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Eleitores de baixa renda, a força da petista
20 de julho – Estadão
Alckmin e Kassab, ao contrário, destacam-se no eleitorado acima dos 5 salários mínimos
A história se repete. Os pontos fortes de Marta Suplicy estão na população de mais baixa renda (até 5 salários mínimos), mais baixa escolaridade (até a 8ª série do ensino fundamental) e, quase sempre, entre os mais jovens. Já as forças de Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab, que se originam na mesma liga político-partidária, aumentam à medida que a pesquisa sobe dos segmentos de renda e escolaridade médios para altos.
Um bom exemplo disso é que Marta registrou 43% de preferência de voto entre os que têm da 5ª à 8ª séries, mas ficou com apenas 21% entre os que têm ensino superior. Subiu a 39% entre os que ganham até 2 salários mínimos, mas caiu para 26% entre os que recebem acima de 5 salários mínimos. Os índices de Alckmin, no sentido inverso, variaram de 24% (entre os que têm da 5ª à 8ª séries) a 42% (entre os que têm ensino superior).
Kassab, no mesmo compasso da linhagem tucana, fica com 7% entre os que cursaram até a 8ª série, mas chega a atingir 16% entre os que têm ensino superior; entre os que ganham até 5 salários mínimos, não passa de 9%, mas vai bater em 14% entre os que ganham acima de 5 salários mínimos.
Alckmin venceu com facilidade no centro (43% a 31%), na zona norte (34% a 29%), na zona oeste (34% a 23%) e na zona sul I (41% a 22%); Marta ganhou na zona leste I (48% a 23%) e na zona sul II (47% a 25%). Na zona leste, Maluf roubou o terceiro posto de Kassab.
Marta, curiosamente, é a candidata dos homens: ostenta uma preferência de 36% entre os eleitores do sexo masculino e de apenas 32% no universo eleitoral feminino, que ela tanto defendeu em seus tempos de sexóloga. Já com Alckmin funciona ao contrário: seu potencial de votos é sustentado, basicamente, pelo eleitorado feminino, que lhe promete uma preferência de 35%; já os homens lhe atribuem apenas 27%.
Nas simulações de segundo turno aparecem com clareza os pontos fortes e fracos dos candidatos. Marta venceria Alckmin con certa facilidade (49% a 41%) entre os que têm até a 4ª série do ensino fundamental; mas perderia feio (61% a 31%) entre os que têm curso superior. Sua fragilidade nos segmentos de mais alta renda e escolaridade é tão grande que ela perderia até para Kassab num hipotético segundo turno por 56% a 32% entre os que têm curso superior.
INCÓGNITAS
A pesquisa traz duas incógnitas, registra Márcia Cavallari, diretora do Ibope. Uma delas é que a maior força de Marta e do PT não aparece claramente no segmento extremo de mais baixa escolaridade (até a 4ª série do ensino fundamental), como aconteceu nas disputas eleitorais de 2004 e 2006, mas no segmento ligeiramente acima do extremo. Na simulação de primeiro turno, Marta alcançou 43% no segmento que vai da 5ª à 8ª séries e apenas 35% entre os que cursaram até a 4ª série; em sentido inverso, o desempenho de Alckmin é melhor no segundo segmento citado (26%) e pior no primeiro (24%).
A segunda incógnita é a baixa intenção de voto em Kassab, uma vez que ele continua recebendo uma boa avaliação do eleitorado, segundo demonstra a pesquisa: 36% dos paulistanos a consideram ótima ou boa (índice menor que a preferência de voto por Marta), 34% a reputam regular e 28% dizem que é ruim ou péssima. Isso quer dizer que 26% dos paulistanos consideram sua gestão ótima ou boa, mas não decidiram votar nele.
Add comment Julho 20, 2008
Ibope dá 34% a Marta e 31% a Alckmin na corrida em S. Paulo
20 de julho – Estadão
Em um eventual segundo turno, tucano teria 47% e petista, 43%, revela pesquisa feita para o Estado
Os candidatos Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) apareceram tecnicamente empatados na disputa pela Prefeitura de São Paulo, com ligeira vantagem para Marta, que teve 34%, contra 31% de Alckmin, segundo pesquisa contratada pelo Estado e pela TV Globo e realizada pelo Ibope.
