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Entrevista – ALEXANDRE DE MORAES
7 de julho – Folha de S.Paulo
Estacionamento na rua é o próximo alvo de Kassab
Secretário municipal dos Transportes de São Paulo diz que é positivo o balanço da 1ª semana de restrição à circulação de caminhões na área central da cidade
DEPOIS da restrição aos caminhões, a gestão Gilberto Kassab (DEM) se prepara para alardear um novo pacote de intervenções no trânsito de São Paulo -com destaque para mais proibições de estacionamento em vias públicas. Medida semelhante havia sido anunciada em 17 pontos em março. Desta vez a promessa é que não seja só “uma rua aqui ou ali”, segundo Alexandre de Moraes, 39, secretário dos Transportes e presidente da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).
ALENCAR IZIDORO
DA REPORTAGEM LOCAL
O objetivo das novas medidas da prefeitura é aumentar a fluidez dos veículos -às vésperas de uma eleição em que a piora do trânsito tem sido uma munição dos adversários de Kassab.
“Eu não diria que é um ponto fraco da gestão. Eu diria que, até pelo aumento do número de carros, é algo que estava submerso e emergiu”, disse Alexandre de Moraes, em entrevista à Folha na sexta-feira.
Ele afirma que a restrição aos caminhões iniciada na semana passada é “só um fôlego”, e não a “solução da lavoura”. O secretário atribui as mudanças na política de restrição às cargas neste ano a uma “correção de rumos” e culpa problemas jurídicos pela demora em resolver problemas básicos -como a falta de guinchos e de semáforos inteligentes:
FOLHA – O pacote de intervenções no trânsito está consolidado ou há algum novo plano?
ALEXANDRE DE MORAES – Estamos preparando um pacote com 40 medidas. Dentro delas, dois grupos importantes: primeiro uma alteração na questão de estacionamento. Estamos há um mês e meio analisando pontos de estacionamento que vão deixar de ser estacionamento, pontos de zona azul que vão deixar de ser zona azul, para garantir maior fluidez. Vamos fazer em blocos na cidade. Não adianta fazer uma rua aqui ou ali. Vamos pegar um setor que tem um gargalo muito grande e montar um pacote de restrição de estacionamento. No final de julho já devemos fazer.
Outra questão que vai ser um diferencial será a volta às aulas. Neste ano vai ser mais forte, na fiscalização e na orientação. As duas primeiras semanas de volta às aulas são sempre ruins.
FOLHA – Qual é o balanço da prefeitura da primeira semana de restrição aos caminhões?
MORAES – Absolutamente positivo. Poucas vezes a parte técnica coincide tanto com a opinião popular. Segundo, pela adesão. Tirando um setor específico de caçambeiros, de terraplenagem, não houve grandes manifestações. Os setores se adequaram. O terceiro ponto é pelos índices [de congestionamento]. Tirando a terça-feira, com aqueles 20 acidentes, estão muito melhores do que em julho passado. Mas temos ciência de que não é uma medida que vai solucionar todos os problemas do trânsito. Ela não é a salvadora da pátria. Mas foi uma medida que deu certo, dá para ganhar um fôlego até acabar o Rodoanel.
FOLHA – A gente está em um mês atípico por conta das férias. Não é muito cedo para comemorar?
MORAES – Eu não diria que é cedo para fazer a comparação. O trânsito cada dia é uma realidade. Mas é um indicador importante. Se não tivesse dado certo na primeira semana, não iriam dizer que era cedo para dizer que a medida foi ruim. Se tivesse dado errado, a medida já estava massacrada. Esse tempo técnico não pode sofrer a corrosão política.
FOLHA – Demorou três anos e meio para que a prefeitura tomasse alguma medida de maior impacto no trânsito. Por que ela saiu só agora, perto do período eleitoral?
MORAES – As medidas são tomadas conforme a necessidade com que se apresentam. Assim que eu assumi [há 11 meses] recebi orientação do prefeito para tomar medidas em pontos de gargalo porque a entrada de novos veículos iria dar uma piora. Quando, em março, soltamos as 19 obras, foi a mesma acusação. Mas estávamos planejando isso lá atrás. Antes já tínhamos aumentado a área de restrição, de 12,5 km2 para 25 km2.
FOLHA – Mas em 2007 a prefeitura flexibilizou a circulação de caminhões. Primeiro, liberando VUCs (veículos urbanos de carga) com 6,3 m (antes era de 5,5 m). Segundo, liberando os caminhões de pagar a zona azul pela manhã. Foi um erro?
MORAES – O trânsito é variável. Tentou-se essa medida. Houve uma necessidade de correção de rumos, que foi feita agora. Se lá pra frente a gente precisar melhorar os rumos, eles vão ser corrigidos. O trânsito é dinâmico. As medidas também.
FOLHA – Que correção de rumos pode haver no futuro com a restrição aos caminhões?
MORAES – Não é em relação às exceções, mas uma adequação para maior restrição. Se houver necessidade de maior restrição para a frente, seja em carga e descarga, seja em outras questões, vamos analisar. Não há nada a priori que seja imutável.
FOLHA – Qual é a avaliação do sr. sobre os efeitos colaterais da medida, como o aumento do barulho noturno e do preço do frete?
MORAES – Nesta primeira semana não se verificou isso. Nas exceções, abrimos janelas para aqueles que fazem muito barulho. Betoneira pode [rodar de dia]. Se houver aumento do barulho, a gente analisa. Não tem a mínima credibilidade a afirmação de que vai aumentar o valor de frete. Melhorando a logística, não tem a mínima possibilidade de aumento do valor. Percebemos que 80% dos caminhões carregam 20%, 30% da carga. É falta de logística. O que as pessoas não podem confundir é [a alta dos preços por conta de] um aumento do diesel, pela segunda vez em 45 dias, 50 dias. Mas é uma questão do governo federal.
FOLHA – Especialistas dizem que a área retirada dos caminhões deve ser ocupada pelos carros num curto espaço de tempo. O sr. concorda?
MORAES – Calcula-se que haja uma demanda reprimida em torno de 20% de veículos. Mas não se sabe exatamente como essa demanda reprimida se comporta e em que tempo ela deixa de ser reprimida. Mesmo que todo espaço viário seja ocupado por veículos menores, a fluidez fica melhor. O caminhão é um obstáculo móvel. Ele vai devagarinho. Não atrapalha só a fila dele. É uma onda de pressão. Mesmo que seja substituído por um veículo mais ágil, os impactos não são iguais. O benefício vai existir.
FOLHA – A prefeitura vinha dizendo que a partir de novembro haveria a restrição total dos VUCs. Depois houve um recuo [ao permitir das 10h às 16h, em rodízio de placas]…
MORAES – Não concordo [com a palavra recuo]. Nós antecipamos a análise que seria feita em novembro. No começo não vai haver a necessidade de proibir até porque pode cobrar mais das empresas para se adequarem. Não tem a desculpa de que não vai investir em logística de VUC porque depois vai ter que mudar. Acreditamos que a medida vá atingir um patamar satisfatório. Se, eventualmente, não atingir, nada impede que se volte, que se faça alterações.
FOLHA – A possibilidade de voltar atrás não provoca insegurança para as empresas investirem em VUC?
MORAES – Sim, mas muito menos do que dizer: em novembro vai acabar.
FOLHA – De quem foi a idéia de fazer a restrição aos caminhões?
