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Muito além dos Jardins

Pessoas ainda interessadas na eleição municipal ocorrida em São Paulo em 2008 podem baixar meu Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo na PUC, um livro-reportagem que faz um balanço sobre a campanha de Marta Suplicy.

O link: TCC Ana Clara Gaspar para baixar o livro.

Link para ver online: TCC Ana Clara Gaspar

Favor citar a fonte, ok?

Abraço e até uma próxima!

Add comment Julho 30, 2009

Os candidatos da eleição 2008 em São Paulo

Marta Suplicy (PT)Marta Suplicy, psicóloga formada pela PUC-SP e pós-graduada pela Stanford foi sexóloga e apresentou um programa na Rede Globo nos anos 80, respondendo às dúvidas sobre sexo de mulheres que ligavam no programa Tevê Mulher. Num país recém saído da ditadura, o assunto continuava um tabu e foi criticado duramente pelos setores mais conservadores da sociedade.
Casada com o senador Eduardo Suplicy desde os tempos de faculdade, esteve sempre próxima à política, seja como líder estudantil, ainda no Colégio Sion, um colégio tradicional no bairro de Higienópolis onde estudou sua vida toda, como filiada ao PT, como fundadora e ex-presidente do Instituto Florestan Fernandes. Mas apenas na década de 90 foi convidada a ser deputada federal.
Em 1994 se elegeu com a quarta maior votação do partido na Câmara, mais de 70 mil votos. Concorreu ao governo do estado em 1998, mas por bem pouco Paulo Maluf conquistou a vaga para o segundo turno contra Mario Covas – que terminou eleito, com o apoio de Marta, que ficou em terceiro.
Em 2000 concorreu à prefeitura de São Paulo e, numa eleição dura, terminou eleita. Mesmo com uma boa avaliação de sua gestão – 48% -, Marta não obteve votos suficientes para ser reeleita. Com 5% de votos a mais, José Serra terminou vitorioso.
Com a reeleição de Lula, em 2006, Marta foi convidada a ser ministra do Turismo. Lançou programas importantes de inclusão, como o da 3ª idade, com descontos de 50% para idosos em empresas aéreas, hotéis e agências de turismo, mas também enfrentou o “Apagão aéreo”, que causou o momento mais difícil de sua vida política, a infeliz frase “Relaxa e goza”, dita de maneira inapropriada, mas tendo um impacto ainda pior na opinião pública, por meio das críticas da imprensa.
A propósito: a frase foi usada para responder à indagação de uma jornalista sobre qual o conselho que Marta daria às pessoas que ficam horas em filas esperando para embarcar. O “relaxa e goza” foi dito no sentido de que as pessoas deviam se acalmar e pensar que logo estariam viajando, curtindo a vida.
A coisa piorou ainda mais com o acidente da TAM que matou 199 pessoas em julho de 2007, e a frase de Marta voltou à tona, causando revolta aos familiares das vítimas do acidente. Não adiantaram as explicações e desculpas da ex-prefeita; é difícil dissociá-la dessa frase.

Gilberto Kassab (DEM)

O atual prefeito Gilberto Kassab, do DEM (ex-PFL), disputa a reeleição. Tem 49 anos, foi deputado estadual e federal e secretário do planejamento de São Paulo na gestão de Celso Pitta (1997-2000). Como vice-prefeito do tucano José Serra, eleito em 2004, herdou o cargo no executivo assim que Serra saiu para se candidatar e vencer a disputa pelo cargo de governador do estado.
De um ilustre desconhecido da população, sua gestão conseguiu obter bons índices de aprovação. Durante a campanha, os números de ótimo/bom chegaram a 50% em setembro.
Seu governo foi marcado por pequenas ações ousadas, tendo como maior exemplo a implantação da Lei Cidade Limpa, que regulamenta os outdoors, placas e letreiros pela cidade. Ao ser aprovada, a lei gerou muita discussão e descontentamento de comerciantes que viam as placas enormes na fachada de seus estabelecimentos como o principal chamariz para a clientela. Muitas empresas de banners e outdoors foram fechadas.
Sua candidatura nasceu fraca. Antes da eleição, boa parte dos paulistanos sequer sabia o nome do prefeito. Pouco conhecido da população, obteve uma grande vitória quanto à formação de alianças com grandes partidos, que estavam sendo disputados também pelo PT e pelo PSDB, e lhe garantiram o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita na tevê e no rádio: cerca de 9 minutos. Para um desconhecido com obras para mostrar, o alto tempo na televisão, juntamente com um marketing de qualidade, seria extremamente vantajoso. Não surpreendeu, portanto, uma constante ascensão da intenção de votos em sua candidatura, chegando a ultrapassar o ex-governador Geraldo Alckmin, a menos de trinta dias mês para a realização do 1º turno.

Geraldo Alckmin (PSDB)

Geraldo Alckmin, do PSDB, tem 55 anos. Começou sua vida pública cedo, como vereador de sua cidade natal, Pindamonhangaba, aos 19 anos, ainda pelo MDB. Aos 23, foi eleito prefeito da cidade. Ajudou a fundar o PSDB. Foi deputado e vice- governador de São Paulo. Após a morte de Mario Covas, herdou o governo. Conseguiu se eleger e reeleger com facilidade, ancorado na imagem de Covas e obtendo uma boa avaliação de governo durante os 10 anos no comando do estado de São Paulo.
Nas eleições presidenciais de 2006, Alckmin concorreu com Lula. Conseguiu levar a disputa ao 2º turno, mas obteve uma derrota implacável, conquistando menos votos do que no 1º turno, em parte pela imagem de privatista que o PT conseguiu lhe colar. Isso levou a um desgaste na sua imagem política.
Na campanha municipal de 2008 enfrentou um revés dentro de seu próprio partido, que se dividia entre apoiar a reeleição de Kassab, apadrinhado político de José Serra, ou lançar candidatura própria, com Alckmin como candidato. O drama no PSDB tomou conta da imprensa diariamente, até as vésperas da Convenção do partido que, com um acordo interno viabilizado por Serra, confirmou a candidatura própria com Alckmin e Campos Machado (PTB) como vice.

