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Pós-terremoto – ARTIGO ELIANE CASTANHÊDE

25 de abril – Folha de S.Paulo

Quem diria? Serra, Alckmin e Marta Suplicy estão (ou estavam) se engalfinhando pelo apoio de Orestes Quércia na eleição para a Prefeitura de São Paulo.
Quércia é um exemplo vivo -vivíssimo, pode-se dizer- do que ocorre com o seu partido, o PMDB: em descrédito, nem parece ter mais condições de se candidatar a cargos majoritários, mas tem um tempo enorme na TV e vive sendo disputado por gregos e troianos, ou melhor, por petistas e tucanos.
Deixando de lado esses… detalhes, o fato é que Serra interrompeu uma onda de más notícias com uma grande notícia política: levou a melhor na corrida por Quércia, a quem jogou no colo do candidato Gilberto Kassab (DEM), junto com preciosos 4min30s a mais na telinha da campanha. Ontem, já houve um empurra-empurra entre o PSDB-que-está-com-Alckmin e o PT, reunido com Marta Suplicy, para ver quem perdeu mais. Mas é simples: os dois perderam.
Além de não unir o PSDB, Serra vinha suportando mal o fiasco da privatização da CESP; a desenvoltura de Aécio Neves, em plena campanha para se tornar conhecido; e a aliança PSDB-PT em Belo Horizonte, o mais espetacular movimento político das eleições municipais. Até terremoto São Paulo teve!, dirão os anti-serristas.
Mas Serra tem lá sua garra e principalmente seus trunfos, potencializados pelo favoritismo nas pesquisas. Neutralizou as agruras e calou os críticos ao fechar o acordo com o PMDB, que favorece Kassab agora na disputa paulista e abre uma avenida de oportunidades em direção à rampa do Planalto.
Ontem, o PMDB estava com FHC. Hoje, com Lula. Amanhã, com quem tiver as melhores chances de levar a Presidência. Politicamente, é mais promissora a aliança PSDB-PMDB em São Paulo do que a PSDB-PT em Minas. Até porque o PMDB vai com quem dá mais. O PT só vai com ele mesmo.

Add comment Maio 27, 2008

PMDB diz que apóia Kassab porque é o candidato de Serra

24 de abril – Folha de S.Paulo

Partido afirma que presença no governo estadual é “conseqüência” da aliança

Sem contar com garantia de que teria apoio do PT para concorrer a vaga no Senado, Quércia declara que acerto com o DEM é irreversível

Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem

No sentido horário, Uebe Rezeck, Jorge Caruso e Baleia Rossi, deputados do PMDB, e Quércia
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Após almoço com o presidente do partido, Orestes Quércia, a bancada do PMDB na Assembléia justificou ontem a oficialização da aliança com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) como uma demonstração de apoio ao governador de São Paulo, o tucano José Serra. O próximo passo, anunciou Quércia, será a participação dos peemedebistas no governo do Estado.
Ontem, durante o almoço com Quércia, os três deputados estaduais do partido avalizaram a coligação com Kassab, conforme antecipou ontem o “Painel”, da Folha. O líder da bancada, Uebe Rezeck, alegou que, como Kassab é o candidato de Serra, a aliança seria um desdobramento do apoio que o partido já dá ao governador na Assembléia Legislativa.
“A bancada do PMDB dá sustentação ao governador na Assembléia. E o candidato do governador é mesmo o Kassab. Como nós já estamos na base de sustentação do governo, como já estamos apoiando o Serra, esse apoio ao Kassab completa o trabalho que está sendo feito na Assembléia”, afirmou.
Avisando que o apoio a Kassab é irreversível -apesar dos muitos telefonemas de petistas ao longo do dia- o próprio Quércia admitiu que “a composição com o DEM pressupõe a composição com o Serra”. Ele frisa, porém, que não se refere à disputa presidencial.
Uma articulação para a presidência, diz, ainda precisa ser discutida. Além do compromisso de ser candidato exclusivo do DEM ao Senado em 2010, Quércia informou que, após as eleições municipais, o PMDB participará do governo Serra.
À mesa do restaurante Massimo, os peemedebistas ressalvaram que a presença no governo Serra não é uma exigência para o apoio a Kassab. Mas “uma conseqüência”.
“Não existe o apoio oficial do partido [ao governo Serra]. Agora, vai acontecer”, afirmou Quércia.
Rezeck é claro ao afirmar que, se Serra espera o apoio do PMDB para seus projetos políticos, “deverá abrir espaços”.
O deputado Jorge Caruso afirmou que a decisão de apoio a Kassab está “em consonância” com a atuação das bancadas do PMDB na Alesp e na Câmara Municipal.
O nome de Caruso foi, no entanto, apresentado como alternativa para a vice.
Baleia Rossi, por sua vez, deixa claro que entende a aliança com Kassab como um aceno a Serra. “Sabemos que o Palácio é simpático [à aliança]. Mas não que tenha sido costurada lá”, afirmou.
Quércia disse que adiara de ontem para hoje a reunião da executiva municipal do partido por dois motivos: para garantir a presença de Kassab e consultar outros integrantes do PMDB.
Hoje, o PT se reúne com Quércia numa última tentativa de acordo. Ontem, ele argumentou que, além “experiência ruim com o PT”, a ministra Marta Suplicy não dera garantia de que teria apoio para o Senado em 2010.
“Teve muita gente que ligou pedindo para ficar com o PT. Mas, infelizmente para eles, não vai acontecer”, disse ele.
Ao responder se a decisão era irreversível, afirmou: “Da nossa parte, é. Vamos fechar. Não vamos ter dificuldade. Mudar não vai mudar”.