MORAES – Não tem um pai da idéia. Eu solicitei [para os técnicos] várias possibilidades. Surgiu a idéia de dois dias de rodízio, rodízio nas marginais, aumentar a restrição. A decisão final, antes de levar ao prefeito, é do secretário.
FOLHA – Qual foi o maior acerto do Kassab no trânsito?
MORAES – Investir R$ 1 bilhão no metrô, não só pelo dinheiro, mas por mudar a mentalidade.
FOLHA – E o maior erro?
MORAES – Deixo para os adversários indicarem.
FOLHA – O serviço de guinchos, interrompido no fim da gestão Marta Suplicy (PT), até hoje não foi retomado. E há pouco não havia nem 15% dos semáforos inteligentes funcionando. Por que demorar tanto para resolver problemas básicos?
MORAES – Nesses dois exemplos, tivemos problemas jurídicos em relação às licitações. Mas conseguimos afastar os problemas. Nos próximos 15 a 20 dias chegam os 48 guinchos. Vamos conseguir guinchar 5.000 carros por mês. O planejamento foi feito junto com esse pacote de estacionamento. Não adianta restringir a área de estacionamento se não tem fiscalização e guincho para retirar quem estaciona irregularmente. A licitação dos semáforos inteligentes também foi resolvida, até o final do ano deve ter solucionado isso.
FOLHA – A cidade de São Paulo vai ter um pedágio urbano a curto, médio ou longo prazo?
MORAES – Em curto ou médio prazo não acredito. Primeiro porque ele é socialmente injusto. Se a idéia é tirar carro do centro, tem que cobrar caro. Você vê Londres. Quem teria condições de pagar R$ 30 ou R$ 40 por dia para entrar no centro? Só uma classe economicamente privilegiada. Primeiro tem que construir mais metrô. E, no momento em que se construir mais metrô, as pessoas vão optar pelo metrô.
FOLHA – O sr. já conversou com Kassab sobre isso?
MORAES – O prefeito é contra o pedágio urbano por esses mesmos motivos.
FOLHA – E a ampliação do rodízio?
MORAES – Não há estudos.
FOLHA – Entre as duas opções, Kassab seria mais favorável a qual?
MORAES – O pedágio urbano é absolutamente descartado. O aumento do rodízio pode ser analisado se houver necessidade. Mas hoje não é analisado.
FOLHA – Qual é a opinião do sr. sobre a lei seca?
MORAES – Sou contra o nome. Em relação à lei, sou a favor. Quem bebe sempre acha que dirige melhor. É comprovado que não dirige, que os reflexos estão comprometidos.
FOLHA – E o nível de tolerância? O sr. nunca dirigiu após beber um copo de chope ou uma taça de vinho?
MORAES – Isso eu não vou responder.
FOLHA – O sr. avalia que com um copo de chope…
MORAES – Não sou médico para fazer essa análise. Uma lei que não tenha um grande respaldo social começa a ser corroída. É importante sentar os setores médico e jurídico para ver se há razoabilidade. A lei é ótima. O nível tem que ser razoável. E quem pode dizer é a medicina.
Uma coisa eu vou falar com tranqüilidade: a lei é inconstitucional. Ela não pode obrigar as pessoas a passar pelo bafômetro e receber uma multa quando se recusar. Ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo. Nessa parte a lei exagerou e, não tenho dúvida nenhuma, tenho absoluta certeza de que o Judiciário vai derrubar.
FOLHA – Alguns bares começaram a oferecer serviço de transporte aos clientes. O sr. diz que não pode. Por quê? Qual é a alternativa?
MORAES – Se ele quiser oferecer como uma cortesia um serviço de transporte para casa, como uma carona, uma van, não há nenhum problema. O que os bares não podem é fazer serviço remunerado de transporte. Daí é um transporte irregular. Daí a secretaria vai coibir. Os bares e restaurantes não podem substituir os táxis.
FOLHA – E desconto para táxi?
MORAES – O táxi não pode dar desconto porque é um preço fixado pelo poder público. Mas estamos em análise. Por que deveria ser dado desconto para táxi de quem foi para um bar e bebeu e não para quem vai a um hospital? Precisa ser bem analisado para evitar distorções. A secretaria está fazendo um estudo nas regiões onde há mais blitze, Vila Olímpia, Vila Madalena, Itaim, para colocar linhas circulares de ônibus [noturnos]. A nossa idéia é fazer uma linha circular que passe pelas estações de metrô.
FOLHA – No curto prazo?
MORAES – Na semana que vem eu já vou ter os estudos. Com os estudos, vamos colocar alguns ônibus. Se aumentar a demanda, a gente aumenta. Se não tiver demanda, a gente retira. Mas vamos oferecer no mais tardar na semana seguinte, ainda neste mês.
FOLHA – O trânsito é visto pelos adversários do prefeito como um ponto fraco da gestão Kassab.
MORAES – Eu não diria que é um ponto fraco da gestão. Eu diria que, até pelo aumento do número de carros, é algo que estava submerso e emergiu. Houve a emersão de um problema que vem se acumulando há 30 anos.
Add comment Julho 9, 2008
ENTREVISTA – SÉRGIO GUERRA
24 de junho – Estadão
”Unir o partido é tarefa do candidato”
Para ele, direção nacional cumpriu seu papel e evitou o racha em São Paulo, e agora cabe à campanha administrar resistências
O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), lança um raciocínio utilitário para apostar na capacidade de Geraldo Alckmin atrair os dissidentes do partido na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Segundo o senador, os vereadores, que se perfilaram em favor do prefeito Gilberto Kassab (DEM), vão depender do sucesso eleitoral do ex-governador para se eleger em outubro. Em uma eleição municipal competitiva, o voto na legenda – no número do partido, cujo maior responsável é o candidato a prefeito – soma-se aos votos nominais.
“Será bom para todo mundo”, diz Guerra, que há quatro meses previu o racha. “Não trabalhei com a hipótese de disputa, porque seria a marcha da insensatez, em que todos perderiam. Não haveria vencedor”, afirma o senador, em entrevista ao Estado.
Dez vereadores não foram à convenção que confirmou a indicação de Alckmin… Não é um sinal de que o PSDB, com dissidências tão prematuras, vai morrer na praia nesta campanha?
Tudo tem o seu tempo. A primeira decisão era de o partido ter ou não ter candidato. Essa etapa foi vencida e hoje temos candidato. Um bom candidato para vencer a eleição.
Mas essas resistências internas não podem acabar por isolar o candidato Alckmin, deixando-o só na campanha?
A direção nacional cumpriu seu papel. O Diretório Municipal é que cuida da organização da campanha municipal. Unir o partido é tarefa da Executiva Municipal e do candidato. Agora, esta é também uma eleição proporcional que depende, em certa medida, do desempenho do candidato a prefeito. O 45 (que identifica os tucanos) é importante em razão do peso do voto de legenda para a eleição de vereadores. O bom desempenho do candidato Geraldo Alckmin fixa o número 45 e é fundamental para todo mundo.
Mas o confronto nas fileiras do PSDB se radicalizou tanto na semana passada, que nenhum dos lados acreditava mais em composição.
Havia uma obviedade no cenário: a manutenção do confronto não servia a ninguém. Exportaria para o plano nacional dificuldades muito graves que existiam em São Paulo e não produziria solução.
Mas houve um momento em que o governador José Serra cogitou nem aparecer na convenção. Foi preciso convencê-lo do risco de Alckmin não ser eleito para que ele atuasse?