Confira mais dados da pesquisa
Em terceiro lugar aparece o prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, com 10%, também em empate técnico com o ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que teve 9%. Soninha Francine (PPS) registrou 2%. Como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos porcentuais, Marta pode ter de 31% a 37%, e Alckmin, de 28% a 34%, o que demarca um ponto de intersecção entre as possíveis variações dos dois.
Num hipotético segundo turno, Alckmin apareceu à frente de seus dois principais rivais. Contra Marta, registrou 47% a 43%, em situação de empate técnico; contra Kassab venceria por 35 pontos – 58% a 23%. Marta, por sua vez, superaria Kassab por 16 pontos – 51% a 35%. O porcentual de indecisos na pesquisa estimulada é muito baixo, considerando o tempo que resta até as eleições – só 8% disseram que votarão em branco ou nulo e apenas 4% ainda não decidiram em quem votar. Nessa situação, para crescer um candidato não terá alternativa senão tomar votos de oponentes que estão à sua frente.
Isso pode não ser fácil para os que têm índices de rejeição mais altos. A maior dificuldade será de Maluf: 61% declaram que não votariam nele “de jeito nenhum”. O segundo índice de rejeição mais elevado é de Marta, que sofre restrições de um terço do eleitorado – 33% dos paulistanos disseram que não votariam nela. O terceiro índice de rejeição, de 28%, é de Kassab.
O atual prefeito, no entanto, tem um consolo: dos candidatos competitivos, continua sendo o menos conhecido do eleitorado, atesta Márcia Cavallari, diretora do Ibope, e, na leitura das manifestações de vontade do eleitor, o desconhecimento se soma à rejeição. Soninha Francine apresentou uma rejeição mediana: 17%.
Alckmin tem o mais baixo índice de rejeição entre os candidatos competitivos: apenas 13% declararam que não votariam nele (seu índice mais alto esteve entre os que têm curso superior – 16%). O índice de rejeição permite estimar se um candidato pode almejar eleger-se a um cargo majoritário ou não, ensinam os especialistas. A chance se esgota se a rejeição beirar os 40%, o que complica Maluf e acende luz amarela para Marta.
Na pesquisa espontânea, em que os eleitores devem mencionar um candidato sem nenhuma sugestão do entrevistador, Marta manteve a liderança, já agora fora da margem de empate técnico. Ela alcançou 24% das citações, enquanto Alckmin teve 17% e Kassab chegou a 7%. Maluf reuniu 4% e Soninha Francine, 1%. Os outros candidatos não atingiram 1%.
Na pesquisa espontânea, o número de indecisos é maior: 11% afirmam que votariam em branco ou nulo e 34% não souberam ou não quiseram mencionar nenhum candidato – total de 45% de eleitores ainda indefinidos.
A avaliação dos governos estadual e federal demonstram que o governador José Serra e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderão ser bons eleitores. O governo Serra é ótimo ou bom para 41% do eleitorado, regular para 37% e ruim ou péssimo para 18%. Já a avaliação do governo Lula é bem superior: 48% de ótimo/bom, 28% de regular e 22% de ruim/péssimo.
Add comment Julho 20, 2008
Bilhete único (EDITORIAL)
19 de julho – Estadão
O prefeito Gilberto Kassab, candidato à reeleição, ampliou o tempo de validade do bilhete único, cartão magnético que atualmente permite a realização de quatro viagens no sistema de transporte público da capital, no prazo de duas horas, ao custo único de R$ 2,30. A partir do dia 28, os passageiros terão uma hora a mais para viajar pagando a tarifa única. A decisão elevará em R$ 80 milhões os subsídios mensais da Prefeitura de São Paulo para cobrir as gratuidades do bilhete único. Hoje, esses custos já ultrapassam os R$ 300 milhões.
Ao anunciar a medida, Gilberto Kassab explicou que a elevação do subsídio será compensada pelas economias decorrentes da melhor gestão do sistema de transporte. Segundo ele, a administração municipal se dedicou a combater as fraudes realizadas com o bilhete único, o que proporcionou economia de R$ 120 milhões nos últimos anos. Houve também redução de R$ 100 milhões no custo do sistema, em decorrência do reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Ao controlar com rigor a construção de novos terminais, a Prefeitura também reduziu custos em pelo menos R$ 40 milhões.
