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Acordo em SP ajuda Serra a minar aproximação entre Aécio e PMDB

24 de abril – Folha de S.Paulo

O acordo do PMDB paulista com o DEM para apoiar a candidatura à reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, teve o aval do governador do Estado, José Serra -tucano que atuou nos bastidores pensando na sucessão presidencial de 2010. No PT, o acordo causou surpresa e levou a um jogo de empurra entre o Palácio do Planalto e o grupo de Marta Suplicy sobre a responsabilidade pelo fracasso da negociação com o presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia.
Segundo a Folha apurou, Quércia vinha negociando com Kassab havia um mês em segredo e em estágio mais avançado do que imaginavam Marta e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), prováveis candidatos à prefeitura interessados numa aliança com o PMDB para aumentar o tempo de TV no horário eleitoral.
Quércia disse a aliados que sentiu maior firmeza em Kassab em relação às suas exigências, na comparação com as ofertas de Marta e Alckmin. O DEM se comprometeu a apoiar a candidatura de Quércia ao Senado em 2010.
Serra acompanhou toda a negociação de bastidor. Foi informado diretamente por Kassab, seu ex-vice, a quem legou a prefeitura ao eleger-se governador em 2006. Para o tucano, interessa atrair Quércia para uma aliança PSDB-DEM nas eleições de 2010. No pior cenário para Serra, ele desiste de concorrer à Presidência e disputa o governo com Afif de vice e Quércia como um dos candidatos ao Senado.
Na hipótese com a qual trabalha, Serra vence a disputa interna no PSDB pela candidatura ao Planalto e atrai uma seção peemedebista insatisfeita com o PT e o presidente Lula. O concorrente de Serra no PSDB, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é cortejado pela cúpula nacional do PMDB para se filiar ao partido e concorrer à Presidência. A aproximação de Serra com Quércia, via Kassab, tem o objetivo de disputar espaço no PMDB com Aécio.
Quércia acredita que terá mais chance de se eleger senador se concorrer numa faixa do eleitorado do centro para a direita. Daí achar mais interessante um acordo com o DEM do que com PT e PSDB.
Quércia pegou os petistas e Lula desprevenidos. O grupo de Marta ainda tinha esperança de um entendimento, mas já não acredita em possibilidade de reversão do acordo PMDB-DEM. A Folha apurou que Lula não pretende intervir. Avalia que abriria um precedente perigoso, pois as alianças nas eleições municipais não seguem o padrão de alinhamento nacional de partidos.
Para o grupo de Marta, o motivo principal para Quércia não fechar com o partido seria a falta de importância do PMDB quercista no plano federal. Quércia se queixa de não ter atendidas as suas reivindicações para cargos levadas a Lula.
No Planalto, atribui-se o fracasso à dificuldade do PT em ceder espaço a aliados. Segundo um ministro, o PT paulista queria escolher o peemedebista que seria vice de Marta e não oferecia garantia plena de que Quércia seria apoiado em 2010 para o Senado.

Add comment Maio 27, 2008

Com o pé no tubo – EDITORIAL

24 de abril – Estadão

O apoio do PMDB à candidatura do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi anunciado, mas não se pode dizer que esteja sacramentado.

Há tantas implicações numa aliança como essa, há tantas variantes nacionais, regionais, partidárias, presentes e futuras envolvidas, que é difícil acreditar em definições imutáveis tomadas dois meses antes do fim do prazo fatal: junho.

Por enquanto, de certo o que existe é um movimento que vai mexer na armação da disputa municipal mais importante do País.

Por exemplo: nem bem o acordo foi anunciado, o grupo do prefeito correu para fazer declarações públicas de apreço à manutenção da aliança entre tucanos e democratas.

Demonstrações de amizade a Geraldo Alckmin como não se ouviu nos últimos meses. Isso ao mesmo tempo em que se dava publicidade a um acerto cujo primeiro efeito é retirar oxigênio da candidatura de Alckmin.

Claro, pois se Kassab que já tem a máquina municipal e conta com a sustentação extra-oficial da administração estadual ainda ganha o tempo de televisão do PMDB e mais o simbolismo do apoio do maior partido da coligação do presidente Luiz Inácio da Silva, o que sobra para Geraldo Alckmin?