A disposição de Serra sempre foi de comparecer. Ele não compareceria, se a convenção consumasse a crise e a desordem. Esse não era uma questão de disputa, mas de desordem, inclusive com questionamentos legais que poderiam resultar na anulação da convenção.
Havia o entendimento de que a derrota de Alckmin na convenção seria o fim da candidatura Serra à Presidência, em 2010…
A derrota de Geraldo, evidentemente, nacionalizaria a questão, até porque resolução do partido prevê que a Executiva Nacional seja ouvida em caso de coligação e, do ponto de vista nacional, é claro que a opção seria por um candidato do partido. Isto fraturaria o PSDB local, que é a base mais importante do partido, e a divisão teria péssima repercussão a nível nacional.
Quem é: Sérgio Guerra
Antes de ser senador, foi deputado estadual em Pernambuco e deputado
federal por três mandatos
Formou-se em Economia na UFPE e em Economia Internacional em Harvard
Add comment Junho 24, 2008
ENTREVISTA – SONINHA FRANCINE
23 de junho – Folha de S.Paulo
“Sei admitir o que cada adversário fez de positivo”
Candidata do PPS apresenta, entre as propostas, reconfiguração do território da cidade
Alex Almeida/Folha Imagem![]() |
A candidata do PPS e vereadora Soninha, em seu gabinete |
RANIER BRAGON
EM SÃO PAULO
“À espera de um milagre”, a vereadora Soninha Francine (PPS), 40, diz que sua candidatura à prefeitura paulistana era uma “ousadia tão possível como passar seis meses no Nepal em uma excursão fotográfica”.
Ex-apresentadora de TV, ex-petista e colunista esportiva, Soninha -2% das intenções de voto, segundo o Datafolha- apresenta um leque de propostas como acabar com a relação fisiológica entre Executivo e Câmara e repovoar o centro.
Crítica do PT, Soninha também tem elogios ao ex-partido, como tem elogios a Kassab (DEM) e a Erundina (PSB). 
FOLHA – Para ir ao segundo turno, a sra. tem que tirar votos dos outros. Por que o eleitor de uma ex-prefeita, de um ex-governador, do prefeito, votaria na sra.?
SONINHA FRANCINE - No mínimo, porque eu não tenho nenhum problema em admitir o que cada um deles fez de positivo. E de assumir o compromisso de continuar e, ao mesmo tempo, de fazer diferente aquilo de que a gente discorda. Sem esse vício fundamental da política que é dizer: “Nós temos todas as soluções, e os outros não têm e nunca tiveram”. É desonesto.
FOLHA – O que houve de bom?
SONINHA - Gostei muito da gestão da Erundina. Ela teve dificuldade extra com a Câmara. Não teve maioria nem rolo compressor, como outros…
FOLHA – Como a Marta?
SONINHA - Marta sim, sem dúvida, uma maioria absolutamente fiel e quase acrítica. A Erundina teve toda a dificuldade do mundo e, ainda assim, aonde você vai na cidade tem alguma coisa que evoluiu até a Erundina, e da Erundina para cá nunca mais evoluiu na mesma velocidade. Se eu pensar bastante posso lembrar de alguma coisa boa na gestão do Maluf. Da gestão do Kassab, tem o óbvio, a Cidade Limpa.
FOLHA – E a gestão Marta?
SONINHA - Mas eu só falei da Cidade Limpa, tem mais coisas. A reestruturação de quadros de servidores, muita obra na área de educação. Em educação, o cara teve um bom trabalho. E tem o aumento da arrecadação, sem aumentar impostos. Tem a Secretaria do Meio Ambiente.
Na Marta, o transporte coletivo. Não foi a gestão da Marta que inventou o Bilhete Único, mas teve o grande mérito de implantá-lo. Alguns corredores foram muitos importantes. O Parque do Gato, acho um modelo superinteressante na área da habitação. Os telecentros, os CEUs, defendi para caramba.
FOLHA – E o que está errado?
SONINHA - A política, o relacionamento com a Câmara, o que acaba prejudicando a administração, quando você aceita negociar apoio a seus projetos em troca de indicação para cargos na administração sem avaliação de mérito e capacidade.
FOLHA – E sobre o trânsito?
SONINHA - Algumas das propostas são de senso comum, como melhorar o transporte. Mas tem uma que, se não for feita, todas as outras juntas não vão adiantar, que é mudar a configuração do território da cidade.
No centro, você tem toda a infra-estrutura urbana, e cada vez menos gente morando. E a periferia, que é onde você tem déficit de tudo, cresce 10% ao ano. Se não reconfigurar o território, não vai ter sistema de transporte que dê conta disso.
FOLHA – Por que ser candidata?
SONINHA - Disse ao PPS que adoraria ser candidata, mas que isso nunca iria acontecer porque o que você tem que fazer dentro de uma estrutura partidária eu não tenho saco para fazer. Eles discutiram com a Executiva Nacional, com o Roberto Freire, e ele achou ótimo.
FOLHA – Como a sra. responde às críticas do PT de que a sra. se alinhou ao governo Serra/Kassab?
SONINHA - De fato me indispus com a bancada do PT para defender projetos do governo que a própria bancada do PT avaliava como positivos. Mas depois encaminhavam contra.
FOLHA – E a versão de que sua candidatura foi estimulada pelo Serra?
SONINHA - Bobagem. Decidi ser candidata porque eu sempre quis e o PPS gostou da idéia. É bem típico da política achar que sempre tem conspiração.
FOLHA – Se perder, quem apoiará?
SONINHA - Não sei. Mas o PPS não apoiaria o PT.
FOLHA – Alckmin e Kassab. Há problema para apoiar um ou outro?
SONINHA - Problema dos dois lados e também motivos. Será um dilema para o partido.
FOLHA – E para a sra.?
SONINHA - (silêncio) Não sei se posso me declarar neutra.
FOLHA – A sra. já disse que o título do livro sobre sua vida poderia ser: “De Como Tudo que Eu Planejava Deu Errado… E Tudo Bem”. Tendo em vista as pesquisas, caminha para mais um capítulo?
SONINHA - Talvez. Estou disputando uma eleição felicíssima da vida. E, se ganhar, fica “De Como Quase Tudo que Eu Planejei Deu Errado”.
1 comment Junho 24, 2008
GERALDO ALCKMIN – ENTREVISTA
21 de junho – Folha de S.Paulo
Não há racha, só lasca; minha vitória favorece nome de Serra para 2010
À véspera da convenção que definirá se ele será candidato a prefeito de São Paulo, Alckmin diz que não vê uma cisão entre os líderes tucanos
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DA REPORTAGEM LOCAL
À VÉSPERA da convenção tucana que definirá seu futuro político, o pré-candidato Geraldo Alckmin, 55, fez um apelo ao grupo ligado ao governador José Serra, favorável a uma aliança com o prefeito Gilberto Kassab (DEM): “A vitória do PSDB em São Paulo fortalece o Serra porque quem vence são os tucanos paulistas”.
FOLHA – Como o sr. está enfrentando as resistências à sua candidatura dentro de seu próprio partido?
GERALDO ALCKMIN - Com absoluta serenidade. O que entusiasma é trabalhar pela população. Acho que nós vamos ter uma grande vitória do PSDB na convenção pela candidatura própria. Depois, muda a agenda, que será discutir os problemas de São Paulo.
FOLHA – O sr. sai fortalecido?
