PT apóia Quércia em 2010 se ele fechar com Marta já

Maio 17, 2008

18 de março – Estadão

Além de oferecer ao PMDB vaga de vice na chapa, grupo da ministra admite avalizar ex-governador para o Senado; idéia irrita aliados de Mercadante

Vera Rosa e Felipe Werneck

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A cúpula do PT ofereceu um “pacote eleitoral” ao PMDB, com o objetivo de atrair o apoio do partido à candidatura de Marta Suplicy, que deixará o Ministério do Turismo para disputar a Prefeitura de São Paulo. Além de abrir para o PMDB a vaga de vice na chapa de Marta, o grupo da ministra admite avalizar Orestes Quércia para o Senado, em 2010. A proposta apresentada a Quércia, que é presidente do PMDB paulista, provocou reações iradas da ala ligada ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato natural à reeleição.

“Estamos mesmo dispostos a dar a vice ao PMDB e também sou a favor de apoiar Quércia para o Senado, em 2010″, afirmou o presidente do PT paulistano, vereador José Américo Dias. Para rechear o pacote oferecido ao principal parceiro da coalizão no governo Lula, os petistas negociam, ainda, a retirada de candidatos sem expressão eleitoral, em vários municípios, em favor de concorrentes do PMDB.

“Não podemos querer que o PMDB nos apóie em tantos lugares sem contrapartida”, argumentou José Américo. Questionado sobre os protestos do grupo de Mercadante, ele desconversou: “Eu não tenho conhecimento dessa resistência.”

Na prática, o PT negocia com Quércia a segunda vaga ao Senado, já que a primeira será reservada a Mercadante. Em geral, porém, o segundo nome da dobradinha é sempre um político menos conhecido, que não oferece risco ao candidato sobre o qual o partido aposta todas as fichas. Não é o caso de Quércia, que detém a máquina do PMDB em São Paulo.

Embora o ex-governador diga que está “escaldado” e não esconda a desconfiança em relação ao PT, os petistas acreditam no acordo. No atual cenário, o mais cotado para vice na chapa de Marta é o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB. Em 2004, Marta disputou e perdeu a reeleição como prefeita em chapa puro sangue, composta só pelo PT, que não quis ceder a vice. Agora, porém, o discurso é diferente. “Para nós, a aliança com o PMDB interessa em todo o País”, insistiu o deputado Ricardo Berzoini (SP), presidente do PT.

Em várias conversas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos petistas que não adianta o partido disputar apenas para marcar posição. Mais: avisou que não subirá em nenhum palanque nas cidades onde a base aliada estiver dividida em duas ou mais candidaturas.

Mesmo com sua campanha sendo montada, a ministra do Turismo ainda tenta despistar sobre a entrada no páreo. “Amo a minha cidade e sei que posso dar grande contribuição, mas é uma decisão extremamente difícil. Estou muito dividida”, afirmou Marta ontem, no Rio.

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