Paulo Maluf (PP)

Paulo Maluf tem 77 anos e é candidato pelo Partido Progressista. Dentro do seu partido, enfrentou leve oposição de Celso Russomano, também pré-candidato à prefeitura de São Paulo. Seu poder e influência, mesmo não sendo o que costumava ser, ainda permanecem altos. Maluf é um mito da política paulista. Mesmo com a oposição de Russomano, não houve problemas quanto à sua indicação. “Maluf é um candidato natural para as eleições”, diria Russomano uns meses mais tarde.
Com o bordão “rouba mas faz”, lembrando a forma de política de Adhemar de Barros, um influente político paulista das década de 1950 e 60. Maluf possui até hoje muitos seguidores fiéis de uma forma de política de recebeu o nome de “malufismo”.
Maluf foi prefeito de São Paulo entre 1969 a 1971, nomeado pelo então presidente Costa e Silva. Entre 1979 e 1982, foi governador do estado. Seu último cargo no executivo foi novamente a prefeitura de São Paulo em 1993. Suas gestões foram marcadas por grandes obras viárias, como o “Minhocão”, as Marginais Tietê e Pinheiros, diversos túneis, passarelas e avenidas. Maluf insiste que “é impossível andar 1 Km em São Paulo sem passar por uma das obras de Paulo Maluf”. No entanto, houve muitas suspeitas de desvio de verbas públicas e obras superfaturadas, como a Av. Água Espraiada, atual Av. Jornalista Roberto Marinho. Criou também o projeto de habitação Cingapura, prédios na beira das favelas com a intenção clara de maquiá-las, e privatizou a saúde municipal, através do PAS.
O candidato já não goza da mesma credibilidade junto ao eleitor como era nas décadas de 80 e 90, porém foi eleito deputado federal em 2006 com mais de 700 mil votos. Para cargos executivos, no entanto, sua credibilidade segue em queda. O índice de rejeição a Maluf é recorde, e chega a 58% segundo Datafolha realizado no final de setembro.

Soninha Francine (PPS)

Soninha Francine, 41 anos, entrou tardiamente na política. Foi apresentadora por anos da MTV, cujo público é majoritariamente formado por jovens. Convidada pela Tevê Cultura a assumir um programa também para jovens deixou a antiga emissora. Também comandou uma mesa redonda sobre futebol e assina uma coluna no jornal Folha de S. Paulo sobre o mesmo tema.
Em 2001 esteve envolvida em uma grande polêmica, quando a revista “Época” publicou uma matéria que revelava que Soninha fazia uso freqüente de maconha. A capa da revista trazia uma foto da apresentadora, sobre a frase: “Eu fumo maconha”. Soninha foi achincalhada pela opinião pública e acabou demitida da TV Cultura. A apresentadora processou a revista, mas não obteve liminar favorável.
Em 2004, candidatou-se à vereadora pelo PT, e conseguiu a vaga com mais de 50 mil votos. Àquela época, enfrentou dentro de casa um drama: sua filha mais nova sofria de leucemia, e necessitava urgentemente de um transplante. Soninha afastou-se da campanha para acompanhar de perto a batalha de sua filha. Em diversos programas televisivos, Soninha falou do drama que enfrentava e defendia a doação de medula, não só para sua filha, mas também para todas as pessoas que sofriam do mesmo mal. Há quem acuse Soninha de aproveitar o drama da filha para se promover, já que tudo isso aconteceu muito próximo à eleição e ganhou muito destaque na mídia. Mas é difícil julgar um caso desses de oportunismo, em se tratando de uma doença grave numa criança de 7 anos – sua própria filha. É óbvio que Soninha provavelmente preferiria não ter vivido isso, mas a exposição sem dúvida ajudou sua campanha.
Em setembro de 2007, faltando 1 ano para a eleição municipal em São Paulo, Soninha declarava-se insatisfeita com as políticas do PT. Ao mesmo tempo, Roberto Freire, presidente do PPS sondava Soninha sobre suas pretensões políticas. Convidou-a para integrar o partido e concorrer à prefeitura em 2008.
Os horizontes que o PT lhe abriam eram muito restritos. Soninha jamais conseguiria concorrer a um cargo executivo num partido com nomes tão sólidos na política nacional. Sua vontade de participar mais ativamente da política, juntamente com os desentendimentos internos com o PT, ajudaram na tomada de decisão. Saiu do PT, entrou no PPS e saiu candidata a prefeita.
Sua campanha propunha uma nova forma de política, mas ao público parecia uma mistura de mais do mesmo com pitadas de imaturidade. Não conseguiu decolar e manteve-se no patamar dos 4% de votos durante toda a campanha.

Ivan Valente (Psol)

Ivan Valente, 62 anos, é professor universitário e candidato a prefeito pelo Psol. Durante a ditadura foi um militante de esquerda ativo e acabou preso e torturado pelos militares, tornando-se mais um anistiado político.
Na década de 70 ajudou a fundar o PT, e integrou durante muitos anos a ala radical do partido. Após a expulsão de Heloísa Helena do PT – e a fundação do Psol pela política alagoana – Ivan, também descontente com os caminhos neoliberais escolhidos pelo governo Lula, passou para o Psol, onde hoje integra a Direção Nacional.
Sua história nas lutas contra a desigualdade social é tocante, assim como boa parte dos integrantes do Psol. Porém, o partido está longe de ser a verdadeira esquerda, a qual se propõe: a votação em seus quadros é fraca, se não inexpressiva, e seu peso político é pequeno, porém importante.
Ivan Valente foi deputado estadual duas vezes, ainda pelo PT, e em 2006 foi eleito deputado federal pelo Psol. O PSTU, outro partido de extrema esquerda, compõe a coligação “Alternativa de Esquerda Para São Paulo”.