ALCKMIN - Sim, esse embate me fará melhor candidato. Eu não vejo problemas de haver disputa no partido.
FOLHA – O sr. acha que o governador José Serra deixou a desejar em termos partidários neste seu momento difícil?
ALCKMIN - Vou citar José Ortega y Gasset [filósofo espanhol, 1883-1955]: “Eu sou eu e a minha circunstância”. O governador José Serra, na própria Folha, já declarou que irá apoiar o candidato de seu partido, como eu sempre o apoiei, inclusive na última eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 2004, meu apoio foi decisivo em favor dele porque a diferença foi pequena.
FOLHA – Uma vitória do sr. seria uma vitória do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, em São Paulo?
ALCKMIN - Quem diz não está querendo me ajudar, né? Este ano é importante por si só. Nós estamos discutindo a cidade, 2010 é outra eleição, desvinculada. Eu vejo o contrário, a vitória do PSDB em São Paulo fortalece o Serra porque quem vence são os tucanos paulistas. Eu sempre apoiei o Serra, em todas as eleições, todas as eleições, e ele contará comigo.
FOLHA – Denúncias de pressão e constrangimento na busca de apoios na convenção [amanhã] mostram que há no PSDB práticas que ele condena em outras siglas?
ALCKMIN - Isso é lamentável. Grave. Mas tenho confiança na militância no partido. Não vejo um racha no PSDB, vejo uma lasquinha. A tese da candidatura própria é natural. Sempre tivemos candidatos a prefeito da capital de São Paulo. Aliás, o primeiro foi o Serra, em 1988. Quando não tínhamos chance nenhuma, lançamos nomes. Hoje é totalmente diferente.
FOLHA – Não seria mais interessante o sr. esperar para disputar novamente o governo em 2010?
ALCKMIN - Não, estou amadurecido para ser um bom prefeito com uma visão metropolitana.
FOLHA – Houve erro na condução de sua relação com Serra e com o prefeito Gilberto Kassab?
ALCKMIN - Eu entendo que no segundo turno vamos estar todos juntos.
FOLHA – Mas e se o segundo turno for entre o sr. e Kassab?
ALCKMIN - Acho pouco provável, mas, se isso acontecer, será o sinal de que o PT se enfraqueceu demais em São Paulo.
FOLHA – A atual secretária da Educação do Estado, Maria Helena Guimarães de Castro, que esteve inclusive no seu governo, mas em outra pasta, afirmou recentemente que houve um desperdício R$ 2 bilhões desperdiçados na área durante seu mandato [2001-2206]. Isso não mostra uma falta de sintonia entre o sr. e o atual governo?
ALCKMIN - Eu só posso interpretar que isso está fora de contexto. Isso foi investimento em professor, em educação. O que eu posso fazer? Eu lamento que ela tenha dito isso, até porque ela foi injusta. Eu trabalho pela população, eu deixo para trás essa parte menor da política.
FOLHA – Como o sr. tem se preparado para a campanha e para o desafio, em caso de vitória, de comandar uma cidade como São Paulo?
ALCKMIN - Fui candidato a prefeito da capital em 2000 e não cheguei ao segundo turno por 7.000 votos. Depois, fui governador, candidato a presidente, venci o presidente Lula em São Paulo, enfim, estou preparado. Tenho visitado outras cidades, fui à Alemanha conhecer Berlim e Hamburgo. Quem coordenará nosso programa de governo é o doutor Dalmo Nogueira, foi secretário do Mario Covas [1930-2001] e meu. Estou trazendo especialistas em todas as áreas. Nossos avós conquistaram o interior. Hoje, o mundo moderno é urbano e metropolitano. Esse é nosso grande desafio e estímulo.
FOLHA – Qual será sua principal bandeira de campanha?
ALCKMIN - Eu diria que o binômio revolução nos transportes e diminuição de desigualdades. Uma cidade mais justa, com melhor qualidade de vida. É claríssimo que, para melhorar o trânsito, é preciso melhorar o transporte coletivo com um sistema troncal de alta capacidade, sobre trilhos e sobre pneus. Mas eu também colocaria um outro enfoque, que é a questão do planejamento urbano, você compatibilizar moradia e trabalho, estudo, lazer e compras. Reduzir os deslocamentos, ter várias cidades bem organizadas, subcentros.
FOLHA – Sua principal adversária, Marta Suplicy [PT], é muito forte na periferia. O sr. pretende jogar no terreno do inimigo?
ALCKMIN - Não, vou ao encontro do povo, onde ele está. É para isso que eu quero ser prefeito, eu já fui governador, eu quero ser prefeito, ficar perto das pessoas. Eu me lembro de Alcântara Machado [jornalista paulista, 1901-1935]: “Tenho a paixão da gleba circunscrita”.
FOLHA – Um juiz eleitoral multou a Folha por conta da entrevista de Marta Suplicy. O que o sr. pensa?
ALCKMIN - Em janeiro do ano passado, eu estava estudando nos EUA, e devo ter assistido a um 15 ou 20 debates sobre todos os temas das eleição norte-americanas, que será só em novembro deste ano, depois até da nossa. É dever da imprensa informar, e um direito do eleitor ter acesso a elas. As entrevistas têm interesse jornalístico.
FOLHA – São Paulo vem repetindo ano a ano avaliações muito ruins na área do ensino, uma bandeira do PSDB. Por que o eleitor deve acreditar que o sr. fará diferente?
ALCKMIN - Há muito a fazer e a avançar, mas, se nós pegarmos os dados do Ideb, vocês vão verificar que o Estado de São Paulo superou as metas na quarta série, na oitava série e no terceiro ano do ensino médio. Nós avançamos. Eu vejo três prioridades na questão educacional relativa ao município. A primeira é garantir o acesso ao ensino fundamental. Temos hoje perto de 150 mil crianças fora da escola. A outra, é melhorar a qualidade da escola. A terceira é com o jovem, melhorar a qualificação. Hoje, sobram vagas, mas falta emprego. Aliás, eu vou criar frentes de trabalho emergenciais na cidade.
FOLHA – Em caso de vitória, o sr. pretende manter na prefeitura os tucanos que já estão lá e apóiam Kassab?
ALCKMIN - Eu pretendo trabalhar com a melhor equipe, gente do PSDB, de outros partidos. Não tem problema.
FOLHA – Não vão sobrar mágoas?
ALCKMIN - Imagine. Política eu entendo como a arte de servir. Estou absolutamente zen, e olha que eu não faço acupuntura há quase um mês, por pura falta de tempo.
FOLHA – O sr. acha que o atual governo do Estado está sendo enfático na defesa do seu período e do período de Mario Covas no caso Alstom?
ALCKMIN - Tudo que eu sei sobre esse caso é pela imprensa. Precisa ser esclarecido. Cabe ao governo federal, que parece ter documentos que nem o governo do Estado tem, cabe a ele esclarecer. Nós somos os maiores interessados.
FOLHA – Mas, na prática, o PSDB barrou a investigação na Assembléia paulista.
ALCKMIN - O Legislativo é outro Poder, totalmente independente. Segundo, uma coisa é investigação séria, outra, é desgaste político em véspera de eleição. Precisa haver cuidado. As pessoas citadas como suspeitas são sérias, têm história.
FOLHA – O que o sr. acha de um diretor da Alstom [engenheiro José Sidnei Colombo Martini] sair da Alstom para assumir uma empresa do governo que é justamente a maior cliente da multinacional francesa? Não tem cheiro de promiscuidade?