Add comment Maio 27, 2008

Acordo em SP ajuda Serra a minar aproximação entre Aécio e PMDB

24 de abril – Folha de S.Paulo

O acordo do PMDB paulista com o DEM para apoiar a candidatura à reeleição do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, teve o aval do governador do Estado, José Serra -tucano que atuou nos bastidores pensando na sucessão presidencial de 2010. No PT, o acordo causou surpresa e levou a um jogo de empurra entre o Palácio do Planalto e o grupo de Marta Suplicy sobre a responsabilidade pelo fracasso da negociação com o presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia.
Segundo a Folha apurou, Quércia vinha negociando com Kassab havia um mês em segredo e em estágio mais avançado do que imaginavam Marta e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), prováveis candidatos à prefeitura interessados numa aliança com o PMDB para aumentar o tempo de TV no horário eleitoral.
Quércia disse a aliados que sentiu maior firmeza em Kassab em relação às suas exigências, na comparação com as ofertas de Marta e Alckmin. O DEM se comprometeu a apoiar a candidatura de Quércia ao Senado em 2010.
Serra acompanhou toda a negociação de bastidor. Foi informado diretamente por Kassab, seu ex-vice, a quem legou a prefeitura ao eleger-se governador em 2006. Para o tucano, interessa atrair Quércia para uma aliança PSDB-DEM nas eleições de 2010. No pior cenário para Serra, ele desiste de concorrer à Presidência e disputa o governo com Afif de vice e Quércia como um dos candidatos ao Senado.
Na hipótese com a qual trabalha, Serra vence a disputa interna no PSDB pela candidatura ao Planalto e atrai uma seção peemedebista insatisfeita com o PT e o presidente Lula. O concorrente de Serra no PSDB, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, é cortejado pela cúpula nacional do PMDB para se filiar ao partido e concorrer à Presidência. A aproximação de Serra com Quércia, via Kassab, tem o objetivo de disputar espaço no PMDB com Aécio.
Quércia acredita que terá mais chance de se eleger senador se concorrer numa faixa do eleitorado do centro para a direita. Daí achar mais interessante um acordo com o DEM do que com PT e PSDB.
Quércia pegou os petistas e Lula desprevenidos. O grupo de Marta ainda tinha esperança de um entendimento, mas já não acredita em possibilidade de reversão do acordo PMDB-DEM. A Folha apurou que Lula não pretende intervir. Avalia que abriria um precedente perigoso, pois as alianças nas eleições municipais não seguem o padrão de alinhamento nacional de partidos.
Para o grupo de Marta, o motivo principal para Quércia não fechar com o partido seria a falta de importância do PMDB quercista no plano federal. Quércia se queixa de não ter atendidas as suas reivindicações para cargos levadas a Lula.
No Planalto, atribui-se o fracasso à dificuldade do PT em ceder espaço a aliados. Segundo um ministro, o PT paulista queria escolher o peemedebista que seria vice de Marta e não oferecia garantia plena de que Quércia seria apoiado em 2010 para o Senado.

Add comment Maio 27, 2008

Com o pé no tubo – EDITORIAL

24 de abril – Estadão

O apoio do PMDB à candidatura do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi anunciado, mas não se pode dizer que esteja sacramentado.

