Acordos diluem rivalidade partidária
Maio 17, 2008
23 de março – Estadão
Interesses locais ditam parcerias antes classificadas de ‘espúrias’, como a que pode unir Marta e Quércia
O quadro de alianças para as eleições municipais de outubro não está fechado, mas já é o retrato nítido da diluição das fronteiras partidárias e ideológicas, em nome de interesses locais. Prova disso, segundo um dirigente nacional do PT, é que o discurso ideológico inflamado contra o PSDB, que anos a fio marcou a campanha petista Brasil afora, foi descartado. Seu uso está praticamente restrito a São Paulo e, nesse caso, a finalidade nada doutrinária é justificar uma “parceria pragmática”, antes classificada de “espúria” pelos próprios petistas: a união da ministra do Turismo e pré-candidata do PT a prefeita da capital, Marta Suplicy, com o PMDB de Orestes Quércia.
Ao menos até agora, a única legenda que estabeleceu um parâmetro nacional, limitando as alianças, é o DEM. Assim mesmo, a restrição imposta pela Executiva Nacional passa longe da questão ideológica. “No nosso caso vale tudo, menos parceria com o PT”, resume o vice-presidente do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC). Ele está convencido de que as barreiras no campo ideológico, entre esquerda e direita, são coisas do passado, que não existem mais. “Nossa incompatibilidade com o PT é de natureza ética. Não queremos nada com um partido cujos dirigentes, que deveriam dar bom exemplo, defendem mensaleiros e saqueiam cofres públicos.”
No geral, a regra que vale para todos os 27 partidos com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é a falta de regras para as alianças na disputa municipal. “Ninguém nos sugeriu nenhuma limitação e, na verdade, ninguém tem autoridade para excluir ninguém”, afirma o senador Cristovam Buarque (PDT), que, antes de disputar a Presidência da República pelo PDT, governou o Distrito Federal pelo PT. “Em que o DEM é menos respeitável que os demais partidos?”
Ele defende a tese de que os candidatos ainda são diferentes, por razões éticas ou políticas, mas diz que as siglas ficaram todas iguais. Paulo Bornhausen concorda. “Os interesses locais imperam porque todos os partidos viraram federações de lideranças regionais”, avalia.
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