
Guilherme Afif, candidato natural do DEM ao Senado em 2010, garantiu a Quércia que não disputará a eleição e que o partido apoiará o ex-governador.
Plano B. O PT, que também negociava com Quércia, tentará agora turbinar o tempo de televisão de Marta amarrando ao barco o PR e uma ou mais siglas do bloquinho. O alvo preferencial é o PSB.
Em estúdio. O PSDB paulista está (surpresa!) dividido quanto aos comerciais de TV que terá a partir de 7 de maio. Os alckmistas querem colocar seu candidato na tela a qualquer custo. Os serristas defendem que o ex-governador aguarde nova oportunidade no mês seguinte. O tema será debatido pela direção estadual na próxima segunda.
Add comment Maio 27, 2008
Kassab aceita formar chapa com Alda Marco Antonio
23 de abril – Folha de S.Paulo
Engenheira deve ser indicada a vice pelo PMDB caso aliança com DEM seja selada
Nome foi recomendado por Quércia; com aliança, prefeito espera pressionar Alckmin a desistir de sua candidatura ao cargo
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), concordou com a indicação da engenheira Alda Marco Antonio para sua vice, caso seja concretizada a aliança com o PMDB.
O presidente estadual do PMDB, o ex-governador Orestes Quércia, informou ontem a interlocutores a decisão de apoiar a candidatura de Kassab, segundo informa o Painel. O anúncio deverá acontecer hoje, apesar da pressão de peemedebistas para que o postergue.
Ligada a Quércia, Alda foi candidata do partido ao Senado nas eleições passadas. Seu nome foi recomendado por Quércia a Kassab. O prefeito aceitou a sugestão. Mas, nas conversas com Quércia, Kassab tomou o cuidado de dizer que ainda não descartava a reedição da aliança com o PSDB.
A expectativa de Kassab é que, ao ver sua candidatura desidratada após a costura do DEM com o PMDB, o ex-governador Geraldo Alckmin desista de concorrer. Mantida a aliança com o PSDB, a vice caberá a um tucano. E o PMDB terá participação no governo. Além da vice, os democratas assumiram o compromisso de que Quércia seja candidato exclusivo do DEM ao Senado.
Ao longo de todo dia, Quércia avisou que a negociação com Kassab estava “muito bem”. Ele deve anunciar o apoio hoje, após reuniões do partido.
Ontem mesmo, Quércia já tinha desencorajado petistas. Ainda assim, o presidente estadual do PT, o prefeito de Araraquara Edinho Silva, pediu que conversassem hoje.
Evitando falar em leilão, Edinho afirmou, no entanto, que não ficará fazendo contrapropostas ao acordo com o DEM. “Tento construir um diálogo em cima de propostas. Mas não posso ser regido pelos movimentos do DEM e do PSDB.”
A relação de Quércia com PT é marcada por sobressaltos. Em 2002, apesar de um acordo com a cúpula do PT para que fosse a segunda opção do partido ao Senado (a primeira era Aloizio Mercadante), os petistas pediram voto para o candidato do PC do B. Por isso, hoje é tão importante para Quércia ser candidato exclusivo para o Senado.
Em 2004, a então prefeita Marta Suplicy se recusou a aceitar um indicado do PMDB para vice. Neste ano, segundo peemedebistas, já tinha escolhido o vice: o escritor Fernando Morais. A informação teria incomodado Quércia.
Add comment Maio 27, 2008
Painel – Renata Lo Prete
17 de abril – Folha de S.Paulo
Sintonia. Em projeto de lei enviado à Câmara, Gilberto Kassab (DEM) reduziu de R$ 1 bilhão para R$ 700 milhões a meta de superávit primário de São Paulo neste ano eleitoral. Tudo para liberar recursos para as contrapartidas municipais aos investimentos do PAC de Lula na cidade.
Espelho meu 1. Marta Suplicy é o “case” em que o DEM mira ao investir na avaliação de Kassab. O partido do prefeito lembra que a petista não se reelegeu em 2004, mas viu a nota de seu governo subir da faixa de 25% de aprovação para os 48% que têm hoje.
Espelho meu 2. Ainda que não se reeleja, a gestão aprovada seria um capital futuro para Kassab, diz o DEM.
Add comment Maio 27, 2008
Sugestão a DEM e PSDB – ARTIGO MAURO CHAVES
12 de abril – Estadão
Nem toda luta fratricida tem resultados negativos. A Guerra de Secessão, por exemplo, acabou com a escravidão, criou uma democracia moderna e poderosa. É óbvio, porém, que o tempo da guerra tem limites. Que isso sirva de consolo aos demos e tucanos paulistanos, que protagonizam a mais virulenta guerra surda interpartidária que já se viu neste país – e que o presidente dos tucanos, o pernambucano de nome Guerra, só tem contribuído para açular a cada vinda a esta capital. Mas até o fim de junho (prazo das convenções), sem pressa, dá para fazer desse limão uma boa limonada.