Com isso, o prefeito pretendeu rebater as inevitáveis críticas por lançar a medida em período de campanha eleitoral. “Não podemos ser levianos de apresentar despesas sem a contrapartida de receitas.” De fato, o que os paulistanos esperam, com relação ao transporte público, não é um debate eleitoral, mas medidas que melhorem um serviço vital para a população.
É bastante ponderável, por exemplo, o argumento de que, antes de ampliar o prazo de validade do bilhete, o que aumentará consideravelmente a demanda no sistema, a Prefeitura deveria investir na construção de corredores e na compra de equipamentos que assegurassem maior eficiência do serviço, com conforto e segurança para os passageiros. Ao estimular o maior uso do sistema nas condições atuais, a administração municipal condenará os passageiros a viajar como “sardinhas em lata”, a enfrentar longa espera nos pontos e a perder horas em congestionamentos.
Em 2007, mais de 2,7 bilhões de viagens foram realizadas em aproximadamente 15 mil ônibus, microônibus e vans de São Paulo. Esses altos números contrastam com os baixos índices de qualidade dos serviços. Tradicionalmente, os ônibus municipais apresentam a pior avaliação dos usuários entre os três modais (trens metropolitanos, ônibus e metrô), em pesquisa anual feita pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). No ano passado, apenas 42% aprovaram os serviços prestados.
Os investimentos no setor nunca obedecem a um planejamento lógico. Geralmente são tímidos em relação às necessidades da capital paulista e desconexos.
Na administração Marta Suplicy, foi elaborado um projeto de reforma que previa a distribuição racional da frota, vias exclusivas para a circulação dos veículos de transporte público, renovação da frota e tecnologia de ponta para o controle dos itinerários, velocidade e horários dos ônibus.
Mas a meta de instalar 325 quilômetros de corredores de ônibus exclusivos até 2008 não foi cumprida. Marta Suplicy deixou a Prefeitura, a administração Serra/Kassab não deu continuidade ao projeto e abandonou os corredores já construídos. Hoje, a cidade conta pouco mais de 100 quilômetros de vias segregadas para os ônibus, a frota não foi totalmente renovada e a tecnologia GPS para controle dos veículos funciona precariamente. Nos últimos dez anos, a quantidade de veículos particulares aumentou 25% na cidade e a malha viária cresceu menos de 6%. Para que o transporte público substitua o carro particular – condição para que o nó do trânsito seja desfeito – a Prefeitura teria, primeiro, de ampliar a estrutura do sistema de ônibus e aperfeiçoar o seu controle operacional. Somente depois disso as autoridades deveriam estimular o uso do transporte público. Invertendo essa ordem, aumentará o número de descontentes com o transporte público que, se puderem, irão usar o carro particular.
A ampliação do prazo de validade do bilhete único vem em hora errada.
Add comment Julho 20, 2008
Bilhete único de 3 horas não é eleitoreiro, sustenta Kassab
18 de julho – Estadão
Medida anunciada ontem pelo prefeito custará R$ 80 milhões por ano ao Tesouro

A 80 dias do primeiro turno das eleições municipais, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou ontem o aumento de duas para três horas o tempo de validade do bilhete único na cidade. A medida vai beneficiar cerca de 800 mil pessoas, especialmente os moradores das regiões mais afastadas, que usam diariamente o transporte público – ônibus, trem e metrô.
A mudança custará aos cofres municipais R$ 80 milhões por ano e entrará em vigor no dia 28. A ampliação da validade era uma reivindicação antiga dos moradores dos bairros mais distantes do centro, onde Kassab busca ampliar sua votação num eleitorado majoritariamente petista.
Criação da ex-prefeita Marta Suplicy, candidata do PT à prefeitura, hoje o bilhete único permite ao passageiro fazer até quatro viagens – com direito a integração com trem e metrô – no prazo de duas horas pagando somente uma tarifa. Com a grande distância entre a periferia e o centro e o aumento dos congestionamentos, o benefício acabou perdendo alcance.