ALCKMIN - Eu não tenho detalhes disso. Volto a repetir: precisa ser investigado. Ele não foi nomeado para um fim específico, as empresa têm “n” contratos. Aliás, o maior cliente da Alstom no Brasil não é o Estado de São Paulo. O que você tem é a suspeita de que a Alstom teria pago propinas no Brasil, na América Latina, na África. Investiga, esclarece. Não se pode ficar usando isso para atingir determinadas pessoas, em pílulas nos jornais.
FOLHA – O sr. acredita que no governo Covas e no seu não houve irregularidades?
ALCKMIN - Eu acho que essas coisas precisam ser provadas. Se forem, punição. Transparência. O Covas foi um grande exemplo de honradez e de probidade administrativa.
FOLHA – O sr. sempre busca não confrontar o governador Serra…
ALCKMIN - Eu não tenho nenhuma razão. Não há conflito nem de projetos políticos, o que seria até legítimo.
FOLHA – E com o Kassab?
ALCKMIN - Também não. O Kassab não é meu adversário. Ele é competidor, no primeiro turno. No segundo turno vamos estar todos juntos.
FOLHA – Quando forem colocados projetos do sr. e do Kassab, eles serão parecidos?
ALCKMIN - As coisas positivas vão ter continuidade. Aliás, não só do atual governo. Também dos governos anteriores. É uma corrida de revezamento. O CEU é uma proposta boa, por exemplo. Você leva a quem mais precisa, não só escola, mas uma atividade cultural e esportiva. O grande problema é uma tarefa que é só da prefeitura, ensino de zero a seis anos. Pretendo fazer uma campanha falando com o munícipe.
FOLHA – Se um eleitor perguntar por que votar no sr. e não no Kassab, o que o sr. responderá?
ALCKMIN - Não me julgo melhor do que ninguém. Agora, adquiri experiência e vivência para fazer um bom trabalho. Tenho absoluta confiança de que posso ser um grande prefeito. Eu enxergo as pessoas, enxergo o sofrimento das pessoas. Vou trabalhar muito para melhorar a vida da população.
FOLHA – Como vê a conclusão do inquérito da Linha 4 responsabilizando o Metrô numa obra que começou no seu governo?
ALCKMIN - Segurança de obra é uma tarefa diária. Não sou técnico. Eu deixei o governo em março de 2006, quase um ano antes. Agora, eu não tenho informação detalhada para fazer o julgamento em relação a isso. Vejo que precisa ser verificado. Mas o Metrô tem um corpo técnico de altíssimo gabarito.
Add comment Junho 22, 2008
Aldo desiste de candidatura e negocia ser vice de Marta
20 de junho – Folha de S.Paulo
Segundo o comunista, acordo teve interferência de Lula e do governador de PE
Aliança, que está em fase de finalização, é natural, diz Aldo, porque “não há como negar uma afinidade” entre partidos do bloquinho e PT
Principal obstáculo ao apoio do bloquinho (PC do B, PSB, PDT e PRB) a Marta Suplicy (PT) em São Paulo, Aldo Rebelo (PC do B) abandonou ontem sua candidatura e disse à Folha aceitar ser vice do PT.
Aldo creditou o possível acordo -em fase de costura final- à intervenção do presidente Lula e do governador Eduardo Campos (PSB-PE). Marta disse aceitar “com gosto” o nome de Aldo, consenso no bloquinho. O PT preferia Luiza Erundina, que aceitou, mas não obteve apoio de seu partido, o PSB. A aliança só corre risco caso o fracasso em outras capitais leve dirigentes nacionais do bloquinho a revidarem em São Paulo.
FOLHA – O bloco se aliará ao PT?
ALDO REBELO - A partir do momento que o bloco negocia com o PT, colocando condições como ter a vice, desde que seja o meu nome apresentado, discutir o programa e a participação no governo, autorizei os partidos a iniciarem conversações.
FOLHA – O sr. aceita ser vice?
ALDO - Sim, embora o resultado ainda esteja subordinado às negociações com o PT.
FOLHA – E a participação de Lula?
ALDO - Foi decisiva a participação do governador Eduardo Campos e do presidente Lula. O governador intermediou minha conversa com o presidente, que mostrou grande empenho para a aliança acontecer em São Paulo e em outras capitais.
FOLHA – O fracasso dos acordos em outras cidades atrapalha?
ALDO - Não há subordinação. Mas é um gesto [o apoio a Marta] que tem importante simbologia para que acordos também evoluam em outras capitais.
FOLHA – Por que apoiar Marta?
ALDO - O bloco manteve uma política de portas abertas. Conversamos com Kassab, Alckmin, mas não há como negar afinidade política, programática e histórica entre esses partidos e o PT. Era natural.
FOLHA – E a mágoa com o PT?
ALDO - Está superada na medida em que o PT fracassou ao tentar uma aliança com o PMDB. O bloco tinha opção da candidatura, mas faz um gesto diante da fragilidade da política de alianças do PT.
FOLHA – Então, sai o acordo.
ALDO - Eu sou otimista. Nós temos uma aliança importante no governo Lula. Devemos olhar com otimismo crítico a possibilidade de fazermos a aliança, a campanha e governarmos juntos.
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ENTREVISTA: PAULO MALUF
20 de junho – Folha de S.Paulo
Se falarem de trânsito, vão fazer campanha para Maluf
Pepista diz que leva vantagem por ter “imagem de maior construtor” do Estado
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Valendo-se da imagem de construtor, o pré-candidato do PP, ex-prefeito Paulo Maluf, 76, promete: “em dois anos, resolvo os pontos graves de congestionamento de São Paulo”.
Antes da entrevista, o deputado, que tem 8% de intenções de voto segundo a pesquisa Datafolha de maio, diz discordar dos que pregam restrições a carros de passeio. “Sabe o que a pessoa quer em primeiro lugar? Pensava que fosse casa. Mas é carro. Porque carro é liberdade.”
FOLHA – O sr. estuda a adoção do slogan “Anda, São Paulo”. Vai explorar o trânsito na campanha?
PAULO MALUF - Se o trânsito é o mote para campanha, todos estão fazendo campanha para Paulo Maluf. Para prefeito, sou o mais credenciado. Tenho a imagem de maior construtor do Estado de São Paulo.
FOLHA – Em 2004, o sr. teve 11,9% dos votos, seu pior desempenho, mesmo com essa imagem…
MALUF - Primeiro, o trânsito não era o problema da campanha de 2004. Segundo, em 1988, Serra foi o quinto na disputa. Em 1996, mesmo apoiado por presidente e governador, não foi ao segundo turno. Cada eleição é uma eleição. Se Serra tivesse desistido, hoje não era governador. Se Lula tivesse desistido, hoje não era presidente. O fato de ter tido vitórias e derrotas não me esmorece.
FOLHA – O sr. não teme que seja uma tendência?
MALUF - Pergunte à Marta [Suplicy] por que, com a máquina e com a Presidência a favor dela, não foi reeleita. Não a culpo. Temos aí três candidatos com boas tendências. A Marta tem competência, é decidida. Se a campanha fosse para construir 30 CEUs, quem sabe ela estava mais caracterizada que eu?
FOLHA – O sr. não gosta das obras viárias da Marta?
MALUF - Não as conheço. Os dois tuneizinhos que a Marta fez… Não quero criticar, mas são os dois únicos túneis que terminam num semáforo. O Alckmin é muito bom quadro. Mas não conheço obras dele na capital. O [Gilberto] Kassab está fazendo uma bela administração. Mas acredito que, em quantidade de obras a serviço da cidade, tenho preferência.