Há tantas implicações numa aliança como essa, há tantas variantes nacionais, regionais, partidárias, presentes e futuras envolvidas, que é difícil acreditar em definições imutáveis tomadas dois meses antes do fim do prazo fatal: junho.

Por enquanto, de certo o que existe é um movimento que vai mexer na armação da disputa municipal mais importante do País.

Por exemplo: nem bem o acordo foi anunciado, o grupo do prefeito correu para fazer declarações públicas de apreço à manutenção da aliança entre tucanos e democratas.

Demonstrações de amizade a Geraldo Alckmin como não se ouviu nos últimos meses. Isso ao mesmo tempo em que se dava publicidade a um acerto cujo primeiro efeito é retirar oxigênio da candidatura de Alckmin.

Claro, pois se Kassab que já tem a máquina municipal e conta com a sustentação extra-oficial da administração estadual ainda ganha o tempo de televisão do PMDB e mais o simbolismo do apoio do maior partido da coligação do presidente Luiz Inácio da Silva, o que sobra para Geraldo Alckmin?

Parte da estrutura do PSDB, o apoio de lideranças tucanas fora de São Paulo (de influência zero sobre o eleitorado paulista) e os índices das pesquisas que, de resto, já foram mais substanciais.

Ao “pisar no tubo” do ex-governador, seus adversários devem ter um objetivo. O único à vista seria levá-lo a aceitar uma conversa sobre desistência da disputa municipal para aguardar a vez de concorrer ao governo do Estado em 2010.

É de se aguardar a reação do cardinalato tucano que trabalha a distância em prol de Alckmin. Certamente haverá e obviamente produzirá algum efeito.

Do lado do PT, que era tido como o interlocutor preferencial de Orestes Quércia, também houve gritaria e invocações de respeito à coligação federal.

Haverá, portanto, reações, ofertas de toda sorte e tentativas de mudar o quadro. Ao interromper as conversações, Quércia deve ter um objetivo.

O mais vistoso no horizonte é a valorização do passe diante do PT, que resiste em entregar uma vaga ao Senado porque a primazia é de Aloizio Mercadante, enquanto o DEM abre de bom grado mão da vez até então reservada a Guilherme Afif Domingos.

A despeito das novidades dos próximos capítulos, tal acerto, se confirmado, não pode ser visto como uma aliança entre o PMDB e o DEM. Não resulta de acordo com o PSDB nem indica abalo na coligação nacional PT-PMDB.

Diz respeito à conjugação de interesses de Orestes Quércia e José Serra, com a importante contribuição, em retrospectiva, de Marta Suplicy e sua inesquecível (para Quércia) participação no programa Roda Viva, em 2004.

Na entrevista, a então prefeita disse que o PMDB não era “confiável” como parceiro.

E não é mesmo. Mas, como diz um ex-adversário do PT, hoje ministro de Lula: “Os outros podem nos achar de quinta, mas precisam saber que temos o direito de discordar.”

Enfim

“Alguns movimentos sociais atuam na fronteira da legalidade, o que exige firmeza das autoridades constituídas”, disse no discurso de posse o novo presidente do Supremo, Gilmar Mendes, ao lado do presidente Lula, que de olhos baixos estava, de olhos baixos ficou.

Aos fatos

Tal como já fizera Lula ao saudar a derrota presidencial de 1989, porque, confessou, não estava “preparado” para governar o Brasil, Ciro Gomes comemorou o fato de não ter sido eleito em 2002. “Não estava maduro.”

Compreende-se que o intuito da autocrítica sobre as imperfeições do passado seja o de reforçar o primor dos atributos do presente.

Mas não deve soar bem aos eleitores de ambos nas referidas eleições a revelação de que foram vítimas de assumida propaganda enganosa.

Tal como fez o presidente Lula recentemente em visita a Pernambuco, redesenhando a história da ascensão e queda de Severino Cavalcanti, Ciro Gomes revisou o episódio apresentando Severino como o cerne de um “golpe” em marcha contra Lula.

Segundo Ciro, a oposição planejava usar o então presidente da Câmara para dar curso a um pedido de impeachment, desistindo apenas quando Severino aderiu ao governo.

É possível que Lula e Ciro tenham seus motivos para tentar conferir a Severino Cavalcanti um papel histórico que ele não teve. Mas, quaisquer que sejam, não têm o condão de alterar a realidade: Severino subiu no vácuo da divisão do PT e caiu por corrupção comprovada.