Candidato à reeleição, Kassab negou que a medida tivesse caráter eleitoreiro. Disse que o prazo foi estendido graças ao resultado de “boa gestão”. “É evidente que não tem vinculação eleitoral. Tem vinculação com o êxito das nossas medidas administrativas que possibilitam apresentar ao usuário do sistema público de transporte, em especial aquele que mora na periferia, a oportunidade de fazer a sua viagem com uma única passagem”, justificou o candidato, após debate à tarde promovido pelo portal IG.
Segundo Kassab, a renúncia de receita decorrente da medida não irá comprometer o orçamento nem resultará em futuros reajustes na tarifa dos ônibus municipais – hoje em R$2,30. A mudança, ele disse, é “fruto da austeridade” da administração municipal em relação ao uso do dinheiro público.
Em março, o governo municipal anunciou medidas contra fraudes no uso do bilhete único. Em três meses, segundo Kassab, impediu desvios de R$ 10 milhões por mês. A previsão é de que R$ 120 milhões entrem nos cofres públicos em um ano.
Outros R$ 100 milhões foram obtidos com a renegociação de contratos com as empresas de ônibus. E outros R$ 40 milhões com a renegociação com as empresas que administram os terminais de ônibus. “Estamos tendo uma receita positiva de R$ 260 milhões”, disse Kassab. Segundo o prefeito, essas medidas foram concluídas há cerca de um mês. Por isso, o benefício do bilhete único só foi anunciado agora, explicou Kassab, negando o tom populista. “Nossa prioridade é sempre melhorar a vida das pessoas.”
Além dos R$ 80 milhões com o bilhete único, esse superávit custeia outro benefício, o Bilhete Amigão. Ao custo anual de R$ 24 milhões, ele permite ao usuário fazer quatro viagens num período de oito horas aos domingos e feriados.
O anúncio foi feito durante vistoria a obras no Terminal Varginha, na Capela do Socorro, um dos bairros mais pobres da zona sul da cidade e onde a candidata do PT, Marta Suplicy, lidera nas urnas.
O evento, explicou o próprio Kassab, era um ato do prefeito, não do candidato. Ele usou essa justificativa para se negar a responder se o aumento do benefício teria como objetivo melhorar seu desempenho nas pesquisas. “São questões diferentes”, disse. “Peço, quando estivermos falando de prefeitura, não falar de campanha.”
Pouco antes, entretanto, Kassab lançou farpas contra Marta. Ao comentar a situação financeira da prefeitura herdada da petista, ele voltou a ressaltar o total de R$ 4 bilhões que a prefeitura tem em caixa. “A ex-prefeita já avisou que vai quebrar a prefeitura. Ela acha que tem de gastar tudo (R$ 4 bilhões), esquece que tem de pagar contas, tem a rotina da prefeitura.” Marta costuma dizer que a prefeitura tem guardado dinheiro público no banco em vez de investir em melhorias para os mais pobres.
Add comment Julho 18, 2008
Marta e Alckmin evitam criticar atitude do rival
18 de julho – Estadão
Petista e tucano miram periferia, maior beneficiada pela vigência ampliada do bilhete único
De olho no voto do eleitorado menos abastado, os dois principais candidatos à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e Marta Suplicy (PT), tiveram a mesma reação diante da medida do adversário, prefeito Gilberto Kassab (DEM), de ampliar o tempo de gratuidade do bilhete único. Ambos evitaram criticar a medida anunciada período eleitoral.
“Acho que o prefeito tem o direito de tomar as medidas que considera importantes. Aquilo que beneficiar a população tem todo o meu apoio”, disse Alckmin. Marta também apoiou a mudança, apesar de considerar o anúncio eleitoreiro. “Não faz mal que seja eleitoreiro, porque quem tinha que pagar dois bilhetes agora vai pagar um só”, afirmou a petista, que teve o bilhete único como bandeira de sua campanha à reeleição em 2004.
Alckmin pisou em ovos quando perguntado se a medida teria vinculação com as urnas e a queda do prefeito nas pesquisas. “A minha conversa é direto com a população. Não vamos nos preocupar com críticas”, desconversou.
A população das regiões mais afastadas da cidade será a maior beneficiada pela mudança. É nesse segmento do eleitorado que Marta tem maior força e que Alckmin busca votos para reduzir a distância da petista no primeiro turno.