Edmilson Costa (PCB)

Militante do Partido Comunista Brasileiro desde seus tempos áureos, durante a Ditadura, Edmílson Costa, 58 anos, atualmente é presidente estadual do partido, cuja participação na política nacional é baixíssima. Também atua como professor universitário, mas sua experiência política, no entanto, restringe-se às militâncias do PCB, já que nunca ocupou um cargo executivo ou legislativo e sequer candidatou-se a um cargo público.
Sua jornada intelectual, porém, é vasta. Possui pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp e publicou os livros “O Imperialismo”, “A Política Salarial no Brasil”, “Um Projeto para o Brasil” e “A Globalização e o Capitalismo Contemporâneo”, além de vários ensaios publicados em revistas e sites especializados no Brasil e no exterior.
As propostas do candidato se baseiam em idéias da Governança Comunista, e incluem tarifa zero no transporte público e educação integral na rede municipal.

Anaí Caproni (PCO)

A Causa Operária, a princípio, era uma tendência interna dentro do PT daqueles que se desiludiram com os caminhos “elitistas” tomados pelo partido já nos anos 80 e criticava as coligações e a entrada de políticos burgueses no partido. Essa ala extremista acabou expulsa do PT e anos mais tarde legalizou o Partido da Causa Operária, composto por vários dissidentes do PT, entre os quais o pai de Anaí Caproni, um metalúrgico do ABC participante do Sindicato e a própria, que hoje é membro da Direção Nacional e do Comitê do partido.
Anaí participou da União Municipal dos Secundaristas de São Bernardo, formou-se em Técnica Eletrônica e trabalhou como metalúrgica, onde integrou o movimento sindical com a Oposição Metalúrgica. Atualmente cursa Direito no Largo São Francisco, para enfrentar os problemas legais dos quais uma atuação revolucionária está sujeita, e trabalha nos Correios e Telégrafos, onde também atua no Sindicato dos trabalhadores.
Já foi candidata a vereadora nas eleições de 2000, ao governo do estado de São Paulo em 2002, e hoje, com 41 anos, é a candidata pelo PCO à prefeitura de São Paulo.

Levy Fidelix (PRTB)

Levy Fidelix, hoje com 56 anos disputa cargos públicos desde 1986. Já foi candidato a Vereador, Deputado Federal, Prefeito, Governador e até Presidente da República, jamais sendo eleito. Foi um dos fundadores do Partido Liberal e, em 1994 fundou o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), que já contou com Fernando Collor de Mello integrando seus quadros.
Fidelix vangloria-se de ter sido o primeiro apresentador de um programa de informática na TV brasileira, ainda nos anos 80 – na Bandeirantes e posteriormente no SBT. Fundou a Revista Interface, trabalhou como Diretor de Criação na Agência Publicitária Vogue e escreveu nos Jornais Correio da Manhã e Última Hora (RJ) e também na Revista Propaganda & Marketing.
Levy Fidelix compõe a ala de políticos folclóricos brasileiros, com seu eterno projeto do Aerotrem, uma espécie de trem de alta velocidade, e seu jingle tosco “Vem, vem, vem / Vem que tem / Levy Fidelix / É o homem do Aerotrem.”

Ciro Moura (PTC)

Ciro Moura tem 62 anos, é administrador e candidato a prefeito pela coligação “Tostão Contra o Milhão”, que tem os candidatos a vereador mais inusitados da campanha, encabeçada pelo empresário Oscar Maroni, dono de casas noturnas.
Concorreu à prefeitura de São Paulo em 2000, pelo PRN – partido pelo qual Fernando Collor de Mello foi eleito em 1989 – e ao governo do Estado em 2002, pelo mesmo partido.
A assessoria de imprensa do candidato foi contatada por e-mail para a obtenção de maiores informações sobre as propostas de Ciro Moura, mas não obtive resposta.

Renato Reichmann (PMN)

Renato Reichmann é empresário. Tem 55 anos e em 2006 concorreu ao cargo de governador do Estado de São Paulo pelo antigo PRONA, partido de Enéias, recebendo mais de 140 mil votos.
Quem o vê nos debates das eleições municipais de 2008 dificilmente o associaria ao enérgico Enéias Carneiro, morto em 2007. Nunca exerceu cargo público, mas foi candidato a vereador, em 2004, obtendo cerca de 500 votos.

Add comment Setembro 29, 2008

Sabatina do jornal Folha de S. Paulo 24.09

Em sabatina realizada pelo jornal Folha de S. Paulo em 24 de setembro Marta Suplicy falou dos avanços que realizou como prefeita de São Paulo, lamentou não ter comunicado seus acertos à população e criticou duramente a gestão Serra/Kassab por decisões que em nada beneficiam a população.

Questionada sobre as freqüentes acusações tucanas de ter “falido” a cidade, Marta afirma ter deixado R$ 1 bi em caixa. Mas já que dinheiro em caixa é fundamental aos tucanos, Marta os questiona por guardar tanta verba em vez de investir em necessidades básicas da população: “Vocês acham que eu vou achar lindo receber R$ 2 bi em caixa com a população sem remédio como eu tenho visto, e a cidade com déficit de tudo? Eles não têm capacidade de planejar”. Marta vê aí uma grande diferença de gestão. Enquanto o governo atual prefere deixar bilhões rendendo nos bancos, numa atitude típica da politicagem tucana, ela escolheria gastar o dinheiro em benefício da população.

Para Marta, o salto de qualidade na educação que os CEUs permitiram foi importante, mas é só um começo. Força semelhante será empenhada para que a meta de manter os professores em apenas uma escola seja conquistada. Para isso, Marta se propõe a tomar medidas financeiras e oferecer salários dignos, que são bem mais importantes do que os bônus propostos pelo jornalista Gilberto Dimenstein. Outra medida importante será traçar um plano de carreira, afinal, “ninguém trabalha em várias escolas porque quer”, completou Marta.

Se por um lado os CEUs do PT foram uma revolução elogiada em todo o mundo, os do PSDB/DEM são um esforço de “fingir que faz”.  A atual gestão não entende a proposta por traz do projeto do CEU. Eles se limitam a pensar num “escolão” com infra-estrutura maior que a média. “Uma grande conquista do governo foi tornar quase um consenso o projeto do CEU. A educação não é só matemática, geografia, mas deve ser complementada pelo lazer, educação, cultura. Eu quero que toda a criança tenha acesso a isso. Crianças que fazem balé, inglês, vão a cinema e teatro se expandem. O mesmo não ocorre às crianças de periferia, que não tem acesso a isso”, conta a ex-prefeita.