Quanto ao impeachment, a decisão de não apresentar o pedido foi tomada numa reunião dos partidos de oposição na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda Mendonça na CPI dos Correios, quando o publicitário confessou ter recebido recursos de caixa 2 para fazer a campanha presidencial de 2002.

Add comment Maio 27, 2008

Quércia reúne PMDB hoje para anunciar apoio a Kassab

24 de abril – Estadão

Aliados de Alckmin e petistas responsabilizam Serra por manobra pró-DEM

Após meses de negociação para a eleição em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia leva hoje à Executiva Estadual do PMDB a proposta de endossar a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição. A reunião, prevista inicialmente para ontem, foi remarcada para que Kassab participe em seguida de confraternização com lideranças do PMDB.

“Chegamos à conclusão de que, no que se refere ao interesse do partido, o Kassab era a melhor opção”, disse Quércia, que há poucas semanas sinalizava que fecharia com o PT da ministra do Turismo, Marta Suplicy.

O acerto tira do jogo a sigla mais cortejada na sucessão em São Paulo, dona de um tempo no rádio e na TV de cerca de quatro minutos diários. Quércia obteve a garantia de que o DEM deixará de ter candidato ao Senado em 2010 para apoiá-lo. Principal nome do DEM para a vaga, Guilherme Afif Domingos abriu mão da disputa.

Ficou acertado ainda que Quércia não se oporá à entrada do PSDB na aliança, cedendo a vice na chapa, caso os tucanos a reivindiquem. “Seria ótimo. Podemos conciliar as coisas para 2010.” Se o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) for candidato, a vice fica com a engenheira Alda Marco Antônio.

Ontem, Kassab confirmou a aliança, mas, depois, disse que não passava de expectativa. “Meu esforço continua sendo no sentido de buscar com toda a energia possível a manutenção da nossa aliança com o PSDB e, agora, de uma maneira bastante otimista porque está se incorporando a essa aliança, se ela for mantida, o PMDB”, afirmou. “Estou dizendo da minha expectativa”, consertou. O prefeito também recebeu em seu gabinete representantes do PTB, PPS, PV e PSB, além do PMDB. Informou que lança sua candidatura até sexta-feira, antes de o PSDB tomar posição sobre a candidatura Alckmin. O objetivo, dizem aliados, é fazer uma “operação-abafa” e não deixar espaço para o tucano.

Ontem, o PSDB debitava acordo DEM-PMDB na conta do governador tucano José Serra. A mesma tese circulava entre petistas, que no fim da tarde ainda tentavam, sem sucesso, retomar a negociação com Quércia. O objetivo era reforçar a garantia de que o partido o apoiaria para o Senado em 2010, sem oposição do senador Aloizio Mercadante, candidato natural a outro mandato na Casa. A manifestação, entretanto, foi tardia e não convenceu Quércia. O ex-governador avaliou que correria o risco de o PT recuar na véspera da eleição.

Surpresa com o acordo, a direção do PT diz que agora dará continuidade às negociações com outros partidos da base, em especial PR , PSB, PC do B. “O PT não vai se mover pelas ações políticas do DEM e do PSDB”, disse o presidentedo PT em São Paulo, Edinho Silva.

Add comment Maio 27, 2008

Mônica Bérgamo – ARTIGO

9 de abril – Folha de S.Paulo

TERCEIRO DOTE
Não é só a vaga de vice na chapa de Marta Suplicy e apoio à candidatura ao Senado em 2010 que estão sendo oferecidos pelo PT ao PMDB de Orestes Quércia para que ele apóie a petista para a prefeitura. Também a indicação a uma vaga no Tribunal de Contas do Município está em jogo. É a do conselheiro Antonio Carlos Caruso, que completa 70 anos em dezembro de 2011 e, pelas regras do órgão, terá que se aposentar. A indicação de seu sucessor caberá ao próximo prefeito.