FOLHA – As obras que propõe não contrariam a tendência de investimento no transporte coletivo?
MALUF - Não. Quem começou o metrô de São Paulo foram os prefeitos Faria lima e Paulo Maluf. Quando alguém diz que precisa construir metrô, digo: tem que imitar o Paulo Maluf.
FOLHA – Qual comportamento o presidente Lula deve ter em SP?
MALUF - Não sei. Digo que acho que vou ganhar a eleição. Este momento é de um construtor. Fiz o Minhocão em 13 meses. Nenhuma das minhas pontes demorou mais que um ano e meio. Hoje, quando vejo uma obra demorar oito anos, me pergunto: cadê a Folha?
FOLHA – A que atribui o alto índice de rejeição?
MALUF - Há um ano e meio estou fora da mídia e, com todo o respeito à liberdade de imprensa, de todos os discursos antológicos que fiz na Câmara, não li uma linha na Folha. Entendo que a Folha, o [jornal O] “Estado” [de S. Paulo] e a [revista] “Veja”, para vender, tenham que só publicar o negativo. Na campanha, terei, em 45 dias, dois minutos e meio no almoço e no jantar mais as inserções. Tenho rejeição? Acredito que a pesquisa seja verdadeira. Tenho de me esforçar para ver onde está a injustiça e tentar corrigi-la.
FOLHA – É uma tentativa de limpar a biografia?
MALUF - Minha biografia foi feita pelas obras que fiz. Minha biografia não é a Folha que vai fazer. São meus 41 anos de trabalho. Depois que eu morrer, a Folha vai dizer que sou bonzinho, que vou fazer muita falta. Washington Luís foi prefeito, governador, presidente, foi preso e deportado. Getúlio Vargas, se não tivesse se suicidado, seria preso. Juscelino foi preso, deportado, exilado. Jânio Quadros foi preso 90 dias em Mato Grosso. Quem mais foi preso?
FOLHA – O sr.
MALUF - O Lula não foi? Fui, por uma injustiça. O STF corrigiu. Vida pública é isso. Tem amigos pelas obras que fez. Tem adversários porque representa ameaça e a imprensa, que quer vender jornais à sua custa.
FOLHA – Na campanha, teme que usem os processos contra o sr.?
MALUF - Tenho 41 anos de vida pública sem uma condenação. Quem me julga é a Justiça.
FOLHA – Ainda acha que o PSDB está por trás de denúncias contra o sr.?
MALUF - Não. O Ministério Público está lá vendo os problemas dos tucanos com a Alstom. O Ministério Público é feito de gente muito correta. Acontece que, como eles têm muito espaço na mídia, alguns têm vontade de aparecer. Atacaram Covas, Alckmin, Marta, Lula.
FOLHA – Se associarem o sr. a Celso Pitta, vai lembrar que Kassab foi secretário de Pitta?
MALUF - Não. Errei. A posteriori. Quando indiquei o Pitta, foi na maior boa-fé. Ele não foi bom prefeito, a culpa é dele.
FOLHA – O sr. está conversando com Duda Mendonça?
MALUF - Duda é um gênio. Em 1994, eu era prefeito, o Duda me trouxe um Romanée-Conti 71. Eu, que sou razoavelmente inteligente, perguntei: “Que favor quer que te faça?” Ele disse: “Quero que me libere para fazer a campanha do Lula”. O Lula ainda era aquele barbudo expropriador. Disse: “Só quando o Lula se distanciar dessas idéias de Fidel Castro”. Em 2002, eu disse: “Lula está maduro. Você está liberado”. Já disse que, do jeito que o PT defende banqueiro, me sinto comunista.
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Só um comentário: Malufão é um piadista! Ri alto em várias partes da entrevista.
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ENTREVISTA – GILBERTO KASSAB
14 de junho – Estadão
”Não há candidatura do PSDB que vá destruir a aliança em São Paulo”
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), pretende se beneficiar de um paradoxo na campanha à reeleição: o PSDB será seu adversário e aliado ao mesmo tempo. A despeito da candidatura do tucano Geraldo Alckmin, Kassab vai manter na prefeitura todos os atuais secretários do PSDB. Mais do que isso, vai incorporar ao discurso a tese de que a aliança com os tucanos não acaba por causa das eleições e de que, portanto, eles são co-responsáveis por todos os atos da gestão municipal.
“É irresponsável aquele que argumentar que a aliança tem de deixar de existir. Afinal de contas, nos apresentamos em praça pública, assumimos esse compromisso de dirigir a cidade por quatro anos. E o PSDB está junto nesse compromisso. Portanto essa aliança existirá até o último dia do meu governo”, disse Kassab, em entrevista ao Estado.
Com essa estratégia, o prefeito pretende limitar o arsenal de Alckmin, que terá dificuldades para criticar uma administração loteada entre seus próprios correligionários. “Alckmin não fará críticas. Se tivesse alguma crítica a fazer já teria feito, porque ele faz parte do meu governo.”
Para se contrapor à petista Marta Suplicy, o prefeito também já tem um plano delineado. Sempre que a ex-prefeita se apresentar como candidata que prioriza a área social, Kassab apresentará uma avalanche de números para tentar mostrar que seu governo investiu mais em saúde, educação, transporte público e habitação. “Desafio qualquer gestão a mostrar que fez mais do que a nossa.”
Apesar de o governador José Serra não ter conseguido levar o PSDB a apoiar sua reeleição, o prefeito deu reiteradas mostras de que ambos continuam em total sintonia. Kassab repetiu que, em 2010, apoiará a candidatura à Presidência de Serra, de quem foi vice na campanha de 2004 e de quem herdou a prefeitura após as eleições de 2006.
Em defesa da governadora tucana Yeda Crusius, Kassab repreendeu o vice-governador Paulo Feijó, seu correligionário no DEM e autor de denúncias que provocaram uma crise política no Rio Grande do Sul. “Um vice precisa cooperar, precisa ser leal”, destacou. Leia a seguir trechos da entrevista:
Pela primeira vez na história da cidade, aliados numa gestão estarão em palanques diferentes. Como lidar com essa situação?
Em primeiro lugar, a aliança continua existindo. Não há candidatura do PSDB que vá destruir a aliança em São Paulo. Essa aliança tem uma responsabilidade com a cidade. Fomos eleitos para governar e temos de cumprir essa responsabilidade até o último dia de governo.
A aliança ficará imune à eleição?
Claro que é imune. É irresponsável aquele que argumentar que essa aliança tem de deixar de existir. Afinal de contas,nos apresentamos em praça pública, assumimos esse compromisso de dirigir a cidade por quatro anos. Não é algo que possamos afirmar, de uma maneira simples, ?o PSDB tem candidato e não tem mais aliança?. Espera lá.
Como vai encarar eventuais críticas de Alckmin à sua gestão?
Alckmin não fará críticas. Se tivesse alguma crítica a fazer já teria feito, porque ele faz parte do meu governo.
Ele faz críticas. Há alguns dias disse que a cidade está escura.
Não foi uma crítica à minha gestão. Foi uma constatação. Se ele tivesse algum aconselhamento teria feito, porque ele e a sua equipe estão dentro do meu governo.