Parte da estrutura do PSDB, o apoio de lideranças tucanas fora de São Paulo (de influência zero sobre o eleitorado paulista) e os índices das pesquisas que, de resto, já foram mais substanciais.

Ao “pisar no tubo” do ex-governador, seus adversários devem ter um objetivo. O único à vista seria levá-lo a aceitar uma conversa sobre desistência da disputa municipal para aguardar a vez de concorrer ao governo do Estado em 2010.

É de se aguardar a reação do cardinalato tucano que trabalha a distância em prol de Alckmin. Certamente haverá e obviamente produzirá algum efeito.

Do lado do PT, que era tido como o interlocutor preferencial de Orestes Quércia, também houve gritaria e invocações de respeito à coligação federal.

Haverá, portanto, reações, ofertas de toda sorte e tentativas de mudar o quadro. Ao interromper as conversações, Quércia deve ter um objetivo.

O mais vistoso no horizonte é a valorização do passe diante do PT, que resiste em entregar uma vaga ao Senado porque a primazia é de Aloizio Mercadante, enquanto o DEM abre de bom grado mão da vez até então reservada a Guilherme Afif Domingos.

A despeito das novidades dos próximos capítulos, tal acerto, se confirmado, não pode ser visto como uma aliança entre o PMDB e o DEM. Não resulta de acordo com o PSDB nem indica abalo na coligação nacional PT-PMDB.

Diz respeito à conjugação de interesses de Orestes Quércia e José Serra, com a importante contribuição, em retrospectiva, de Marta Suplicy e sua inesquecível (para Quércia) participação no programa Roda Viva, em 2004.

Na entrevista, a então prefeita disse que o PMDB não era “confiável” como parceiro.

E não é mesmo. Mas, como diz um ex-adversário do PT, hoje ministro de Lula: “Os outros podem nos achar de quinta, mas precisam saber que temos o direito de discordar.”

Enfim

“Alguns movimentos sociais atuam na fronteira da legalidade, o que exige firmeza das autoridades constituídas”, disse no discurso de posse o novo presidente do Supremo, Gilmar Mendes, ao lado do presidente Lula, que de olhos baixos estava, de olhos baixos ficou.

Aos fatos

Tal como já fizera Lula ao saudar a derrota presidencial de 1989, porque, confessou, não estava “preparado” para governar o Brasil, Ciro Gomes comemorou o fato de não ter sido eleito em 2002. “Não estava maduro.”

Compreende-se que o intuito da autocrítica sobre as imperfeições do passado seja o de reforçar o primor dos atributos do presente.

Mas não deve soar bem aos eleitores de ambos nas referidas eleições a revelação de que foram vítimas de assumida propaganda enganosa.

Tal como fez o presidente Lula recentemente em visita a Pernambuco, redesenhando a história da ascensão e queda de Severino Cavalcanti, Ciro Gomes revisou o episódio apresentando Severino como o cerne de um “golpe” em marcha contra Lula.

Segundo Ciro, a oposição planejava usar o então presidente da Câmara para dar curso a um pedido de impeachment, desistindo apenas quando Severino aderiu ao governo.

É possível que Lula e Ciro tenham seus motivos para tentar conferir a Severino Cavalcanti um papel histórico que ele não teve. Mas, quaisquer que sejam, não têm o condão de alterar a realidade: Severino subiu no vácuo da divisão do PT e caiu por corrupção comprovada.

Quanto ao impeachment, a decisão de não apresentar o pedido foi tomada numa reunião dos partidos de oposição na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios, quando o publicitário confessou ter recebido recursos de caixa 2 para fazer a campanha presidencial de 2002.

Add comment Maio 27, 2008

Quércia reúne PMDB hoje para anunciar apoio a Kassab

24 de abril – Estadão

Aliados de Alckmin e petistas responsabilizam Serra por manobra pró-DEM

Após meses de negociação para a eleição em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia leva hoje à Executiva Estadual do PMDB a proposta de endossar a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição. A reunião, prevista inicialmente para ontem, foi remarcada para que Kassab participe em seguida de confraternização com lideranças do PMDB.

“Chegamos à conclusão de que, no que se refere ao interesse do partido, o Kassab era a melhor opção”, disse Quércia, que há poucas semanas sinalizava que fecharia com o PT da ministra do Turismo, Marta Suplicy.