Add comment Maio 19, 2008

Eleição revigora aliança PT-PMDB na Câmara

19 de março – Folha de S.Paulo

PT promete apoio à candidatura de Michel Temer para suceder Chinaglia, mas quer um acordo para disputas nas capitais

Acordo em SP, conduzido por Orestes Quércia, é que a ministra Marta Suplicy (Turismo) encabece a chapa junto com um vice do PMDB

MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Ao mesmo tempo em que PT e PMDB trabalham para fechar uma aliança em São Paulo para as eleições de outubro, os presidentes nacionais dos dois partidos se reuniram ontem em Brasília para confirmar o acordo sobre a eleição do próximo presidente da Câmara.
A proposta é que os petistas apóiem o nome do deputado e presidente peemedebista, Michel Temer (SP), em substituição ao atual presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
A expectativa dos petistas é que o compromisso em apoiar Temer reflita na aliança das próximas eleições da capital paulista. Em almoço ontem, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), afirmaram a Temer a importância de fechar acordos em cidades estratégicas, como é o caso de São Paulo.
“Conversamos hoje [ontem] sobre a importância de criar um ambiente de governabilidade nacional, onde PT e PMDB têm muita importância em todo o país. Queremos construir um ambiente favorável em todo o país”, disse Fontana. “E a eleição de São Paulo tem visibilidade nacional, por isso é muito importante ter a base unida lá. É importante mostrar que a Marta é a candidata do presidente Lula e que a base está junto nisso, assim como no Congresso”, completou.
O acordo em São Paulo, que está sendo conduzido principalmente pelo presidente estadual do PMDB e ex-governador, Orestes Quércia, é que a ministra Marta Suplicy (Turismo) encabece a chapa junto com um vice peemedebista. Em contrapartida, o PT apoiaria o nome de Quércia para uma vaga no Senado em 2010.
Temer, que chegou a ser cotado para compor a chapa com Marta, também ressalta a importância de uma aliança, mas lembra que o seu partido ainda está em fase de conversação: “Temos que lembrar que o Quércia está conversando com outros partidos também, mas esse [aliança com o PT] é um cenário que se desenha”.
Sobre a sua candidatura na presidência da Câmara, limita-se a dizer: “Pode ser. Mas hoje [ontem] o Berzoini e o Fontana confirmaram o acordo de apoiar um presidente da Câmara do PMDB”, disse, lembrando que Chinaglia foi eleito com os votos da bancada do PMDB.
No almoço de ontem, os presidentes dos dois partidos se comprometeram a fazer levantamentos detalhados da situação nas principais cidades para abrir caminho para as alianças.

Add comment Maio 17, 2008

PT apóia Quércia em 2010 se ele fechar com Marta já

18 de março – Estadão

Além de oferecer ao PMDB vaga de vice na chapa, grupo da ministra admite avalizar ex-governador para o Senado; idéia irrita aliados de Mercadante

Vera Rosa e Felipe Werneck

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A cúpula do PT ofereceu um “pacote eleitoral” ao PMDB, com o objetivo de atrair o apoio do partido à candidatura de Marta Suplicy, que deixará o Ministério do Turismo para disputar a Prefeitura de São Paulo. Além de abrir para o PMDB a vaga de vice na chapa de Marta, o grupo da ministra admite avalizar Orestes Quércia para o Senado, em 2010. A proposta apresentada a Quércia, que é presidente do PMDB paulista, provocou reações iradas da ala ligada ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato natural à reeleição.

“Estamos mesmo dispostos a dar a vice ao PMDB e também sou a favor de apoiar Quércia para o Senado, em 2010″, afirmou o presidente do PT paulistano, vereador José Américo Dias. Para rechear o pacote oferecido ao principal parceiro da coalizão no governo Lula, os petistas negociam, ainda, a retirada de candidatos sem expressão eleitoral, em vários municípios, em favor de concorrentes do PMDB.

“Não podemos querer que o PMDB nos apóie em tantos lugares sem contrapartida”, argumentou José Américo. Questionado sobre os protestos do grupo de Mercadante, ele desconversou: “Eu não tenho conhecimento dessa resistência.”

Na prática, o PT negocia com Quércia a segunda vaga ao Senado, já que a primeira será reservada a Mercadante. Em geral, porém, o segundo nome da dobradinha é sempre um político menos conhecido, que não oferece risco ao candidato sobre o qual o partido aposta todas as fichas. Não é o caso de Quércia, que detém a máquina do PMDB em São Paulo.

Embora o ex-governador diga que está “escaldado” e não esconda a desconfiança em relação ao PT, os petistas acreditam no acordo. No atual cenário, o mais cotado para vice na chapa de Marta é o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB. Em 2004, Marta disputou e perdeu a reeleição como prefeita em chapa puro sangue, composta só pelo PT, que não quis ceder a vice. Agora, porém, o discurso é diferente. “Para nós, a aliança com o PMDB interessa em todo o País”, insistiu o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT.