Com ironia, Marta acrescentou que “apreciaria” se Kassab voltasse atrás em mudanças feitas por ele, como o limite de quatro viagens por tarifa ou a proibição de recarga na catraca. “Ele foi perverso com o povo.” Logo depois, em entrevista, ela completou: “Não precisava ter chegado tão perto da eleição e do mau desempenho para incrementar o bilhete único”. Há menos de uma semana, Marta havia anunciado a intenção de estender em meia hora o tempo de uso do bilhete.
FRASE
Marta Suplicy
Candidata do PT
“Não faz mal que seja eleitoreiro, porque quem tinha que pagar dois bilhetes agora vai pagar um só”
Add comment Julho 18, 2008
Bilhete único passa a durar 3h
17 de julho – Estadão
Kassab deve anunciar a medida hoje, a 80 dias das eleições
A 80 dias das eleições municipais, a Prefeitura de São Paulo decidiu ampliar o tempo de validação do bilhete único para três horas. Hoje, o passageiro pode fazer até quatro viagens de ônibus, pagando apenas uma, num período de duas horas. A medida deve ser anunciada hoje pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição.
Em março, a Prefeitura já havia ampliado o tempo de validação para oito horas nos domingos e feriados. Uma semana depois, o governo tornou mais rígidas as regras para a recarga. Com o pagamento da passagem em dinheiro, o passageiro consegue validar o cartão por até duas vezes, desde que seja cadastrado e a última recarga tenha sido de R$ 9,20 ou mais. A medida é para combater fraudes.
Para o superintendente da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Marcos Bicalho, essa decisão pode causar até um aumento futuro da tarifa. “Parte dos usuários, que hoje paga duas passagens, vai pagar apenas uma.” A diferença seria coberta com aumento do subsídio ou reajuste. Ele ressalta que Kassab terá de apresentar um estudo de impacto financeiro. Só em maio foram realizadas 73,6 milhões de integrações gratuitas no sistema público.
Para Bicalho, a mudança não seria uma prioridade da área. Segundo o superintendente, o ideal seria investir em corredores de ônibus, melhor distribuição de linhas e integração com a rede metropolitana. Procurados, Metrô e CPTM (que compartilham o uso do cartão) informaram desconhecer a decisão da Prefeitura.
ELEIÇÕES
O especialista em Direito Eleitoral Everson Tobaruela considera a atitude de Kassab essencialmente eleitoreira por provocar um desequilíbrio entre os candidatos. A decisão, segundo ele, deveria ser vista com atenção pela Justiça Eleitoral. “É vedada a conduta de utilizar qualquer prática do serviço público para se favorecer.”
“É um ato de desespero. Por que não foi feito há seis meses?”, indaga Tobaruela. Em maio d2004, o então pré-candidato à Prefeitura José Serra acusou Marta Suplicy (PT) de realizar obras de última hora com objetivos eleitorais, incluindo a adoção do bilhete único.
Add comment Julho 17, 2008
ATAQUES
15 de julho – Estadão
Numa caminhada no centro para abrir oficialmente campanha, a petista Marta Suplicy (PT) deixou de lado o discurso ameno e retomou ataques ao DEM e ao PSDB. “A gente vê que os tucanos e demos não sabem usar o dinheiro”, disse, em referência ao montante que a prefeitura mantém aplicado em renda fixa, número que ultrapassou R$ 4 bilhões no início deste ano.
“Dinheiro de prefeitura é para gastar com o povo. Não é para gastar no banco, não é para render juros no banco.” Em nota, a prefeitura afirmou que Marta “deveria ter vergonha de falar em finanças públicas”. “Ela faliu a cidade e deixou apenas R$ 18 mil no banco no fim do governo, com uma dívida vencida, só em restos a pagar, de R$ 750 milhões.”
Add comment Julho 16, 2008
Juntos, Marta, Alckmin e Kassab buscam votos de religiosos
14 de julho – Estadão
Presença dos candidatos em cultos evangélicos e missas católicas tem sido cada vez mais freqüente na campanha

A busca do voto de eleitores religiosos tem sido uma constante preocupação dos candidatos à Prefeitura de São Paulo. Embora neguem objetivos eleitoreiros, a presença deles em cultos evangélicos e missas católicas tem sido cada vez mais freqüente. Ontem, a agenda de Geraldo Alckmin (PSDB) incluía três eventos religiosos. O prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), tem participado diariamente de cerimônias evangélicas.