O grupo tucano que apóia a reeleição do prefeito Gilberto Kassab considera que o atual prefeito é um administrador competente e dedicado, que tem mantido rigorosa lealdade ao programa (tucano) da administração Serra/Kassab, tem demonstrado coragem e ousadia em combater as invasões de espaço público na cidade, já desencadeou uma operação (Cidade Limpa) que desvelou belezas que a cidade escondia, tem investido pesado na educação, na saúde, na melhoria do meio ambiente e em vários outros setores (inclusive no trânsito, cujos resultados estão para surgir). Para estes, a viabilidade eleitoral de Kassab decorre do crescimento da avaliação positiva de sua gestão, o que, na opinião dos especialistas em pesquisas, acaba sempre se transformando em votos.
O grupo tucano que apóia a candidatura a prefeito do ex-governador e ex-candidato a presidente da República Geraldo Alckmin o considera um administrador competente, dedicado e, certamente, admira o trabalho de sua gestão estadual, nos campos da segurança pública, da educação, da saúde, do transporte de massa e tantos mais. Para estes, a viabilidade eleitoral de Alckmin decorre da posição, em que se encontra, de segundo colocado nas pesquisas (depois de Marta Suplicy), dada a vantagem do recall (expressão predileta de Alckmin) de um ex-candidato à Presidência da República. Enfim, aí estão dois bons candidatos, com afinidades programáticas inegáveis, um mais ligado à esperança presente e o outro, à lembrança, recente, do eleitorado paulistano.
O erro tanto de alckmistas quanto de kassabistas tem sido a suposição utópica de que algum desses dois candidatos desistirá em favor do outro, para preservar a aliança demo-tucana. É mais fácil a Dilma vencer um concurso de requebrado para madrinha de bateria de escola de samba. Há, porém, um meio muito simples de os dois candidatos celebrarem uma sólida aliança, sem que nenhum deles desista de sua candidatura a prefeito. Chamaria essa fórmula de “sublegenda virtual” – lembrando a época em que dois candidatos saíam pelo mesmo partido e ganhava o mais votado. A votação em dois turnos permite que dois candidatos, mesmo que de partidos diferentes, defendam um programa comum e estabeleçam, previamente, uma aliança no segundo turno, em torno do mais votado.
O risco de as candidaturas independentes de Kassab e Alckmin fortalecerem Marta Suplicy seria verdadeiro se a eleição fosse em um turno só. Não havendo animosidade interna demo-tucana, os votos de Kassab e Alckmin, no segundo turno, necessariamente se somarão, em favor de um deles, e por motivo algum se transferirão para Marta. Então, a receita simples da boa limonada (nem tão forte que fique ardida, nem tão fraca que fique aguada) é o equilíbrio da campanha de ambos em torno de um programa comum, tendo por base a continuidade da gestão (tucana) Serra/Kassab.
Como se faria, na prática, essa “sublegenda virtual”? Eis minha sugestão: líderes dos dois partidos, juntamente com alckmistas e kassabistas, no início de junho marcariam uma grande cerimônia pública, na qual anunciariam as duas candidaturas (não há nenhum impedimento legal para isso). Os dois candidatos, com elegância e humildade (se possível, cada qual elogiando o outro), se poriam à disposição do eleitorado paulistano, prometendo apoio total ao concorrente presente, em caso de vir este a ser o escolhido. Depois, cada qual faria a sua campanha independente, procurando demonstrar as suas melhores condições de levar adiante o projeto comum – em continuidade à gestão Serra/Kassab.
Seria fundamental que, em suas campanhas, esses candidatos – assim como todos os demais, de quaisquer partidos, que se candidatem a governar a cidade mais importante do Estado mais importante do País – defendessem esta formidável locomotiva do Brasil contra os ataques sistemáticos, despropositados (quando não ridículos ), que algumas figuras publicas têm feito a São Paulo, nos últimos tempos. Ora é o presidente da República que acusa a “elite” paulista de ter destituído um chefe de Casa Legislativa federal por ser nordestino (e não por ter sido flagrado em ato de corrupção); ora é o governador de Minas que atribui à “hegemonia” de São Paulo os males do Brasil (sem explicar por quê); ora é o deputado e ex-governador cearense (presidenciável crônico) que vê conspiração da “imprensa paulista” na acusação (comprovada) de produção de dossiê chantagista na copa planaltina. Por que tanto ódio a São Paulo? Afinal de contas, a unidade mais forte da Federação não tem culpa de ser governada, coincidentemente, pelo candidato mais forte à sucessão presidencial.
Enfim, que os candidatos tenham a generosidade de pensar muito mais nos interesses da coletividade que vive na cidade de São Paulo do que nos interesses de suas respectivas carreiras políticas. E sendo assim, animados pelo prazer de servir à população desta fantástica capital (e não pela esperteza de se servirem dela), que os candidatos façam as suas campanhas com toda a tranqüilidade e, ao final, relaxem e gozem.
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor. E-mail: mauro.chaves@attglobal.net
Add comment Maio 20, 2008