O acerto tira do jogo a sigla mais cortejada na sucessão em São Paulo, dona de um tempo no rádio e na TV de cerca de quatro minutos diários. Quércia obteve a garantia de que o DEM deixará de ter candidato ao Senado em 2010 para apoiá-lo. Principal nome do DEM para a vaga, Guilherme Afif Domingos abriu mão da disputa.

Ficou acertado ainda que Quércia não se oporá à entrada do PSDB na aliança, cedendo a vice na chapa, caso os tucanos a reivindiquem. “Seria ótimo. Podemos conciliar as coisas para 2010.” Se o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) for candidato, a vice fica com a engenheira Alda Marco Antônio.

Ontem, Kassab confirmou a aliança, mas, depois, disse que não passava de expectativa. “Meu esforço continua sendo no sentido de buscar com toda a energia possível a manutenção da nossa aliança com o PSDB e, agora, de uma maneira bastante otimista porque está se incorporando a essa aliança, se ela for mantida, o PMDB”, afirmou. “Estou dizendo da minha expectativa”, consertou. O prefeito também recebeu em seu gabinete representantes do PTB, PPS, PV e PSB, além do PMDB. Informou que lança sua candidatura até sexta-feira, antes de o PSDB tomar posição sobre a candidatura Alckmin. O objetivo, dizem aliados, é fazer uma “operação-abafa” e não deixar espaço para o tucano.

Ontem, o PSDB debitava acordo DEM-PMDB na conta do governador tucano José Serra. A mesma tese circulava entre petistas, que no fim da tarde ainda tentavam, sem sucesso, retomar a negociação com Quércia. O objetivo era reforçar a garantia de que o partido o apoiaria para o Senado em 2010, sem oposição do senador Aloizio Mercadante, candidato natural a outro mandato na Casa. A manifestação, entretanto, foi tardia e não convenceu Quércia. O ex-governador avaliou que correria o risco de o PT recuar na véspera da eleição.

Surpresa com o acordo, a direção do PT diz que agora dará continuidade às negociações com outros partidos da base, em especial PR , PSB, PC do B. “O PT não vai se mover pelas ações políticas do DEM e do PSDB”, disse o presidentedo PT em São Paulo, Edinho Silva.

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Painel – Renata Lo Prete

23 de abril – Folha de S.Paulo

“Fechei com Kassab”

Orestes Quércia selou ontem o acordo do PMDB com o DEM em torno da reeleição de Gilberto Kassab. “Fechei com o Kassab”, avisou o ex-governador a uma pessoa de sua inteira confiança. A aliança dará ao prefeito cerca de 7min30s no horário gratuito, contra 4min do PT de Marta Suplicy e 3min do PSDB de Geraldo Alckmin, que dividem a liderança na mais recente pesquisa Datafolha. Ambos podem fechar outras alianças, mas nenhuma sigla disponível tem tempo de televisão semelhante ao do PMDB.
Guilherme Afif, candidato natural do DEM ao Senado em 2010, garantiu a Quércia que não disputará a eleição e que o partido apoiará o ex-governador.


Plano B. O PT, que também negociava com Quércia, tentará agora turbinar o tempo de televisão de Marta amarrando ao barco o PR e uma ou mais siglas do bloquinho. O alvo preferencial é o PSB.

Em estúdio. O PSDB paulista está (surpresa!) dividido quanto aos comerciais de TV que terá a partir de 7 de maio. Os alckmistas querem colocar seu candidato na tela a qualquer custo. Os serristas defendem que o ex-governador aguarde nova oportunidade no mês seguinte. O tema será debatido pela direção estadual na próxima segunda.