Essa preocupação com o voto religioso acabou provocando ontem um inesperado encontro entre os três candidatos mais bem situados nas pesquisas eleitorais – Marta Suplicy (PT), Alckmin e Kassab. O encontro, o primeiro desde a largada oficial da campanha, no dia 6, ocorreu durante uma missa em Ermelino Matarazzo, bairro da zona leste da cidade.
Foi uma celebração em homenagem aos 30 anos de ordenação do padre Ticão – importante liderança religiosa e social na zona leste. Os candidatos dividiram o altar com o padre e outros convidados e se cumprimentaram durante momento litúrgico do Abraço da Paz, que antecede a eucaristia.
Alckmin, o primeiro a chegar, foi acomodado numa cadeira ao lado esquerdo do altar. Marta apareceu logo em seguida e ficou do lado direito. Estava acompanhada pelo ex-marido e senador, Eduardo Suplicy (PT-SP). Kassab, que chegou atrasado, ganhou uma cadeira próxima à da ex-prefeita.
Durante a homilia, o religioso cobrou dos três candidatos um governo voltado para o povo mais carente da cidade. Em seguida, ofereceu o microfone a cada um deles. O tucano foi o mais aplaudido.
Marta e Alckmin elogiaram a vida e o trabalho do padre. Antes de passar o microfone para Kassab, padre Ticão aproveitou para convidar os três para um debate com a comunidade local, no dia 18 de agosto.
O prefeito Kassab aproveitou e cobrou publicamente a presença dos outros dois concorrentes nos debates. Disse que aceitava de imediato o convite para o debate em Ermelino Matarazzo e pediu à petista e ao tucano que voltassem a refletir sobre sua recusa de participar do debate que estava previsto para amanhã na sede do jornal O Estado de S. Paulo.
“São Paulo tem quase 12 milhões de habitantes e pouco mais de 8 milhões de eleitores e eles merecem que os candidatos participem dos debates para que possam ter a oportunidade de avaliá-los sob a ótica do debate”, afirmou Kassab.
Mais tarde, em entrevista coletiva, Marta e Alckmin alegaram problemas de excesso de compromissos para não comparecerem ao debate do jornal.
O candidato do PSDB, que no fim da tarde visitou o 25º Bazar Beneficente da Associação Pró-Excepcionais Komodo-No-So, em Itaquera, zona leste, disse que pretende comparecer ao debate proposto pelo padre Ticão: “Não sei o que tem na minha agenda dia 18, mas quando puder eu irei aos debates.”
Alckmin ainda participou da inauguração do Centro de Evangelização Padre Léo Ferreira, da Canção Nova, organização ligada à Renovação Carismática. Na ocasião encontrou-se com o cardeal d. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.
Kassab também visitou o bazar da comunidade japonesa. Ao passar por uma barraca de hortaliças, pegou um pacote de chuchu e mostrou aos acompanhantes. “Está em baixa”, disse, ironizando Alckmin, que durante a campanha presidencial de 2006 foi apelidado de “picolé de chuchu”.
CAMINHADA
Após participar da missa do padre Ticão, a candidata Marta Suplicy foi fazer campanha corpo-a-corpo na feira dominical da Vila Mara, em São Miguel Paulista, também na zona leste. Caminhou por uma hora e 40 minutos entre compradores e comerciantes. Ouviu pedidos, posou para fotografias, distribuiu autógrafos e até comprou carambolas.
Recebeu elogios por políticas que desenvolveu na época em que foi prefeita, mas também escutou críticas. “Não voto nela porque no tempo dela tinha muita taxa. Taxa do lixo, taxa disso, taxa daquilo…”, disse um dos eleitores cumprimentados pela ex-prefeita. “Vou votar nela por causa do bilhete único”, prometeu uma senhora.
No pronunciamento que fez no início da caminhada, Marta acusou a atual administração de ter esquecido a periferia: “Em quatro anos dessa administração não houve um olhar para a periferia da cidade.”