O sr. tem trocado farpas com a pré-candidata do PT, Marta Suplicy, na última semana. Focar em Marta é um jeito de fugir do enfrentamento constrangedor com Alckmin?
De maneira alguma. É que eu não posso deixar de responder à declaração da futura candidata Marta Suplicy de que São Paulo está uma calamidade por causa do trânsito. Eu não aceito o termo calamidade. Porque, se está calamidade, na época em que foi prefeita estava calamidade em dobro, porque tinha escola de lata, não houve recapeamento das principais avenidas.
Seus adversários centram fogo nas críticas ao transporte público. Esse setor é o telhado de vidro da sua gestão?
Não. Concordo com todos. É uma unanimidade na cidade que o trânsito é um grave problema. Mas não vi ninguém acusando o prefeito Kassab de não ter feito o planejamento correto. Só faltava me criticarem por investir R$ 1 bilhão no metrô ou por fazer a maior renovação de frota de ônibus da história da cidade.
Como vê as andanças de Marta testando o sistema de ônibus da gestão Kassab?
Lamento que ela tenha tido uma política pública de transportes não adequada. Não adianta construir corredores de ônibus que não têm área para ultrapassagens. De nada adianta pegar uma avenida, botar tachão e dizer que é corredor. Basta olhar o da Rebouças para ver que os corredores foram mal concebidos. Estamos terminando os projetos para reformular todos eles.
Marta tem como principal bandeira na cidade a área social. Como se compara a ela nessa área?
Desafio qualquer gestão a mostrar que fez mais do que a nossa. Enfrentar os desafios sociais da cidade é fazer com que milhares de crianças deixem de estudar em sala de lata, é investir no reforço de UBS, construir novas AMAs. É dar oportunidade para os que não têm condições de estudar em escolas públicas de qualidade. Isso é trabalhar pelo social.
O sr. gostaria de ter o governador José Serra no seu palanque?
Ficaria muito feliz, mas compreendo as peculiaridades da sua posição. Tenho respeito por ele e jamais o colocaria numa situação embaraçosa. Ele saberá qual a melhor conduta nessas eleições.
O sr. já disse que apoiaria Serra e Alckmin em 2010. Mantém o apoio?
Volto a dizer que meu candidato à Presidência é José Serra e, quando perguntado sobre a candidatura de Alckmin a governador, eu disse que era tão natural quanto a minha à prefeitura.
O sr. foi o pré-candidato que mais reuniu aliados, embora não seja o mais bem colocado nas pesquisas. Com o governo nas mãos fica mais fácil?
Não. Isso não faz diferença. Marta Suplicy estava no governo federal. Acho que isso se deve à confiança que os partidos têm na minha gestão e na qualidade de uma futura.
O sr. citou muitos acertos que acredita ter feito em sua gestão na prefeitura. E os erros?
Qualquer gestão comete erros e acertos. As administrações anteriores erraram ao não investir no metrô, por exemplo. Eu não diria erros. Eu tenho frustrações, como não ter concluído o processo de reformulação da rede de ensino, a reforma da rede hospitalar, não ter atendido as metas de valorização dos servidores…
Há arrependimentos?
Não.
O sr. não se arrependeu de ter discutido com aquele munícipe no posto de saúde?
Ah, sim. Eu fiquei indignado ao constatar uma manifestação ao lado de pessoas doentes e me excedi. Errei e pedi desculpas.
Qual a posição do senhor sobre três questões polêmicas: aborto, pena de morte e casamento gay?
Sou contra o aborto, salvo os casos previstos em lei. Pena de morte sou contra e casamento gay é uma decisão de cada um.
O sr. acha que seu partido deve expulsar o vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, por causa da crise que ele causou?
Só conheço as denúncias pelos jornais. Acredito que, se ele tinha denúncias a fazer, deveria ter feito antes. O que critico é o fato de ele não ter cooperado desde o começo com a gestão da governadora Yeda Crusius. Todos podem divergir, mas um vice precisa cooperar, precisa ser leal.
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ENTREVISTA – GILBERTO KASSAB
14 de junho – Folha de S.Paulo
Democrata diz que usará imagem de tucano em sua propaganda de TV e que não dará trégua a ex-governador no primeiro turno
Na véspera da oficialização da candidatura, o prefeito Gilberto Kassab, 47, avisa: usará imagens do governador José Serra na campanha. Dizendo-se “feliz” com os tucanos pró-aliança, Kassab descarta ainda um pacto com Geraldo Alckmin (PSDB). Para ele, Alckmin ficará sem discurso. “Ele está no meu governo. Se tiver críticas, estranho que não tenha feito antes.”
FOLHA – Sua candidatura está registrada para a convenção. Então…
GILBERTO KASSAB - Agora é fato concreto. Uma candidatura que fiz questão de registrar como natural. Não havia decisão porque negociávamos com outros partidos. Hoje, é uma proposta concreta para a convenção. Aliás, a única.
FOLHA – O sr. insiste que sua candidatura é natural. Por quê? Acha que Alckmin está fazendo prevalecer a vontade dele?
KASSAB - Não faria uma afirmação dessas. Até porque percebo que, no PSDB, existem vozes a favor da candidatura dele. E vozes discordantes, que defendem a minha.
FOLHA – O sr. apóia os tucanos que propõem sua candidatura?
KASSAB - Não poderia dizer que apóio. Seria uma ingerência. Mas fico muito contente, me sinto feliz. É legítimo, faz parte da democracia partidária. Quero registrar minha gratidão à bancada de vereadores do PSDB. Seria hipocrisia dizer que não fico feliz em ver companheiros que defendem a aliança. Vamos aguardar a convenção [do PSDB].
FOLHA – Ainda tem esperanças?
KASSAB - Não digo esperanças, mas há condições técnicas de que haja aliança.
FOLHA – A candidatura Alckmin contraria a naturalidade?
KASSAB - Sob um aspecto, sim. Os grandes partidos aspiram à candidatura própria. Sob esse aspecto, é legítima. Mas, do ponto de vista administrativo e de alianças, não tem naturalidade. Este é um governo que merece ser continuado.
FOLHA – Alckmin vai ficar sem discurso na campanha?
KASSAB - Terá dificuldade para fazer críticas. Se tiver críticas a fazer, estranho que não tenha feito antes. Alckmin está no meu governo, seu partido está no meu governo. Não teria sido correto ou leal da parte dele não ter me procurado, ou os secretários. É incoerente. Afinal, são mais de dois anos que estou no governo. Se tivesse algo para ser corrigido, ele tem espírito público, teria me procurado.
FOLHA – Ele falou que a cidade está triste, o trânsito é um problema…
KASSAB - Ele pode ter propostas diferentes para o futuro. Nenhum governo resolve tudo numa única gestão. Mas, em relação ao meu governo, tenho certeza de que não terá críticas.
FOLHA – O governador José Serra (PSDB) diz que terá de apoiar Alckmin se essa for a decisão do partido.
KASSAB - Ele disse “se”. E todos sabem a estima que tenho pelo governador, nossa excelente relação pessoal e política e o excelente entrosamento administrativo. Queria agradecer as considerações que faz à minha pessoa e ao meu governo.
FOLHA – Quando diz que “todos sabem a estima”, é porque ninguém pode ignorar a aliança de vocês?
KASSAB - O importante é que ficou claro que ele torceu, ou ainda torce, para que a aliança continue. Tem sido muito cuidadoso. Nestas eleições, ele tem dois aspectos que precisam ser registrados: um, este é também um governo dele. Ele, com certeza absoluta, tem muito orgulho das nossas realizações. O segundo: ele é uma pessoa de partido. Confio muito na sua competência para administrar essa situação, muito complexa.