A população não esquece, no entanto, que durante a gestão de Marta, a base oposicionista formada por PSDB e DEM na câmara PSDB/DEM era contra os CEUs. Assim que assumiram a prefeitura, em 2005, tentaram extinguir o projeto. Mas a população não é boba. Sentiu que os CEUs eram um direito da comunidade, e pressionaram a gestão, que acabou por render-se. Porém, como se já não bastasse, os CEUs de Kassab são bem mais caros. Mas não era justamente esse o argumento deles para serem contra os CEUs: que o preço das construções possibilitava a construção de dezenas de escolas menores?

Para Marta, o que chama atenção nos CEUs do atual prefeito “são a área construída e teatros bem menores.” Quando inaugurou o Céu Jambeiro, uma pesquisa realizada com a população do entorno revelou que 100% nunca tinham ido ao teatro, e 90% nunca tinham ido ao cinema. A maioria da população não tinha acesso a tais eventos culturais. Como oferecer só 180 lugares a uma população sedenta lazer, com  equipamentos de excelência?

Questionada sobre o pedágio urbano e a possibilidade ampliar o rodízio para dois dias da semana, Marta se diz contra e defende a ampliação de investimentos no transporte público para solucionar esse que é um problema crítico da cidade: o trânsito. “O bilhete único e os 100 Km de corredores que fizemos deram mais qualidade de vida às pessoas. Elas ganharam mais tempo junto da família, em casa. Eu tinha planejado continuar com esse benefício. Essa administração não planejou, eles só fizeram 7 km de corredor. A situação hoje é conseqüência da falta de investimento e planejamento da atual gestão” criticou Marta.

A promessa de recarregar o bilhete único na catraca foi reafirmada pela candidata, que arriscou cantarolar o hit que está nas propagandas na tevê e no rádio: “carrega na catraca”. Marta afirma que será a primeira ação como prefeita, e diz que a extinção do benefício é “uma maldade de quem não entende nada das pessoas da periferia que usam o transporte. Sou contra tirar esse direito das pessoas.”

A candidata também falou sobre a proposta, ainda em estudo, de um bilhete único semanal, mensal, anual, como ocorre em muitas cidades do mundo. A candidata diz: “Temos propostas, acho provável, vamos nos esforçar para chegar. É um desconto feito às pessoas que usam muito transporte público. Acaba sendo um incentivo.”

Marta acusou a atual gestão de sucatear a CET. “Se um carro quebrar na Marginal e não há um marronzinho para deslocar o veículo e chamar um guincho, o trânsito decorrente disso será enorme”, exemplificou Marta, que também se comprometeu a não aumentar a tarifa do ônibus em 2009.

Gilberto Dimenstein perguntou à petista qual seria o ponto crônico de São Paulo. Marta citou dois: a saúde e o trânsito. Questionada sobre o principal problema da cidade, Marta citou como pontos crônicos o trânsito e a saúde. O trânsito atinge a todas as classes sociais, seja no carro importado ou dentro do trem. A saúde, por outro lado, só afeta às classes mais baixas, que dependem do serviço público. São essas que vêem a propaganda do atual prefeito e percebem a realidade é bem menos colorida. O programa “Remédio em casa”, por exemplo, beneficia apenas 15 mil pessoas, algo em torno de 1% da população paulistana.

Marta entende que sua administração fez um “trabalho de Hércules” na saúde; perguntou aos jornalistas “Vocês se lembram do que era o PAS”? Falou da dificuldade em municipalizar a saúde, da falta de verbas e de funcionários. Por tudo que conseguiu, vê que proporcionou à área um grande avanço, além do aumentou de equipes do programa Saúde da Família, que passou para 800.

Como cidadã, Marta afirma ter acompanhado com tristeza a cidade caminhando para um retrocesso. Para ela, foi com pesar que constatou o quanto as coisas tinham melhorado sob sua administração, e estancaram ou pararam completamente sob Serra/Kassab. É o caso de diversos programas sociais que foram reduzidos, como o Renda Mínima e o Vai e Volta ou até extintos.

Ela também acredita que parte da rejeição que a classe média nutre por ela é culpa de sua grande vontade de agir. “Eu fiz muita coisa ao mesmo tempo, com muita vontade. Desagradei.”.

Após responder perguntas dos jornalistas Mônica Bérgamo, Gilberto Dimenstein, Rogério Gentile e Nilson Camargo e da platéia durante cerca de duas horas, Marta saiu do Teatro Folha, localizado no Shopping Higienópolis sem maiores declarações aos jornalistas.

 

Add comment Setembro 26, 2008

Marta e a comunidade LGBT

Não é novidade para ninguém a postura de Marta Suplicy quanto aos homossexuais. Enquanto deputada federal colocou em votação o projeto para legalizar a união civil de homossexuais, e a possibilidade de o casal poder adotar uma criança. O projeto de lei, que data de 1994, até hoje não foi votado.

Essa postura não é bem vista pela maioria das doutrinas religiosas, e Marta sempre soube que o preço a se pagar por defender a bandeira dos homossexuais era alto. Católicos e evangélicos, as religiões mais praticadas no Brasil (ver dado correto!), são contra o homossexualismo, o classificando como uma doença. Portanto, para defender uma causa como essas, é necessário coragem e cuidado. Marta nunca teve receio de assumir que é favorável à união civil dos homossexuais, mesmo correndo o risco de perder votos de uma importante parcela da população: os religiosos.

Alguns vereadores, representantes de vertentes mais radicais do protestantismo ortodoxo, tentaram criar o “Dia do Orgulho Hetero” e há, inclusive, um abaixo-assinado criado pela Assembléia de Deus que é contrário à criminalização da homofobia, projeto que tramita no Senado.

Dia 5 de setembro, contando com a companhia do ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi, Marta esteve num encontro da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) em que defendeu a cidade de São Paulo como a capital do turismo gay no Brasil – aproveitando o fato de a cidade sediar a maior parada gay do mundo, com mais de 3,5 milhões de pessoas na edição de 2008 – e também afirmou que o respeito às questões de orientação sexual devem ser tratadas como um direito nato ao cidadão.