Em várias conversas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos petistas que não adianta o partido disputar apenas para marcar posição. Mais: avisou que não subirá em nenhum palanque nas cidades onde a base aliada estiver dividida em duas ou mais candidaturas.

Mesmo com sua campanha sendo montada, a ministra do Turismo ainda tenta despistar sobre a entrada no páreo. “Amo a minha cidade e sei que posso dar grande contribuição, mas é uma decisão extremamente difícil. Estou muito dividida”, afirmou Marta ontem, no Rio.

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PT apóia Quércia em 2010 se ele fechar com Marta já

18 de março – Estado de S.Paulo

Além de oferecer ao PMDB vaga de vice na chapa, grupo da ministra admite avalizar ex-governador para o Senado; idéia irrita aliados de Mercadante

Vera Rosa e Felipe Werneck

A cúpula do PT ofereceu um “pacote eleitoral” ao PMDB, com o objetivo de atrair o apoio do partido à candidatura de Marta Suplicy, que deixará o Ministério do Turismo para disputar a Prefeitura de São Paulo. Além de abrir para o PMDB a vaga de vice na chapa de Marta, o grupo da ministra admite avalizar Orestes Quércia para o Senado, em 2010. A proposta apresentada a Quércia, que é presidente do PMDB paulista, provocou reações iradas da ala ligada ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato natural à reeleição.

“Estamos mesmo dispostos a dar a vice ao PMDB e também sou a favor de apoiar Quércia para o Senado, em 2010″, afirmou o presidente do PT paulistano, vereador José Américo Dias. Para rechear o pacote oferecido ao principal parceiro da coalizão no governo Lula, os petistas negociam, ainda, a retirada de candidatos sem expressão eleitoral, em vários municípios, em favor de concorrentes do PMDB.

“Não podemos querer que o PMDB nos apóie em tantos lugares sem contrapartida”, argumentou José Américo. Questionado sobre os protestos do grupo de Mercadante, ele desconversou: “Eu não tenho conhecimento dessa resistência.”

Na prática, o PT negocia com Quércia a segunda vaga ao Senado, já que a primeira será reservada a Mercadante. Em geral, porém, o segundo nome da dobradinha é sempre um político menos conhecido, que não oferece risco ao candidato sobre o qual o partido aposta todas as fichas. Não é o caso de Quércia, que detém a máquina do PMDB em São Paulo.

Embora o ex-governador diga que está “escaldado” e não esconda a desconfiança em relação ao PT, os petistas acreditam no acordo. No atual cenário, o mais cotado para vice na chapa de Marta é o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB. Em 2004, Marta disputou e perdeu a reeleição como prefeita em chapa puro sangue, composta só pelo PT, que não quis ceder a vice. Agora, porém, o discurso é diferente. “Para nós, a aliança com o PMDB interessa em todo o País”, insistiu o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT.

Em várias conversas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos petistas que não adianta o partido disputar apenas para marcar posição. Mais: avisou que não subirá em nenhum palanque nas cidades onde a base aliada estiver dividida em duas ou mais candidaturas.

Mesmo com sua campanha sendo montada, a ministra do Turismo ainda tenta despistar sobre a entrada no páreo. “Amo a minha cidade e sei que posso dar grande contribuição, mas é uma decisão extremamente difícil. Estou muito dividida”, afirmou Marta ontem, no Rio.

BELO HORIZONTE

O casamento com o PMDB em São Paulo e a possibilidade de aliança com os tucanos, em Belo Horizonte (MG), também foram discutidos ontem, em Brasília, na reunião do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT. Ao que tudo indica, o Diretório Nacional da legenda deverá aprovar, na segunda-feira, a parceria com o PSDB na capital mineira, sob o argumento de que a aliança formal é com o PSB.

Articulado pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e pelo governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), o acordo tem como alvo as eleições de 2010. De um lado, Pimentel quer obter apoio dos tucanos para concorrer ao governo de Minas. De outro, Aécio trabalha para conquistar adesões dentro e fora do PSDB na disputa com o governador de São Paulo, José Serra, que, como ele, cobiça a cadeira de Lula.

“Pimentel tomou uma decisão ousada, arriscada, que tem causado muita polêmica no PT”, admitiu Berzoini. “Mas vamos resolver isso.” Além de São Paulo, a cúpula do PT dá como certa, até agora, a candidatura própria às prefeituras do Rio, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Curitiba, Campo Grande e Cuiabá.

Add comment Maio 14, 2008


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