FOLHA – O Alckmin impôs um constrangimento a Serra?
KASSAB - Vamos ficar no termo situação complexa. E não foi Serra que causou.
FOLHA – O sr. vai usar imagem do governador no programa eleitoral?
KASSAB - Sim. Não tem por que não. O meu governo tem a presença dele muito forte. É evidente. Vejo com muita naturalidade a presença dele e de outros filiados ao PSDB.
FOLHA – O sr. acredita num pacto de não-agressão com o PSDB, sabendo que vai disputar com Alckmin a vaga do segundo turno?
KASSAB - A conduta é ditada pelos candidatos. Confio no meu bom senso. Vou me concentrar na apresentação do que meu governo fez e das propostas para os próximos quatro anos.
FOLHA – Mas, no primeiro turno, não tem trégua?
KASSAB - Não tem trégua. É uma disputa eleitoral. Todos são adversários. Se existem outras candidaturas, é porque têm outras propostas. São adversários, no sentido técnico.
FOLHA – A temperatura não pode subir entre PSDB e o DEM?
KASSAB - Toda campanha tem seus momentos de tensão. Quem se apresentar como candidato sabe que, em alguns momentos, tem clima de tensão. Estou preparado para viver esses momentos.
FOLHA – O que espera do secretariado tucano após as convenções?
KASSAB - Tenho muito orgulho. Espero tê-lo até o fim da campanha, da gestão.
FOLHA – Por que a aprovação de seu governo não se converte em intenção de voto?
KASSAB - Porque não sou candidato. Ainda não estou em campanha.
FOLHA – O sr. tem debatido mais com a ex-prefeita Marta Suplicy. É uma estratégia?
KASSAB - Não. Ela fez considerações sobre minha administração e tive que responder.
FOLHA – O sr. vai comparar seu trabalho com o do Alckmin? Vai chegar a esse ponto?
KASSAB - O comparativo é muito importante. Precisamos comparar, sim, com o ex-governador, comparar a ação da candidata Marta com a ação dela de prefeita, ver o que cada um fez pelo metrô, pelo Rodoanel, na área da saúde, pela valorização dos servidores, em relação às escolas de lata, na questão do meio ambiente…
FOLHA – O sr. disse que, na campanha, será possível comparar em que estado estava a CET…
KASSAB - Temos a oportunidade de relembrar às pessoas como estava. A CET totalmente sucateada.
FOLHA – O sr. usará essas imagens?
KASSAB - Sim. Evidente. A comparação é muito importante. As pessoas precisam ver como estava a cidade quando assumi. Como estava o hospital M’Boi Mirim: um terreno baldio. Como estava o hospital Tiradentes: um esqueleto. As escolas de lata. Como estava o programa de recapeamento? Os corredores de ônibus que foram feitos funcionam? O corredor da Rebouças funciona? Não. Foi feito atabalhoadamente.
FOLHA – O sr. fala muito em investimento do metrô. É um antídoto por imaginar que o trânsito será seu ponto fraco?
KASSAB - São afirmações, se forem feitas, de quem não conhece administração pública. Numa cidade como São Paulo não se consegue, do dia para noite, R$ 1 bilhão para investir.
FOLHA – O sr. está preparado para ser saco de pancadas nessa área?
KASSAB - Ninguém gosta de ser saco de pancadas. Estou preparado para discutir em alto nível.
FOLHA – A saída do presidente do CET é o reconhecimento de que a coisa estava errada?
KASSAB - Não. Porque ele continua no governo. A mudança é administrativa. Ele continua no conselho. A saída foi de vontade própria. Ele tem outras atribuições, mais restritas ao campo conceitual.
FOLHA – Dizem que ele reclamou muito de cortes no orçamento?
KASSAB - Quem não reclama?
FOLHA – A Folha demonstrou a demora na retirada de carros e caminhões quebrados, o que é um problema da sua gestão…
KASSAB - Recebemos a cidade com problemas na licitação dos guinchos, o que foi superado. Hoje estamos com esse problema resolvido, com 48 novos guinchos e três pátios estratégicos. O que nos permite ter agilidade e velocidade maior em relação aos acidentes.
FOLHA – Para Alckmin, o trânsito é causa do sofrimento do povo. Além de chamar a administração de medíocre, a Marta disse que o trânsito é o grande problema. O slogan de Maluf deve ser “anda, São Paulo”.
KASSAB - Tenho discordância em relação às três afirmações. Quanto à prefeita Marta, não é a expressão apropriada para debatermos em alto nível. Medíocre também é uma administração fazer investimentos sem se dar prioridade à eliminação de escolas e salas de lata. Sobre o ex-governador Geraldo Alckmin. É evidente que o trânsito é uma questão grave. Não podemos criticar os ex-governadores por não terem dado velocidade à conclusão do Rodoanel, por não terem feito mais metrô. Importante é elevar o nível e mostrar proposta para o futuro.
FOLHA – Alckmin errou ao não ter autorizado pedágio no Rodoanel para acelerar as obras.
KASSAB - No Rodoanel, sim. E todos erraram em não investir mais em metrô. O governo federal, estadual e as prefeituras. O governador José Serra está acertando. Vamos comparar o que ele está investindo e a velocidade com quem está executando as obras do Rodoanel. O governo do Estado investiu muito pouco no metro nas últimas décadas. O Serra está corrigindo a distorção.
FOLHA – O caso Alstom pode prejudicar a candidatura do PSDB?
KASSAB - O que sei é o que tem sido veiculado na imprensa. Espero que isso não aconteça, ficarei muito decepcionado se tiver acontecido problemas no governo Geraldo Alckmin.
FOLHA – O sr. vai abrir mão dos conselhos do Serra na campanha?
KASSAB - Ele tem muita experiência na vida pública. Portanto, tendo eu essa liberdade com ele e, tenho certeza, tendo ele essa estima por mim, ele em nenhum momento se negará a estar comigo dialogando sobre a cidade, sobre as questões que existem na vida pública hoje. Isso vai continuar, independentemente dos caminhos.
FOLHA – Vamos falar das alianças. Hoje os cargos mais importantes estão com tucanos. Não causará ciúme nos aliados: PMDB, PR e PV?
KASSAB - O momento agora é de fazermos a campanha, de apresentarmos a proposta. Estruturação de governo vem depois das eleições. Acabei de dizer que a aliança continua e vai continuar. Estarei defendendo a aliança do meu partido para uma candidatura do Serra, se existir, para presidente.
FOLHA – Esses novos aliados têm falado em participar do governo. O PV reivindicou a subprefeitura da Mooca, o PR, do Butantã.
KASSAB - Não existiu reivindicação. Queria registrar a postura correta dos partidos que compõem minha aliança. Em nenhum momento houve conversa em relação à ocupação de cargos. Até seria natural e pode até acontecer.
FOLHA – O sr. teme o uso do episódio do “vagabundo” da campanha?
KASSAB - Não. Foi uma manifestação feita em uma instituição de saúde. Indignado, eu me excedi. Um prefeito não pode se exceder. Pedi desculpas.
FOLHA – Quem vai financiar a sua campanha? O sr. vai impedir a doação de fornecedores da prefeitura?
KASSAB - O importante é que tudo seja feito com muito cuidado, com muita ética e com muita responsabilidade.
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