Durante o evento, o coordenador nacional do setorial LGBT do PT, Julian Rodrigues, afirmou que Marta tem um compromisso histórico com a comunidade gay: “Marta defende nossos direitos desde os tempos em trabalhava na TV Mulher. Como deputada, alavancou o debate e a visibilidade sobre nossos direitos, ao elaborar e apresentar o projeto da parceria civil. Ela esteve em todas as Paradas do Orgulho LGBT e, quando foi prefeita, apoiou o evento. Foi quando vimos a Parada se tornar o que é hoje – a maior parada do mundo. Também como ministra, Marta apoiou a Parada e incentivou o turismo GLS”, diz Julian.

A postura da candidata foi logo atacada com veemência pelas alas mais radicais dentre os religiosos. No dia seguinte ao encontro com a comunidade, o pastor Samuel Ferreira, presidente da Assembléia de Deus do Brás – igreja evangélica conhecida pelas regras rígidas quanto ao comportamento dos fiéis (mulheres não podem usar calça, não pode cortar o cabelo, não devem fazer sexo a não ser com o motivo único da reprodução) – lançou uma enquete em seu programa “Palavras de Vida”, na rádio evangélica Musical FM em que incitava os ouvintes a responder se eles ficavam “com a Bíblia ou com a Dona Marta”, sobre a postura da candidata em relação aos homossexuais.

Durante a semana, as críticas do pastor foram ficando mais fortes. Uma ouvinte chegou a falar: “Eu jamais votaria nessa mulher! Ela é uma louca! É por isso que os filhos dela são todos ‘viados’.” O pastor justificava a enquete citando um trecho da Bíblia “O Salmo 94-4 diz: ‘Até quando proferirão e falarão coisas duras e se gloriarão todos os que praticam a iniqüidade’, é Deus perguntando até quando vai ser tolerado isso. Então esse programa está aqui, esse debate está aqui não para difamar ninguém, e sim para fazermos alusão aos versículos da Bíblia, questionarmos se ficamos com o projeto ou com o que a Bíblia diz?”. O pastor constantemente reiterava o convite para que Marta fosse explicar-se no programa: “Eu queria pedir à senhora. Não manda ninguém não. Eu gostaria de discutir isso com a senhora. Que pena. Que peninha.”, ironizava.

A coligação da candidata, “Uma nova atitude”, decidiu entrar na justiça contra o pastor Samuel Ferreira, que foi obrigado a tirar do ar a enquete e se retratar no ar. Ao saber que Marta Suplicy entrou na justiça contra a enquete, o advogado do pastor acusou Marta de ferir o direito à liberdade de expressão assegurado pelo Artigo V da Constituição Federal brasileira: “Nós vamos nos defender. Nós vamos defender e não é a nós. Nós vamos defender ao seu ouvinte. Nós vamos defender os cidadãos desse país. Vamos defender a Bíblia. Nós vamos defender o direito que cada pessoa tem de ter acesso à informação e de se manifestar. Seja essa informação para nortear seu voto: que seja assim, esse é o estado democrático de direito. Se for informação para a pessoa se pautar sobre um tema controvertido, que assim o seja. Nós não nos esquecemos que o Supremo Tribunal Federal, órgão máximo da justiça brasileira, guardião da Constituição e dos direitos nela inseridos, sempre que há um tema contundente e controvertido, o STF marca audiências públicas para ouvir pessoas ligadas a esses temas para que os ministros do STF possam pautar sua decisão. Se os ministros do STF ouvem as partes envolvidas, como  subtrair do cidadão esse direito?”.

No dia 19 de setembro a Justiça Eleitoral de São Paulo condenou a rádio por veiculação de propaganda contrária à candidata. O valor da multa é de R$21,2 mil, mas a rádio ainda pode recorrer. Segundo a Justiça, “há propaganda negativa em que se aconselha aos fiéis a não votarem na candidata que defende os interesses dos homossexuais”. A justiça, afinal de contas, não considerou a proibição da enquete do pastor como limitação da liberdade de expressão, e sim menções políticas contrárias à Marta, aconselhando o eleitor a não votar nela por causa dos seus projetos favoráveis aos homossexuais.

Diante da condenação, o Conselho Nacional de Pastores do Brasil (CNPB) preparou um manifesto contra Marta, em que acusam a candidata de “impedir a livre manifestação de opinião e crença daqueles que não pactuam com os mesmos pensamentos de cunho religioso da candidata”. O conselho reúne 190 representantes de entidades evangélicas do país.

A cruzada é apenas contra Marta, mas a maioria dos candidatos também apóia a causa. Sabe-se que ela, dentre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, é a mais envolvida na causa LGBT. Mas os outros candidatos também defendem a liberdade de escolha sexual. Em evento com evangélicos, Gilberto Kassab foi convidado pelo deputado estadual Waldir Agnello (PTB) a endossar um abaixo-assinado contrário à criminalização da homofobia no país. Kassab se negou a assinar, e disse: “Defendo a diversidade. Isso é público. A prefeitura tem uma série de ações. A Parada Gay é uma realidade. Tenho em todos os momentos me manifestado como cidadão e como prefeito.”

 

 

 

 

Add comment Setembro 26, 2008

Olha só

Gente, como devem ter percebido, eu desisti desse blog. Desculpem, eu sei tão bem quanto vocês o quanto precisamos de uma fonte de informação mais imparcial que essa encontrada na grande impressa.

Então vou postar alguns textos sobre a campanha da Marta Suplicy que andei escrevendo, pode ser?

Add comment Setembro 26, 2008

ANÁLISE Eleições 2000 / 2004

2000- O PT sempre teve alto índice de rejeição em São Paulo. Há explicações suficientes para esse fato, mas não vou me ater a isso no momento. Em 1988, Luiza Erundina, ainda no PT, foi eleita prefeita. A cidade só voltou às mãos do partidos 8 anos depois, após os governos de Paulo Maluf e Celso Pitta, que foram desastrosos para as contas públicas e auto-estima da cidade. A população precisava de uma gestão diferente, fazendo da eleição de 2000 um marco da mudança.