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Serra faz nova aparição com Kassab e é irônico sobre uso de cenas na TV

23 de abril – Folha de S.Paulo

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), tiveram ontem sua quarta aparição pública desde a sexta-feira. Na chegada à solenidade -a entrega de apartamentos para 278 famílias da favela Paraisópolis-, Serra brincou ao ser cumprimentado por Kassab.
“Venha aqui para aparecer no horário eleitoral.”
O governador se referia ao fato de uma equipe de campanha ter registrado sua participação numa cerimônia na semana passada. Já no palanque, montado no conjunto habitacional em Campo Limpo, Serra enalteceu.
“Este é mais um trabalho conjunto entre prefeitura e governo”, disse o governador, afirmando haver outros projetos como esse.
Questionado se houve mais incidência de cerimônias conjuntas neste ano eleitoral, Kassab disse que é “o ritmo normal” de agenda. Mas que agora “estão prestando atenção”.
Disposto a sensibilizar o ex-governador Geraldo Alckmin, Kassab admitiu ontem a hipótese de abrir mão da candidatura em favor do PSDB. Ao responder se sua candidatura era irreversível, Kassab disse que não. E acrescentou:
“Não me sentiria nem um pouco diminuído se em algum momento a aliança tivesse como candidato o governador Geraldo Alckmin”.
Com o gesto, Kassab tenta mostrar desprendimento e atrair Alckmin. Em conversas, o prefeito diz que sua intenção é conquistar a adesão dos tucanos a sua candidatura, especialmente se fechado o acordo com o PMDB.
Mas também tem afirmado que se sente desconfortável com a hipótese de ruptura.
“Ideal que a aliança continue, desde o primeiro turno.”

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Cresce pressão de alckmistas sobre Serra

31 de março – Folha de S.Paulo

Aliados do ex-governador defendem que o anúncio de sua candidatura à prefeitura seja feito em 15 dias

DA REPORTAGEM LOCAL

O resultado da última pesquisa Datafolha sobre intenção de voto para prefeito de São Paulo fez crescer a pressão dos alckmistas sobre o governador José Serra e a cúpula do PSDB para a oficialização da candidatura de Geraldo Alckmin.
Os alckmistas defendem que o anúncio seja feito em 15 dias. Também cobram participação de Serra na costura de alianças. Cobiçado por Alckmin, o PTB ameaça lançar candidato.
Segundo a pesquisa -realizada nos dias 25 e 26-, a ministra Marta Suplicy subiu quatro pontos e, com 29% das intenções, divide com Alckmin (28%) a liderança da disputa. Nesse cenário, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem 13%.
Apesar do crescimento de Marta, Alckmin a venceria num segundo turno por 53% a 41%.
Para o deputado federal Edson Aparecido, a pesquisa “consolida definitivamente” a candidatura de Alckmin. “Qualquer outra decisão é secundária. Atrapalharia”, afirmou. Além disso, disse, 60% responderam que Serra deveria apoiar o nome do PSDB. “Há um sentimento crescente na sociedade pela fidelidade partidária.”
O secretário municipal de Esportes, Walter Feldman (PSDB), disse que é precoce concluir que a pesquisa cristaliza a candidatura de Alckmin.
“Pela pesquisa, Marta irá para o segundo turno e os dois [Kassab e Alckmin] vão disputar a outra vaga. Não pode”, argumentou ele, acrescentando:
“Declarações como a do [deputado] Sílvio Torres de que não há discussão só atropelam. É um princípio ruim”.
Após participar de uma missa celebrada pelo padre Marcelo Rossi, às 5h50 de ontem, Alckmin agradeceu ao povo e aos militantes pelo “ótimo resultado”. “Ambos sempre nos estimularam com sua confiança e com seu carinho.”
Por intermédio da assessoria, Kassab disse ter ficado “contente” com o crescimento da aprovação de seu governo (de 38%). “Mostra que estamos no caminho certo.”
Em viagem ao exterior, Marta não foi encontrada. O PT exibiu na página da internet os números do Datafolha. O desempenho, comemoram os petistas, facilita a negociação com os aliados. Amanhã, segundo o presidente municipal do PT, José Américo, uma delegação do partido se reunirá com o PR.

Add comment Maio 17, 2008

PT-SP aguarda volta de Marta para definir candidatura

31 de março – Estadão

O Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores só aguarda o retorno da ministra do Turismo, Marta Suplicy, que visita a China, para definir a candidatura dela à Prefeitura de São Paulo. “Vamos marcar uma reunião para conversar com a ministra. Ela tem o receio de deixar o cargo, porque tem muitos projetos a fazer, mas a candidatura cresce a cada dia e só depende dela aceitar a disputa”, disse Edinho Silva, presidente estadual do PT e prefeito de Araraquara (SP).