Ontem a assessoria de imprensa de Kassab qualificou de “infundadas” as críticas feitas por Marta à situação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Em pronunciamento feito no sábado, ela disse que a instituição está sendo sucateada.
FRASES
Gilberto Kassab
Candidato do DEM
“São Paulo tem quase 12 milhões de habitantes e pouco mais de 8 milhões de eleitores, e eles merecem que os candidatos participem
dos debates para que possam ter a oportunidade de avaliá-los sob a ótica do debate”
Geraldo Alckmin
Candidato do PSDB
“Não sei o que tem marcado na minha agenda dia 18, mas quando eu puder eu irei aos debates”
Marta Suplicy
Candidata do PT
“O PT é o partido que governa para quem tem menos nessa cidade e o povo reconhece isso”
Add comment Julho 15, 2008
Marta vai incentivar pequeno negócio
11 de julho – Estadão
A ex-ministra Marta Suplicy (PT) deu início aos preparativos para lançar um plano de incentivo ao empreendedorismo. A proposta, que prevê principalmente o estímulo à abertura de pequenos negócios e à criação de cooperativas, será uma das armas para brigar pelos votos da classe média, perdidos em 2004. Ainda em fase de estudos, o plano poderá incluir isenções fiscais, além de outros mecanismos de incentivo, como medidas de desburocratização.
A proposta será incluída no programa de governo de Marta, sob coordenação de Jorge Wilheim, que deve ficar pronto no início de agosto. “Vamos abranger toda a cidade. Mas estamos preocupados com essas regiões em especial, pela necessidade de geração de emprego e renda que há nessas áreas”, afirmou Wilheim. A zona norte, segundo aliados de Marta, é uma das áreas onde a petista tem apoio mais escasso. Já a zona leste é prioritária, por ter um grande eleitorado.
Segundo o coordenador da campanha de Marta, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), o plano pretende firmar na classe média pessoas que deixaram as classes C e D. “Essa nova classe média precisa de uma ajuda.”
Ontem, Marta empenhou-se em uma agenda temática sobre habitação. Prometeu cortar pela metade o déficit habitacional da cidade, com a construção de moradias populares no centro. “Se investirmos em habitação no centro, conseguiremos suprir metade do déficit habitacional na cidade, com 400 mil moradias.” A petista também defendeu a permanência da população de favelas no mesmo local, na hora de desenvolver um projeto de moradia popular.
Marta manteve a estratégia de não atacar adversários. Em plenária com movimentos por moradia, chegou a amenizar o tom dos participantes, que diziam que a atual administração tenta “se apropriar” de propostas do PT: “Espero que não só se apropriem como façam. Adianta o serviço.” Mas, diante de uma pessoa que se queixou da restrição à circulação de caminhões, alfinetou: “É nisso que dá fazer coisa improvisada”.
Add comment Julho 11, 2008
Erundina rouba a cena em seminário de petista
9 de julho – Estadão
A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) roubou a cena ontem no seminário promovido pela ex-ministra Marta Suplicy (PT), para expor suas propostas para a área de habitação. A socialista, que já integrou os quadros do PT, desviou do tema para exaltar seu apoio à candidatura de Marta.
Dizendo-se emocionada, Erundina afirmou que desde o início foi favorável a uma coligação com o PT e citou o fato de ter sido preterida na escolha do vice na chapa petista. “Não é que eu precisava ou queria ser vice-prefeita. Eu queria ter um governo de esquerda”, disse, arrancando aplausos da platéia.
Erundina era classificada por petistas como a “vice dos sonhos” de Marta e chegou ser convidada para o posto. A resistência ao seu nome veio de seu próprio partido e a vaga acabou com o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP).
Marta não poupou elogios à ex-colega de partido. “Vinte anos atrás o nosso povo de São Paulo elegeu uma mulher nordestina e do PT prefeita da maior cidade do País”, disse a petista. “Ela é o símbolo da luta dos mais pobres por uma vida digna.”
Marta evitou críticas diretas aos adversários. Erundina, por outro lado, atacou o hoje governador José Serra (PSDB), que derrotou a petista em 2004. O tucano, segundo ela, impediu a criação de conselhos de representação nas subprefeituras. “Quem não é democrático tem medo da democracia”, disse.
Add comment Julho 9, 2008