Marta Suplicy esteve na frente nas pesquisas durante todo o período eleitoral, e passou para o 2º turno com mais de 30% dos votos. A outra vaga para o 2º turno foi definida nos momentos finais. A diferença entre Paulo Maluf (PPB) e Geraldo Alckmin (PSDB) foi de menos de 8 mil votos, numa cidade cujo colégio eleitoral é composto por 7 milhões de eleitores.
Essa tabela, disponível no site do PSDB traz detalhadamente os votos de cada candidato no 1º turno das eleições de 2000:

Votos Válidos: 5521182 (90,23%)

Eleitores Aptos: 7134821

Votos Brancos: 249970 (4,08%)

Urnas Apuradas: 13951 (100,00%)

Votos Nulos: 348166 (5,69%)

Abstenções: 1015503 (14,23%)

O segundo turno foi emocionante. Com meus 14 anos, eu não podia votar, mas acompanhei a trajetória que acabou dando a vitória à Marta Suplicy.

Mais que um SIM ao PT, a vitória de Marta representava uma negação ao malufismo. Mário Covas, na época governador de São Paulo pelo PSDB, participou ativamente da campanha de Marta, condenando tudo que o malufismo representava e defendendo com veemência na mídia aquela que daria um basta às políticas conservadoras e inescrupulosas de Maluf e de seu pupilo, Pitta.

O apoio irrestrito de Mário Covas convenceu a elite, tendo sido essencial para a vitória de Marta, que obteve maioria também em bairros nobres, que nunca representaram o eleitorado do PT. Vemos, a seguir, os votos que Maluf e Marta tiveram no 2º turno, por bairros:

Eleitores Aptos: 7134821

Votos Brancos: 206.722 (3,41%)

Votos Nulos: 294.997 (4,87%)

Acho que qualquer paulistano compartilha da minha surpresa ao ver bairros de elite como Pinheiros, Perdizes ou Bela Vista dando mais de 60% de votos a Marta. Nos dias de hoje pronunciar seu nome ou seu partido nessas regiões chega a ser perigoso, tamanho o ódio fanático que a classe média e alta paulistana aprendeu a nutrir pelo PT.

As classes sociais mais altas deviam pensar, à época, que seria fácil controlar a gestão de Marta, mantendo políticas conservadoras e sem mexer na estrutura social da cidade. Ledo engano.

Foram vistas verdadeiras revoluções em diversas áreas de atuação, frustrando a elite:
*No transporte público, houve a renovação de toda a frota de ônibus municipal – que estava caindo as pedaços, literalmente – além da regularização das lotações; foi criado o Bilhete Único, que beneficia milhões de habitantes dependentes de ônibus, que pagam apenas uma tarifa e podem utilizar até 4 ônibus num período de duas horas
*Programas sociais como o renda mínima, que foi um embrião do Bolsa-família, marca do governo Lula
*A construção de CEUs, escolas com infra-estrutura completa, piscinas, quadras, auditórios, teatros em áreas extremamente carentes da cidade
*O IPTU progressivo, que beneficiou 2,6 milhões de paulistanos com a isenção ou redução do imposto, e o aumento do tributo pago pelos mais ricos, na idéia do quem tem mais, paga mais
Entre outras realizações, que abordarei mais adiante.

Com esse tipo de projetos e ações, não é difícil perceber que a insatisfação das classes mais elevadas e da imprensa elitista surgiram rapidamente, e começaram a bombardear de críticas o governo Marta, através de comentários preconceituosos, e instigando um verdadeiro ódio por Marta, pelo PT e tudo que ele representava.

2004 – Por conta disso tudo que abordei, Marta perdeu boa parte do seu eleitorado de 2000, composto pelas classes média e alta. Por outro lado, conquistou de vez a população mais carente, que em 2000 não tinha plena confiança naquela “madame dos Jardins”; no entanto, isso não foi suficiente para reelegê-la. A tabela a seguir, também disponível no site do PSDB, traz os dados da eleição de 2004, 1º turno:

Total de Votos Válidos: 6167371

Total de Votos Nulos: 290414

Total de Votos Brancos: 151598

José Serra (PSDB) e Marta Suplicy foram ao 2º turno. O tucano ganhou com certa folga, cerca de 500 mil votos:

Total de Votos Válidos: 6070331

Total de Votos Nulos: 241217

Total de Votos Brancos: 95921

Total de Votos: 6407469

Total de Abstenção: 1364034

Total de Votos: 6609383

Total de Abstenção: 1162120

Durante a campanha, Serra assumiu em cartório o compromisso de não deixar a prefeitura para candidatar-se ao governo estadual em 2006.

Nos dois primeiros anos de governo, não houve qualquer obra de destaque, além da conclusão de trabalhos da gestão anterior, recapeamento de uma boa parte das ruas da cidade, e pequenas ações do gênero.

Em 2006 veio a decisão do então prefeito de sair candidato ao governo do estado, mesmo tendo assumido o compromisso de manter-se na prefeitura até o final do mandato. Diante da saída (e posterior vitória) de Serra, o vice Gilberto Kassab (ex-secretário do Planejamento na gestão Pitta), então do PFL (atual DEM) assumiu a prefeitura, e sobre sua gestão falarei mais adiante.

Add comment Julho 5, 2008

Convenção do PT

29 de junho – Expo Barra Funda, São Paulo

Num grande galpão na Zona Oeste de São Paulo – a escolha do local estaria relacionada à tentativa de resgatar o voto da classe média, tão presente na região? – milhares de militantes (cerca de 3 mil) se reuniam para a convenção do PT, que oficializava a candidatura de Marta Suplicy e sua coligação “Uma nova atitude para São Paulo” para a prefeitura de São Paulo.

Os contrastes com a convenção tucana que acompanhei na semana anterior são gritantes; o clima no PT era de festa e otimismo, e a configuração do local era uma superprodução. Áudio de qualidade – que tocava forró e pagode, lembrando jingles antigos do PT -, iluminação, efeitos, chuva de papéis em forma de estrela. O custo foi de R$ 85 mil. Por outro lado, as pessoas eram mais simples; nada de engravatados, saltos altos e tailleus; até Marta, com um gosto refinado para roupas preferiu um modelo discreto, composto por uma calça e uma blusa de tons suaves.