Ele admitiu que a candidatura de Marta à sucessão de Gilberto Kassab (DEM) é inevitável – e só depende da resposta positiva da ministra – principalmente após o resultado da última pesquisa Datafolha, divulgada ontem. Os números apontam Marta com 29% na pesquisa estimulada, empatada tecnicamente com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 28% da preferência do eleitor. “A pesquisa foi ótima e mostra que quanto mais perto a eleição, mais ela vai crescer”, afirmou Edinho Silva.

A reunião da cúpula paulista com Marta deve ocorrer, se possível, antes de sexta-feira, quando a ministra visita o Guarujá (SP), em companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outro encontro articulado pelas lideranças petistas do Estado de São Paulo é o de Marta com o ex-governador Orestes Quércia, do PMDB, partido que é cobiçado para aliança por todos os pré-candidatos a prefeito da capital paulista.

“Vamos conversar com a Marta primeiro e depois agendar um encontro entre o dois”, disse Edinho Silva, que já manteve reuniões com Quércia para costurar a coligação entre os partidos, na qual PMDB indicaria o nome do vice.

Add comment Maio 17, 2008

Acordos diluem rivalidade partidária

23 de março – Estadão

Interesses locais ditam parcerias antes classificadas de ‘espúrias’, como a que pode unir Marta e Quércia

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O quadro de alianças para as eleições municipais de outubro não está fechado, mas já é o retrato nítido da diluição das fronteiras partidárias e ideológicas, em nome de interesses locais. Prova disso, segundo um dirigente nacional do PT, é que o discurso ideológico inflamado contra o PSDB, que anos a fio marcou a campanha petista Brasil afora, foi descartado. Seu uso está praticamente restrito a São Paulo e, nesse caso, a finalidade nada doutrinária é justificar uma “parceria pragmática”, antes classificada de “espúria” pelos próprios petistas: a união da ministra do Turismo e pré-candidata do PT a prefeita da capital, Marta Suplicy, com o PMDB de Orestes Quércia.

Ao menos até agora, a única legenda que estabeleceu um parâmetro nacional, limitando as alianças, é o DEM. Assim mesmo, a restrição imposta pela Executiva Nacional passa longe da questão ideológica. “No nosso caso vale tudo, menos parceria com o PT”, resume o vice-presidente do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC). Ele está convencido de que as barreiras no campo ideológico, entre esquerda e direita, são coisas do passado, que não existem mais. “Nossa incompatibilidade com o PT é de natureza ética. Não queremos nada com um partido cujos dirigentes, que deveriam dar bom exemplo, defendem mensaleiros e saqueiam cofres públicos.”

No geral, a regra que vale para todos os 27 partidos com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é a falta de regras para as alianças na disputa municipal. “Ninguém nos sugeriu nenhuma limitação e, na verdade, ninguém tem autoridade para excluir ninguém”, afirma o senador Cristovam Buarque (PDT), que, antes de disputar a Presidência da República pelo PDT, governou o Distrito Federal pelo PT. “Em que o DEM é menos respeitável que os demais partidos?”

Ele defende a tese de que os candidatos ainda são diferentes, por razões éticas ou políticas, mas diz que as siglas ficaram todas iguais. Paulo Bornhausen concorda. “Os interesses locais imperam porque todos os partidos viraram federações de lideranças regionais”, avalia.

Add comment Maio 17, 2008

Eleição revigora aliança PT-PMDB na Câmara

19 de março – Folha de S.Paulo

PT promete apoio à candidatura de Michel Temer para suceder Chinaglia, mas quer um acordo para disputas nas capitais

Acordo em SP, conduzido por Orestes Quércia, é que a ministra Marta Suplicy (Turismo) encabece a chapa junto com um vice do PMDB

MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Ao mesmo tempo em que PT e PMDB trabalham para fechar uma aliança em São Paulo para as eleições de outubro, os presidentes nacionais dos dois partidos se reuniram ontem em Brasília para confirmar o acordo sobre a eleição do próximo presidente da Câmara.
A proposta é que os petistas apóiem o nome do deputado e presidente peemedebista, Michel Temer (SP), em substituição ao atual presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
A expectativa dos petistas é que o compromisso em apoiar Temer reflita na aliança das próximas eleições da capital paulista. Em almoço ontem, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), afirmaram a Temer a importância de fechar acordos em cidades estratégicas, como é o caso de São Paulo.
“Conversamos hoje [ontem] sobre a importância de criar um ambiente de governabilidade nacional, onde PT e PMDB têm muita importância em todo o país. Queremos construir um ambiente favorável em todo o país”, disse Fontana. “E a eleição de São Paulo tem visibilidade nacional, por isso é muito importante ter a base unida lá. É importante mostrar que a Marta é a candidata do presidente Lula e que a base está junto nisso, assim como no Congresso”, completou.
O acordo em São Paulo, que está sendo conduzido principalmente pelo presidente estadual do PMDB e ex-governador, Orestes Quércia, é que a ministra Marta Suplicy (Turismo) encabece a chapa junto com um vice peemedebista. Em contrapartida, o PT apoiaria o nome de Quércia para uma vaga no Senado em 2010.
Temer, que chegou a ser cotado para compor a chapa com Marta, também ressalta a importância de uma aliança, mas lembra que o seu partido ainda está em fase de conversação: “Temos que lembrar que o Quércia está conversando com outros partidos também, mas esse [aliança com o PT] é um cenário que se desenha”.
Sobre a sua candidatura na presidência da Câmara, limita-se a dizer: “Pode ser. Mas hoje [ontem] o Berzoini e o Fontana confirmaram o acordo de apoiar um presidente da Câmara do PMDB”, disse, lembrando que Chinaglia foi eleito com os votos da bancada do PMDB.
No almoço de ontem, os presidentes dos dois partidos se comprometeram a fazer levantamentos detalhados da situação nas principais cidades para abrir caminho para as alianças.

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Conversas com o PMDB em SP estão avançadas, dizem petistas

18 de março – Folha de S.Paulo

PT e PMDB negociam aliança em São Paulo nas próximas eleições. Ontem, Ricardo Berzoini (SP), presidente nacional do partido, e o presidente do diretório estadual, Edinho Silva, afirmaram que as “conversas” neste sentido estão avançadas.
Pelo acordo que está sendo formatado, o PT lançaria o nome da ministra Marta Suplicy (Turismo) para a prefeitura com um vice peemedebista.
Em contrapartida, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiaria Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo e presidente do diretório estadual do PMDB, para uma vaga no Senado em 2010.
Caso a aliança seja fechada, a indicação do partido deve ficar em torno de aliados de confiança de Quércia, como Alda Marco Antônio e Marcelo Barbieri.
“É evidente que alianças com o PMDB interessam em todos os lugares”, disse Berzoini ontem, durante reunião com 20 presidentes de diretórios estaduais em Brasília. Silva, que esteve reunido com Quércia e com Marta na semana passada, disse estar otimista. “O PT se propõe a criar um espaço permanente de diálogo com o PMDB para discutir futuras alianças, incluindo 2010.”
“Já tentamos uma aliança com o PT em São Paulo no passado recente e não deu certo, mas como agora há também o quadro nacional para 2010, há chance de ser diferente”, disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
Berzoini também classificou a posição do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, de defender aliança com o tucano Aécio Neves, como “ousada e arriscada”, mas não descartou que o partido feche alianças com a oposição.
“O Pimentel teve uma iniciativa ousada e arriscada, que gerou muita polêmica dentro do PT. Espero que possamos resolver isso na semana que vem com o apoio de no mínimo 60% ou 70% da bancada, mas precisamos lembrar que, às vezes, a dinâmica municipal se sobrepõe nas eleições”, disse.
Na próxima semana, o partido se reúne para definir as alianças nas cidades de médio e grande porte. Das principais capitais, o PT já definiu nomes em pelo menos cinco: Luizianne Lins, em Fortaleza; João da Costa, em Recife; Maria do Rosário, em Porto Alegre, e Gleise Hoffmann, em Curitiba.
Em outras cidades, há disputa com aliados. Em Salvador, João Henrique (PMDB) é candidato à reeleição, mas o PT tem ao menos três nomes: deputados federais Nelson Pellegrino e Walter Pinheiro e o deputado licenciado Luiz Alberto.
No Rio, o deputado estadual Alessandro Molon e o ex-deputado Vladimir Palmeira também querem disputar, mas o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) defende seu secretário de Esportes, Eduardo Paes.

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