A convenção tucana, além de bem mais simples esteticamente – e financeiramente: custou R$ 30 mil – reunia militantes bem menos eufóricos. No PT, era palpável o entusiasmo da multidão. Mais uma vez, escolher um enorme galpão fechado para a convenção pode não ter sido a toa. Calor humano, sabe.

A imprensa estava perdida. Semana passada, havia uma área reservada à ela na Assembléia, além da paixão mútua entre os jornalistas e o tucanato. Na convenção petista, era visível o mau humor da imprensa, obrigada a dividir espaço com a multidão, tendo que se acotovelar com militantes para capturar fotos dos políticos discursando, enquanto que na semana anterior, toda atenção era dedicada a eles.

Todos os presentes recebiam um lanche, contendo suco e sanduíche, além de uma pasta que trazia o programa de governo – confesso que ainda não li, mas a Folha diz que boa parte do livreto de 90 páginas é de ataques à gestão Serra – Kassab, o que, aliás, foi o foco do discurso de 40 minutos de Marta, segundo o jornal. A decoração do local evidenciava a tendência da campanha: o uso ostensivo da imagem do presidente Lula – que, segundo pesquisa Ibope de hoje (30/06) tem 58% de aprovação – e da nacionalização da campanha, chamando atenção para feitos do governo federal. Uma enorme foto de Marta com Lula era o centro das atenções, atrás do palanque.

Outro detalhe que não passou despercebido a mim: ficou claro a falta de propostas de Geraldo Alckmin, após acompanhar os discursos da coligação de Marta. Seu plano de governo é vazio, nutrido com a sede do poder, sem idéias que beneficiem as camadas mais pobres – eleitorado de Marta. Arlindo Chinaglia levantou essa questão em sua fala: “DEM e PSDB se unem contra Marta e o PT; eles não tem propostas” e ainda desafiou: “Se querem derrotar Marta, devem passar por cima de Lula; e, eles sabem: eis uma missão intransponível”. Com esse discurso, Chinaglia atentou para a importância – e até à esperança – de uma vitória no 1º turno.

Aloizio Mercadante chamou atenção para o programa Renda mínima, lançado no governo de Marta, um embrião do bolsa-família, orgulho do governo federal.

Quando o senador Eduardo Suplicy foi chamado a discursar, a multidão explodiu em aplausos. Em sua fala, Suplicy disse que a união entre Marta e Aldo Rebelo o emocionou, e que ambos tem uma história de luta em favor da dignidade humana para todos.

Nádia Campeão, presidente do PC so B, falou sobre a jornada de luta que seu partido e o PT tem juntos, e enalteceu a importância social do cargo de vice dado ao seu partido: “Forças conservadoras e retrógradas estão governando São Paulo. O PC do B tem orgulho de ceder um de seus principais quadros políticos nacionais para essa chapa”.

Para quem não estava acompanhando a dificuldade em formar essa chapa (PT + “bloquinho”) e a necessidade da intervenção de Lula para que isso ocorresse, pareceria que a união desses partidos era natural, tamanha a quantidade de elogios que eram derramados aos aliados. Ricardo Prado, presidente do PDT disse que “as melhores lideranças desse país estão reunidas nessa mesa: são partidos com tradição de luta”

José Américo, presidente do diretório municipal paulistano atentou para um acontecimento único que a chapa conseguiu: a unificação do movimento sindical.

Aldo Rebelo, que é o vice de Marta, falou sobre a sociedade desigual. Foi muito aplaudido ao lembrar que a única forma de luta da população nessa sociedade capitalista em que vivemos é o voto conscietizado. Em seu discurdo, Aldo também atentou para os paradoxos de São Paulo, e no esforço de Marta em prol da igualdade. Ele sabe que a chapa enfrentará dificuldades e preconceitos por sua atitude em querer mudar as bases da sociedade e distribuir justiça social.

Marta começou agradecendo a todos da aliança; em seguida, garantiu: “São Paulo quer, pode e vai mudar”. Levou a militância ao delírio ao dizer “Daqui eu posso ouvir o coração dessa militância guerreira, que nunca fugiu da luta”.

Ela criticou a forma com que os gastos municipais tem sido destinados 4 vezes mais para bairros ricos, destacando o apoio com que contará caso eleita: do governo que mais investiu e implantou programas sociais na história do Brasil; e promete dar sustentação à ascenção social que tem ocorrido com muitas famílias, a classe-média recente.

Marta diz que quer beneficiar a todos, mas os jovens serão os mais privilegiados, contando com empreendimentos afinados com as necessidades tecnológicas da sociedade, e ninguém melhor do que o jovem para montar e gerir essa inovação. O suporte ao crescimento do crédito também aparece entre as intenções de Marta.

Para o trânsito, Marta promete um esforço de guerra e diz conhecer a saída para tirar São Paulo do buraco.

De acordo com Folha e Estado, Marta bateu muito na gestão PSDB-DEM, eu discordo em parte. Acho que em grande parte de sua fala Marta preferiu citar as políticas de inclusão social promovidas por sua gestão na prefeitura e pelos 2 governos Lula; quando finalmente citou Serra, o fez anunciando certa decepção:

“Serra não cumpriu promessas de governo referentes à saúde; era tido o melhor ministro de Saúde do Brasil, no entanto, decepcionou a todos. Até eu me decepcionei com a gestão Serra/Kassab. Ok, houve avanços, mas a maioria das áreas só conheceu o retrocesso.”

Marta também lembrou da secretaria de segurança pública, criada para ajudar no policiamento – que é de competência estadual, mas “a prefeitura não pode ficar alheia”. A gestão atual extinguiu a secretaria e diminuiu o policiamento preventivo e as bases comunitárias.

A educação, como não deixaria de ser, levou Marta e a militância ao delírio: “Educação é a base da construção do indivíduo e de transformação da sociedade. Vamos dar uma escola que encha o coração, os olhos e o tempo dos jovens”.

Para terminar, Marta atentou para o fato de os partidos da coligação terem as mesmas intenções sociais: “não é aquele troca-troca de chapas que ocorre às vésperas da eleição”, e completou dizendo que é uma companheira histórica de Lula, e se orgulha ao tê-lo do seu lado.

Add comment Julho 1, 2008

Repercussão – morte de Ruth Cardoso

25 de junho – Folha de S.Paulo

GERALDO ALCKMIN, ex-governador de São Paulo (PSDB):
“Foi uma grande companheira de partido, de posições progressistas, que nos inspirava. Deixa-nos bons exemplos, tanto na vida acadêmica quanto na vida pública”.

MARTA SUPLICY, ex-ministra e ex-prefeita de São Paulo (PT):
“Ruth pertenceu a uma geração de mulheres que desde cedo perceberam que o papel da mulher na sociedade deveria ir além do de dona-de-casa”.

GILBERTO KASSAB, prefeito de São Paulo (DEM)
“Dona Ruth significou sempre um exemplo da mulher contemporânea, capaz de conciliar uma intensa atividade pública, como intelectual, a uma vida familiar que era um exemplo de austeridade e retidão”.

Achei interessante a opinião dos três candidatos em relação à Ruth Cardoso porque em poucos linhas estão contidas as ideologias de cada um; Kassab e Alckmin falam da família, enquanto Marta atenta-se para a carreira da ex-primeira dama.

Add comment Junho 26, 2008

PT aluga imóvel para convenção por R$ 25 mil

24 de junho – Folha de S.Paulo

O PT está preparando uma convenção para cerca de 3.000 pessoas no domingo. Diferentemente das outras grandes legendas, que promoveram seus encontros ou na Assembléia Legislativa ou na Câmara, o PT alugou um centro de exposições na Barra Funda, zona oeste.
O partido afirmou não ter ainda estimativa de custo do evento, já que não está decidindo se fretará ou não ônibus para levar os militantes.
Só o aluguel do local do evento custará cerca de R$ 25 mil. As convenções do DEM e do PSDB custaram, respectivamente, R$ 50 mil e R$ 80 mil, segundo as assessorias dos partidos.
O PT começa hoje a disparar convites para ministros, congressistas, presidentes de legendas aliadas e outras personalidades. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será convidado, mas não deve ir. O discurso de Marta está previsto para ocorrer entre as 16h e as 17h.
Além da convenção, o partido já definiu também o primeiro ato da campanha de Marta, que será uma caminhada pelo centro de São Paulo, no dia 7, segunda-feira, um dia após o início oficial das campanhas, de acordo com a legislação eleitoral.
“A idéia é fazermos um roteiro pelos pontos históricos do centro. Um grande evento, para marcar o início da campanha”, disse o deputado estadual Simão Pedro (PT), responsável pela montagem da agenda da pré-candidata.
A caminhada deverá passar pelo Teatro Municipal, largo São Francisco, catedral da Sé e pelo Páteo do Colégio, marco inicial da cidade de São Paulo.

Opa! E aí começa meu tcc de verdade. Convenção do PT domingo e caminhada com Marta pelo centro de São Paulo. Se você quer saber qual é a minha proposta, leia esse texto que escrevi no Tccendo.

Add comment Junho 24, 2008

Convenção do PSDB

22 de junho, Assembléia Legislativa. em São Paulo.

Sim, meus caros. Estive no território inimigo. Não compareci ao começo, mas não perdi muita coisa, tendo em vista que o PSDB selou um acordo interno para impedir a luta entre Alckmin e a chapa oposicionista dentro do partido – o que causaria danos aos tucanos. O governador José Serra – que se opunha à candidatura de Alckmin – foi essencial para acalmar o nervo dos anti-alckmistas e evitar o confronto por votação.

Cheguei, na verdade, junto com o candidato. Fiquei na área reservada para imprensa. A militância enchia a Assembléia, e cantava incessantemente o jingle da campanha. O “animador” era um fazedor de média ímpar; pedia aplausos às mulheres, aos negros, aos japoneses…

Assim que Alckmin chegou ao recinto, dirigiu-se imediatamente à sala de imprensa, para cumprimentar os jornalistas um por um. Sim, ele também me cumprimentou. O acompanhavam o deputado federal Eymael (graaande mito! PHS-SP) e seu vice, Campos Machado (PTB-SP).

Na coletiva, nada de útil foi pronunciado. Alckmin agradeceu à toda aliança, disse que o tempo das divergências tinha acabado – agora o PSDB estava unido para “servir ao povo de São Paulo”.

A campanha só começa oficialmente no dia 6 de julho, e qualquer menção à candidatura é considerada crime; portanto, nenhuma pergunta sobre a eleição foi feita. No entanto, Alckmin foi astuto e deu uma primeira alfinetada em Marta Suplicy: “o povo não precisa de novas atitudes (slogan de Marta): o povo quer seriedade e compromisso”.

Quanto aos vereadores contrários à chapa própria do PSDB, Alckmin prometeu apoio irrestrito à toda bancada. Disse, também, que “minha candidatura é das bases, da alma do partido” e que “minha identificação com o PSDB é muito forte”.

Sobre Serra, Alckmin negou qualquer conflito: “Eu sempre apoiei o Serra. Nossa divergência é de ‘fuso-horários’.”

O candidato ainda afirmou que Kassab não é considerado um adversário e que no 2º turno eles estarão juntos. “O DEM tem todo o direito de ter uma candidatura própria”, completou.

Sobre o trânsito, Alckmin diz que especialistas internacionais devem ser consultados. “São Paulo é uma megalópe, seu maior problema é a mobilidade”, diz, enquanto comenta que passará alguns dias em Bogotá aprendendo sobre a política de tolerância zero a solucionar os problemas de mega-cidades.

O que me assustou de verdade foi a chuva de aplausose de puxa-saquismo por parte da imprensa, a cada palavra do Alckmin. Sério, me enoja isso.

Alckmin também teve seus momentos populistas, durante a coletiva. Citou Mário Covas, disse que, seguindo seu exemplo, trabalhará diretamente com o povo… E também prometeu não largar a prefeitura em 2010.

No final, as conversas entre os jornalistas mostravam desânimo. Todos ficaram frustrados com a convenção; assim como eu, provavelmente, esperavam ’sangue’. O que rolou foi um acordo.

Add comment Junho 24, 2008

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